Notas iniciais
JESUS! VOLTEI!! Mil perdões pela demora. Eu voltei a vida normal e aí tive que colocar o conteudo da escola em dia. E pra ajudar, meus professores resolveram passar trabalho durante esses dias. Fora que, com o segundo semestre do ano eu vou estudar o dobro de antes. E to tentando conciliar os estudos e minha vida pessoal, ainda mais com meus amigos de escola, já q to no ultimo ano. Enfim, boa leitura, meus amores!

Fui o mais rápido que pude pra casa do Peter e voltei voando pro hospital. Quando cheguei lá, Paul e minha mãe já estavam na sala de espera, junto com os pais e irmão do Peter. Paul pegou a malinha que fiz e levou pro quarto que April ficaria.

– Mãe… — Perguntei logo após me sentar. Ela me olhou. — E a mãe da April? — Ela deu de ombros.

– Parece que a April não fala com ela. Não sei, Andy. Paul nunca me falou muito sobre a ex-mulher.

– Hm…

– Ele tá uma pilha de nervos.

– Paul ou Peter? — Minha mãe soltou uma risada baixa.

– Os dois, provavelmente, mas eu tava falando do Paul.

– Vai ser parto normal?

– Não. Cesária. April vai lá pra casa pra eu ajudá-la com a neném. Já sabe o nome?

– Não. Qual vai ser?

– Não sei. Pensei que você soubesse.

– Acho que eles não pensaram ainda. — Algumas horas depois, Peter surge com um sorriso estilo Coringa e lágrimas nos olhos.

– Ela é tão, mas tão linda. – Ele disse. Sorri e fui até ele, o abraçando.

– Parabéns, irmão.

– Ela é perfeita! – Peter abraçou os pais e o irmão dele e cumprimentou minha mãe e o Paul. – April tá bem. Daqui a pouco ela vai pro quarto. O médico disse que já podemos ver minha filha. – Ele disse aquilo com um orgulho nítido na voz. E lá vamos nós pro berçário. Peter entrou na sala e a enfermeira pegou minha afilhada, ajudando-o a coloca-la nos braços.

– Olha o narizinho! Que coisa mais lindinha! – Minha mãe disse. Começou uma sessão choradeira, parecendo o dia do meu casamento. Logo Peter voltou até nós.

– Eles vão leva-la pra primeira amamentação. – Juro por Deus que nunca vi o Peter tão sorridente como hoje. É o melhor dia da vida dele. Sem dúvidas. Quando entramos no quarto, April estava com uma cara péssima, mas ainda sim estava sorrindo.

– Vou matar você. – Ouvi a Alice dizer atrás de mim. A enfermeira vinha logo atrás dela. – Por que não me ligou? – Puta merda...

– Eu esqueci! Meu Deus! Desculpa! – Ela continuou me encarando brava. Mas logo que viu a bebê já se animou.

– Que coisa mais linda! – Alice falou. A bebê estava acordada, nos braços da April. A enfermeira ajeitou aquela pequenininha nos braços dela, colocando-a pra amamentar.

– Ela vai dormir? – April falou.

– Provavelmente, sim. – A enfermeira respondeu. April olhou pra neném parecendo apreensiva.

– Dói? – Ela perguntou pra minha mãe.

– Um pouquinho só. Logo depois acostuma. Olha ela procurando o seio! – Todo mundo olhou pra neném.

– Ei! – Peter falou olhando pra mim e pro irmão dele.

– Que foi? To olhando minha sobrinha. – O irmão respondeu. Ri. Cara de pau.

– April é minha irmã. – Falei. Alice olhou pra mim. Dei de ombros.

– Jesus! Calma, menina. – April falou pra neném.

– Qual vai ser o nome? – Alice perguntou. Peter chegou perto das duas e ficou fazendo carinho na neném.

– Zoe. – April respondeu e ele olhou pra ela. – Que foi? Carreguei a menina por meses, e olha que não é leve. Achei que eu ia ter um piripaque no parto e não tenho o direito de escolher?

– Vish. – O irmão dele falou e nós dois rimos.

– Calma, coração. E Monica?

– Lembro de F.R.I.E.N.D.S. – Alice falou. I’ll Be There For You começou a tocar na minha cabeça.

– Zoe.

– Ela não vai mudar de opinião. – Paul falou rindo.

– Não mesmo. Ela dormiu! – April falou acariciando o rostinho da Zoe.

– Acho melhor a gente deixar a pequena dormir no colo da mãe. – A mãe do Peter sugeriu e concordamos. Despedimos-nos em silencio e saímos do mesmo jeito.

(...)

– Ela é tão linda! – Alice falou. Acariciei sua coxa enquanto dirigia. – E nem chorou com aquele bando de gente pegando-a no colo.

– O que é quase um milagre.

– Precisamos comprar alguma coisinha pra Zoe.

– Vamos amanhã. – Entrei no prédio e estacionei o carro. – Marquei a consulta pra amanhã também.

– Quer que eu vá com você?

– Não precisa. – Subimos até nosso apartamento.

– Tá nervoso, Andy? Tenho certeza que não vai dar nada. – Alice pousou uma mão no meu ombro, acariciando, enquanto eu abria a porta.

– Um pouco. Sabe do que precisamos? Relaxar. Principalmente você.

– Eu to com pensamento positivo. – Olhei pra ela, que deixava as coisas em cima da cama.

– Eu sei que você tá apreensiva, amor.

– Mas é normal! – Alice se despiu e entrou no chuveiro. – Pede alguma coisa pra gente comer.

– Japonesa?

– Pode ser. – Ela berrou já dentro do box.

– Comédia ou terror?

– Terror. – Fui até a sala, liguei pro restaurante pedindo entrega e separei alguns filmes enquanto ela estava no banho. Demorou mais ou menos meia hora pra eu ouvir o interfone tocando. Alice já tinha saído do banho e eu entrado. Terminei, me vesti e fui até ela.

– Não esqueceu do shoyu, né? – Perguntei abrindo a minha embalagem e pegando os palitinhos.

– Não. Tem coca na geladeira? Achei que você incluiria no pedido.

– Deve ter. – Levantei e fui até a geladeira. – Bom... Tem cerveja. Serve?

– Serve. Posso colocar pra começar?

– Pode. – Sentei-me ao seu lado. Alice soltou um risinho de vergonha.

– Por que tá me olhando tanto? Sabia que fico com vergonha?

– Essa é a graça. – Ri baixo também. – Você é linda.

– Você me diz isso todos os dias.

– Não minto. – Alice continuava sorrindo. E suas bochechas cada vez mais rosadas. Dei um beijo no seu pescoço e puxei-a pra perto de mim, aconchegando-a nos meus braços. Meio brega, mas eu achava bonitinho.

(...)

Eu estava no consultório esperando pra me chamarem pro exame. O médico disse que seria rápido. E o resultado só vai sair daqui a cinco dias úteis. Uma enfermeira me chamou e me levou até uma sala.

– Sabe como funciona o exame? – Ela perguntou. Fiz que não com a cabeça.

– Mas imagino. – Falei.

– Não precisa soltar todo o esperma nesse potinho. E eu não preciso tocar nisso também. – Fiz uma careta. – Quando terminar, chama. – Ela fechou a porta. Acho que é a coisa mais constrangedora que já passei. Mas é por uma boa causa.

Não preciso falar o que aconteceu na sala. E também, não seria legal expor esse tipo de coisa pra várias pessoas. Só fechei o pote, lavei as mãos e chamei a enfermeira.

– O senhor está num dia bom? – Claire perguntou quando cheguei. Já vi vem catástrofe por aí.

– O que aconteceu? – Perguntei pedindo pra ver os papéis que ela segurava.

– Não são os papéis. – Ergui a sobrancelha. Os deixei na mesa dela e entrei na minha sala. Um cara tava sentado no sofá. Pigarreei.

– Senhor Davis? – Ele perguntou.

– Eu.

– Achei que o senhor já estaria aqui quando eu chegasse. Sou o delegado Miller.

– E do que se trata?

– Um depoimento. Conferência... Sabe como é.

– Hm... – Coloquei a cabeça pra fora da porta. – Traz um café, por favor, Claire? – Entrei na sala e fechei a porta. Indiquei a cadeira em frente a minha pra ele e me sentei.

– Não sei se você sabe, mas achamos seu nome em uma investigação.

– Sobre o que?

– Não sei pra que o nervosismo.

– Meu nome tá na polícia. Não preciso de um motivo a mais pra ter nervosismo.

– Senhor Klark foi acusado de lavagem de dinheiro. Descobrimos que ele queria um casamento da filha dele com o senhor pra unir a empresa dele à de seu pai.

– Deveriam acusar de falsidade ideológica também.

– Desculpe?

– Ele me deu um golpe.

– Não consta nada na delegacia. — A prepotência desse cara tava me irritando.

– Não prestei queixa. Consegui o dinheiro de volta. E achei que ele já estava fodido o suficiente. E é só isso?

– A empresa do seu pai falia cada vez, enquanto a sua aumentava a cada dia que passava. – Ele ignorou minha pergunta.

– Dizendo assim até parece que foi do dia pra noite.

– Viagem de uma semana com gastos absurdos. Fora que houve um casamento.

– Não foi com a filha daquele infeliz, se você pensou nisso. E outra, eu to sendo acusado de alguma coisa?

– Senhor Klark vinha aqui mais do que eu pai.

– Ele me enchia o saco. Espera. Você tá me acusando de ser cúmplice dele? – Ri. – Essa foi a melhor piada do ano! Olha só, eu não falo com esse cara faz meses. E ele me deu um golpe! Seria bizarro eu me juntar a ele e foder mais ainda com a empresa do meu pai e com a minha vida.

– Você não deu queixa. Como vou acreditar nisso?

– Pergunta pra minha secretária.

– E uma funcionária contaria a verdade sobre o patrão? – Bufei. Ele se levantou. – Obrigado pela atenção, senhor Davis. – Minha vontade foi de atacar a cadeira na cabeça daquele cara. Ou pior! Matar aquele infeliz. Quero saber da onde meu pai tirou a ideia de que seria bom ele se juntar àquele filho da puta.

(...)

– Resolvi passar aqui pra ver minha sobrinha antes de ir pra casa. – Falei assim que entrei no quarto da April e da Zoe. Ela sorriu.

– Ela tá dormindo. – Zoe estava no berço. Parecia um pacotinho rosa. Ou uma boneca. – Alice sabe que você tá aqui?

– Não. Decidi de última hora. – Entreguei a sacola pra ela. – Comprei um vestido pra pequena.

– Ah, Andy! É lindo! – Sorri. – Obrigada.

– Não tem de que. – April parecia querer me perguntar algo. Ela olhou pra Zoe.

– Vocês ainda estão tentando?

– Sim. Fiz um exame hoje. Pra saber se sou fértil ou não.

– Quando vocês menos esperarem, ela vai estar com um bebê na barriga. – Sorri de canto.

– Deus te ouça. E o Peter?

– Ainda fica com medo de pegar a própria filha! – Nós rimos. Zoe soltou um barulho de princípio de choro. Fui até o berço. Ela estava com os olhinhos abertos.

– O que eu faço? – Perguntei desesperado. A menina começou a chorar. Jesus! Acho que vou voltar sem tímpanos pra casa. Nunca fiquei tão perto de um ser tão pequeno assim.

– Pega logo ela no colo, seu idiota! – April falou sem paciência. Mas a Zoe parecia uma boneca de porcelana que pode quebrar só de encostar! Coloquei uma mão embaixo de sua cabeça e a outra embaixo do bumbum. Levantei e deixei a Zoe deitada no meu colo.

– Shi... – Falei. Beijei o topo de sua cabeça. – Você tá com fome? – Ela continuou se remexendo.

– Andrew? – Zoe foi parando de chorar e se aconchegou no meu colo. – Ela parou?

– Tá resmungando ainda. Acho que ela só queria colo. – É a coisa mais lindinha que eu já vi. E ela tem sardinhas! Voltei a embalá-la. Zoe ainda soltou uns resmungos, mas logo parou. Fiz menção de coloca-la de volta no berço e os resmungos aumentaram. – Acho que o jeito vai ser eu ficar te segurando. – April soltou um risinho.

– Quer que eu segure?

– Não precisa. Ela é leve.

– Ainda. – Sorri.

– Parabéns, April. Ela é linda.

– É sim. É até estranho pensar que ela saiu de mim.

– Quer segurar agora? – April fez que sim com a cabeça. – Acho que já vou indo.

– Peter deve estar voltando.

– Quer que eu fique?

– Não precisa. Qualquer coisa eu chamo a enfermeira. Pode ficar tranquila. – Entreguei a Zoe pra April. Dei um beijo na testa das duas.

– Então eu vou indo. Sabe que eu amo vocês, né?

– Sei sim. – Deixei a sacola em cima do sofázinho e fui pra casa imaginando quando seria o dia que a Alice estaria ali, segurando nosso bebê.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Beijos!