She Will Be Loved 2
7 Forbidden
Notas iniciais
Eu e meu pai ficamos naquele momento tenso em que você sabe que está morta e só está esperando pela explosão.
– Quer me dizer o que faz fora da escola? – Meu pai falou extremamente bravo antes de cruzar os braços e encarar diabolicamente todo mundo. Justin, Lucy, Ryan, Josh e eu.
– Eu... – Comecei. – Sai com Lucy para passarmos o Halloween juntas porque, você sabe, ela mudou para a Irlanda e queríamos passar um tempo juntas antes de ela voltar para lá. Ai Justin se machucou e...
– Espera aí. – Meu pai me interrompeu. – Justin? O garoto com que você foi viajar no verão?
– É. – Sophie respondeu por mim.
Sibilei um “cala a boca” para Sophie antes de voltar minha atenção para o meu pai.
– Quer saber de uma coisa? – Meu pai falou e fechou os olhos com força, como se eu estivesse causando uma grande dor de cabeça. – Eu não quero nem saber o que houve. Pegue suas coisas, eu vou te deixar no internato.
Senti o desespero começar a subir na minha garganta.
– Mas... – Tentei argumentar e pedir para ficar longe daquele lugar até o fim de semana acabar.
– Nada de “mas”, Charlotte. – Meu pai abriu os olhos, me fuzilando. – Você me desobedeceu. Sabe como eu fiquei preocupado quando a diretora ligou falando que você tinha saído e não voltado? Ainda mais quando sua irmã disse que você estava comesse tipo de gente?
Meu pai apontou para Josh, Ryan e Justin. Eu estava começando a perder a paciência com o meu pai e só estava tão controlada por causa das três sessões de terapia da raiva.
Respira, conta até três, respira de novo, pensa em coisas boas.
– Que tipo de gente? – Perguntei, tentando não perder o controle. – Por favor, esclareça sua afirmação.
Meu pai umedeceu os lábios.
– O tipo de gente que te encoraja a fugir da escola. – Meu pai cuspia as palavras. – O tipo de gente que usa droga. O tipo de gente que abandona minha filha em um país diferente. O tipo de gente que sai da universidade para vir ficar bêbado aqui.
Ok, já era meu controle.
– Pelo menos não são o tipo de gente que abandona as filhas em um internato para viver as fantasias de “família feliz” com a melhor amiga da esposa falecida. – Falei com raiva.
Senti algo ardido no meu rosto e pesado no meu rosto, me fazendo cair no chão.
Antes que eu pudesse abrir os olhos novamente, já sentia alguém me ajudando a levantar e várias pessoas falando ao mesmo tempo.
– Você está bem? – Josh me perguntou enquanto me ajudava a levantar.
Então me caiu a ficha.
Meu pai tinha me dado um tapa na cara.
Esfreguei o lado direito do meu rosto enquanto sentia algumas lágrimas escorrerem. Josh me ajudou a levantar e, já de pé, vi meu pai e Justin sendo não muito amigáveis um com o outro.
– Acho melhor você ir embora antes que eu chame a polícia. – Justin falou enquanto empurrava meu pai para longe.
– Ela é minha filha! – Meu pai gritou. – Eu vou chamar a polícia!
Meu pai saiu do saguão batendo os pés. Me virei para Sophie, que assistia a tudo como se fosse a comédia mais engraçada do mundo.
– Me dê uma boa razão para não quebrar sua cara. – Falei enquanto me aproximava dela.
– Charlotte, chega de briga. – Lucy segurou meu braço, ficando entre eu e Sophie.
Sophie riu.
– Vai me socar como fez com David? – Sophie perguntou, ainda rindo. – Não me faça rir na sua cara, irmãzinha.
Congelei.
– Como sabe sobre o que houve com David? – Perguntei.
Quando eu fui para sala da diretora por causa de David, ela disse que ia ligar para meu pai e contar tudo o que aconteceu. Só que eu comecei a chorar, chorar demais, e ela amoleceu para o meu lado, me dando apenas a ordem da Terapia da Raiva.
Não tem jeito na Terra de meu pai saber sobre isso e não tem jeito na Terrade Sophiesaber sobre isso.
Sophie sorriu.
– Digamos que ficamos amigos depois que ele me fez um favorzinho. – Sophie falou.
– Você... – Comecei.
– É, eu dei a dica para ele pegar a sua cartinha estúpida. – Sophie falou. – Você é mesmo tão tonta assim?
Lucy encarou Sophie com ódio.
– Você pediu para ele pegar a carta da Charlie? – Lucy perguntou com raiva.
Justin, Josh e Ryan já estavam próximos o suficiente para ouvir o que estávamos falando.
– Pedi. – Sophie falou. – Ele me fez esse favorzinho e... Eu fiz outros favorzinhos para ele.
A mão de Josh fechou em um punho.
– De onde eu venho tem um nome para isso. – Justin falou com raiva. –Prostituição.
Ryan começou a rir e eu fiquei imaginando que tipo de droga ele deve usar para conseguir rir durante um momento como esse.
Sophie deu de ombros.
– Que seja. – Falou. – O que está feito, está feito.
Meu pai voltou para dentro do hotel e agarrou meu braço.
– Vamos. – Falou bravo. – Agora.
Depois de vários protestos de Justin e Ryan e Josh e Lucy, meu pai conseguiu me enfiar dentro do carro. Ele começou a dirigir para o internato em uma velocidade muito acima da permitida pela lei.
– Eu não quero mais você andando com aquela gente, fui claro? – Meu pai falou.
Bufei.
– É sério, Charlotte. – Meu pai falou. – Nunca mais. Nem com Lucy.
– Você acha que você manda na minha vida, mas não manda. – E de novo a coragem extraída do além baixou em mim. – Você não é a mamãe. Você não sabe de nada.
Depois dessa, ficamos em silêncio total dentro do carro. Ele parou o carro no portão do internato e eu entrei sozinha, atraindo vários olhares e cochichos alheios. Apenas andei até meu quarto, os ignorando totalmente.
Mackenzie não estava lá. Peguei o livro que estava lendo para aula de literatura e me joguei na minha cama, lendo algumas páginas antes de me distrair com alguém batendo na porta.
– Está aberta. – Gritei.
Ian entrou, fechando a porta atrás dele.
– Oi. – Ele falou.
– Oi. – Respondi.
– Você sumiu. – Ele falou e suas bochechas ganharam um tom escarlate.
– Saí com alguns amigos e... – Comecei. – É.
Ian olhou para o chão e respirou fundo.
– E-Eu só queria saber se você estava bem. – Gaguejou.
– Estou bem. – Confirmei.
A porta do meu quarto abriu de novo e Mackenzie, Lucy e Justin entraram.
Produção?
Ian olhou confuso para todos eles, menos para Mackenzie.
– O que fazem aqui? – Perguntei.
– É só uma visitinha. – Lucy falou.
Percebi que ela estava com o lábio superior inchado.
– Beijou muito o Ryan nesse meio tempo que ficamos sem nos ver? – Brinquei.
– Não, sua irmã me socou mesmo. – Lucy falou e virou os olhos. – Não se preocupe, ela está pior que eu.
Lucy e Sophie brigaram. E eu perdi.
– Só viemos avisar para você ficar pronta para o Winter Break*. – Justin falou, sem tirar os olhos de Ian. – Nós vamos vir te buscar.
Mordi os lábios.
– Meu pai meio que me proibiu de sair com vocês. – Falei. – Até com a Lucy.
Justin assentiu, ainda sem tirar os olhos de Ian.
– Se quiserem, vocês podem ir para minha casa. – Mackenzie falou. – Quer dizer, é um convite. Seja quantas pessoas forem, vai ser legal passar o final de ano com vocês. Meus pais vão passar o final de ano em algum lugar em Washington por causa do trabalho deles e vai ser legal passar o final de ano com alguém.
Senti algo dentro de mim apertar. Eu sou sempre tão má com a Mackenzie e, tipo, olha o que ela está fazendo por mim agora.
– Tem certeza que seus pais não vão achar ruim? – Lucy perguntou para Mackenzie.
Mackenzie assentiu.
– Eles não ligam. – Falou.
Lucy abraçou Mackenzie.
– Obrigada. – Lucy falou.
Lucy e Mackenzie começaram a trocar e-mails e número de celular enquanto Justin se aproximou de mim e de Ian.
– Quem é? – Justin perguntou para mim enquanto fazia sinal na direção de Ian.
– Sou Ian. – Ian respondeu. – Amigo, eu acho, da Charlotte.
Assenti.
– Sou Justin. – Justin falou para Ian. – O ex-namorado e melhor amigo dela.
– Hm. – Ian respondeu.
Nós três ficamos em silêncio. Poucos segundos depois, Lucy chamou Justin para ir embora. Ficamos apenas eu, Mackenzie e Ian no quarto.
– Er... – Comecei. – Mackenzie...
– Sim? – Ela perguntou enquanto pegava a toalha pendurada na cadeira da escrivaninha.
– Obrigada. – Falei. – De verdade. Significa bastante pra mim.
Mackenzie se virou para mim, sorrindo.
– É para isso que servem as colegas de quarto. – Falou e entrou no banheiro, fechando a porta.
Eu e Ian ficamos em silêncio.
– Bom, eu vou indo. – Ian falou. – Que bom que está bem.
Ian alcançou a porta e, quando ele foi sair, tomei coragem.
– Ian. – Chamei. Ele voltou e me olhou. – Venha com a gente para a casa da Mackenzie no Winter Break. Vai ser divertido.
Ian sorriu.
– Ia ser divertido, mas... – Começou. – Eu não acho que seu melhor amigo e ex-namorado me quer lá.
– Ele só estava tendo me proteger. – Falei. – Vai ficar tudo bem. Venha com a gente.
Ian sorriu.
– Claro. – Falou e ficou vermelho de novo. – Quer dizer, eu vou ver. Quem sabe.
Sorri.
– Ótimo. – Falei.
Ian foi embora e eu me deitei, voltando a ler meu livro sobre Shakespeare.
Soneto 18
Como hei de comparar-te a um dia de verão?
És muito mais amável e mais amena:
Os ventos sopram os doces botões de maio,
E o verão finda antes que possamos começá-lo:
Por vezes, o sol lança seus cálidos raios,
Ou esconde o rosto dourado sob a névoa;
E tudo que é belo um dia acaba,
Seja pelo acaso ou por sua natureza;
Mas teu eterno verão jamais se extingue,
Nem perde o frescor que só tu possuis;
Nem a Morte virá arrastar-te sob a sombra,
Quando os versos te elevarem à eternidade:
Enquanto a humanidade puder respirar e ver,
Viverá meu canto, e ele te fará viver.
*Winter Break:Uma mini férias de fim de ano que vai desde o terceiro sábado de Dezembro até o primeiro dia útil depois do Ano Novo. As escolas americanas usam o Winter Break para os alunos poderem passar o Natal e Ano Novo em casa.
Leiam as notas finais.
Notas finais
Eu sei, o capítulo ficou uma bosta, ficou pequeno, ficou um lixo, eu devia sentir vergonha de postar uma coisa assim. MAS EU JURO QUE O PRÓXIMO VAI SER UM CAPÍTULO CHEIO DE EMOÇÃO. JURO JURADINHO. E EU VOU FAZER ELE GRANDE. VOCÊS MERECEM POR TEREM DEIXADO 7 RECOMENDAÇÕES E 260 REVIEWS ATÉ AGORA. VAI SER O CAPÍTULO "DESCULPA POR SER A PIOR AUTORA DA TERRA QUE DEMORA PRA POSTAR E SÓ COLOCA MERDA NA HISTÓRIA".
Enfim, obrigada a todas as lindas que comentam e recomendam essa joça, vocês são lindas demais e eu amo todas vocês.
Beijos :*
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