Shell Hudson
9 Afrodite me pede um favor que eu não posso recusar
Notas iniciais
PERCY AINDA ESTAVA NA PORTA DO CHALÉ, me observando, enquanto eu me levantava.
– Então? Não vai falar nada? — Resolvi perguntar para acabar com o silencio.
– Quantos anos você tem?
Claro, ele acabou de descobrir que eu sou sua irmã, e a primeira coisa que ele pergunta é a minha idade. Pessoalmente, esta não seria minha prioridade, mas...
– Farei 16 em novembro.
Suas sobrancelhas se ergueram em surpresa.
– Três anos...
– O que?
– O que: o que?
– Porque você falou “Três anos” com essa cara de burro pensante? — Perguntei, fazendo-o rir.
– Parece Annabeth falando. Ela me chama de Cabeça de Alga.
– Pelo menos você escolheu uma namorada que enxerga as coisas direito. — Comentei.
– Como sabe que Annabeth é minha namorada? Não me diga que já te contaram a minha vida inteira com detalhes?
– Não com detalhes. — Admiti.
– Claro... — Ele suspirou.
– Explique o motivo dos "Três anos...", Cabeça de Alga. — Pedi, fazendo uma imitação muito exagerada de sua expressão quando ele tinha dito aquilo.
– Não deixe Annabeth te ouvir me chamando assim, ela é muito possessiva com esse apelido. — Percy avisou. — E quando aos 3 anos, é a diferença de idade entre nós, três anos e alguns meses. Farei 19 anos no final de agosto.
Ele estava sentado em sua cama e fui me sentar de frente à ele, pronta para fazer algumas perguntas sobre nosso pai, quando a porta se abriu e Leo apareceu sem fôlego.
– Ah... Vocês... Já se... Conheceram. Foi mal, esqueci de te avisar Percy. — Ele se desculpou, mas quando meu irmão deu e ombros ele botou seu olhar em mim.
Assim que viu que eu ainda estava de pijamas ele virou de costas teatralmente, mas deixando a cabeça inclinada o suficiente para poder me enxergar.
– Você dorme com uma camiseta AC-DC?
– É do Kiss. — Corrigi. — Da para ver não? — Fui até o meu baú e peguei uma muda de roupas. — Vou me trocar. — Anunciei, antes de me trancar no banheiro.
Pude ouvir os dois garotos conversando enquanto eu me trocava e escovava os dentes.
– Dês de quando vocês têm um banheiro? — Leo quis saber.
– Poseidon deve tê-lo posto ai, quando a Shell chegou. — Percy respondeu, eu quase podia vê-lo dando de ombros. — As camas costumavam ser beliches. E se você quer saber, o chalé está muito mais arrumado do que quando eu o deixei da ultima vez.
Então o meu pai não estava completamente indiferente com a minha chegada, como eu achava. Ele tinha feito uma reforma no chalé, construído um banheiro e trocado as camas só por minha causa.
Peguei a roupa do dia anterior que já estava seca e voltei para o quarto, guardei tudo no baú e me virei para os garotos.
– O que temos para fazer hoje?
– Esgrima. — Percy falou. — Eu sou o instrutor.
Animei-me, esta era uma matéria que eu conhecia.
– E quem são os alunos? — Perguntei.
– O chalé de Hefesto... — Leo anunciou.
– E você. — Meu irmão continuou segurando a porta para que nós pudéssemos sair.
– Shell não precisa de aula. Ela já fez esgrima. E matou dois cães infernais ontem sozinha. — Disse Leo.
Senti minhas bochechas corarem, quando Percy olhou para mim.
– É mesmo? Isso quer dizer que nós vamos ter que testar suas competências hoje na arena.
– Em frente de todo mundo? Vai mesmo me fazer passar essa vergonha? — Contestei parando de andar.
Leo me segurou pelo braço, como um adulto seguraria uma criança que não quer avançar.
– Você só passará vergonha se tiver de estômago vazio. — Ele falou tirando uma maça do seu cinto e dando ela para mim.
– Obrigada. — Agradeci, antes de atacar a maça, porque eu estava mesmo com fome.
Enquanto caminhávamos e depois quando chegamos em frente à arena, Percy perguntava coisas sobre mim: de onde eu vinha, onde nasci, quem era minha mãe, onde eu morava... Respondi algumas das perguntas e, outras, Leo respondeu por mim, já que eu estava comendo.
– Você morou na Inglaterra então... É provavelmente a razão pela qual nenhum sátiro te encontrou antes. — Percy recapitulou entrando na arena.
– Esta é a minha teoria. — Leo concordou, eu assenti e olhei em volta.
Não tinha estado na arena ainda, era um lugar bem legal, muito parecido com aquelas que eles mostram nos filmes. A não ser pelo cão infernal que estava no canto dela e que veio correndo em nossa direção quando entramos.
– Cuidado! — Gritei, tirando Percy do caminho e puxando a adaga do meu cinto.
– Não! — Os garotos protestaram juntos.
Leo me puxou para traz, fazendo com que nós dois caíssemos de costas. Eu tentei me levantar, mas ele rolou para cima de mim e segurou meus braços no chão, enquanto eu me debatia.
– Qual... É... O problema... De vocês dois? — Exclamei entre arfadas.
– Esta é a Sra. O'leary, minha cadela infernal. Ganhei ela de Dédalo. — Percy explicou.
– Pare de lutar! — Leo pediu. — Por favor.
Respirei fundo e tentei me acalmar.
Olhei por cima do ombro de Leo, que ainda estava sentado sobre mim, e vi que Percy acariciava o focinho do monstro enquanto me observava.
– Você tem um cão infernal de estimação? E ganhou ele... ou melhor: Ela, do maior inventor grego de toda a historia?
– É mais ou menos isso. — Ele deu de ombros. — Solta ela,Leo.
– Ah, não! Eu tenho mesmo? Gosto desta posição.
– Me deixe sair palhaço. — Reclamei.
Quando me levantei, avancei com cuidado até a tal Sra. O’leary. Ela parecia mesmo diferente dos cães que nos atacaram ontem.
Ela era um pouco menor, e a expressão em seu rosto era menos selvagem e mais doce, como um verdadeiro cãozinho de estimação. Chegando mais perto percebi que ela usava uma coleira com um smiley feliz pendurado.
Não me dei conta do quão perto estava dela, até que ela abaixou o rosto e seu focinho roçou meu cabelo. Ela estava me pedindo carinho.
Estiquei minha mão, hesitante e, antes que eu pudesse alcançá-la, ela veio até mim, balançando seu rabo.
– Ela é fofinha. — Admiti fazendo cócegas em seu pescoço. — Desculpe por tentar matá-la.
– Esquece. Eu fiz exatamente a mesma coisa, quando a vi pela primeira vez. — Percy sorriu. — Venha temos que escolher uma espada para você treinar.
Ele me levou para o fundo da arena, onde estava uma caixa de madeira, enquanto Leo brincava de jogar um escudo para a Sra. O'leary pegar. Dentro da caixa havia dezenas de espadas, algumas meio amassadas, outras com a lamina pela metade, mas a maioria estava em bom estado.
– Manuseie algumas, veja se esta confortável lutando com elas. — Ele aconselhou antes de ir preparar a aula.
Fiz o que ele disse, mas era meio complicado. Ali existiam espadas de tudo quanto é tipo, e eu estava acostumada com a minha espada de esgrima.
Eu explico, é que em esgrima existem 3 categorias de espadas:
* Os floretes, são as espadas fininhas e compridas, principalmente usadas em competições mundiais e para iniciantes.
* As espadas, são as espadas como todos conhecemos, usadas pelos esgrimistas mais rápidos e ágeis.
* E os sabres, que são os mais agressivos e mais pesados.
Tive que testar algumas das armas que estavam lá antes de achar uma que não era tão pesada nem tão comprida. Quando terminei fui me juntar ao Percy e vi que o chalé de Hefesto já tinha chegado.
Alguns estavam treinando com bonecos de pano, outros estavam apenas conversando. Todos pararam quando Percy chamou.
– Façam duplas e tentem desarmar uns aos outros. Assim que eu terminar com a Shell, mostrarei alguns movimentos. Jake pode circular e verificar o que eles estão fazendo, por favor? — Ele pediu a uns dos irmãos mais velhos de Leo, todos começaram o exercício e ele se virou para mim. — Como você costuma começar?
– Hum... Fazendo uma reverencia.
– Certo, então vamos lá.
Ele se curvou, enquanto eu fazia o mesmo, depois nos botamos em posição de ataque. Percy se mantinha de maneira muito mais relaxada que eu. Meu professor sempre dizia que elegância é tudo, e que esgrima é como xadrez, você tem que saber pensar rápido antes de agir. Por isso eu mantinha minhas costas eretas, a cabeça alta e meu cérebro rodava à mil.
Percy estranhou minha posição e perdeu o foco durante um momento, aproveitei para avançar. Ataquei para frente, mas ele se recuperou no ultimo minuto e me impediu. Então ele começou a revidar, varias estocadas e botes, eu o bloqueava, só que ele ainda me fazia recuar.
Ele era muito melhor que eu, mas nossos estilos eram diferentes, eu conhecia o jeito dele lutar e ele não parecia conhecer o meu. Isso era uma vantagem para mim.
Acabei encostada na parede, com Percy pronto para me desarmar. Percebi que ele mantinha toda a sua atenção nas laterais, como se esperasse que eu rolasse por ali. Ao invés disso, lancei um ataque por cima, em sua cabeça, ele teve que levantar a espada e se abaixar para evitar o choque.
Claro que eu não pretendia machucá-lo, só fazê-lo se abaixar, assim eu poderia pular por cima dele sem perder minha espada. Foi o que eu fiz, e pela expressão dele, ninguém nunca tinha tentado algo assim.
Consegui fazer com que ele estivesse encostado na parede, eu é que estava atacando agora.
Não sei por quanto tempo nós lutamos assim. Quando eu ia desarmá-lo, ele arranjava uma saída. E quando ele estava prestes a ganhar, eu conseguia me afastar usando uma técnica diferente.
Mas ele era o instrutor, e eu apenas uma aluna. Mesmo com toda essa vantagem de estratégias diferentes, eu tinha que me esforçar em dobro para poder estar na altura de Percy. Isto acabou me cansando e em certo momento, ao invés de tentar outra saída, eu simplesmente deixei que ele arrancasse a espada da minha mão.
Percy pareceu desapontado:
– Ah! Qual é? Eu estava me divertindo!
– Você sabe que ia ganhar. — Respondi ofegante.
– Se você tivesse aguentado mais um pouco teria ganhado, eu estava quase desistindo.
– Duvido. — Falei.
– Eu não. Você lutou muito bem. — Ouvi a voz de Leo dizer e me virei para encará-lo.
Atrás de nós todos os campistas do chalé de Hefesto estavam nos observando, entendi que eles tinham visto a luta toda sem fazer um só barulho, cativados.
– Que estilo de luta foi esse que você usou? — Nyssa finalmente perguntou.
– É verdade, não é Romano. Talvez um pouco de Grego em alguns movimentos, mas não exatamente. — Jake Mason falou olhando para mim, esperando uma resposta.
– Estilo francês, foi o que eu aprendi na escola. E o pouco de esgrima Grega que eu sei, aprendi em filmes. — Expliquei.
Era mentira, John tinha me ensinado toda a esgrima Grega que eu conheço.
– Foi uma boa ideia você ter misturado os dois para me confundir. — Percy se impressionou.
– Foi o que me fez durar tanto tempo. — Concordei modestamente.
– Você só precisa de mais treinamento. — Ele disse. E nós vamos começar agora. Leo, faz equipe com ela.
– Nem precisa insistir, chefe!
* * *
O resto da manha passou muito bem. Depois da esgrima eu e Percy fomos para a escalada — uma parede bem mais alta que o normal e com lava de verdade caindo dela -.
Na hora do almoço, conheci Annabeth, ela me deixou nervosa. É uma garota bonita, com longos cabelos loiros e olhos cinza que parecem estar penetrando sua pele de tanta inteligência. Só que meio intimidadora.
Conversar com ela fez com que eu me sentisse como quando sua mãe te chama e você pensa em todas as coisas erradas que poderia ter feito. E eu não tinha feito nada de errado, eu acho.
Á tarde tivemos aulas de arco e flecha e descobri que este não bem o meu forte, nem o de Percy para falar a verdade, ele quase acertou o traseiro de Quíron, que é o instrutor desta matéria, e acho que não era a primeira vez que isto acontecia.
Na ultima hora, tivemos aula de artes e esculturas. Resolvi fazer um vaso de argila e Percy disse que faria um busto de Annabeth, mas aquilo estava mais parecido com uma bola de futebol amassada, então eu o aconselhei a dar outra coisa de presente de aniversario de namoro.
Às 15 horas acabavam os treinos e nós tínhamos tempo livre até o jantar. Passei a tarde com Piper, colhendo alguns morangos — nós estávamos usando isso como desculpa para nos empanturrar com aquelas frutinhas vermelhas deliciosas -. Um pouco antes do jantar resolvi voltar ao chalé para me lavar, acabei esbarrando em Percy e Grover no caminho, conversando à beira do rio, eles não me viram.
Não estava planejando escutar, mas aí os ouvi falarem o meu nome e não pude resistir.
– Mas Shell é legal, gosto dela... — Grover estava dizendo.
– Sei disso, é só que... Ter uma irmã não estava nos meus planos. — Percy falou.
Meu sangue congelou no cérebro. Achava que tudo estava indo bem, aparentemente tinha me enganado: Percy não queria uma irmã.
– E Tyson? Ele é seu irmão. — O sátiro insistiu e de repente senti um grande afeto por ele.
– É diferente. Além disso, depois que a guerra dos Titãs acabou Poseidon me disse que não tinha mais filhos. — Explicou meu irmão.
– Ele disse isso mesmo, ou foi o que você ouviu?
– Ele... Eu... Bem... Eu não sei Grover, mas Shell é... Não sei. É só... Difícil para mim de... Aceitar.
– Acha que é difícil para você? Percy, você sempre soube que ter irmãos era uma possibilidade. E como acha que ela esta se sentindo? A garota acabou de descobrir que seu pai é um dos 3 grandes deuses, que: BOOM! Existem de verdade, então ela tem que vir para cá, ouvir de todo mundo de como o meio irmão mais velho dela é um herói e finalmente conhecer o cara, só para ele falar que não está pronto para ter irmãs. Pois eu acho que você deve pensar muito bem nestas suas ideias, cara. — Grover explodiu, deixando Percy plantado lá sozinho.
Eu fui para o chalé, sem esperar para ver o que Percy faria. Usei todo o tempo que precisava para pensar debaixo do chuveiro. Ouvir aquela conversa me fez lembrar todas as coisas que estavam me incomodando ontem mesmo. E sobre o sonho que eu tinha tido com John, eu não tinha pensado naquilo o dia inteiro e me senti mal por isso.
Durante o jantar, agi como se não tivesse visto nada, depois passei uns quinze minutos na fogueira com Leo e fui para a cama. Leo me acompanhou até a porta do chalé, antes de me deixar, ele pousou a mão no meu ombro e disse:
– Você estava meio distante agora de noite. Não preciso que me explique, embora eu esteja curioso. — Ele brincou. — Só queria dizer que se algum dia quiser falar com alguém, eu ficaria feliz em ajudar.
Sorri para ele e o abracei — ele pareceu tão surpreso com isso quanto eu estava ontem, quando ELE me abraçou -.
– Obrigada. Sei que posso confiar em você. E não se preocupe, vou adorar encher suas orelhas de pepino. — Falei antes de fechar a porta do chalé, ir me esconder de baixo das cobertas e adormecer. Os sonhos também não demoraram a chegar.
* * *
Desta vez eu estava em quarto enorme e ricamente mobiliado. A cama estava coberta por cortinas brancas, e os detalhes de todos os objetos da peça eram dourados, pareciam ser em ouro
"Oh, querida. Mas é claro que eles são em ouro!" Falou uma voz feminina em minha cabeça.
"Quem é você?" Perguntei.
"Como que sou eu? Sou Afrodite, a Deusa do amor, é obvio!"
"Hum... Sim, é obvio." Concordei. "Onde a... senhora esta?"
Será que eu devia chamá-la de senhora? Vai que ela não gosta, prefere senhorita ou algo assim? Ah Santo Sátiro! Eu estava falando com uma Deusa, e não era qualquer deusa, era a deusa do amor!
"Ah..." Afrodite suspirou. "Olhe na cama, querida."
Fui até a cama de baldaquim e puxei as cortinas cuidadosamente. Deixei escapar um "oh!" quando vi a mulher que estava adormecida ali.
Ela era maravilhosa. Mais bonita que qualquer atriz ou modelo que você já tenha visto. Mais elegante que qualquer princesa da qual você tenha ouvido falar. Seus cabelos formavam uma coroa em volta do seu belo rosto, ela parecia flutuar.
Uma pitada de inveja me alcançou enquanto eu observava a deusa. Ela tinha tudo o que eu gostaria de ter, se eu me parecesse mais com ela, talvez não tivesse passado minha vida fugindo de garotos que implicavam comigo.
"Se esta dormindo, como a senhora pode falar?"
"É só uma pequena parte da minha consciência que esta ali, o resto dela esta presa, em outro lugar" Afrodite respondeu.
"Presa... Aonde?"
"O oráculo vai lhe dizer depois. Não foi por isso que te trouxe aqui."
"Rachel? Porque ela..." Comecei a dizer.
"Deixe-me falar, não temos muito tempo." Afrodite me interrompeu, assenti rapidamente. "Tudo isto começou por causa de Hecate, dês de que a maioria de seus filhos foi para o Hades na guerra dos Titãs, ela ficou paranoica com a segurança deles."
"E o que isso tem a ver com o fato de que senhora esta presa em algum lugar? E comigo?" Eu quis saber.
Ela bufou frustrada.
"Seu pai comentou sobre você no conselho do verão passado, eu resolvi dar uma olhada e vi que você tinha uma historia bem interessante com seu amigo Johnattan. Eu só quis dar uma apimentada nas coisas, então, falei com o pai do garoto por sonhos e o convenci a se mudar para Roma. Nada como uma distancia para fazer as coisas acontecerem. Bem, eu não planejava que aquela maluca com cabelo de cobra aparecesse. Nem sabia que ela tinha voltado do Tártaro! E por alguma razão, o Céu queria que a tia Eme capturasse Johnattan. Não preciso dizer que Hecate não ficou nem um pouco feliz com o rapto de seu filhinho e ela colocou a culpa toda em mim! Acredita nisso?"
"Um minuto! John é filho de Hecate?"
"Foi o que eu acabei de dizer, não foi?" Afrodite concordou.
"E foi a senhora que o mandou para Roma? Porque fez isso?!"
"Vou ter que repetir tudo? Queria apimentar as coisas!" Ela balançou a cabeça em desaprovação.
Senti as lagrimas subirem aos meus olhos.
A deusa do amor e da beleza acaba de confessar que mandou meu melhor amigo para Roma, para as garras de um monstro qualquer, porque queria "Apimentar as coisas", o que quer que isso queira dizer.
"Agora ele também me pegou e me prendeu neste lugar vazio. E Hecate é a única que sabe que estou em apuros, mas ela não quer falar só por causa do que aconteceu com o filho dela"
"Os outros Deuses não percebem que está presa? A senhora só fica dormindo aqui!" Exclamei. "E quem foi que a prendeu? Quem mandou pegarem John?"
"Já lhe disse quem esta fazendo isto acontecer! E os outros deuses acham que estou apenas em um de meus sonhos de beleza, ás vezes eles duram semanas. Eles só irão descobrir no encontro deste verão, se eu não aparecer. Normalmente eu sempre vou. Mas já seria tarde de mais. Você precisa me achar!"
"E por que eu faria isso?" A enfrentei.
"Porque, se não fizer o mundo acaba! Você não tem escolha. É o seu destino!" Implorou a Deusa. "E tem mais, você não conseguira me encontrar sem a ajuda de outro Deus, por isso terá que achar seu amigo primeiro e mandá-lo de volta para Hecate. Só assim ela te ajudará a me encontrar. E lembre-se, eu tenho que ser achada antes dele ter tempo de pegar minha energia."
"Quanto tempo é isso?" Perguntei de má vontade.
"Você tem até o amanhecer do dia 10"
"Mas isso são só sete dias!"
"Cinco, na verdade, já vai amanhecer você só deverá sair ao por do sol do dia 3."
"O que?! Por quê?"
"Você terá que se preparar e será mais seguro se você viajar durante a noite, o Céu é mais claro durante o dia..."
"Que porcaria é..."
"Agora vá. O oráculo lhe explicará o resto. E não demore, meus poderes já estão começando a partir." Afrodite se despediu e tudo ficou preto.
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