She Will Be Loved 2
11 Congratulations, grandpa
Notas iniciais
– Onde eu vou colocar minhas roupas? — Alice perguntou em pé, de frente pra mim e com as mãos na cintura. Tive vontade de dar um risinho.
– Na outra parte do guarda-roupa. Que tal? — Respondi.
– Mas eu tenho que ter um bom espaço. Não posso amassar minhas roupas sociais.
– E eu também não posso amassar as minhas. Ou você esqueceu que eu também trabalho de social?
– Quando o Peter vai dar o dinheiro do apartamento?
– Mês que vem. Por quê?
– E se a gente comprar um apartamento maior? — Olhei em volta. O apartamento da Alice só tinha dois cômodos. A sala era junto com a cozinha. Só o quarto e o banheiro que eram separados. O apartamento daria tranquilamente pra nós dois. Se a Alice não fosse tão espaçosa. — Ou a gente aumenta o quarto.
– Aumentar o quarto vai gastar muita grana. Acho mais fácil a gente comprar outro apartamento. Fora que… A gente não sabe quando seu óvulo vai resolver reagir. — Ela sorriu.
– Você já pensa em ter filhos, Andy?
– Ah… Não sei… A gente vai casar. — Ela continuou sorrindo. — Nunca pensou nisso? Um brotinho de nós dois?
– Meu filho não vai ser um brotinho. — Alice falou com bico. Ri baixo. — E não. Nunca pensei nisso. — Ela voltou a sorrir.
– Bom, agora preciso de um lugar pra colocar meus sapatos. — Ela revirou os olhos.
– Não tem lugar, Andrew!
– Então, eu vou colocar do lado da cama.
– Fica feio.
– Abre espaço no seu guarda-roupa, então.
– Vai amassar porra! — Ela disse sem paciência.
– Para de manha e vem cá.
– Você é muito chato.
– Chata é você! Vem cá. — Estendi a mão e se aproximou de mim relutante. Beijei a sua mão, já que eu estava abaixado por guardar as coisas no closet. Levantei-me, a puxei pela cintura e a beijei. — Eu te amo.
– Eu também te amo. — A beijei de novo.
– Posso passar pra próxima parte?
– Que parte?
– A que a gente vai pra cama e faz filhinho. — Ela riu e me beijou.
(…)
– Quando a gente vai provar os docinhos? — Alice perguntou.
– Tem que ir? — Eu estava deitado na cama enquanto ela andava de um lado pro outro com uma agenda na mão e o celular em outra.
– É lógico que tem que ir! Não vou escolher tudo sozinha.
– Que frescura…
– Pode levantar essa bunda daí e vir me ajudar a resolver tudo. — Levantei. — Preciso que você veja o terno o mais rápido possível. E os seus padrinhos também.
– Fácil. O principal vai ser o Peter.
– Novidade… Os vestidos! — Contive a vontade de revirar os olhos. — Meu Deus! Eu não vou dar conta!
– Para de neura.
– A April vai estar com uma barriguinha já. Como vou achar um vestido assim?
– Pra tudo se dá um jeito.
– Cala a boca. To pensando… Preto esconde a barriga, mas não quero minhas madrinhas de luto no dia do meu casamento.
– Obrigado.
– Verde e rosa são muito podres. Não rola. Acho que vou preferir… Azul! Sim! A decoração vai ser azul! — Ela começou a discar um número no celular. — Alô? Oi! Aqui é a Alice. A noiva do fim do mês.
– Nunca pensei que um casamento desse tanto trabalho.
– Pensei na cor da decoração. Gosto de azul. — Deitei na cama de novo. — Isso! — Me cobri e encostei a cabeça no travesseiro. — Acho que essa flor não vai ficar boa. — Alice colocou a agenda em cima da cômoda e continuou prestando atenção no telefone, mas veio até mim e tirou a coberta, puxando o travesseiro logo em seguida. — Passar aí? Quando? Hoje eu iria ver os docinhos. — Ela tapou o bocal do telefone. — Levanta dessa cama e vai tomar banho! — Revirei os olhos me levantando de novo.
– Parece minha mãe. Puta merda…
– Vai logo. Pensei em algo mais simples. — Ela voltou a falar com a pessoa no celular.
(…)
– Praticamente rodamos Toronto inteira atrás das coisas do casamento. — Falei enquanto dirigia. Alice estava do meu lado comendo um salgadinho que compramos.
– Eu sei. To cansadona.
– Ainda tem o jantar.
– Eu sei. To pensando em que vestido usar hoje.
– Aquele preto.
– Como se eu tivesse só um…
– Você sabe qual. — Ela pareceu pensar um pouco.
– Ah… Sei. — Parei na garagem e fomos até o apartamento. Nos arrumamos rapidamente e fomos pra casa da minha mãe.
(…)
– Ah! Os noivos! — Minha mãe falou sorrindo assim que abriu a porta. Sorri e olhei pra Alice, que também sorria, mas estava corada.
– Oi, mãe. — A abracei e beijei sua bochecha.
– Oi. — Alice falou ainda envergonhada.
– Oi, meu bem! Como você tá bonita!
– Obrigada.
– Entrem. O babaca do seu pai já chegou. E seu pai também, Alice. — Fomos pra sala.
– Se deu bem hein. — Bia falou pra mim. Baguncei o cabelo dela. — Idiota! — Ela e a Alice se cumprimentaram. Beijei a bochecha da Emma.
– Quem comprou esse vestido pra você? — Perguntei, após me abaixar e ficar na altura dela.
– O papai. Andy, eu to bonita? — Sorri.
– Sempre. — Beijei sua bochecha de novo. Levantei e vi um menino sentado no sofá. Ele me viu também, levantou e estendeu a mão. Arqueei uma sobrancelha.
– Sou Sean. — Ele falou sorrindo. Apertei a mão dele.
– Ah… Sou Andrew.
– Sou o namorado da Bia.
– E desde quando ela namora?!
– Andy! Não vai dar piti. — Ela falou. Cara de pau.
– Ô, pai. E essa menina tem idade pra namorar? Olha o tamanho! Não me conformo. Vamos lá. Quais as sua intenções com a minha irmã? — Perguntei cruzando os braços. Ele olhou pra Bia. — Perguntei pra você. Não pra ela.
– Andrew! Para de graça. — Alice falou brava. O menino deu de ombros.
– Para com isso! Meu irmão é um idiota. Não liga. — A campainha tocou. E o casal vinte, vulgo April e Peter, chegou.
– E já fizeram o exame pra saber de quantos meses você tá? — Alice perguntou pra April. A sala inteira voltou os olhos pra eles dois. Sem exagero. Peter escondeu-se atrás da grávida.
– Ninguém sabia, né? — Bia perguntou pra mim.
– Ninguém. — Respondi.
– Mas que história é essa?! Minha filha tá grávida antes de casar?! — Olhei pro Paul.
– Estamos morando juntos. — April disse e deu de ombros.
– Morando junto não é casar! E você? — Ele falou pro Peter. — Não vai falar nada?
– “Parabéns, vovô”? — Ri alto. Minha mãe olhou de cara feia pra mim.
– E o casamento? Sai quando? — Paul perguntou de braços cruzados e em pé. Peter e April olharam pra baixo, morderam o lábio, até estalaram os dedos, mas não responderam.
– Acho que não vai sair, não. — Falei rindo.
– Andrew Davis! — Minha mãe falou e eu sentei no sofá.
– Levar bronca da mãe com quase trinta anos de idade é foda, hein? — Bia falou e meu pai riu.
– Se achar a adulta só porque já beijou também, né? — O gurizinho lá, o tal de Sean, se remexeu desconfortavelmente e meu pai gargalhou. Emma subiu no sofá, ao meu lado, e aproximou-se do meu ouvido.
– É feio beijar? — Olhei pra ela.
– Pra você é. Por quê?
– Meu amiguinho da escola me deu um beijinho. — Ela falou envergonhada.
– Como é que é?!
– Na bochecha. — A Emma começou a ficar vermelha.
– Tá deixando essas duas muito soltas. Não to gostando disso, não. — Falei pro meu pai.
– Mas, então? Como vai ficar? Não quero filha solteira. — Paul falou na mesma posição de antes.
– Pai, eu não to solteira. Moramos juntos. — April falou.
– Olha, April não é do tipo de menina que quer entrar na igreja de branco, entende? Ela me mataria se eu a obrigasse a passar o dia inteiro no salão de beleza pra atravessar uma passarela. — Peter falou.
– Aquilo é o caminho até o altar. — Alice falou.
– Tá. Eu sei. Isso aí mesmo. — Ele respondeu e sentou-se no sofá.
– Acho que eu vou ficar meio gorda pra entrar num vestido de noiva. — April falou analisando a barriga.
– Não dá pra ver nada aí ainda. — Falei.
– Seu sem coração! — Ela fez bico.
– Controla sua namorada, Peter. — Falei.
– Acho melhor a gente ir jantar. — Minha mãe praticamente mandou e assim fizemos. Ela até contratou dois garçons pra nos servir. — Mas, antes, o discurso do noivo, certo? — Ela falou baixo só pra eu ouvir.
– É… — Sorri torto.
– Tá nervoso?
– Bom, sem ofensas, mas uma coisa é eu falar só pra Alice. Outra é eu falar pra meio mundo.
– Como se a gente já não soubesse que você até teria oito gêmeos com ela. — Mulher é uma coisa louca, né? Você fala algo pra uma. Num piscar de olhos, meia dúzia já sabe.
Peguei o papel que estava amassado, socado no meu bolso. Minhas mãos tremiam. Fui até a sala de jantar e já estavam todos sentados. Dei um meio sorriso e parei do lado da Alice.
– Oi. — Falei e eles sorriram. — Assim… Eu poderia muito bem chegar aqui na frente e dizer o quanto te amo e quero casar com você. Porém, isso não é novidade nem pro Brian, que é o cachorro que eu vou comprar.
– Mas que porra de nome é esse? — Peter perguntou. Ignorei.
– Depois disso, eu poderia só enfiar um anel no teu dedo e a iríamos pra parte da comida.
– É uma boa. — Bia falou baixo.
– Fica quieta, pirralha. Continuando… — Desdobrei o papel. — Hm… Tá. Tá aqui o quanto te amo, os oito gêmeos, não esqueci da Valentina também… Eu sou péssimo pra escrever uma carta desse tipo, você sabe. E pra mostrar como sou um bom noivo, digo que passei a noite em claro escrevendo. O que não é mentira. — Limpei a gargante. — Eu nunca tive dúvidas de que quero passar a vida ao seu lado. Meio broxante e açucarado, mas é a verdade. Eu sempre reclamo e continuarei reclamando toda vez que você me chutar pra fora da cama. Ou quando puxar a coberta só pra você e me deixar descoberto. Ou também quando eu for tomar banho e descobrir que você passou a perna em mim e foi primeiro. — Fiz uma careta. — Apesar de que isso não é tão ruim… Tá. Onde eu parei? — Procurei na carta. — Hm… Ou pior! Quando eu abrir a geladeira e reparar que você comeu sozinha a lasanha de microondas!
– Ai que pecado! — April falou e eu ouvi a risada da Alice.
– Enfim, apesar de tudo isso e de eu parecer bravo, eu sempre vou estar sorrindo por dentro, porque eu sei que não vou te perder de novo. — Guardei o papel no bolso e peguei a caixinha com as alianças. — Aquela vaca da joalheria queria me dar uma alegoria como anel pra dar pra você. Eu achei esse mais bonitinho.
– É lindo! — Alice falou enquanto eu colocava o anel no seu dedo. — Mas não é mais lindo que o seu discurso.
– Mas foi horrível! — Bia falou. — Tá, foi fofo. Mas…
– Ela gostou. Isso que importa. Não é, amor? — Perguntei e a Alice sorriu, me beijando em seguida.
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