Shinigami

8 Strange Eyes


Notas iniciais
YOO PEIXINHOS o/ como vão? Espero que gostem, COMENTEM o que acharam. 2 bjos no core.

Voamos pelo que pareceram horas. E foram. Pois quando saímos da casa de Brumn eram mais ou menos meio-dia, e quando voltamos para o chão, o Sol já estava se pondo.

Nós pousamos no meio de uma floresta, mas diferente da outra essa tinha um muro gigante a um quilômetro mais ou menos de onde estávamos. O muro era feito de pedras iguais ao do castelo da Boudicca, com um portão grande o suficiente para atravessar o rio que circulava o muro. No topo dele, homens de diferentes armaduras faziam a patrulha.

— Civita. — Falou Jason.

Andamos até os limites da ponte e logo ouvimos um homem de armadura de couro pedindo que nos identifiquemos. Ao Anne anunciar o próprio nome, o homem providenciou para que o portão abrisse de imediato. Como foi para Boudicca, eu fui anunciado como um primo distante de Ann. Mais especificamente um primo que ficara patrulha nas ilhas do sul, seja lá o que isso quer dizer.

Entramos na cidade e começamos a caminhar pela larga rua. Meus amigos me explicaram que Civita era uma cidade neutra, onde pode-se viver em paz com outras culturas. Além de ser o centro do comercio de Midgard. Enquanto andávamos, via comércios vendendo coisas normais, como: cenouras, especiarias, tecidos. Até coisas muito, muito, estranhas, como: Chifres de minotauro, pelos da cauda da deusa Basted, dentre outras..

— É aqui a pensão. — Disse Anne, me tirando dos meus devaneios.

Entramos em um estabelecimento pequeno comparado aos que o cercavam, tanto que se Ann não falasse eu nem iria notar. As paredes eram feitas de mármore branco. No seu interior, uma tocha verde iluminava o ambiente. Um balcão de mareira nos dividia de uma senhora, que estava concentrada em um pergaminho.

— Kalosýni. — Falou a morena.

A senhora levantou os olhos do pergaminho. Seus olhos eram cinzentos, os cabelos brancos com uma trança que caía sobre o ombro esquerdo. Ela vestia uma túnica branca e sandálias de couro.

— Anne ? — Ela se levantou. — É você mesmo?

— Quanto tempo. — Thyra esticou os braços para um abraço.

Elas se abraçaram, parece que elas se conhecem a anos, pois o abraço foi demorado e apertado. Quando separaram, a morena nos apresentou para Kalosýni. A velha nos forneceu um quarto no segundo andar. Para a minha surpresa, o quarto era maior no seu interior.

Tinha uma cama de casal, um sofá no pé da cama, uma comoda com uma bacia cheia d'água. Uma porta dupla na outra extremidade do comodo continha uma cortina de seda branca, ela nos dava visão para a cidade inteira.

Kalosýni tocou na cabeceira da cama, que brilhou em dourado. A cama se partiu ao meio, virando duas camas de solteiro, separamos as duas e a dona da estadia se foi. Jogamos as bolsas no canto do quarto. Anne procurou na sua bolsa, tirando de lá uma pequeno saco, virou-a com uma mão enquanto a outra estava estendida. Saíram da saco algumas moedas prateadas, ela as contou e as guardou.

— Tenho cem Varegues. Quanto você tem Jason?

Jason procurou nos bolsos, tirou uma sacola parecida com a da morena e contou as moedas.

— Vinte Soldos e dozentos Denários. — Ele respondeu.

— Então, vamos as compras.

Fomos para uma loja que vendia todos os tipos de roupas, de diversos tamanhos e cores. Não só roupas como armaduras e sapatos. Jason se desvinculou de nós para ver a sessão Romana. Anne e eu fomos para a sessão viking, já que em Civita eu era seu primo do Sul.

As roupas eram bem grossas, perfeitas para enfrentar o frio do norte. Anne optou por comprar-me roupas simples: Camisa de mangas compridas vermelha, colete de couro, calça marrom, cinto de couro e botas. Vestes as quais ela me obrigou a sair da loja vestindo-as. Fomos para a parte das armaduras, as mais caras tinham acessórios em metal, escamas de dragão. As mais baratas eram couros trançados. Ann escolheu uma com detalhes circulares.

Pagamos e voltamos para a pensão. Estava de noite já, então decidimos ir comer em um restaurante barato que tinha em frente. O restaurante era um longo corredor com tatames de ambos os lados divididos apenas por pequenas paredes feitas de papel. Cada tatame tinha uma chapa cercada por almofadas.

Uma jovem vestindo um kimono rosa foi quem nos recebeu e guiou até o ultimo tatame. Tiramos os sapatos e sentamos nas almofadas. Fizemos nossos pedidos e enquanto esperávamos Anne abriu um pequeno mapa para me explicar a geografia de Civita.

O mapa mostrava um grande circulo desenhado, levando ao centro, cinco faixas.

— Cada estrada leva a um dos cinco maiores territórios. — Explicou Anne. — No meio das estradas há ramificações, que levam para os povos menores. Nós podemos ir para qualquer lugar a partir de Civita, então, amanhã mesmo nós mandaremos uma carta para Roma.

— Por que? — Perguntei.

— Roma precisa saber da sua volta. — Falou Jason.

Concordei com a cabeça. O nosso pedido chegou e com elas um guarda de armadura romana. Ele parou em nosso bloco e tirou o capacete, revelando seu rosto. Ele tinha os cabelos castanhos claros bem aparados, os olhos azuis como o céu, seu rosto era quadrado e as bolsas embaixo dos olhos revelavam que ele não dormia a um tempo.

— Jason? — Falou rouco.

O garoto ao meu lado olhou para o homem de cima a baixo e franziu o cenho.

— Quem quer saber? — Perguntou desconfiado.

— Sabia que não me reconheceria. — Ele soltou uma risada fraca. — Sou eu, Gnaeus.

Os olhos de Jason se arregalaram, ele levantou e cumprimentou. O loiro passou o braço pelos ombros do outro romano e o presentou para nós.

O cara dos cabelos castanho claro era uma criança que Jason cuidava antes de virar gladiador, na época o garoto tinha no mínimo seis anos e Jason, quatorze anos. Gnaeus nos contou o que se passara depois da ida de Jason a capital, e posteriormente, quando Jason foi para a Terra.

Comemos, bebemos e finalmente depois de muito tempo, caminhamos até a pequena pensão. Subimos as escadas e entramos no nosso quarto. Há luz do fogo verde ela me parecia sombria, monstros nas paredes eram formados deixando-a assustadora.

Tiramos as botas e, como a noite estava quente, Jason tirou a camisa e se deitou no sofá e em estantes estava roncando. Anne, seguindo parcialmente seu exemplo, tirou a calça de peles e se deitou em uma das camas se cobrindo em seguida. Tirei a camisa assim como o romano, mas não tinha os mesmos músculos definidos, me deitei e não demorou muito para adormecer.

Desta vez eu não sonhei com nenhum deus, apenas com dois olhos brilhando na escuridão. Em um sobre-salto acordei e me sentei na cama, ainda era noite e meus amigos ainda dormiam. Me levantei e fui até a varanda, o vento frio mexia as minha calça e cabelos. O único movimento nas ruas eram os guardas fazendo ronda.

— Frank? — Chamou Anne sentada na cama, coçando os olhos. — O que você tá fazendo em pé?

— Pesadelo. — Respondi olhando por cima do ombro.

Ela levantou e caminhou na minha direção, quando o vento bateu nas suas pernas nuas ela fez careta, comentando logo em seguida:

— Com que você sonhou?

— Uns olhos brilhantes no escuro, não sei dizer. De alguma forma eu fiquei com um medo súbito.

— Estranho.. — Ela colocou a mão direita no queixo. — Pode ser inúmeros monstros, deuses, etc. Não notou nada diferente? Um minimo detalhe que seja.

— Nada — Suspirei. — Apenas, um par de olhos brilhantes.

— Olhos? Do que estão falando? — Jason apareceu atras de mim se espreguiçando.

— Frank sonhou com uns olhos brilhantes. — Contou a Viking. O romano apoiou-se na sacada com os cotovelos e mirou o céu.

— Olhos.. Não consigo pensar em ninguém que tenha olhos brilhantes.- Respondeu pensativo.

Olhei para as costas do loiro, ele tinha diversas cicatrizes. Quando ele ficou ereto, percebi que as feridas continuavam pelo peitoral definido dele.

— Bom, ainda é noite — Ele nos olhou. — Vamos voltar a dormi. — Anne tocou o meu ombro fazendo eu a olhar, ela sorriu e eu concordei com a cabeça.

Não estava ansioso para voltar a dormir e muito menos sonhar, mas assim que encostei a cabeça no travesseiro, adormeci. Acordei novamente apenas no dia seguinte, com raios de Sol que me iluminavam o rosto. Sentei na cama ainda grogue e aos poucos percebi que estava sozinho no quarto, meus amigos tinham ido para sabe-se lá onde e não tinham deixado nem ao menos um bilhete.

Sai do quarto e, ao contrario da noite passada, a pensão tinha vida. Várias pessoas andavam de um lado para o outro, conversando, rindo, entrando e saindo de seus quartos. Desci o lance de escadas, chegando a recepção que estava também movimentada. A velha estava ocupada atendendo os novos hospedes, enquanto ela cuidava de um casal, uma jovem a ajudava atendendo uma família. A garota devia ter um pouco mais que a minha idade e se parecia com a senhora, tirando que seus cabelos eram castanhos e não brancos.

Assim que passei pelo balcão, Kalosýni interrompeu seu atendimento e se dirigiu a mim, dizendo que Anne e Jason me esperavam na biblioteca, a perguntei aonde ficava e ela tirou um velho mapa, indicou onde estávamos e para que direção deveria ir. No meio da explicação, ela disse alguns nomes estranhos, que eu supus seres das ruas.

Sai da pensão e segui as coordenadas de Kalosýni, o dia estava quente. O centro da cidade estava praticamente vazio, apenas alguns velhos sentados nos bancos e na fonte d'água, além de os vendedores das lojas ocupavam o local.

A biblioteca era enorme e, como metade dos prédios e construções de Civita, era no estilo romano. Quatro colunas sustentavam mais quatro colunas, entre essas colunas, entradas. Entrei na porta do meio. Podia estar em outro mundo, universo, planeta, mas toda biblioteca era igual.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.