- Shinta! Shinta! – É manhã e Hina está na porta da casa de Shinta chamando-o para ir a escola.

Shinta acorda muito sonolento e bem devagar, com bastante olheira, e o cabelo bem bagunçado. Ele vai até o banheiro e se olha no espelho, mas nem liga, e volta para o quarto para trocar de roupa. Então ele desce, olha para o café da manhã na mesa, com um olhar bem distante, e passa reto, pegando sua mochila. O garoto nem diz bom dia e nem se despede de sua mãe, que estranha com a atitude incomum do garoto.

Hina diz “Oi” com muita alegria, e pulando tanto, que nem nota que o garoto nem liga para ela, apenas toma seu caminho para a escola, como um robô segundo seu percurso e ignorando tudo em volta.

É como se Hina estivesse indo sozinha para a escola, falando tantas coisas para Shinta, que responde apenas com resmungos como “uhum” e “hum” sem sequer prestar atenção nas palavras da garota.

Os dois continuam seguindo, e a garota nem percebe o comportamento estranho de Shinta, até que, ela para um momento de falar, então ela olha para o rosto do garoto e diz “Nossa, como você está quieto hoje!”, mas assim que ela termina a frase, os dois entram na rua das cerejeiras.

A rua está florida, cheia de vida, com a chuva de pétalas de cerejeiras caindo eternamente. Shinta pára por um instante e assiste a linda visão da rua das cerejeiras. O garoto fica um tempo lá, parado, assistindo cada pétala cair lentamente, até que Hina o abraça bem forte e pergunta:

- O que é que foi? Tudo bem? – A garota olha para o rosto dele, e então nota uma lágrima escorrendo pela sua bochecha. Ela fica preocupada e abraça mais forte ainda. – Não gosto de ver você assim! O que houve?

Shinta não diz nada, apenas responde com um abraço carinhoso e confortável. Hina sente o abraço de Shinta tão quente e apertado que enche os olhos de lágrimas também, olhando com cara de choro para Shinta, que agora está olhando bem para os olhos da Hina.

Depois de um tempo com o abraço em silencio, Shinta chega perto do ouvido de Hina e diz bem baixinho e suave, com uma voz fraca, mas muito delicada.

- Hina. Você gosta de mim? – Hina espanta, então olha bem para os olhos do garoto, sem palavras ela cora.

Nesse momento, o coração da garota dispara, ela cora muito, e tenta esconder seu rosto no peito do garoto, que coloca uma mão na cabeça e envolve a garota com o outro braço, abraçando gentilmente. Ela fica um tempo assim, até que respira fundo, e com a mesma tonalidade de voz do Shinta, responde:

- Eu te amo, seu bobo!

Os dois ficam se encarando, corados, e abraçados por um bom tempo, Shinta mantêm um sorriso sereno e brando, enquanto Hina fica séria e abre um sorriso bem grande em seguida vária vezes.

Hina olha para Shinta, então abaixa a cabeça e respira fundo. Novamente ela olha para o rosto dele, mas, dessa vez, ela fecha os olhos e começa a se aproximar do rosto dele. Shinta cora muito e não sabe o que fazer, o coração do garoto chega a mil, e ele começa a suar um pouco. Nisso, o garoto segura os ombros de Hina, e então beija-a. Hina corresponde o beijo, coloca as mãos no peito dele, empurrando-o devagar contra a parede, e continua beijando lentamente. Shinta coloca uma mão entre o pescoço e a bochecha da garota, fazendo carinho devagar.

Os dois ficam se beijando por um bom tempo, bem devagar, carinhosamente, sem se preocupar com o arredor. Passam aproximadamente 4 minutos, e então Shinta sente um calafrio, mas continua com os olhos fechado, até notar que não há ninguém na sua frente, só então ele abre os olhos.

- Hina?

Shinta vê um horizonte cheio cerejeiras em um gramado verde, igual o da ultima vez que encontrou com Shi, só que está de noite, está tudo escuro. Até que ele começa sentir seu corpo pesar para frente e como se o mundo estivesse na vertical, ele começa a cair em um precipício como um muro gramado com árvores de cerejeiras pregadas nessa parede.

O garoto está um pouco desnorteado, e nem se preocupa, fechando os olhos e deixando-se cair, até perceber o que realmente está acontecendo. No momento em que abre os olhos novamente, ele começa a se desesperar e, no momento de pânico, o garoto grita.

- HINA! HINA! – Shinta continua caindo e o mar de cerejeiras continua passando infinitamente, mas em algum momento, ele pensa ter visto alguma pessoa “encima” de uma árvore. – SHI!

No momento que Shinta grita o nome de Shi, ele mergulha em um mar, com uma água quente, que parece nem molhar. O garoto consegue, inclusive, respirar dentro dessa água, fazendo-o sentir leve. A parede de cerejeiras continua passando mesmo depois de a água cobri-las. Ele escuta, então, sua própria voz ecoar na água várias vezes, gritando repetidos “Shi”, que levaria qualquer um à loucura, o som vai ficando mais forte e repetido, até se tornar um único berro agudo, que vai ficando mais alto, e mais alto, então se torna insuportável o suficiente para fazer o garoto tapar os ouvidos com as mãos, fechando os olhos bem fortes, em um ato desesperado de tentar não escutar mais este som.

Em seguida, ele sente como se tivesse atravessado uma parede de vidro com toda a força, escutando um barulho alto de vidro se quebrando, e quando ele abre o olho novamente, ele está ainda na esquina da Sakura Michi, encostado na parede com Hina assustada em seus braços, e um carro batido em um poste que estava a nem 5 metros dos dois. O público à volta começa a rodear o acidente, o motorista está morto, com o rosto prensado no pára-brisa, as pessoas ligam para a polícia e para a ambulância de seus celulares, alguns tiram fotos do carro acidentado, tem uma senhora que chega perto do casal abraçado perguntado se estão bem e pedindo para saírem daquele local, mas quando estão saindo de lá, Shinta olha novamente para o carro batido, e vê Shi dentro do carro, ela está no banco de trás, entre o banco do motorista e do passageiro, olhando para ele, com o cabelo cobrindo os olhos, e com um sorriso sinistro na boca. Então, ao ver os lábios de Shi se mexendo, a frase passa na cabeça de Shinta, como se ela tivesse dito em seu ouvido:

- Vocês estão todos mortos. – Shi volta a sorrir sinistramente.