Shitashii Sensei
12 Capítulo 12
Reita\'s P.O.V.
- Sua irmã vai me matar.
O pequeno apenas me sorriu fracamente, o rosto ligeiramente vermelho pela febre. Havia amanhecido com febre e tosse depois da corrida na chuva no dia anterior. Só depois de tudo ele havia me dito que tinha propensões a pegar gripe muito fácil. Comecei a remexer nas minhas gavetas procurando por algum antitérmico ou qualquer coisa que fizesse aquela febre ceder.
- Sabe, você podia ter me avisado um pouco antes. Eu teria te obrigado a entrar num banho quente ao invés de ficar rodopiando com você no meio da chuva!
Taka riu, negando com a cabeça.
- Mas era tudo o que eu não queria que você fizesse. – ele já estava ficando sem voz, e aquilo sim com certeza me faria ser assassinado por Nakayume.
Baguncei seus cabelos de leve, rumando pra cozinha e pegando um copo de água. Já havia avisado que precisaria faltar na escola, coisa que eu nunca tinha feito. Suspirei, batendo algumas vezes a cabeça no armário. Deveria parar de ser tão impulsivo e raciocinar um pouco. Não que eu achasse que alguém deduziria alguma coisa comigo e Taka faltando no mesmo dia... mas não era bom arriscar.
- Toma esse comprimido, espero que ele baixe a sua febre.
Ele ainda me olhava com aquele sorriso, tomando o comprimido.
- O que foi? – perguntei.
- Nada, é só que... você é a segunda pessoa que cuida de mim assim... sem esperar por algo em troca.
Sentei-me ao seu lado na cama, passando um braço sobre seus ombros. Taka prontamente se acomodou a mim, deitando a cabeça sobre meu ombro. Tirei o copo de suas mãos, vendo-o sorrir um pouco mais.
- Você realmente não tem uma boa relação com seus pais, não é?
- Não é isso... – ele estava realmente rouco. – Não é que tenhamos uma relação ruim... não temos relação nenhuma...
Beijei o topo de sua cabeça; aquilo era realmente preocupante, mas não era como se eu pudesse fazer alguma coisa. Não demorou muito para os remédios fazerem efeito e Taka adormecer. Deitei-o com cuidado na cama, indo pra cozinha. Fiquei meditando diante das panelas por alguns minutos, pensando no que fazer, e acabei decidindo pelo clássico para pessoas doentes: sopa.
Duas horas depois já estava levando um prato pro pequeno quanto ouvi batidas na porta. Ergui uma sobrancelha, imaginando quem poderia ser, mas me lembrava de Taka ter comentado algo sobre um certo \"radar de irmã\". Abri a porta e ó o que vi foi um vulto moreno passando por mim e indo direto pro quarto. Achei melhor não dizer nada, fechando a porta e indo levar o prato pra Taka. Só esperava que a bronca pra mim não fosse tão grande.
Nakayume tinha um olhar assassino sobre mim, e eu sabia que eu a escutaria por um bom tempo, aquelas broncas que eu já sabia muito bem. Ainda estava sonolento por causa dos remédio que Aki havia me dado, mas sentia que a febre já havia passado e que minha garganta doía menos.
- Takanori, você é mesmo irresponsável. Eu deveria te espancar agora.
- Faria isso com um pobre irmãozinho adoentado? – minha voz ainda estava um pouco rouca, o que fez a irritação dela aumentar.
- Acredite, vontade é o que não me falta. – ela sentou-se ao me lado na cama, suspirando. – Imagino que você tenha tomado aquele temporal de ontem.
- Sim.
- E por que o senhor estava debaixo daquele dilúvio?
Fui poupado da resposta pela chegada de Aki e uma bandeja de sopa. Meu estômago até reagiu ao cheiro da comida, algo impossível pela manhã. Nakayume lançou um olhar assassino na direção de Aki, que deixou a bandeja no meu colo e se virou pra sair.
- Nada disso, Suzuki-san. Pode ficar quietinho aí que já já eu vou dar bronca em você também.
Aki suspirou, sentando-se na poltrona a um canto do quarto. Nakayume virou-se pra mim.
- E então? Por que diabos você estava debaixo de um dilúvio quando sabe que logo teremos uma apresentação?
- Ah... bem... – olhei pra Aki, sem responder.
Nakayume olhou de mim pro mais velho e de novo pra mim, entendendo.
- Vou bater em Suzuki-san por ele e por você, Taka. Isso é loucura! Como se já não bastasse você fumando...
- Estou diminuindo, nem vem.
- Mas ainda não parou. E você tinha me dito que tinha uma música nova.
- E tenho. Mas eu estar doente não é um problema.
Ela me olhou completamente incrédula.
- Me diz onde ter um vocalista gripado e quase sem voz não é problema.
Eu ri, tirando um papel amassado do bolso e entregando pra ela.
- Porque eu fiz essa música pra você cantar.
Nakayume franziu o cenho, abrindo o papel e tentando ler o que eu havia escrito com a caligrafia completamente corrida não havia dado tempo para passar a limpo, mas ela já estava mais do que acostumada com a minha letra torta. Conforme linha as linhas rabiscadas, um sorriso de canto ia aparecendo em sua boca. Lançou um olhar rápido para Aki antes de dobrar novamente o papel e guardar na bolsa.
- Agora entendi porque quer que eu cante.
Aki olhava de um para outro, sem entender. Eu apenas sorria junto com minha irmã, minha mais nova cúmplice. Mas não demorou muito e ela ficou séria, e tinha certeza de que viria mais bronca.
- Taka... eu também tenho que conversar algo muito sério com você. E seria bom se você ficasse, Suzuki-san. – emendou, ao notar que Aki ia saindo do quarto.
Franzi o cenho, estranhando aquilo. O que poderia ser assim tão importante para que atpe Aki ouvisse também?
- Taka... você já está quase terminando o colegial, faltam poucos meses. Já fez seus dezessete nos e espero que vá logo pra uma universidade. Sei que você já cresceu...
- Pode ser um pouquinho mais direta?
Ela respirou fundo.
- Sabe... aquele rapaz com quem eu estou namorando?
- O de Mie?
- Sim. Ele... quer se casar comigo.
- Isso é bom, não é?
- Ele quer que eu vá pra Mie com ele.
Fiquei em silêncio, sem saber o que dizer. Eu sabia que em algum momento da minha vida, aquilo iria acontecer. Sabia que, um dia, eu seguiria a minha vida e Naka-chan seguiria a dela. Mas saber... não amenizava o peso que sentia no meu peito. Não amenizava o medo de ficar sem ela.
Minha melhor amiga. Minha irmã. Minha mãe.
Era como se o chão se abrisse sobre mim.
Continua...
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