She Will Be Loved 2
12 Complicated
Notas iniciais
–Gostou mesmo do discurso? — Perguntei pra Alice. Todo mundo ainda estava na mesa, comendo sobremesa, mas não éramos mais o centro da atenção.
– Eu amei! Foi a sua cara. Fico feliz que tenha escolhido fazer algo simples porém seu ao invés de pesquisar no Google “jeitos de pedir a namorada em casamento”. Ou fazer que nem naqueles vídeos bizarros que o cara pede a mulher em casamento na frente da multidão.
– Ou pior: quando ele canta pra ela na frente da multidão.
– Ainda bem que você pensa que nem eu. — Ela me deu um selinho. Sorri. — Ela vai ser a daminha? — Alice perguntou olhando pra Emma.
– Só tem ela de criança.
– Vai ser uma gracinha! — Ri baixo.
– Emma! — Chamei e ela veio. A peguei no colo. — Quando a gente for casar, preciso de alguém pra entregar uma coisa pra Alice no altar.
– O que?
– Duas alianças.
– Ah! Eu posso? — Sorri assentindo.
– Aí a gente compra um vestido bem bonito pra você. Bonito do jeito que era aquele rosa que você gostou da ultima vez que te levei no shopping. — Os olhinhos dela brilharam.
– Eu quero! — Alice riu baixo.
– Você vai ter que levar até o altar. — Alice falou.
– Tá bom. Eu levo. — Beijei o topo da cabeça da Emma, que deitou a cabeça no meu ombro.
(...)
Emma fez um escândalo pro meu pai deixar ela dormir em casa. Eu estava deitado na cama esperando a Alice terminava de dar banho nela. Não demorou muito e as duas saíram do banheiro. Alice começou a ajudar a Emma a se vestir.
Certa vez, a Alice me falou que não tinha o menor jeito com crianças. Mas, olhando pra ela cuidando da Emma agora, ela vai ser a mãe perfeita. Juro que não vejo a hora que ela falar pra mim que tá grávida.
– Quer chocolate quente? Seu irmão sabe fazer. Fica uma delícia! — Alice falou pra ela.
– Mas eu não trouxe a minha caneca da Barbie. — Ri baixo.
– Te dou uma mais bonita.
– É rosa?
– É. — Levantei.
– Já que eu fui escalado pra ir pro fogão uma hora dessas, toma o controle. — Entreguei na mão da Alice e fui pra cozinha.
Quando terminei, fui pro quarto. As duas estavam vendo um desenho qualquer. Entreguei uma caneca pra cada e deitei na cama. Dormi ao som da menininha do desenho cantando.
(...)
– O dono da empresa italiana tá me perguntando onde o senhor está de cinco em cinco minutos. — Claire falou quando cheguei no escritório.
– Puta merda! O dia já começou bem! — Entrei na minha sala. — Desculpa a demora, senhor. Tive que deixar minha irmã na escolinha do outro lado da cidade. — Emma dormiu em casa também no domingo. Então, fiquei com a responsabilidade de levá-la ao colégio. Eu só não contei que talvez estivesse trânsito.
– Vamos começar logo a reunião. — Sentei na minha cadeira e comecei a apresentar propostas pra ele. O cara era um porre e se achava o rei dos negócios.
– Mas começar algo na Ásia é um grande passo. E minha empresa não é tão grande. — Falei.
– É uma das maiores empresas no Canadá.
– Sim. Minha empresa está se tornando uma das maiores do país, mas é pequena em nível mundial.
– Eu não vim até aqui pra ficar só na América.
– Acho que tudo tem que começar do mais simples.
– Certo... — Ele assinou o contrato. — Espero que ninguém aqui acabe como a empresa do seu pai está. — Ele me estendeu a mão. Contive a vontade de revirar os olhos e apertei sua mão.
Assim que o italiano saiu da minha sala, uma chamada foi direcionada pra mim.
– Davis! Acho que temos que conversar.
– Sobre a idiotice que você fez? Eu quase perdi meus bens!
– Bom, seu pai me contou sobre o noivado. Parabéns e aquela coisa toda. Mas eu preciso saber como é que fica a minha empresa.
– Isso não é problema meu.
– E se a minha empresa se unisse a sua?
– Nem fodendo!
– Por que não? Eu sei que tenho o que você precisa pra expandir os negócios.
– Acabei de fechar um contrato. Não preciso de você. — Graças a Deus ele não é meu sogro.
– Precisa sim.
– Escuta aqui, eu não ajudarei nem meu pai. Você acha mesmo que eu seria tão filho da puta de ajudar você?
– Quando você vai entender que isso aqui é o mundo do capitalismo? Não é uma brincadeira de criança. Se continuar com esse pensamento, não dou cinco anos pra sua empresa falir.
– Obrigado.
– Eu to falando sério.
– Mas eu também to. Isso não é uma brincadeira de criança, senhor Klark. — Ele desligou na minha cara.
(...)
Assim que cheguei em casa, a primeira coisa que eu fiz foi me jogar no sofá. O dia tinha sido completamente cansativo e minha cabeça latejava. Meus ombros doíam de tensão. Parecia que eu tinha carregado a cruz.
– Ué? Você não vai se arrumar? — Alice apareceu na sala colocando o brinco. Arqueei uma sobrancelha.
– Onde você vai arrumada desse jeito?
– Onde nós vamos. E não me diga que esqueceu. — Passei uma das mão pelos cabelos. — A gente tem um jantar hoje, Andrew.
– To cansado, Alice. Não rola hoje, não. — Ela sentou do meu lado.
– Você sabe de que jantar eu to falando, né? — Jantar... Jantar... Que porra de jantar é esse?!
– Seria nosso aniversário de namoro. Eu tinha falado hoje de manhã que a gente podia fazer algo pra comemorar e você mesmo deu a ideia do jantar. — Bosta.
– Pra que horas você marcou no restaurante?
– Pra daqui a meia hora. E nem adianta reclamar que chegou tarde e blábláblá... Porque você saiu mais tarde do trabalho. O que eu diria que é algo frequente. Já que, desde que você mudou pra cá, não chega um dia no horário combinado.
– A empresa é minha. Prefere que eu deixe na mão de qualquer pessoa pra chegar mais cedo em casa?
– Porra, mas todo dia? A gente marcou algo só dessa vez, não a semana inteira. — Mordi a língua pra não falar nada.
– Tá. Desculpa por ter esquecido. — Levantei. — Só deixa eu tomar banho.
– A gente não vai mais. — Parei na porta do quarto.
– Tá falando sério?
– A gente vai sair pra que? Pra eu me irritar vendo você quase dormir na mesa? Fora que, se você não percebeu, acabou qualquer clima pra gente sair.
– Quer que eu faça o que, então?!
– Nada. Vai fazer o que?
– Você tá parecendo uma criança mimada, Alice.
– Obrigada. — Fechei a porta do banheiro e comecei meu banho.
(...)
– Bom dia. — Falei quando ouvi os passos da Alice na cozinha. Já que eu esqueci do jantar, resolvi fazer o café da manhã. Se eu não fizesse nada, era capaz de ela me jogar da janela do décimo primeiro andar. Comecei a coar o suco pra colocar na jarra.
– Bom dia. Descansou? — Revirei os olhos com a ironia dela.
– Sim. E muito bem. E você? Tá mais calma?
– To ótima. — Coloquei a jarra sobre a mesa, sentei-me e comecei a comer. Ela não falava nada. E isso estava me irritando.
– Eu já pedi desculpas sobre ter esquecido.
– Eu sei.
– E vai tirar o bico da cara quando? — Ela não respondeu. — Alice, eu te fiz uma pergunta.
– Ai não sei! To indo. Tchau. — Ela levantou, passou no banheiro pra escovar os dentes e saiu de casa. Sabem o que é isso, jovens? TPM.
(...)
– Ela tá de TPM. Normal. Daqui a pouco passa. — Peter tinha passado na empresa pra me entregar uns papéis e aproveitamos a oportunidade pra tomar um café.
– Tudo bem que eu dei mancada, mas não foi algo tão grave.
– Vai fazer o que?
– Nada, que eu saiba. Por quê?
– Você sempre faz alguma coisa pra ser desculpado. — Larguei minha xícara e sentei mais a vontade.
– O problema é que eu sempre faço alguma coisa por ela. Desde antes de a gente começar a namorar. E ela nunca fez um terço por mim. Não que eu esteja esperando algo em troca, mas... Acho que cansei.
– Parece aqueles dramas de menininha adolescente que passa nos filmes de sábado a tarde na TV. — Peter falou risonho.
– Cala a boca, seu estrume! Eu to falando sério.
– Ah... Sei lá...
– Ajudou muito.
– Conversa com ela.
– Tá louco? Ela vai falar que eu to reclamando por nada. E pior: que eu to jogando a culpa em cima dela.
– Então... Faz o que você faz de melhor. Prepara alguma surpresa. — Rolei os olhos.
– É justamente disso que eu to reclamando.
– Andrew, então, não tem outra alternativa sem ser uma conversa.
– Merda! Se ela falar algo pra April é pra me contar.
– Eu sempre conto.
– Acho bom. — Ele revirou os olhos.
– April marcou um ultrassom amanhã. Eu sei que não vai dar pra ver o sexo, mas acho que vai dar pra ouvir o coração batendo. — Sorri.
– Você vai ser um pai tão babão, Peter. — Ele sorriu também.
– Apesar de que eu ainda tenho receio.
– De que?
– Não tenho muito jeito com crianças. É uma... Coisa... Tão pequena. E se eu machucar?
– Olha, pra começar, não é "coisa". É uma criança.
– Eu sei, idiota. Mas... É pequeno do mesmo jeito.
– Acho que é natural.
– Saber cuidar de um bebê? — Assenti. — Acha que eu vou ser um bom pai? — Dei de ombros.
– Você é estranho, Peter. E confesso que nunca pensei nisso.
– Esculacha mesmo, filho da puta!
– Deixa eu terminar. E não xinga minha mãe! Enfim, acho que você daria sim um bom pai.
– Espero. Ou é isso, ou a April me mata.
– Imagino...
– Mas, falando em paternidade, e o seu pai? Falou mais alguma coisa sobre o casamento com a outra lá?
– Não. Acho que ele se conformou. Quem me liga agora é o meu ex-futuro-sogro. Ele queria que eu passasse a perna no meu pai.
– Não me surpreende. Por qual motivo você não denunciou esse cara mesmo?
– Não quero o meu nome e o da empresa nas páginas policiais.
– Sua bondade me admira. Pelo amor de Deus...
– O cara já tá fodido. Não tem mais o que fazer. — Peter deu de ombros. — Agora termina logo esse pedaço de bolo porque eu tenho que voltar pro meu escritório.
– Você podia ir comigo ver roupinhas de neném, né?
– É sério?
– Lógico que é sério! Eu vou ser pai! Meu filho não vai andar pelado por aí! E você — Ele apontou pra mim — é meu melhor amigo.
– Tá, Peter. Come logo do mesmo jeito. — Ele terminou de comer, pagamos a conta e fomos pro shopping.
LEIAM AS NOTAS FINAIS ANTES DE QUERER ME MATAR
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