She Will Be Loved 2
19 Baby, baby and more babies
Notas iniciais
A partir do momento que casamos, nossa rotina muda. Até mesmo aos finais de semana. O famoso almoço de domingo, por exemplo. Não que eu já não viesse pra casa da minha mãe antes, desde que mudei pra Toronto. Mas agora tem a Alice e o pai dela junto.
Os meses passaram-se normais. Alice desistiu de encontrar o Isaac e mandou a secretária, que era estudante de direito. Eu sei que ela descobriu alguns podres envolvendo o infeliz, mas não me contou nada. Juiz pediu sigilo, sei lá. Uma coisa assim. E acreditem quando eu digo que ela é muito profissional.
April já está com uma barriga de sete meses. E reclamando, claro. Ela sempre reclama.
– Achei que fosse uma alegria pra toda mulher ficar grávida. — Peter falou enquanto ela reclamava que não tinha posição pra sentar confortavelmente.
– Fica você carregando durante meses todo esse peso, infeliz! — Ri.
– Eles não tem jeito, né? — Minha mãe perguntou.
– Não. — Eu e a Alice respondemos rindo.
– E quando eu vou ganhar meu neto? — Olhei pra Alice e ela pra mim.
– A gente tá tentando, mãe. — Ela sorriu e me abraçou.
– Eu sei que você quer muito isso. — Fiz que sim com a cabeça e beijei sua bochecha. Minha mãe foi pra cozinha e ficamos só nós dois. Alice abraçou minha cintura.
– Eu também quero muito isso. — Ela falou, me fazendo sorrir. Passei meu braço pelos ombros dela e dei um beijo em sua bochecha. — O que foi que tá com esse sorriso olhando pra mim? Eu fico constrangida. — Ri.
– É engraçado porque você não ia com a minha cara. E agora planejamos um filho.
– Eu não tinha nada contra você.
– Tinha sim.
– Eu só te achava intrometido. — Fiz uma careta. — Isso você era e não pode negar. Aliás, ainda é. — Ele me deu um selinho.
– Pelo menos eu sou bonito. — Ela riu.
– Sim, você é. Convencido também. — Sorri. April mostrava algumas roupinhas que já tinha ganhado e comprado. Paul ainda tava com o pé atrás em relação ao Peter. Mas até que eles tavam se dando bem.
(…)
– Será que agora foi? — Alice perguntou pra mim depois da transa. Ri.
– Mas que pergunta é essa?
– E se eu tiver problema pra engravidar? — Ela me perguntou com os olhos brilhando por conta das lágrimas. Puxei-a pra perto de mim.
– Acho que não, meu amor. É difícil. Você participou de todas as aulas de biologia. Deve saber mais que eu.
– Eu sei. Toda aquela historia da temperatura ideal dos espermatozoides… Mas mesmo assim, Andy. Estamos tentando faz meses.
– Você quer marcar uma consulta? — Eu sei que tinha que ficar calmo por causa dela, mas meu coração palpitava. E se ela realmente tiver problema pra engravidar?
– Já marquei. — Alice afundou o rosto no meu pescoço. Ela tinha começado a chorar.
– Ali… Não precisa entrar em desespero. — Ela apertou meu tronco. Comecei a fazer carinho nela. — Olha… Nós vamos na consulta e… Tem várias maneiras pra fazer isso dar certo. Tem tratamentos e… Aquele negócio que não lembro o nome.
– Inseminação artificial. Mas… Eu quero do modo natural. Não quero ter problema pra isso.
– Você não tem. Para de colocar isso na sua cabeça. Quando a gente menos esperar, seu exame vai dar positivo. — Ela fez que sim com a cabeça e continuou abraçada comigo.
Não demorou muito e a Alice dormiu. Desde quando a gente planejou ter um neném, eu percebo como ela fica toda vez que a April liga contando alguma novidade sobre a gravidez, quando vê as roupinhas e tudo mais. E, sinceramente? Ela seria a mulher mais sem sorte do mundo se tivesse problema pra isso, considerando tudo que ela já passou. Deus queira que não.
(…)
– Eu tava quase indo dormir já. — Falei assim que a Alice passou pela porta.
– Mentiroso. Sei que você tá trabalhando no notebook. — Sorri.
– Tava até agora no escritório?
– Não. Fui na igreja. — Olhei pra ela, que me deu um selinho.
– Fazer o que?
– O que se faz na igreja, Andrew? — Deu de ombros.
– Você nunca foi de ir.
– Me deu vontade. — Ela falou como se fosse nada. Ela tá desesperada. Não entendo o porque disso.
– Isso tem alguma coisa a ver com o neném, não tem? — Ela ficou quieta. — Alice…
– Eu só fui rezar, Andrew! Vai que… — Ela não terminou a frase. — E eu vou na igreja às vezes.
– Agora.
– Sim. Depois que minha mãe faleceu. — Ficamos em silêncio por um tempo.
– Você tá bem? — Ela assentiu.
– Aham. Já jantou?
– Não.
– Vou fazer algo pra gente comer. — Ela me deu um beijo curto e começou a cozinhar alguma coisa.
(…)
02h37. Essa era a hora quando olhei no relógio. Apesar de ser fim de semana, ninguém me ligaria esse horário. Ainda mais agora que o Peter tá laçado.
– Ai meu Deus! Será que a bolsa estourou?! — Alice sugeriu e eu levantei num pulo. Peguei o telefone e já fui procurar uma roupa.
– Alo?!
– Andy? — Era a voz da Bia.
– Porra… Que susto, Bia! O que aconteceu? — Alice franziu a testa olhando pra mim.
– Desculpa. É que assim… Tinha uma festa. Antes que você fale alguma coisa, papai deixou.
– Tá me ligando por qual motivo?
– Ai! Não precisa ser grosso. — Alguém do lado dela riu. — Passei do horário. Papai vai comer meu fígado! Deixa eu dormir aí?
– E aí eu te acoberto? — Vesti uma camiseta.
– É… Eu acho. Por favor, Andy?!
– Quem tá com você?
– Sea… Uns amigos.
– É cada uma que você me arruma… Onde você tá? Vou te buscar. E não acostuma não, que é a primeira e última vez que faço isso. — Ela me falou o local e agradeceu milhares de vezes.
– Você vai levar a Bia em casa? — Alice perguntou.
– Ela vai dormir aqui.
(…)
– Não gostei daquele povo da festa. — Falei enquanto entrávamos em casa.
– Eles são legais. — Bia respondeu. — E nenhum deles é “errado”.
– Sei…
– É sério, Andy. A menina que tava lá era a nerd da sala. Ela nunca faria nada errado.
– Isso não quer dizer que você não faria, mocinha. To de olho em você. E naquele seu namorado.
– Papai falou alguma coisa? — Ela perguntou, ignorando meu comentário sobre o Sean.
– Colocou a culpa em mim por não ter avisado antes e disse que ficou morrendo de preocupação. Me deve uma, Bia. — Ela me deu um beijo na bochecha.
– Obrigada, obrigada, obrigada!
– Tá. Agora me solta. — Falei rindo. — Quer dormir na cama com a Alice?
– Fico bem no sofá. — Vi que a Alice já tinha deixado uns lençóis separados pra ela junto com um travesseiro.
– Bom… Então, boa noite, Bia. — Beijei o topo de sua cabeça.
– Boa noite, Andy.
(…)
– Você devia ter me avisado, Andrew! — Meu pai ainda tava enchendo o saco pelo telefone. Me apoiei na sacada do apartamento.
– Tá, pai. Ela não tá bem? Então… E ela dormiu aqui. Eu mesmo fui buscar. Não aconteceu nada demais.
– Eu ainda não engoli essa história.
– Mas eu to falando a verdade!
– Hm… — Ele começou a falar algo sobre a empresa e sobre a minha madrasta.
– Vocês brigaram? — Alice perguntou quando voltei pra sala.
– Não. Ele só falou, falou e falou. Mas não deu nada.
– Você vai comigo amanhã na consulta?
– Claro que vou. Tá nervosa? — Ela fez que não com a cabeça. — É… Não precisa. — Ela forçou um sorriso e continuou lendo.
E no dia seguinte, lá estávamos nós. Alice já tinha passado por uma consulta e logo depois feito um exame. O médico acabou de chamá-la novamente.
– Seus exames não deram nada de errado. — O médico falou assim que sentamos. Um alívio percorreu meu corpo. Alice sorriu e apertou minha mão. — Há quanto tempo estão tentando ter o neném?
– Seis meses, mais ou menos. — Respondi.
– Bom… O normal é demorar até 12 meses. Mas… Seu ciclo é irregular? — Ele perguntou pra Alice. Que porra de ciclo?
– É. Isso é um problema?
– Talvez. O período fértil muda a cada mês. Mas nada preocupante. Acho que vocês não precisam se preocupar. Pode ser que queiram que o futuro pai faça um teste de fertilidade. — Me remexi desconfortável.
– Tá. — Murmurei. Ele passou o nome de um especialista e saímos da sala.
– Acho que o problema é o ciclo, Andy. Não precisa ficar com essa cara fechada.
– To normal. Vamos continuar tentando. — Ela assentiu. Deixei a Alice no seu escritório e fui pro meu.
– Peter ligou. — Claire falou assim que entrei.
– Ele sempre me liga.
– Parece ser sério. Ele parecia desesperado. — Na hora peguei o telefone e liguei pro celular dele.
– Tá na hora? — Perguntei. Mas não foi ele que me respondeu.
– Andy! Peter já tá dirigindo comigo pro hospital. E… Ai! Ele precisa de você no hospital pra pegar minhas coisas no apartamento.
– Não tava separado?
– Puta que pariu! — Ela berrou. Imagino que seja pela dor. — Eu to de sete meses. Lógico que não.
– Ah…
– Tá doendo muito. — April disse chorosa.
– Tenta ficar mais calma. To saindo do meu escritório e passando pra pegar a chave. — Desliguei o celular, avisei a Claire pra cancelar todos os meus compromissos do dia e fui correndo pro hospital.
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