Shell Hudson

8 Meu irmão fala comigo por um sonho.


Notas iniciais
E ai gentennnn, Pois é, eu demorei mas já estou postando o capitulo 8, ele é um pouco mais curto que os outros, mas o próximo vai compensar, prometo. Então, ai esta, aproveitem, eu espero que vocês gostem :) Comentem comentem comentem, da ultima vez só recebi 1 review :'( Beijokas para vocês!!!!!

SEMPRE TIVE SONHOS, mas normalmente ou eu não conseguia entende-los, ou, quando eu acordava, pela manhã, nem me lembrava mais de como eles eram. Não preciso nem falar que desta vez foi diferente.

Eu me encontrava em Roma, em uma rua à beira do rio Tibre, e não fiquei nada surpresa — Há, imaginem! — quando vi o John passar bem na minha frente, olhar para mim e continuar andando, como se não tivesse me visto.

Meu coração deu um pulo: Se aquilo estava acontecendo agora, isso queria dizer que John estava bem, que nada tinha acontecido com ele.

Então, veio um aperto na garganta: Se ele estava bem, por que não tinha me avisado? Por que parou de escrever? Por que tinha me deixado preocupada sem motivos? Talvez porque ele não queria mais me ver.

Mesmo se esta ultima idéia me entristecia, eu não ia deixar passar em branco. E como nós estávamos no MEU sonho, eu o segui, ninguém podia me ver mesmo.

Prestando atenção, percebi que John estava nervoso, ele ficava olhando para traz, para ver se alguém o seguia, e seus passos foram se acelerando, até ele estar correndo.

Ele parou em frente à uma daquelas caixas de postar cartas, tirou uma carta do bolso e hesitou um momento olhando para ela, sem poder se decidir se a enviava ou não.

Foi tempo o suficiente para eu poder ler a data, o nome e o endereço do destinatário, e o que eu vi fez meu coração parar de bater:

Dia 28 foi o dia em que a mensagem de ajuda de John chegou no celular da minha mãe. Aquele era o dia em que John ficou em perigo.

Mas a carta, eu nunca a recebi. Por que?

" SSSSSSS " Eu ouvi atrás de nós, era como se centenas de cobras estivessem sibilando ao mesmo tempo. John também ouviu, porque seu corpo enrijeceu, ele apertou a carta na mão, a amassando.

" Me deixe em paz! " Ele disse para o que quer que estivesse atrás dele.

John não se virou, mas eu tinha que ver o que estava prestes a atacá-lo. Dei meia volta.

Não era nada demais, de primeira vista. Uma mulher que ou estava de luto ou tinha muita vergonha do próprio rosto, já que ele estava totalmente tampado por um véu negro.

Seu vestido, também escuro, cobria quase todo o seu corpo, deixando apenas as mãos aparecendo. Suas unhas eram muito longas e afiadas e sua pele era estranha, quase escamosa. Ela devia estar sufocando dentro de todo aquele tecido.

" Nunca te deixarei em paz, querido. Você é bonito, vai ser ótimo para a minha coleção. E também será útil para mais tarde, vai atrair sua namoradinha. Vocês vão fazer um ótimo casal, tenho certeza que vou conseguir vende-los." A mulher sibilou — você entendeu certo, ela sibilou -.

Demorei um tempo para perceber que a " namoradinha " era eu. O apelido me fez corar, mesmo sabendo que aquilo já tinha acontecido à um mês e que não tinha ninguém além de mim ouvindo.

Espera aí! Ela tinha dito que ia nos vender?

" Shell não mora nos Estados Unidos. E mesmo se morasse, você nunca conseguiria pega-la! " John respondeu, agarrando um suporte de cartaz que se encontrava ao seu lado e o jogando na mulher, alguns passantes olharam, mas ele já havia começado a correr, aproveitando a distração.

Meu amigo saiu da beira do riu e se infiltrou nas ruelas da cidade, comigo em seus calcanhares e a bruxa logo atrás, silvando.

Conseguimos nos distanciar da megera e John esbarrou de propósito em uma menina, um pouco mais nova que eu, fazendo cair o celular da garota.

“Scuza!” Ele falou para ela, enquanto agarrava o celular caído no chão e ia embora com ele. Não me virei para ver a reação da pobre garota.

Chegamos em um beco sem saída. John já devia saber que tinha perdido – Devo dizer que isso me surpreendeu mais do que o resto, já que não era nem um pouco o estilo dele de se dar por vencido -, porque ele nem mesmo tentou saltar o muro. Ele simplesmente se sentou em um canto, pegou o celular que tinha acabado de roubar e começou a escrever uma mensagem, a minha mensagem.

Assim que o celular emitiu o sinal “mensagem enviada”, pude ouvir o barulho da mulher se aproximando. John jogou o celular o mais longe possível e este se espatifou no chão.

O cara mais corajoso que eu já tinha conhecido, meu melhor amigo que me defendia, se enrolou no chão, segurando a carta que me era destinada contra o peito, como para protegê-la.

Eu estava paralisada, dividida entre a vontade de ir acalmá-lo, mas não poder, e a surpresa de vê-lo tão assustado.

Quatro anos da minha vida eu tinha passado com o John, sabia tudo sobre ele — menos a coisa de semideus -, tínhamos passado por coisas difíceis juntos. E nem uma vez, eu tinha visto ele com medo. Até hoje, em um sonho.

“Menino desobediente! Vai vir comigo agora!” Rosnou a mulher, achando John.

Eu só tive tempo de ver sua sombra aparecendo, e John levantando o rosto, tentando fazer uma cara corajosa, para encará-la. E tudo ficou preto.

* * *

Meu sonho / pesadelo tinha sido interrompido. Agora eu estava no quarto de alguém.

Uma cama se encostava em um canto e, do outro lado, uma escrivaninha, onde alguém muito grande estava sentado, seu único olho bem arregalado, olhando para mim.

“Irmã!” O ciclope exclamou e tentou me abraçar, mas seus braços passaram por mim como se eu fosse fumaça.

“Tyson?” Perguntei.

“Sim.” Ele afirmou contente. “E você é Shell.”

“Como você sabe?”

“Papai me avisou que você estava chegando, tentei avisar Percy, mas não consegui falar com ele.” Meu irmão disse, desapontado.

Ele era enorme, duas vezes o meu 1,65m, no mínimo. Mas falava como uma criança de seis anos, o que me fez me apaixonar por ele quase imediatamente.

“Percy deve estar ocupado.” O consolei.

“Você já o conheceu?” Ele questionou, recobrando a animação.

“Só amanhã.” Balancei a cabeça em um “Não”.

“Percy é demais!”

Eu ri alto.

“Imagino que sim. É o que todos dizem...”

“Shell ri bonito.” Tyson corou.

“Obrigada. E você tem um olho muito bonito, Tyson.”

Ele corou de novo, constrangido.

“Percy e Shell são parecidos.”

“É, acho que sim...”

“Olha, Shell!” Tyson me fez segui-lo até uma janela.

“Uau!” Exclamei.

E, realmente, era “Uau”. Nós estávamos de baixo d’água — no fundo do oceano – e pela janela, podíamos ver pequenos cavalos marinhos que passavam, junto com várias espécies de peixes.

Um cavalo marinho veio perto de mim, estendi o dedo para tentar tocá-lo, esquecendo totalmente que não poderia já que estava sonhando, e ele se aproximou mais.

“Eles são tão lindos...” Comentei.

“Tyson prefere os grandes.” Tyson disse virando seu olho para mim.

“Grandes?”

“Sim, os verdadeiros peixes-pôneis!” Ele explicou, levantando o dedo como um professor.

Eu não sabia do que ele falava, mas não quis contrariar. Ao invés disso, fiz outra pergunta:

“Tyson, como eu vim parar aqui? Eu estava em um sonho completamente diferente...”

“Tyson chamou Shell.” Seu sorriso se apagou. ”Mas agora Shell tem que ir, Percy está vindo.”

“Ah, não, Tyson. Percy só vem de manhã.” Discordei.

"Já é de manha" Ele disse dando tchau.

Eu acordei.

* * *

A porta do chalé tinha acabado de se abrir e um garoto alto, de cabelos castanhos escuros bagunçados e olhos verdes brilhantes, olhava para mim de boca aberta.

Suspirei:

– Olá, você deve ser Percy Jackson.

O garoto descongelou.

– Sim. E você, quem é? — Ele perguntou ainda chocado.

– Sou Shell Hudson, sua irmã.

Notas finais
REVIEWS!!!!!!!!!!!