Notas iniciais
CAPÍTULO DEDICADO A Anyele Sousa, Deb Bieber E swag POR DEIXAREM RECOMENDAÇÕES LINDAS. *-*
ESSE CAPÍTULO CONTÉM USO DE DROGAS.
Enjoy (:

Atenção: Esse capítulo contém cenas de abuso de drogas.

Depois do “eu venho te buscar” do Ryan na Semana da Universidade, eu não consegui parar de pensar em outra coisa além da maldita festa de Halloween. Não que eu estivesse ansiosa, mas eu queria saber o que Ryan ia fazer.

Ian pareceu grudar em mim feito chiclete com a fantasia de Luke do Star Wars dele. Eu não havia visto a Mackenzie pronta para a festa de Halloween, mas pelo vestido rosa que estava em cima da cama dela devia ser alguma coisa Reese Witherspoon em Legalmente Loira.

Minha fantasiaprovavelmente é a mais ridícula de todo o internato, mas o que eu estou vestindo não é exatamente o que me preocupa.

Assim que pisei na quadra, me surpreendi com a decoração desse ano. Não era algo bizarro igual do ano passado, cheio de sangue falso escorregadio no chão e com umas foices idiotas de plástico penduradas no teto. Dessa vez era algo legitimo, cheio de teias de aranha falsas que iam do teto ao chão.

E a iluminação era pouca, apenas uma luz-negra que ressaltava as teias de aranha. Ao fundo tinha um telão exibindo algumas cenas de filmes de terror clássicos como Psicose e Pânico e Exorcista.

– Ponche? – Ian me perguntou enquanto me entregava um copo roxo com um liquido laranja.

Peguei o copo por educação porque o ponche era cheio de açúcar e causava dor de estômago. Pelo cheiro, alguns colegas já deve ter batizado o ponche então resolvi tomar um gole.

Tinha algo ali – rum, talvez – mas o ponche continuava doce demais e difícil de engolir.

– Vi você e um garoto de Columbia conversando na Semana da Universidade. – Ian falou como quem não quer nada. – Ele é seu... Ele é seu ex-namorado?

Fiz uma careta e olhei para Ian, que pareceu entender o recado.

– É que vocês pareciam ter algo, sei lá. – Ian falou.

David se aproximou de nós dois junto com seus dois amigos, um deles o que me passou a noticia de que David tinha fugido com a minha carta. Os três estavam vestidos de gangster.

– Deixa eu adivinhar... – David falou e olhou para minha fantasia divertidamente. – Mortiça Adams? Ou é a Charlotte Adams pós-término com o príncipe azul do Fletcher?

Arqueei uma sobrancelha e o olhei com raiva.

– É a sua mãe. – Falei.

David e os amiguinhos dele riram. Ian parecia estar tendo um colapso de raiva, mas se segurando para não voar em David.

– Ouvi dizer que seu namoradinho te deixou. – David falou e passou um braço pelos meus ombros. – Não se preocupe, docinho, você pode me ter se quiser.

– Se me chamar de docinho de novo, a próxima coisa que vai sentir vai ser minha mão na sua cara. – Falei.

– Gosto de meninas violentas. – David falou e colocou os lábios no meu pescoço dando uma espécie de mordida.

O empurrei e Ian se aproximou, ameaçando socar David.

– Calma ai, nerd. – David falou e levantou as mãos rindo. – Só estamos nos divertindo. Ela sabe disso.

– Se manda antes que eu chame a diretora. – Falei.

David e os amigos saíram rindo. Ian me olhou.

– Você está bem? – Perguntou.

– Sim. – Falei. – Obrigada.

Ian sorriu.

– Charlotte. – Mackenzie apareceu sorrindo e usando o vestido rosa curto que estava em cima da cama dela. – Pensei que não ia vir hoje.

– Eu vim, não vim? – Falei grossa. Mackenzie pareceu não notar.

Acima de tudo, isso acaba sendo o que eu mais odeio na Mackenzie. Eu sou má, ela é boazinha, eu me sinto mal por estar sendo má, ela continua sorrindo, eu peço desculpas e ela me pergunta o por que de eu estar pedindo desculpas.

Por isso eu evito falar com ela. Porque é um ciclo infinito e inquebrável de culpa. Culpa por ser má com ela, culpa por ter dito o que não devia paraelenaquela noite.

– Desculpa. – Falei.

Mackenzie me olhou engraçada.

– Pelo que? – Perguntou. Lá vamos nós de novo. – Enfim, deixa eu adivinhar.

Mackenzie olhou para mim e depois para Ian.

– Charlotte é a Sombra do Fantasia Disney e você... Amigo da Charlotte é o Anakin. – Falou.

– Luke. – Ian corrigiu. Mackenzie assentiu.

Ignorei os dois e tomei mais um gole do ponche/rum cheio de açúcar.

– Charlotte? – Ouvi uma voz conhecida.

Ryan.

– Oi Ry. – Falei e olhei para o garoto parado tentando desviar de uma teia de aranha falsa.

– Oi. – Ryan falou e então entrou na nossa rodinha, olhando para uma Mackenzie sorridente e um Ian confuso. – Sou Ryan.

– Esses são Ian e Mackenzie. – Falei. Ryan me olhou estranho quando eu mencionei Mackenzie. – É. Eu sei.

Ryan sorriu e cumprimentou os dois. Ian parecia com o pé atrás.

– Deixa eu adivinhar. – Ryan falou e olhou para minha roupa. – Você é uma bruxa.

– Tanto faz. – Falei.

– Vamos. – Ryan falou rindo da minha reação. – Tem gente te esperando lá fora.

Então me correu uma coisa que eu não tinha pensado antes.

– Não o chamou, chamou? – Perguntei.

Ryan negou com a cabeça. Sai de lá sem me despedir de Mackenzie e/ou Ian, mas Ryan disse tchau e eu encarei como se ele estivesse falando tchau por nós dois. Fomos até os portões a pé, falei com o porteiro (eu sou passe verde agora) e saímos.

Uma van preta estava estacionada no meio-fio. Entramos e tive uma surpresa.

Lucy, Josh, Sophie e Justin estavam lá. Além de três outras pessoas que eu não fazia ideia de quem eram.

– Você disse que... – Comecei a falar

– Lucy o chamou. – Ryan falou num tom divertido. –Touché.

Virei os olhos.

Assim que entramos, Ryan bateu a porta e mandou o motorista da van começar a dirigir.

Enquanto isso, Josh me abraçava. Como estávamos sentados, estava mais para um aperto de pescoço carinhoso do que para um abraço.

Encurralada.

É assim que eu me sinto.

– Pirralhinha! – Josh falou enquanto beijava minha testa. – Senti sua falta, sabia? Na faculdade não tem muita gente disposta a me mandar mensagens ameaçadoras quando eu mando mensagens obscenas.

Justin estava concentrado demais na janela para olhar para mim

Eu não sei se eu queria que ele olhasse para mim.

– Do que está vestida? – Josh perguntou. – Deixa eu adivinhar... Bruxa de Blair?

– Tanto faz. – Falei.

Lucy me encarava com um pouco de raiva, assim como Sophie. Lucy eu entendo, mas eu não fiz absolutamente nada para a Sophie.

– Oi Luce. – Falei.

Lucy bufou e então olhou para mim.

– Por que não me ligou? – Perguntou. – Por que, eu não sei, respondeu meus e-mails? Pensei que fossemos amigas, Charlotte.

– Nós somos amigas. – Falei. – Olha, eu sinto muito. Eu precisava... Você sabe. Eu não queria que perdêssemos o contato, mas eu não sabia como falar com você sem...

Parei de falar assim que percebi que eu ia acabar falando o que não devia. Um bolo de choro já estava formado na minha garganta e eu não queria chorar.

Não agora, não com tanta gente olhando, não desse jeito.

– Esquece isso, Charlotte. – Lucy falou. – Estou feliz que tenha vindo hoje.

Lucy sorriu fraco, o que mostra que estamos bem, mas não totalmente bem.

Poucos minutos de silêncio constrangedor, chegamos em uma boate com uma fila imensa para entrar. Pelo o que eu entendi, um dos meninos que eu não conhecia tinha algum tipo de parentesco com o dono e nós íamos poder entrar desde que não levantássemos suspeitas sobre a nossa idade.

Descemos do carro e um homem enorme nos levou até uma entrada lateral. Assim que entramos, senti minha cabeça começar a latejar no ritmo de alguma música da Britney Spears.

Fui até o bar e pedi um copo de tequila. O barman me olhou desconfiado por alguns segundos antes de me entregar um copo enorme e cheio. Virei o copo, sentindo alguém olhar para mim.

– Um copo de whisky, por favor. – Uma voz conhecida demais falou para o barman.

Justin estava do meu lado, tentando afrouxar um nó de uma capa preta que parecia estar apertando seu pomo-de-adão. Ele devia ser alguma coisa do tipo vampiro, mas eu não perguntei.

Minha cabeça já estava meio que rodando e estalando.

Sai de perto de Justin, me misturando com todas aquelas pessoas dançantes e animadas na pista de dança. Dancei – ou pulei feito um hipopótamo raivoso – algumas músicas, tomando goles das bebidas de alguns caras que me se aproximavam.

Então We Found Love da Rihanna começou a tocar e eu saí da pista de dança. É irônico demais dançar e cantar “nós encontrei o amor e um lugar sem esperança” se eu não consegui encontrar a porcaria do amor em lugar algum.

As bebidas começaram a fazer mais efeito quando eu estava jogada em um dos sofás da boate, transpirando igual uma porca e incapacitada de levantar. Tirei forças do além e caminhei com dificuldade até o banheiro.

O banheiro feminino estava lotado e nojento, cheio de meninas desmaiando e vomitando. Encontrei um vaso em um estado menos lastimável e coloquei tudo o que ingeri para fora. Lavei minha boca na pia e sai do banheiro.

Não queria voltar para a pista porque eu sentia que podia despencar para os lados a qualquer momento. Apenas sentei no chão, encostada em uma parede. Observei o movimento do lugar por alguns segundos antes de ver Justin subir uma escada em caracol até um segundo andar junto com mais duas meninas e um cara.

Me coloquei de pé e os segui, demorando mais do que o necessário para subir a escada e quase caindo quando cheguei no segundo andar. Um monte de casais se beijando – para não dizer naspreliminares– e quartos com sons estranhos.

Segui até um quarto de luz acesa e conversa alta, abrindo a porta sem bater.

E eu queria que eu tivesse batido.

Ou pelo menos bêbada demais para perceber o que estava acontecendo.

Justin estava com uma narina tampada, cheirando alguma coisa que estava em cima de uma mesinha de madeira no centro da sala. Senti meu coração disparar porque eu sabia o que ele estava fazendo.

– Uma nova amiguinha. – Uma voz feminina falou.

Demorei um tempo para perceber que a garota falava de mim porque estava concentrada demais gravando a expressão de Justin quando tombou a cabeça para trás fungando algumas vezes.

– Quer um pouco? – O garoto perguntou enquanto arrumava o pó branco com um cartão de desconto de alguma loja.

Foi quando Justin abriu os olhos e me viu ali. E sua antiga expressão indecifrável virou uma careta de desespero.

– Não. – Justin falou e levantou do sofá quase derrubando a mesinha. – Ela não quer nada. Charlotte...

Apenas me virei e sai do quarto, tentando me equilibrar nas paredes e não chorar.

– Charlotte! – Justin me chamou enquanto desviava dos casais do corredor.

Antes que eu pudesse alcançar a escada, Justin segurou meu braço com uma força um pouco exagerada. Foi quando eu virei para ele e comecei a distribuir tapas.

– Seu estúpido! – Gritei. – Olha o que você tá fazendo! Não acredito nisso! Me solta, Justin!

– Shiu. – Justin falou e me chacoalhou. – Eu posso explicar.

– Claro que pode! – Ironizei. – Me solta!

Comecei a chorar e Justin me arrastou para algum quarto. Assim que entramos e ele fechou a porta, ele me soltou.

Eu devia estar chorando mais do eu pensava porque Justin me olhava com dó.

– Charlotte... – Justin começou.

– Eu não quero ouvir! – Gritei e comecei a bater na porta.

Justin me colocou nos ombros dele e me levou para longe da porta.

– Vai parar de ser louca ou não?! – Justin gritou.

Dei um berro alto e mais lágrimas começaram a cair dos meus olhos.

Comecei a bater e chutar Justin enquanto estava nos ombros dele.

–Eu te odeio!– Gritei. –Eu te odeio!

Foi quando Justin caiu, me levando para o chão também.

Na queda eu bati a cabeça, o que fez minha vista duplicar. Me arrastei – literalmente – para longe dos braços de Justin e o olhei.

Ele estava apagado.

E a cabeça dele estava sangrando.

– Justin. – Chamei.

Voltei para perto dele.

– Justin. – Chamei. Sem ração da parte dele. – Justin.

Comecei a ficar um pouco desesperada.

– Justin! – Chamei mais alto e comecei a dar tapinhas no rosto dele. – Justin!

Peguei o celular dele no bolso da calça e disquei o número de Josh com dificuldade. Josh atendeu no quarto toque.

– Fletcher! – Josh falou com uma voz bem embriagada.

– Josh, sou eu, Charotte. – Falei. – Josh, sobe rápido pro segundo andar. Eu não sei o que fazer.

– O que houve, Charlotte? – Josh perguntou.

– Justin desmaiou. – Falei.

Meio minuto depois, Josh, Ryan e Lucy estavam gritando por mim no corredor. Fui até a porta e tentei abrir. Trancada.

Esse imbecil.

Comecei a dar chutes fortes na porta e alguém do lado de fora tentou abrir a porta.

– Charlotte? – Ouvi a voz de Lucy.

– Lucy. – Chamei. – Está trancada.

– Vai para longe da porta. – Josh gritou.

Voltei para perto de Justin e segurei a cabeça dele enquanto Ryan e Josh arrombavam a porta. Funcionou e agora os três já estavam aqui. Lucy estava com o celular na orelha falando com a ambulância e Josh e Ryan estavam tentando acordar Justin.

– O que houve? – Ryan perguntou para mim.

– Ele usou cocaína e eu vi. – Falei. – Depois ele veio atrás de mim e me arrastou para cá para conversarmos. Ai nós começamos a brigar e ele me colocou nos ombros dele, depois eu gritei que odiava ele e ele caiu.

Minha fantasia já estava cheia de sangue por causa da cabeça de Justin, mas eu não me importava.

Tentei estancar o sangramento, mas eu não conseguia encontrar nada com a quantidade de álcool que corria no meu sangue.

– A ambulância já está vindo. – Lucy falou.

E eu voltei a chorar, dessa vez de preocupação.

Notas finais
OBRIGADA AS LINDAS QUE DEIXARAM RECOMENDAÇÃO! Vocês são lindas e eu chorei lendo as recomendações de vocês ♥
Imaginem uma louca lendo recomendações e chorando. Pois é, sou eu.
Obrigada pelos reviews do capítulo passado, todas vocês são lindas ♥
Eu fiquei meio com medo de postar esse capítulo porque não ficou aquelas coisas e o capítulo passado ficou tão bom (segundos os reviews *-*)
BEIJOS :*