Shi Hanzi - a Garota Morte
5 Desespero, Parte 1
O sinal da escola acaba de bater. Shinta está na porta da sala de aula, mas não da sala dele. Ele está na porta da sala de Hina, que está em um canto, sentada, como se fosse uma estatua. Com o olhar vazio, olhando para o nada, parece ter tido algum trauma. Shinta se aproxima, e se agacha para ficar na altura dela, então diz se ela não vai voltar para casa. Ichigo vira o rosto para janela, que está ao lado dela, e fica olhando para o horizonte, sem dizer uma palavra. Então chega o Diretor da escola e pede para o garoto se retirar, dizendo também para ficar tranqüilo que ele cuidará do assunto.
O garoto vai então, para a biblioteca, e senta no mesmo computador que estava na primeira vez que entrou na biblioteca, no dia que ele pesquisou sobre a Rua das Cerejeiras. Só que dessa vez, logo ao iniciar o computador, e antes ainda de iniciar o Sistema Operacional,a ultima pagina de internet que ele viu, contendo informações sobre o acidente na Sakura Michi parece novamente, só que a pagina está “Invertida”, que é quando as cores são trocadas pelas cores opostas, a pagina está com o Fundo todo Preto, e a escrita está toda branca, com um tom bem melódico na fonte. O garoto continua olhando a pagina até encontrar um botão chamativo dizendo: “Clique aqui para ver Imagens do Acidente”.
Como se por conta própria, o garoto clica no botão, achando ver fotos da Casa que Desmoronou ou pelo menos das ruínas da tal casa. Mas por azar do garoto, ele vê uma imagem de uma menina chorando, enfrente aos destroços de uma construção de madeira, a Imagem lembra bastante foto da garota no corredor, porem parece mostrar a imagem de mais duas “criaturas” na imagem, uma de cada lado da garota. Shinta se assusta com a foto, mas antes de poder prestar atenção na foto, e nessas “criaturas”, o Computador desliga sozinho, dando um susto ainda maior no garoto.
Shinta então, volta sozinho para casa, e no caminho, quando está perto da Rua das Cerejeiras, ele começa a entender porque Hina estava tão estranha. Com isso, Shinta aperta o passo e chega o mais rápido que pode no “beco”. Chegando próximo ao beco, nota que está tudo normal, o dia está bonito, bem movimentado, há pessoas rindo e conversando, e as árvores estão inteiramente floridas, com lindas pétalas de Sakura, que parecia cair infinitamente das árvores, fazendo uma lenta chuva de poucas folhas de cerejeiras.
Porém o beco continua escuro, isolado, sozinho. E ao notar isso, Shinta escuta um choro, bem fraco, vindo de dentro do beco. Então o garoto enche o peito de ar, ergue a cabeça e avança para dentro do beco, e no momento em que tudo fica escuro, Shinta sente um vazio, um silêncio congelante passando no seu ouvido. O garoto conseguia escutar sua própria respiração e o movimento de sua roupa ao andar, mas não consegue escutar seus paços, nem senti-los. Até que chega uma hora que Shinta começa a ver uma luz um pouco ao final da escuridão, então o garoto sai correndo em direção a essa luz, e quando ele chega ao fim da escuridão, o corpo dele fica mais leve, não consegue sentir roupa que estava usando, não consegue sentir nem o peso de seu corpo. Ele olha em volta e vê apenas um campo gramado, verde como plantas jovens e vivas, com várias árvores de cerejeiras em todos os lados para que se pudesse olhar. Então ele olha para traz, mas não vê a escuridão do beco, e sim a continuação desse bosque lindo. Ele tenta olhar para cima e o céu está azul, como águas cristalinas, e como seus próprios olhos se tornaram. Estranhamente, a cor dos olhos de Shinta se torna de um Azul tão claro, deixando de parecer Japonês.
— Mas, onde estou? – Shinta olha para o horizonte, e vê a mesma planície seguindo quilômetros e quilômetros de distância com o mesmo tipo de imagem.
Depois um breve silêncio, com o garoto andando e olhando tudo envolta, ele nota uma garota, que se aproxima pulando e sorrindo. É Shi, mas suas roupas estão inteiras e a garota está limpa, está usando uma sandália de corda, na qual deixa o pé bastante solto mas na descalço, o cabelo da garota parece muito mais liso do que nunca, e agora estão muito brilhantes, o rosto dela está bastante rosado e não pálido como sempre, e sua perna não está machucada.
— Shinta! Você gosta da minha casa? – Ao perceber que é Shi, a Pupila do garoto diminui na hora, e Shinta pula na garganta da garota.
— O QUE FOI QUE VOCÊ FEZ COM A HINA!? – Shi cai no chão com Shinta em seu pescoço, gritando. – Seja lá o que você fez, faça ela voltar ao normal, faça ela para de sofrer, não quero que ela continue daquele jeito.
— Tá bom, tá bom. Shinta! – A garota ainda sorri e fala como se nada tivesse acontecido. – Só me soltar que eu paro com isso!
Shinta se dá conta que podia ter machucado a garota, e solta meio sem jeito e jeito o pescoço de Shi. Os dois se levantam, e Shinta tenta se desculpar pelo o que houve, mas antes que possa dizer alguma coisa, é interrompido por Shi, que com uma voz meiga e meio tristonha, pergunta sem jeito para o garoto.
— Como você sabe que sou eu que causo isso?
— Desculpe, eu não sabia, eu só tive a intuição que você estava ligada ao comportamento estranho de Hina. Sinto muito.
— Não! Quem deve pedir desculpas sou eu.
Um pouco de silêncio deixa os dois com vergonha um do outro, por mais estranha que a conversa tenha sido, Shinta ainda cora um pouco e desvia varias vezes o olhar, até que Shi quebra o silêncio mais uma vez.
— Você sabe também que estou ligada as mortes acontecem com freqüência na Rua das Cerejeiras?
— Não.
Mais uma vez um momento de silêncio predomina o local, mas agora é Shinta quem fala primeiro.
— Escutei você chamar aqui de casa, mas afinal, onde estou?
Ao terminar essas palavras, Shinta sente como se o chão tivesse se tornado a parede, e devagar, como em câmera lenta, seu corpo fosse se derrubando nesse “Precipício”, também escuta Shi gritando seu nome varias vezes.
- Shinta! Shinta! SHINTA! – Então, Shinta acorda mais uma vez aos braços de Hina, na Rua das Cerejeiras, jogado ao chão, no colo da garota, com varias pessoas olhando envolta, que pareciam ter medo de ter acontecido algo com o garoto. – Não me assusta assim, de novo! Chato!
- Hina? Onde estou? Eu não estava em um... – Shinta para de falar, e o povo fala quase em um coro:
-Ufa! Ainda bem que o garoto está bem. — E em seguida as pessoas vão voltando cada um no seu caminho, deixando os dois sozinhos.
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