Shes Only 18
21 Chapter Twenty-One
Notas iniciais
Eu precisava fazer alguma coisa, ver a minha mãe e pedir perdão pelas coisas que eu havia feito, eu sabia que não estava completamente errada, mas deixa-la com aquele imbecil foi um erro. Eu contei á Anthony sobre o encontro que tive com George e a sua revolta era tamanha, mas nada comparado ao que eu sentia.
- Anthony eu preciso ver a minha mãe em Truckee.
- Eu sei Can, e eu vou com você. – suas mãos seguravam firmes as minhas enquanto me fitava.
- Não Anthony, você não pode! Você tem a banda e as gravações do CD, esse é um problema que eu tenho que enfrentar sozinha.
- Mas, eu não posso deixar que você vá sozinha, e se... –ele parou de falar e ficou olhando para o chão. Ele tinha toda a razão eu ainda estava no processo de recuperação, ainda estava me habituando com o mundo aqui fora.
- Ei, não pense o pior. – levantei seu rosto e nossos olhos se encontraram. – Não vai acontecer nada está bem, confie em mim. – sorriu e beijou-me.
Duas semanas depois eu me encontrava em Truckee, aquela cidade fria e triste. Nada havia mudado e aquela sensação de nostalgia corroeu o meu peito, as lembranças ruins de meus piores anos aqui e as lembranças boas de meu pai, que me trazia ao parque no verão, como eu era feliz com ele aqui, ele era o meu herói, meu amigo, meu confidente. Eu o amava muito e eu sempre tive mais cumplicidade com meu pai do que com a minha mãe depois que ele morreu quando eu tinha 10 anos por consequência de um ataque cardíaco, eu e minha mãe nos aproximamos, mas não o bastante.
Peguei um táxi e segui em direção a minha antiga casa, no caminho eu pensava nas muitas reações que a minha mãe teria: revolta, saudade, decepção ou talvez ela nem se lembrasse de mim. Meus pensamentos foram interrompidos quando o carro parou em frente a minha antiga casa, que estava mais acabada do que antes. Paguei o motorista, desci do carro e segui pelo jardim mal cuidado, subi os poucos degraus que ali se encontrava e bati na porta.
- O que quer? Não quero comprar nada. – a pessoa que estava parada do outro lado da porta, olhava o chão e não percebeu quem eu era.
- Não, eu não vim vender nada. Só quero saber como está. – Mary ainda fitava o chão, mas ao ouvir minha voz, levantou seu rosto e me encarou por alguns instantes.
- Candice? O que faz aqui? Pensei que estivesse se metido em encrencas, mas parece que não. – ela me olhava de cima em baixo, sua recepção não era das melhores.
- Na verdade eu me meti em algumas encrencas sim, mas estou bem melhor agora. – sorri e ela retribuiu, ela fez menção para que eu entrasse e ao ver a casa onde eu cresci tomei um susto, com a desordem que a sala se encontrava, eram garrafas de cervejas jogadas pela sala, papéis, cigarros...
- Então, eu encontrei George em L. A e ele me contou o que aconteceu. – sua expressão mudara totalmente ao dizer o nome dele, ela abaixou o rosto e começou a chorar. Sentei-me ao seu lado e abracei-a, choramos juntas e depois ela disse:
- Minha filha, me desculpe eu nunca quis proteger aquele filho da puta, eu amo você, me perdoe eu fui insensata. – disse enxugando as lágrimas que insistiam em cair.
- Mãe, eu também te peço perdão por ter saído de casa e ter te deixado aqui sozinha, sem ninguém. Perdoe-me, eu também te amo. – nos abraçamos e todo aquele choro recomeçou.
Eu estava bem melhor pela minha mãe ter me perdoado, parecia ter saído um peso enorme de cima de mim, eu me culparia eternamente se algo acontecesse com a minha mãe, mas eu sabia que ainda havia uma coisa que eu precisava contar á ela e também tinha uma coisa que ela precisava me contar.
- Mãe, quando eu sai da aqui muitas coisas aconteceram, eu conheci pessoas maravilhosas e conheci coisas horríveis... –continuei contando a ela sobre tudo, Anthony, drogas, recuperação, faculdade, emprego. E quando eu terminei de contar ela disse:
- Por quanta coisa você passou hein, mas que bom que se recuperou e ajudou seus amigos também, e esse Anthony hein? – ela sorriu e por minha cabeça varias momentos bons com ele se passaram.
- Ah, eu o amo muito, ele me ajudou muito e eu só tenho a agradecer por ele sempre estar comigo. – sorri e senti meus olhos molhados de novo.
- Mãe agora você precisa me contar o que aconteceu durante esse tempo todo. – ela suspirou e começou a contar, ela me disse que teve uma briga feia e definitiva com George ele bateu nela e se mandou, ela começou a tentar se focar em outras coisas, mas não tinha como a solidão a assombrava toda a hora e ela sem saber o que fazer começou a beber com mais frequência, ela não conseguia dormia e vivia tomando calmantes com uísque o que não fazia muito efeito. Ela disse que uma vez usou cocaína, e eu ficava cada vez mais nervosa com o que ela me contava. Essa dor que ela sentia era um buraco que se abria cada vez mais dentro do seu peito. Eu não tinha ideia de como ela se sentia, ela disse também que ainda anda tomando calmantes, mas que parou de beber.
- Mãe você precisa se tratar, vamos comigo para Los Angeles, lá você vai ser bem cuidada, nada vai te acontecer, venha comigo? – ela segurou firme em minha mãe e respondeu:
- Minha filha eu não posso sair daqui, eu gosto de Truckee e além do mais eu vou ser um peso nas suas costas, você tem a vida feita, tem Anthony, tem os seus amigos não posso deixar que a sua vida seja destruída por causa da minha. –eu não acreditava no que ela estava dizendo, ela é a minha mãe eu quero cuidar dela, não posso deixar que ela viva assim, e se algo de pior acontecer com ela?
- Mãe, por favor, vamos? Não me responde agora eu vou para o hotel e amanha a gente se fala, vou anotar o número do meu quarto aqui. – peguei um pedaço de papel amassado que estava na mesinha da sala e vi que tinha algumas coisas escritas nele desamassei e li:
“Pague o que me deve vadia e nem pense em fugir, porque se tentar você está morta.”
J.R
Ainda segurando o papel, mostrei para ela e perguntei:
- Mas, o que é isso? – ela apenas abaixou a cabeça e retomou a chorar.
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