Shinigami
7 Long live the father of all
Notas iniciais
Eu ainda estava paralisado encima de Lancelot, Anne levantou e correu até mim, me ajudou a me levantar. Eu cai sentado no chão e a morena logo foi conferindo os meus ferimentos, eu apenas fiquei observando o seu rosto.
Os cortes já tinham parado de sangrar, o corte acima da sobrancelha tinha deixado metade do seu rosto pintado de vermelho, o corte da bochecha estava com o sangue borrado, acho que ela tentou limpar.
— Você.. — Começou franzindo o cenho — Você não se machucou — Ela segurou o meu rosto girando-o — Ele te acertou inúmeras vezes, mas você não tem nenhum corte. — Ela me olhou nos olhos, só então notei que a sua íris estava castanho claro com os cantos esverdeados e sua pupila um pouco dilatada.
— O que.. o que aconteceu..? — Olhei por cima do ombro da morena — Eu não consigo lembrar de quase nada. — Ela soltou o ar pela boca e se sentou no chão, com os olhos fechados começou a me contar.
Depois que eu gritei para Lancelot eu soquei seu rosto com as mãos nuas. Como ele foi pego de surpresa, ele acabou cambaleando para trás e eu aproveitando essa deixa, estiquei a mão direita atraindo as sombras, que me envolveram.
Lancelot, então, atacou mas eu o bloqueei com uma foice feita de também sombras e contra-ataquei acertando-o no peito. Anne até tentou me parar, só que eu a joguei longe.
Quando Lancelot caiu, a minha foice se foi e eu comecei a socar o seu rosto. O sangue dele respingava nas minhas mãos, apesar de não estar encostando nele de fato, apenas as sombras estavam tocando-o.
E então ele desmaiou, mas eu não parei. Ann novamente tentou me tirar de lá, agora mais agressiva, e eu novamente a agarrei pelo pescoço e a joguei longe.
Quando Brumn chegou ele não pensou duas vezes e me paralisou, quem que fosse que estava me controlando mandou ele me soltar, o druida fez o contrário, ele deixou ainda mais forte o feitiço e cada vez que a voz mandava libertar-me ele deixava ainda mais forte. Até eu retomar consciência como Frank.
Olhei para o pescoço de Anne e vi a vermelhidão em forma de mão. Ela se levantou, esticou a mão que eu aceitei, levantei e a ajudei a carregar Lancelot até a árvore mais próxima e amarra-lo.
Ajudei também a carregar Jason e recosta-lo no tronco perto da fogueira, onde Brumn estava mexendo em seu caldeiram. Ao terminar de mexer, Brumn pegou um copo, encheu com o líquido e o entregou para a morena.
— Beba — Disse alisando a longa barba branca. Assim ela o fez e me entregou o copo.
Eu olhei o líquido azulado, fumigante e perguntei:
— Que gosto que tem? — Brumn acendendo o cachimbo respondeu:
— Da comida que você mais gosta. — Ele soltou a fumaça pela boca.
— Do que você sentiu? — Olhei para Anne que riu rouca.
— A autentica cerveja dos Vikings. — Levantei as sobrancelhas, levei o copo aos lábios e tomei.
No mesmo instante senti o gosto de coca-cola gelada, o que era estranho, já que o copo nas minhas mãos estava quente. Uma sensação de alivio passou pelo meu corpo.
Entreguei o copo para Anne que derramou um pouco na boca do Jason. Os ferimentos de Jason foram sumindo até não existirem mais, como se nunca tivessem estado lá.
O loiro acordou gradativamente, olhou em volta, sentou-se passou a língua nos lábios e comentou:
— Chilli? — Ann riu e se sentou.
Jason sentou-se no meio de nós dois — Então, como deixaram Lancelot daquele jeito? — Apontou para o moreno que começou a acordar.
Anne recontou a história. Eu fiquei observando suas feições, seus olhos já tinham voltado a sua coloração natural de jabuticaba madura. Seu olhar era distante e ela apertava o copo com tanta força que os nós dos dedos estavam esbranquiçados.
— E agora? — Perguntou com a voz baixa, quase como um sussurro. — O que faremos com ele? — Jason e eu olhamos para Lancelot.
Nos reunimos em um semi circulo na frente do nosso mais novo prisioneiro, ele até tentava gritar mas com a mordaça que Anne colocou nele ficava meio difícil.
Jason tomou a iniciativa de retirar a mordaça, pior erro, Lancelot começou a gritar exigindo que soltemos ele, que aquilo era um desrespeito ao melhor guerreiro de Bretanha, coisas do tipo.
Quando finalmente ele calou a boca, começamos a fazer algumas perguntas e caso ele se recusasse a responder.. Oleg e Magnus iriam cuidar disso.
— Responda — A morena falou firme — Por que nos seguiu?
— Solte-me e lhe responderei, princesa. — Sorriu de canto. Eletricidade começou a percorrer o corpo dela.
— Não. Responda e nós soltamos. — E esse joguinho continuou até Anne segurar a armadura de Lancelot e dar uma descarga elétrica.
Lancelot voltou a ficar desacordado. A morena caminhou tranquilamente até o tronco e se sentou.
— E é assim que a Pikachu resolve as coisas. — Jason colocou a mão no meu ombro — Vem, vamos esperar ele acordar ...De novo.
E lá se foram mais alguns minutos esperando ele acordar novamente. Demorou tanto que deu tempo de Brumn foi coletar alguns suprimentos que estavam acabando e de ele voltar.
Anne concertou o seu peitoral, lavou o rosto e ainda arrumar a bolsa de suprimentos. E Jason ajeitou as celas.
Só então, Lancelot acordou.
— Vai me responder ou vou ter que aumentar a voltagem? — Seus olhos se esbugalharam.
— Pelos deuses, não. — Ele suspirou — Eu vos vi espionando. Vos segui até esta casa pois queria saber quem eram, e então, a princesa comentou que vós sois o Pai de todos — Ele olhou para mim — Decidi testa-lo para comprovar se és mesmo o Pai de todos.
— E então..? — Jason se pronunciou.
— Vós tens que controlar os demônios. — Sorriu amarelo.
Não olhei para os meus amigos mas sabia que eles me miravam. Com certeza eles se preocuparam mais do que eu sobre essa pirada que eu dei, não que eu não me preocupe, mas talvez eles temessem que em um futuro não tão distante eu seria dominado totalmente por esses "demônios", e eu temia isso. Ainda mais agora.
Jason o soltou. Lancelot passou as mãos nos pulsos, caminhou até o lugar que lutamos pegou a espada e a colocou na cintura.
Ele caminhou de volta até nós e estendeu a mão para Jason, eles agarraram o antebraço um do outro e se olharam nos olhos, o mesmo ele fez com Anne. E
u, já esperando que ele iria me cumprimentar da mesma forma, estendi a mão mas ele sacou a espada e a cravou no chão, se ajoelhando
— Juro lealdade ao grande Pai, tudo que precisastes darei-lhe nem que custe minha vida. — Ele me olhou nos olhos e falou em plenos pulmões. — Viva o Pai de todos! — Jason e Ann gritaram em seguida "VIVA!".
Lancelot se levantou-se e se foi.
Eu evitava pensar que eu sou um deus, mas com a primeira lealdade sendo jurada, me fez cair na real. Olhei para os meus amigos, eles não sabiam muito em que estavam se metendo, muito menos eu. Mas eles me seguiam fielmente e eu sabia que até eu dominar os Senhores e Senhoras do Sub-mundo contaria e muito com a ajuda deles.
— Todos abordo — Anunciou Jason ao lado de Magnus — Ultima chamada antes que apareça mais alguém para tentar nos matar.
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