She Will Be Loved 2
11 Here We Go Again
Notas iniciais
E AS OUTRAS AUTORAS QUE ME PERDOEM, MAS EU TENHO AS LEITORAS MAIS FODAS DO MUNDO. MORDIDAS COLETIVAS EM VOCÊS QUE FALARAM QUE É SUPER JUSTIN E CHAR NO CLIPE DE ALAYLM. SÉRIO, FOI MUITO LINDO DA PARTE DE VOCÊS ♥
Justin encarou Ian com um misto de descrença e ódio fulminando em seus olhos.
– O que disse? – Justin perguntou rispidamente.
Ele ouviu, ele só está dando a oportunidade de Ian arrumar as coisas antes de tudo sair dos trilhos.
– Você ouviu bem o que eu disse. – Ian falou amargamente.
Justin olhou para mim, com o mesmo olhar que tinha lançado para Ian há poucos segundos.
– Contou para ele? – Justin perguntou.
– Eu não... – Tentei concertar as coisas, mas o olhar cheio de ódio de Justin meio que me fez desistir de falar qualquer coisa.
Eu acho que comentei alguma coisa com a Mackenzie quando ele estava no quarto. Mas foi algo totalmente inocente. Mackenzie estava toda chateada porque um primo de milésimo grau dela tinha sido encaminhado para uma clínica de reabilitação. Ai eu falei que pessoas que usam droga nem sempre são do mal e dei o exemplo de Justin depois de ela jurar não contar nada.
Ian também jurou que não ia contar nada, mas parece que ele não foi muito honesto quando prometeu o silêncio.
Justin riu sem humor pelo nariz.
– Legal pra caralho. – Falou. – Muito legal pra caralho. Vai se foder, Charlotte.
Já tinha ouvido muitos “vai se foder, Charlotte”, mas esse com certeza foi o que mais me machucou de algum jeito.
Justin se soltou de Josh e saiu do quarto, batendo o ombro no ombro de Ian. Me virei para Ian.
– Por que fez isso?! – Gritei com Ian, que me olhou surpreso. – Por que?! Quem te deu o direito de falar assim com ele?!
– Ele que começou! – Ian se defendeu. – E eu só estou te protegendo!
– Quantos anos você tem?! – Perguntei sarcasticamente. – Cinco?! Pelo amor de Deus! E eu não preciso que você me proteja de nada!
– Desculpa se feri os sentimentos do...
– Cuidado com o que vai falar, garoto. – Ryan cortou um claro insulto de Ian. – Nós somos quatro contra um. Não vamos hesitar antes de acabar com você.
Aproveitei a troca de argumentos entre Ryan e Ian e comecei a ir atrás de Justin, mas Ian me segurou pelo braço.
– Não faz isso. – Falei com raiva enquanto me virava para Ian.
– O que? – Ian perguntou. – Te impedir de correr atrás de alguém que não te merece?
– Me fazer ter que escolher entre ele e você. – Falei. – Porque vai ser ele.
Um misto de dor e surpresa passou por Ian, que me soltou. Os sentimentos de Ian por mim não é exatamente o que me preocupa nesse momento.
Voltei a andar atrás de Justin, procurando em todos os cômodos do segundo andar e depois descendo as escadas, indo direto para a cozinha. O vi do lado de fora da casa, na área da piscina, olhando para o nada. Abri a porta de vidro e senti uma brisa fria. Me arrepiei.
– Justin. – Chamei. Justin não se mexeu. Fui até ele depois de fechar a grande porta de vidro.
Encostei no braço dele e Justin recuou, como se eu fosse alguém com uma doença séria e contagiosa.
– Eu sinto muito. – Falei.
– Claro que sente. – Respondeu asperamente.
– O que Ian falou lá em cima... – Comecei a tentar melhorar as coisas, antes de ser interrompida.
Justin se virou para mim, me encarnado com ódio e repulsa. E, sendo sincera, eu preferiria ser esfaqueada a ver Justin olhando assim para mim.
– Guarde seu monte de hipocrisia para você ou vá procurar alguém que esteja disposto a ouvir. – Justin falou tão rispidamente que me assustou.
– Justin... – Comecei.
Justin me ignorou, virando para o outro lado e acendendo um cigarro que tinha saído sei lá de onde.
– Se manda. – Justin cuspiu enquanto soltava a fumaça.
– Por favor, você tem que me escutar. – Falei.
Justin se virou para mim, virando os olhos e com o maxilar travado. Ele mal tinha fumado, mas eu podia sentir o cheiro de cigarro exalando da pele dele.
– Eu. Não. Tenho. Que. Escutar. Ninguém. – Justin falou pausadamente enquanto se aproximava de mim de um jeito ameaçador. Recuei um pouco, apesar de ter certeza que Justin Fletcher nunca relaria um dedo em mim. Justin riu pelo nariz. – Você é igualzinha a sua irmã, hun?
– Do que está falando? – Perguntei meio ofendida.
Tudo bem, Sophie é minha irmã, mas eu não sou minha irmã. Eu não sou igualzinha a minha irmã Sophie, eu tenho quase certeza.
– Estou falando de como vocês duas adoram ver o circo pegar fogo. – Justin falou, usando um tom meio debochado. – Mesmo que vocês tenham que colocar o fogo no circo.
Justin deu outra tragada no cigarro, soltando a fumaça em mim. Tossi algumas vezes.
– Justin... – Comecei a tentar me defender.
– Não acredito que contou aquilo para o Ian. Você nem o conhece direito. – Justin interrompeu. – Juro que pensei que podia confiar em você. Mas parece que eu estava tremendamente enganado, hun?
Justin riu sem humor pelo nariz e se aproximou mais de mim. Recuei de novo.
– Sabe qual é a pior parte? A parte que me mata por dentro? – Justin falou. Outra tragada, mais fumaça em mim, mais algumas tosses. – Eu nunca conseguiria ir embora do nada por causa disso igual você fez na Inglaterra. Sabe por quê? Porque eu me importo muito mais com os seus sentimentos do que com os meus*.
Eu fiquei completamente congelada, apenas digerindo tudo. Justin olhava fundo nos meus olhos, deixando a parte de digerir muito pior. Eu até posso ser forte – emocionalmente falando, porque eu mal consigo levantar meu travesseiro – mas Justin é minha fraqueza.
Ficamos olhando um para o outro. O olhar de Justin já estava um pouco menos assassino, mas ainda transmitia um pouco de raiva.
– Desculpa. – Falei.
– Cala a boca. – Justin falou e me deu as costas, dando mais algumas tragadas no cigarro. – Me deixa sozinho.
Voltei para dentro, subi para o quarto, coloquei meu pijama e me enrolei na minha cama improvisada no chão, deixando algumas lágrimas molharem meu travesseiro.
(...)
– Charlotte. – Ouvi Mackenzie me chamar. – Acorda.
Abri os olhos e peguei meu celular, vendo o horário. Seis e meia.
Seis e meia.
Eu não acordo seis e meia nem quando eu preciso acordar seis e meia.
– O que houve? Alguém morreu? A casa tá pegando fogo? – Debochei com o meu mau humor matinal.
Vi que Lucy estava olhando para o lado de fora da janela, mas não me preocupei muito com aquilo porque se tem algo que a Lucy gosta de fazer é ficar próxima da janela para pegar um sinal melhor no celular.
– Choveu ontem de madrugada e acabou a energia. – Lucy falou e se virou para mim. – Eu e Ryan pensamos em ir dar uma volta na cidade já que ficar aqui é a mesma coisa que morrer de tédio o resto do dia.
– E a volta na cidade precisa ser às seis e meia da manhã? – Perguntei meio brava.
Lucy deu de ombros.
– Eu não dormi hoje e não estou reclamando. – Lucy falou. – Então, você vai ou não?
– Quem vai? – Perguntei.
Eu vou evitar Justin hoje. Cheguei a essa conclusão pouco antes de dormir ontem à noite. Talvez seja melhor não voltarmos a nos apegar muito porque nós dois sabíamos que não importa quão próximos voltemos a ser, nada vai apagar o que já aconteceu. E ele provavelmente me odeia agora.
E ele já me machucou muito e eu já o machuquei muito.
Chega de chatear um ao outro.
– Eu, Ryan, Mackenzie, Josh, Justin e Ian. – Lucy falou.
– Eu vou ficar. – Falei.
Lucy arqueou uma sobrancelha.
– Ouviu a parte do “não tem energia elétrica”? – Lucy perguntou.
– Ouvi e não tem problema, eu arranjo alguma coisa para fazer. – Falei. – Divirtam-se.
Lucy bufou e saiu do quarto batendo suas botas caras e preferidas no chão. Mackenzie começou a andar na direção da porta quando a chamei.
– Mackenzie. – Chamei. Mackenzie se virou para mim. – Não deixe Ian e Justin se matarem, por favor.
Mackenzie riu e assentiu, seguindo Lucy para fora do quarto.
Afundei meu rosto no travesseiro, refletindo. Ficar longe de Ian e Justin ia fazer bem para mim.
Eu acho.
E eu ainda preciso pedir desculpas para Ian por ter sido totalmente ignorante com ele ontem a noite quando joguei na cara dele que preferia o Justin a ele. E preciso conversar com ele sobre o que ele sente por mim e dar um jeito de ele parar de pensar em mim desse jeito.
Se bem que não seria nada ruim ter certeza que alguém nesse mundo gosta de mim desse jeito já que eu não posso dizer que sou a pessoa favorita do Justin depois de ontem.
Acho que também não posso dizer que Ian continua gostando de mim depois que eu agi de um jeito totalmente nojento com ele ontem.
Eu e minha velha mania de afastar todo mundo de mim.
Passei o dia inteiro praticamente dormindo e andando pela casa e comendo tudo o que tinha na geladeira. Bem minha cara. Quando a energia voltou, assisti a uma maratona de Bob Esponja, ainda comendo tudo o que meus olhos conseguiam encontrar na geladeira.
Quando deu umas oito horas da noite, eles chegaram. Fui até a entrada da casa, vendo Lucy e Mackenzie cheias de caixas de comida congelada e os garotos com algumas sacolas de loja.
– O que é isso? – Perguntei enquanto acompanhava Lucy e Mackenzie até a cozinha.
– Já que a Lucy não sabe cozinhar, nem eu e nós consideramos você incapaz de cozinhar alguma coisa sem envenenar alguém, compramos comida congelada para a ceia de amanhã. – Mackenzie falou.
Ignorei a parte que me toca e me concentrei em amanhã ser a véspera de natal. Eu trouxe os presentes de todo mundo, mas não sei se vamos trocar presentes. De qualquer forma, eu vou dar os presentes.
Ajudei as garotas a guardarem as coisas e depois fui atrás de Ian. Ian estava conversando sobre alguma coisa com Josh, mas assim que eu me aproximei os dois ficaram quietos.
– Ian, posso falar com você? – Perguntei usando minha voz de “desculpa”.
Josh saiu de perto, socando o ombro de Ian devagar e bagunçando meu cabelo como se eu fosse um bichinho de estimação.
Ian não estava olhando nos meus olhos e eu não queria que ele olhasse nos meus olhos porque podia ser totalmente constrangedor.
– Desculpa pelo o que eu disse ontem. – Falei. – Sobre escolher Justin a você.
– Você me escolheria se estivesse dividida entre eu e ele? – Ian perguntou usando um tom meio grosso e olhou nos meus olhos.
Merda.
– E-Eu não sei. – Falei.
Ian respirou fundo e virou os olhos.
– Não é culpa minha, você sabe. – Falei. – Quer dizer... Você sempre soube que eu tinha Justin na minha vida e que ele tinha deixado uma marca do tamanho da África em mim. Eu não tenho culpa que você tem um péssimo gosto para pessoas.
– Mas eu não imaginava que você fosse querer ele de volta. – Ian falou. – Digo... Olha só para vocês dois. É o casal mais disfuncional que eu conheço.
Ri um pouco, porque é verdade.
– Eu sei que eu e Justin somos... Complicados. – Falei. – E eu nem sei se vamos um dia voltar a ficar juntos, mas... Eu gosto dele. Gosto muito. E eu não posso simplesmente fingir que ele nunca existiu. Entende?
Ian assentiu triste.
– Não fica assim. – Falei. – Você vai achar alguma garota que te mereça de verdade, que goste de você do mesmo jeito que você gosta dela. E talvez ela até goste um pouco de Star Wars. E você vai me chamar pro seu casamento e vai me deixar ser madrinha do seu filho que vai chamar Luke. Ou Lea, se for menina.
Ian riu. Sorri.
– Ok, foi ótimo conversar com você. – Falei e soquei de leve o ombro dele, repetindo o gesto de Josh.
Estava voltando para cozinha quando ouvi Ian me chamar.
– Charlotte. – Ian chamou e eu virei para encará-lo. – Eu tenho um bom gosto para pessoas, pode acreditar.
Sorri para Ian, que sorriu de volta pra mim. Sibilei um “obrigada” e fui para cozinha.
Um já foi, agora só falta acertar as coisas com Justin.
Em um daquele momentos que o destino gosta de me provocar, Justin entrou na cozinha logo atrás de mim.
– Eu preciso falar com você. – Falei.
– Eu não tenho nada pra falar com você. – Justin falou e foi até o filtro, colocando um pouco de água em um copo.
Do jeito que todos nós estávamos só bebendo álcool desde que chegamos, o organismo dele podia até rejeitar a água e fazer Justin ter uma convulsão por abstinência.
– Justin, vamos pular a fase do “estamos de mal”, tá? – Falei já um pouco irritada.
Justin engoliu a água em poucos segundos e bateu o copo de vidro na bancada de mármore.
– Eu não quero falar com você. – Justin falou e saiu da cozinha.
Quão infantil esse garoto pode chegar a ser? Sério mesmo.
Assistimos a um filme em um canal que sempre parava o filme na melhor parte para mostrar uma propaganda de algum The Real Housewifes of Bláblálândia. Ian parecia mesmo estar tentando não responder as provocações nada discretas de Justin:
Josh: Esse ator fez algum filme bom, mas eu não lembro qual.
Ian: Também reconheci ele de algum lugar.
Justin: Deve ser algum ator de Star Wars. Espero que ele não tenha estragado a magia pra você, Ian.
Ou:
Personagem do filme: Porra.
Justin: Ou, tem nerds na sala. Nada de palavrão.
Se fosse eu, já teria socado a cara de Justin porque ele estava pedindo. Desculpem, mas é verdade.
Fomos dormir e eu tinha aquela estranha sensação de que alguma coisa estava a um passo de dar errado. E a culpa era minha.
* = Frase tirada da série American Horror Story. Tate e Violet são vida, pf ♥
Notas finais
FunFacts:
- Dia 7/8 eu completei um ano de Nyah! WEEEE, glitters para a WendyBass que me mandou parabéns quando eu nem tinha notado que era meu "aniversário";
- Desisti completamente da minha aula de multidisciplinares depois que a vagabunda louca da minha professora me deu nota baixa na minha redação sobre a desigualdade social no Brasil. O texto não tava excelente, mas também não era um texto nível 0. VSF ALICE -'-
- Não consegui prestar atenção na minha aula de matemática na quinta porque o professor estava com um blusão de OXFORD! Só conseguia pensar em voltar pra casa e escrever em SWBL2.
- Outro motivo do porque não consegui prestar atenção na aula: Minha amiga tá grávida. E ela ficou chorando o dia inteiro. E eu sou terrível para consolar pessoas.
Ninguém leu nada até aqui em baixo, tô ligada. Eu também ignoraria minhas notas.
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