Notas iniciais
Olá! Boa leitura!

O elevador parou no andar do meu apartamento com a Alice. Assim que cheguei perto da porta do quarto, a ouvi dizer:

– Tem que ser rápido. Daqui a pouco o Andrew tá chegando. — Arqueei uma sobrancelha e cruzei os braços. — Acho que desse lado fica melhor. — Quem tá lá dentro? Ouvi um resmungo e a risada exagerada dela em seguida. Bati na porta. Só ouvi alguns barulhos de passos pelo quarto, mas ninguém abriu a porta. Abri de uma vez. Encontrei uma Alice descabelada e ofegante.

– Depois dizem que eu sou desesperada. — Botei a cabeça pra dentro, vendo a April sentada na cama comendo sorvete. Ao lado da Alice, uma senhora estava com uma fita métrica na mão. Acenei timidamente e ela sorriu.

– Você quase me pegou com o vestido. — Alice falou e eu sorri de canto.

– Faz parte. — Falei.

– Bom, eu vou indo. Lindo o vestido! — April falou pra senhora.

– Obrigado por me deixar curioso. Muito legal da sua parte. — Ela sorriu pra mim. A senhora falou alguma coisa com a Alice e elas marcaram de se encontrar no escritório. No fim, sobrou só nós dois.

– Desculpa por ontem. — Ela falou baixo. — Entendo que você tava cansado. Acho que eu exagerei.

– Um pouco só. Prometo tentar não esquecer de novo. — Ela sorriu discretamente.

– O que acha de comida mexicana?

– Existe alguma sem pimenta?

– A gente caça uma na internet.

– Hm... Vou tomar um banho rápido. — Dei um beijo na testa dela. — Aliás, ficou linda com a blusa do avesso. — Falei já entrando no banheiro, mas pude ouvi-la murmurar rindo:

– Idiota.

(...)

– Acho que ela vai ser pega. — Comentei. Estávamos vendo um seriado policial que a Alice era viciada. Eu não entendia nada daquilo.

– Não. Ela vai conseguir fugir pela lavanderia.

– Mas a casa tá cercada.

– Tem tipo uma passagem secreta. — Olhei pra ela. — Já vi esse episódio.

– Então, porque estamos vendo de novo? — Ela me olhou como se a resposta fosse óbvia. Continuei com a minha "cara de ponto de interrogação".

– Porque é meu seriado preferido! É óbvio! Eu sempre vou querer ver de novo.

– Toda quinta?

– Sim.

– Ela morre no final da temporada?

– Nem me lembra disso! Você não faz ideia do que acontece! — Não mesmo. — Lembra que ela tem uma dívida com o Mark? Então, aí eles vão até o galpão e... — Parei de ouvir aí. Minha mente viajou até a cozinha e me imaginou comendo um pedaço de bolo. Eu só fazia que sim com a cabeça. — Andy?

– To ouvindo.

– Perguntei se o Peter te contou da ultrassom.

– Ah... Contou. Você vai?

– April falou pra eu ir. Mas... Acho que é algo mais pro casal, não acha?

– Se ela te chamou, acho que não é um problema.

– Hm... — Alice deu de ombros. — Você vai?

– Acho que sim.

E no dia, estávamos os dois esperando April e Peter chegarem no consultório. Depois, entramos na sala. Peter tava até engraçado de tão nervoso.

– Ri mesmo. Quero ver quando for a sua vez. — A médica começou a passar um gel na barriga da April e logo uma imagem borrada apareceu no telão.

A médica nos disse onde estava o bebê e aquilo começou a ter forma, pra mim. Não muito, mas dava pra perceber cada membro do neném.

– Dá pra saber se é menino ou menina? — Peter perguntou.

– Não dá pra ter certeza. Tá escondido. — Ela respondeu. Ele estava em pé ao lado da April enquanto eu e a Alice estávamos sentados no sofá que havia ali. Ela encostou a cabeça no meu ombro e me deu a mão. — Mas... Tudo indica que é uma menina.

– Sabia! — Peter falou e a April sorriu. Depois de ver que estava tudo bem com o neném, a médica colocou o som dos batimentos cardíacos. Nunca tinha visto o lado sentimental do Peter. Quanto mais paternal. Não exagerei quando disse que estava surpreso com tudo isso.

Assim que saímos do consultório, eles olharam sorrindo pra mim e pra Alice. Nos entreolhamos rindo baixo.

– Eu e o Peter chegamos a uma conclusão. — April falou. — Não tem como a gente convidar outro casal pra serem os padrinhos. — Sorri.

– Acho que minha afilhada tá precisando de um sessão de compras! — Alice falou animada e eu o Peter olhamos assustado pra ela.

– Acho melhor não nos precipitarmos agora. — Falei e ele concordou comigo.

– Vamos! Vai ser divertido! — E lá fomos nós pro shopping. Eu e o Peter falamos que estávamos com fome e fomos direto pra praça de alimentação enquanto elas foram fazer compras. Pelo menos nos livramos.

– Agora me diz: o que pretende fazer na sua despedida de solteiro? — Ele perguntou pra mim.

– Não sei que quero fazer algo. Alice me mataria se uma mulher começasse a dançar pra mim.

– Despedida de solteiro é de lei, Andrew. Não precisa ser num putero.

– Não vai ser num putero. — Falei rindo.

– O casamento vai ser no sábado... Sexta passo pra te pegar no escritório.

– Alice vai me matar...

– Acha mesmo que ela não vai fazer nada? — Ele perguntou rindo.

– Tá sabendo de alguma coisa?!

– Não. Mas to indo pelo óbvio. Elas têm certeza de que vamos fazer algo e não vão ficar pra trás. Vai por mim.

POV Alice

April consultava o preço do berço com uma vendedora enquanto eu via os vestidinhos. Eram tão lindos!

– Deseja que seja uma menina? — Uma mulher perguntou do meu lado. Pela barriga, ela devia estar de oito meses ou quase nascendo.

– Não to grávida. É pra uma amiga. — Falei sorrindo.

– Ah! Desculpa.

– Tudo bem. Pretendo ficar daqui a um ano. Se fosse pelo meu noivo, eu já estaria. — Ela riu baixo.

– Engravidei na lua de mel. E não estou de oito meses. — Arqueei uma sobrancelha. — São gêmeos. To de sete. — Minha nossa senhora! Parecia que ia explodir!

– Dois meninos?

– Um casal. — Sorri. — O que achou do macacão?

– Lindo! Não sei qual vestido escolho. O vermelho ou o azul.

– Acho o vermelho mais bonitinho. — Comecei a me imaginar grávida. Isso não iria dar certo. Eu iria querer levar a loja inteira! Quando saíamos da loja, April começou a enrolar pra falar alguma coisa.

– O que você quer me falar, April?

– O que você pretende fazer no dia anterior ao casamento?

– Não sei. — Dei de ombros. — Acho que vou marcar com as meninas de ir em um barzinho.

– Barzinho? Alice, você acha mesmo que despedida de solteira se faz em um barzinho? Tava pensando ontem... Tem um clube de mulheres perto da faculdade.

– Não vou num lugar desses, April!

– E você acha que o Andrew vai aonde? Ainda mais com o Peter! — Ela tem razão.

– Quanto é pra entrar nesse lugar?

– Não sei. Mas acho que não deve ser tão caro. E outra, você é noiva. Não precisa pagar. Só o que consumir e ainda tem desconto.

– To começando a ver vantagem.

– É óbvio que tem vantagem! Aqueles caras gostosos dançando só pra você. — Ri. Avistei os dois comendo um cheseeburger. Nos juntamos a eles. Comecei a pensar na ideia da April. Até que não seria tão ruim.

(...)

O relógio marcava oito horas da noite. Andrew não tinha chegado em casa ainda e eu esperava que ele não aparecesse até eu sair. Guardei a caixa do sapato, peguei minha bolsa e saí. Passei na frente do prédio da April e ela já me esperava do lado de fora.

– Onde que é? — Ela foi me guiando e assim chegamos até o clube. Quando entramos, meu instinto fez meus olhos arregalarem de surpresa. Digamos que era melhor do que eu esperava. Nem na faculdade tinha algo parecido. Na verdade, as festas de lá pareciam um clube de striper. April logo me anunciou como a noiva da noite pra gerente e, quando vi, já tinha um cara me adulando. Comecei a rir de vergonha. Mas era divertido.

Em menos de uma hora, eu já tinha tomado cinco rodadas de bebidas. As outras meninas que eu conhecia estavam mais soltas do que vadia de universidade.

Eu não me divertida assim fazia muito tempo. Eu nem lembro quando foi a ultima vez! E eu sabia que iria demorar pra ter uma noite das garotas como essa de novo. Eu amo o Andrew, mas preciso tirar um tempo pra mim de vez em quando, assim como ele. E não vou me arrepender de nem um segundo nessa despedida de solteira porque sei que ele também está em uma.

Notas finais
Bom, a despedida da Alice não acaba aí. Ainda tem mais. Espero que tenham gostado. Bye!!