She Will Be Loved 2
17 Maybe
Notas iniciais
– Sabe o que eu achei estranho? — Perguntei pra Alice enquanto ela secava o cabelo. Ela me olhou através do espelho. — Se eu estivesse solteiro, ele iria ser corno de novo. E pelo mesmo cara! — Falei e dei risada.
– Ainda tá pensando nisso? — Dei de ombros. — E como assim "seria corno de novo"?
– Foi só uma suposição. Ele tá mais com o ego ferido do que te querendo de volta. — Ela torceu o nariz. — O que foi? Vai querer dar uma de boa samaritana de novo? — Ela revirou os olhos.
– É que… Eu não gosto de pensar nisso, Andrew. Não tenho orgulho nenhum do que fiz. Muito pelo contrário. Tenho vergonha.
– Mas você não amava o idiota.
– Não interessa. Foi algo errado. E não adianta falar que não.
– Hm… Tá. Foi. Mas… Por qual motivo você sempre tem razão? — Alice sorriu e me olhou por cima do ombro.
– Pelo simples fato de ser eu. — Ela piscou e eu acabei sorrindo também.
(…)
Estávamos no Palácio Real. O jardim era imenso! Alice olhava pra tudo parecendo uma criança quando vai à Disney pela primeira vez. Com toda a certeza eu também estava maravilhado com tudo. As estátuas, o jardim bem cuidado, a educação de todos que trabalhavam ali… Era como se fosse O País das Maravilhas. Mas eu estava mais maravilhado ainda com a alegria que estava nítida nos olhos dela. E saber que grande parte dessa alegria era por minha causa, me fazia mais feliz ainda.
Olhei pro lado de fora pela grade. Tinha uma joalheria.
– Amor, só um minuto que eu já volto. — Falei e dei um selinho nela.
– Mas aonde você vai? — Fingi que não ouvi e fui até o outro lado da rua.
– Boa tarde. Eu gostaria de ver um anel. — O cara que me atendia me cumprimentou e me levou até um balcão, me mostrando todos os modelos. — Quanto é esse com a pedrinha? — Apontei pra um deles. O mais bonito, na minha opinião.
– Duzentos baht. — Olhei pro anel de novo.
– Vou levar.
– À vista? — Assenti. — A loja dá 10% de desconto. — Sorri. Ele colocou o anel na caixinha.
– Não precisa de sacola, moço. — Passei o cartão e peguei a caixinha. Voltei pro jardim do Palácio e a Alice estava sentava em um banco com uma cara nada boa. — Voltei.
– Eu percebi que você voltou, Andrew! Que tipo de marido deixa a mulher largada no meio da lua de mel?!
– Eu nem demorei.
– Não interessa. Fiquei chateada poxa. — Beijei o bico que ela fez. Dane-se se não é apropriado aqui.
– Posso falar o que eu fazia?
– Deve! — Me ajoelhei. — O que pensa que tá fazendo?
– Nunca fiz isso por você. Achei que tava na hora, já que casamos. — Abri a caixinha.
– Andy! Não acredito! — Ela falou sorrindo e com os olhos marejados. — Você tem noção do quanto é perfeito?! — Coloquei o anel no seu dedo, ainda sorrindo. Ela puxou-me, fazendo com que eu ficasse em pé.
– E você brigava comigo. — Ela enrubesceu um pouco e me abraçou.
– Eu te amo tanto!
– Te amo bem mais. — Alice me olhou com uma sobrancelha arqueada e com um sorriso de canto de boca. Acho que ela não tem noção do quanto fica sexy desse jeito.
– Mentiroso. — Dei um selinho rápido nela.
Continuamos andando pelo jardim até chegar no ambiente fechado. Se lá no jardim já era lindo e, com toda a certeza do mundo, com coisas bem caras, imaginem lá dentro.
Tenho certeza que foi um dos lugares mais bonitos que já visitei. Um lugar calmo e lindo. Mas não ficamos tanto tempo lá, apesar do tamanho do lugar. Também… É como se fosse uma cidade feudal.
Logo quando saímos de lá, pegamos um barco que ia até uma ilha. Eu realmente me senti no paraíso. O mar era tão perfeito que eu enxergava o fundo com facilidade. Pareceria que o barco flutuava, se não fosse pelos peixes e golfinhos.
– Quero nadar com eles! — Alice falou animada e o guia olhou pra ela. — Pode? — Perguntou parecendo uma criança falando com a mãe.
– Pode. É só pedir na praia que vamos parar. — O cara respondeu.
– Será que é muito caro? — Ela perguntou pra mim.
– Deve ser. O que não é caro aqui, Alice? — Ela deu de ombros. — Já tá com o pé na jaca mesmo. Foda-se. — Ela me deu um beijo na bochecha e me abraçou.
Assim que o barco chegou, fomos direto ver esse negócio do golfinho. Pedi pra mim também. Tinha até direito a foto. Entramos em outro barco e fomos até o meio do mar. Os funcionários prepararam o equipamento em nós e no guia que nos acompanharia. Quando mergulhamos, os golfinhos logo vieram atrás do cara. E lá fomos os dois atrás. Alice até fez carinho em um golfinho todo dado. Ficou pedindo carinho pra ela durante todo o passeio.
– Foi uma das coisas mais incríveis que eu já fiz! — Ela falou. — Eles são lindos!
– Verdade… Pena que não como eu. — Alice olhou séria pra mim.
– Não força, amor. — Revirei os olhos e fomos aproveitar a praia.
(…)
Nossos últimos cinco dias se resumiram a isso: ir à praia, visitar museus e budas, ir aos restaurantes, até fomos em uma balada. Mas não ficamos lá por muito tempo. Graças ao bom Deus não encontramos mais aquele imprestável.
– Finalmente, estamos em casa! — Alice falou assim que entramos no nosso apartamento. A lua de mel não poderia ter sido mais perfeita, mas nada de compara ao conforto do lar.
– Eu só quero dormir.
– Dormir, Andrew? Sério? — Dei de ombros e sentei no sofá. Bati na minha perna e ela deitou-se, colocando a cabeça no meu colo. — Preciso de outro dia da noiva só por causa da massagem.
– Ah, claro. A gente casa de novo.
– Sim! Na nossa Bodas de Papel.
– Bodas de Papel?
– É. De um ano de casados.
– Coisa horrorosa. — Fiz uma careta e e ela riu baixo.
– Vou tomar banho. A janta é sua.
– Minha não. Da pizzaria.
(…)
Nossa primeira semana de casados foi… Eu diria, estranha. Mas foi um estranho bom. Sei que já estávamos morando juntos, mas foi diferente. Já percebi que os piores dias vão ser os que a Alice vai chegar tarde do tribunal. Tipo agora.
Eu não queria dormir sem saber que ela já estaria em casa. Olhei no relógio. 23h45. Eu já tinha olhado meus perfis nas redes sociais, jogado online, visto filme… Isso desde a hora que cheguei. Depois, resolvi ver uma maratona de alguma série que tínhamos o DVD em casa, e me entupi de comida industrializada. Por volta de meia noite e meia, a porta abre.
– Oi! Pensei que já estivesse dormindo. — Alice falou e deixou a pasta e a bolsa em cima da mesa de centro. Me deu um selinho e sentou no sofá.
– Resolvi te esperar. — Ela encostou a cabeça no meu ombro.
– To cansada, Andy.
– Toma um banho. Ganhou uma massagem hoje.
– Cansaço mental, amor. To com um monte de coisas acumuladas. Fora que o caso que chegou hoje mais cedo pra mim, antes de eu ir pro tribunal, não foi um dos melhores. Aliás, foi o pior! Eu… To com medo.
– Não precisa ficar com medo. Olha, eu sei que sua especialidade não é direito trabalhista e mesmo assim você ganhou a causa pro meu pai. Sei que você é muito boa.
– Não to falando disso. Um juiz me indicou. Pra uma investigação.
– Aly, isso é muito bom pra você!
– Com políticos, Andy. Esses caras são os piores!
– Você vai se sair bem. — Beijei o topo de sua cabeça.
– Espero. Vou tomar banho. Não to aguentando mais ficar com essa roupa. — Ela foi pro quarto. — Me deve uma massagem.
– Claro. — Como já era tarde, fiz algo pra ela comer.
No dia seguinte, sábado, marcamos um almoço na casa do Peter e da April. A barriga já aparecia, mas não era muito. O quarto da neném estava pronto, só faltavam mais roupinhas e April disse que queria colocar uma poltrona. Ela e a Alice ficaram horas conversando sobre o que faltava, onde iria colocar… Eu e o Peter decidimos ver jogo na tv à cabo.
– E como tá a vida de casado? — Peter perguntou e tomou outro gole na sua garrafa de cerveja.
– Começo ainda. Estamos muito bem. Apesar de que não mudou nada. Nem da época em que namorávamos. Continua tudo na mesma.
– Assim que é bom.
– Você e a April estão muito bem, pelo visto. — Ele sorriu.
– Estamos. Agora ela tá toda animada com a gravidez. Marcou com a sua mãe de ir às compras ainda essa semana.
– Peter, e a mãe dela? — Ele deu de ombros.
– Não faço ideia. E ela nunca comenta nada. — Continuamos prestando atenção no jogo. Nosso time tava perdendo. Nem ligo mais.
– Amor? Vamos? — Alice apareceu um tempo depois. Assenti. Nos despedimos e fomos pra casa. Ela parecia pensativa.
– Tenho até medo de perguntar, mas… Aconteceu alguma coisa?
– To pensando sobre a April e a neném. Por que teve medo de perguntar?
– Porque eu não sabia se era algo comigo. — Ela riu baixo.
– Andy… — Ela fez uma carinha de chateada. Acariciei sua coxa. — Eu quero muito engravidar depois de hoje. — Sorri.
– Não vai demorar muito pra termos nossa miniatura. — Beijei sua mão. O celular da Alice começou a tocar. Ela atendeu. A conversa foi meio estranha. Na verdade, acho que sairíamos com alguém. — Quem era? — Perguntei assim que ela desligou.
– Emily. Ela disse que seria bom relembrar os velhos tempos.
– Isso inclui o babaca do seu ex?
– Andrew! — Alice revirou os olhos. — Ela não falou nada sobre o Isaac. Algo só entre eu e ela.
– Hm... Eu te levo.
– Não precisa. Eu vou com o meu carro.
– Quero ver se ele vai estar junto. — Ela deu de ombros.
– Que seja... Vou com o meu vestido novo.
– Ah, não! Usa comigo poxa?
– Para com essa cara de quem caiu da mudança. E tá. Vou com outro vestido. E não é pra ficar me vigiando quando eu estiver com a Emily. — Ela falou mandona.
– Não vou te vigiar. — Respondi rindo.
– Te conheço. Você vai ficar procurando o Isaac durante todo o tempo que eu estiver lá. — Dei de ombros.
– Talvez, Alice. Talvez.
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