Notas iniciais
CAPÍTULO DEDICADO A MINHA MANA FILHA DE OUTRA MÃE Isabelle Bianchi QUE ME DEIXOU UMA RECOMENDAÇÃO PERFEITA ♥ SUA FEIOSA LINDA ♥
Enjoy (:

Encarei o relógio de ponteiros na parede da sala de espera do hospital público da região.

Justin tinha sido levado para algum lugar há duas horas e ninguém parecia notar os cinco adolescentes na sala de espera, tentando não bater na atendente filha da mãe que fazia de conta que não sabia por que estávamos ali.

Além de nós cinco – eu, Lucy, Ryan, Josh e Sophie – havia mais um grupo de adolescentes preocupados na sala de espera. Uma amiga deles havia sido atropelada.

Não pude deixar de pensar na vida dessa garota que eu não sabia nem o nome. Será que o namorado ou ex-namorado dela estava ali, preocupado e esperando para saber o que houve com ela? Será que ele a amava? Será que ela o amava?

Quatro horas da manhã. Quatro horas da manhã e nada de noticias do Justin.

Haviam dez mensagens preocupadas de Ian na minha caixa de entrada. E duas da Mackenzie.

Eu não sabia exatamente como Mackenzie tinha conseguido meu número e só de pensar em Mackenzie pedindo meu número para alguma das meninas do time de vôlei meu estômago embrulha.

– Acompanhantes do senhor Fletcher. – Um médico careca e alto falou alto o suficiente para todos nós olharmos para ele.

– Aqui. – Josh falou e levantou do banco azul desconfortável.

– Preciso falar com os responsáveis por ele. – O médico falou enquanto olhava para nossa cara. – Pai, mãe, avós...

– A família dele mora na Inglaterra. – Ryan falou.

– Ok. – O médico falou e anotou alguma coisa na prancheta. – Alguém maior de dezoito, nesse caso?

– Eu. – Ryan falou.

– Me acompanhe. – O médico falou.

Ryan e o médico passaram por uma grande porta dupla branca, sumindo da minha visão.

Respirei fundo e cruzei as pernas, tentando manter o calor no meu corpo.

Maldito frio.

– Fica calma, Charlie. – Lucy falou e me abraçou de lado – Vai ficar tudo bem.

Encostei a cabeça na Lucy e ela começou a fazer uma espécie de massagem na minha cabeça.

– É uma técnica que eu aprendi na Irlanda. – Lucy falou. – Ajuda a acalmar.

Eu podia sentir minha cabeça relaxar, mas ainda estava preocupada demais. Mais preocupada do que gostaria.

– Eu sinto muito. – Falei. – Por ter te deixado sozinha nessa. Quer dizer, eu devia ter falado com você antes de ir embora. Desculpa.

Lucy riu pelo nariz baixinho.

– Esquece isso, Charlie. – Lucy falou. – Eu senti sua falta, sua encrenqueira.

Pelo tom que ela usou, estávamos bem de novo.

Abracei a Lucy com força porque eu precisava daquilo, precisava sentir como se tudo estivesse bem por pelo menos um minuto. Lucy me abraçou de volta.

– Está sendo legal com sua nova colega de quarto? – Lucy perguntou brincando.

Mordi minhas bochechas por dentro da boca.

“Não, eu estou agindo tão mal com ela que me sinto culpada”.

– Não muito. – Falei. – Mas vou ser mais legal com ela, eu prometo.

Lucy riu baixo e acariciou meu cabelo.

– Sinto sua falta. – Falou.

– Também sinto a sua. – Falei.

Ficamos abraçadas e em silêncio até Ryan voltar.

– Como foi? – Lucy perguntou e foi para perto dele.

– Ele está bem. – Ryan falou. – Está meio confuso e irritado com as enfermeiras por não deixarem ele ir embora, mas ele está bem.

– Graças a Deus. – Lucy falou. – Pensei que pudesse acontecer algo mais sério.

– E ele quer falar com você. – Ryan falou olhando para mim.

– Comigo? – Perguntei sentindo algo subir no meu estômago.

– Não, com o pai dele. – Ryan zombou, arrancando risadinhas de Josh. – Ele está te esperando e eu disse que ia fazer você ir lá, então...

Respirei fundo.

– Ok. – Falei.

Ryan me acompanhou até o quarto de Justin. Paramos na porta e, antes de abrir, Ryan olhou para mim.

– Eu sei que está com raiva, não tiro sua razão. – Ryan falou. – Mas não faça ele ficar pior, por favor.

– Vou tentar. – Falei.

– Prometa. – Ryan falou.

– Eu... Eu prometo.

– Jure.

– Eu juro.

– Pela sua mãe.

Fiquei em silêncio por alguns segundos.

– Pela minha mãe. – Falei. Ryan sorriu e beijou minha testa.

– Boa sorte. – Falou e partiu pelo corredor.

Abri a porta e encontrei um Justin de cabeça enfaixada brincando com alguns tubos que estavam na veia dele.

– Não devia brincar com isso. – Falei e ele olhou para mim.

– Charlotte. – Ele falou. – Desculpe, eu não queria ter te derrubado.

– Esquece isso – Falei e sentei em uma das duas poltronas azuis e desconfortáveis. – Ryan disse que queria falar comigo.

Justin respirou fundo e então o silêncio pairou durante uns dois minutos. Dois desconfortáveis minutos.

– Sabe que eu não tive intenção de te magoar naquela noite. – Justin falou.

A noite em que eu disse que o amava.

E ele quebrou tudo o que havia no quarto.

Além do meu coração.

– Que seja. – Falei. – Não muda nada, imbecil.

Então lembrei da minha promessa.

– Não queria que tivesse acontecido, eu sinto muito. – Justin falou.

Contei até três mentalmente.

– Eu também queria que não tivesse acontecido. – Falei.

E então ficamos em silêncio durante muito mais tempo do que antes. Eu sentia Justin olhar para mim, mas eu sou covarde demais para olhar para ele e ter uma conversa civilizada.

– Alice. – Justin falou.

O olhei confusa.

– Bateu a cabeça com tanta força assim? – Perguntei. Justin riu um pouco.

– Sua fantasia. – Justin falou. – Está vestida de Alice. Uma Alice sombria, mas ainda é uma Alice.

O olhei por alguns segundos.

– Acertei, não foi? – Justin falou e sorriu fraco.

E o sorriso dele conseguia ser a coisa mais maravilhosa do mundo mesmo considerando a situação dele. De cabeça enfaixada, braços cheios de intravenosas, olhos meio cansados e eu brava com ele.

Existe alguma situação em que esse garoto não seja de tirar o fôlego?

E, sim. Ele acertou. Eu sou uma Alice.

Assenti e voltei a olhar para o meu sapato com um pouco de sangue.

– Ryan te falou alguma coisa antes de você entrar, não foi? – Justin falou um pouco irritado.

– Ele falou para eu não brigar com você. – Falei.

– É por isso que não quer falar comigo? – Perguntou. – Por que se falar vai brigar comigo e não quer quebrar a promessa idiota que fez ao Ryan?

– É. – Falei perdendo um pouco da paciência. – Um pouco também porque você teve uma desgraçada de uma overdose porque resolveu usar drogas.

Justin bufou.

– Volte a cumprir sua promessa. – Ele falou. – Não quero falar com você sobre isso.

– Você não tem muita escolha. – Falei. – Foi você que me chamou aqui.

– Ok, pode ir embora. – Justin falou.

– Por que está fazendo isso? – Perguntei e levantei. – Por que está sendo tão estúpido?Cocaína? Sério mesmo?

– Eu vou parar. – Justin falou. – É só porque hoje... Deixa pra lá, isso não é exatamente da sua conta.

– Quer parar de mentir? – Falei. – Acha que sou idiota? Você sabe que não vai parar se continuar assim. Você é teimoso demais.

Justin me olhou um pouco irritado.

– Ok, desculpamamãe. – Justin falou.

– Estou falando sério, Justin. – Falei. – Por que está fazendo isso?

– Como eu já disse, não é da sua conta.

– Bom, é da minha conta quando temos que chamar uma porra de uma ambulância porque você não sabe controlar seu vicio idiota.

– Não sou viciado!

– Ah não? O que você é então?

– Foi só hoje!

– Ryan me disse que você foi pego com droga na universidade.

Justin abriu a boca para falar alguma coisa, mas só saiu um monte de ar articulado. Ele não tem o que responder.

Charlotte 1 X 0 Justin.

– Foi só aquela vez. – Justin falou.

– Foi só essa vez, foi só aquela vez... – Falei. – Quantas vezes foram?

– Não sei, umas cinco no máximo. – Justin falou. – Não sou viciado, eu juro. Juro pela minha vida. Juro pelo o que você quiser.

– Você precisa parar com isso. – Falei.

– Eu vou. – Justin falou. – Eu vou mesmo. É só que hoje... Hoje foi complicado.

– O que houve hoje? – Perguntei.

Por mais que eu o odeie agora, eu estou preocupada.

– Houvevocê. – Justin falou.

E então eu congelei. Não conseguia me mexer ou falar ou piscar. Mal conseguia respirar para ser honesta.

Charlotte 1 X 1 Justin

– E-Eu? – Perguntei e me senti idiota por estar gaguejando.

Justin respirou fundo e fechou os olhos.

– Você acha que foi ruim para você quando eu não te respondi naquela noite? – Justin falou e riu sem humor. – Você não sabe o quanto foi difícil pra mim. Toda maldita vez que eu olhava para Lucy ou Ryan ou pra minha mãe ou até mesmo para o otário do Phill, eu via você.Toda vez. E se ficar alucinado era o único jeito de tirar você da minha cabeça, então eu o faria.

Sentei de novo na poltrona.

– Hoje quando eu vi você toda feliz, pulando e dançando na boate, aquilo foi o fim. – Justin falou. – Pode soar egoísta, mas se eu ainda me sinto miserável com tudo por causa daquela maldita noite, então por que diabos você consegue estar feliz?

Coloquei minhas mãos no rosto e apoiei meus cotovelos nos joelhos.

Pode parecer loucura, mas eu estou passando mal com essa história.

Esse garoto com certeza não estava presente nos últimos quatro meses da minha vida, onde eu só conseguia chorar e me lamentar. No verão, tudo o que eu conseguia pensar era na Inglaterra. Durante as aulas até hoje eu tenho que lidar com uma colega de quarto que simplesmente trás tudo a tona sem nem mesmo dizer alguma coisa.

O silêncio se instalou por muito tempo. Então eu levantei e fui até a porta.

– Vou ver você amanhã? – Justin perguntou.

– Eu não sei. – Respondi e olhei para um Justin de aparência cansada deitado na maca de hospital. – Durma um pouco.

– Você também. – Justin falou.

Sai do quarto e sentei no corredor, encostada na parede. Cruzei meus braços, os apoiei nos meus joelhos e afundei meu rosto neles. Meus olhos estavam fechados com tanta força que chegava a doer.

Só fui perceber que fiquei tempo demais assim quando senti alguém me cutucar.

– Vamos. – Ouvi a voz da Sophie.

A olhei. Sophie ainda me olhava como se estivesse irritada com algo, mas eu não sei o que.

– Está com raiva? – Perguntei.

– Devia estar? – Sophie perguntou cinicamente.

Arqueei uma sobrancelha e levantei do chão.

– Que horas são? – Mudei de assunto.

– Seis e meia. – Sophie falou.

Me espreguicei e fui até a porta do quarto de Justin, olhando para dentro pela pequena fresta de vidro na porta.

Ele estava dormindo. Angelicalmente dormindo. Parecia calmo, como se o sono o distanciasse de tudo e todos.

– Ele te deixou, Charlotte. – Sophie falou. Me virei para ela. – Não acha que se ele se importasse tanto assim ele teria ido atrás de você?

Umedeci os lábios. Sophie está certa.

– Cadê o pessoal? – Perguntei.

– Lucy e Ryan voltaram para o hotel deles. Josh e eu dormimos aqui na sala de espera mesmo. – Sophie falou.

– Me dá uma carona pro hotel da Lucy? – Perguntei.

– Não vai para a escola? – Sophie perguntou. – Caso não se lembre, hoje é quinta.

– Eu aviso que vou ficar fora até o fim-de-semana. – Falei.

– Ok. – Sophie falou.

Andamos até a sala de espera onde Josh conversava com uma enfermeira.

– Bom-dia, pirralha. – Josh falou sorrindo.

– Bom-dia. – Falei sorrindo de volta. – Você sabe quando Justin vai ser liberado?

– Hoje à tarde, provavelmente. – A enfermeira respondeu no lugar de Josh.

Assenti e mandei uma mensagem para a desesperada da Mackenzie.

“Vou ficar fora até o fim-de-semana. Avisa a diretora, por favor.
Charlotte”

Eu só espero, de verdade, que essa fugida da escola não leve a algo muito pior. E eu não estou falando de algo pior nos estudos.


Notas finais
ISA LINDA, ESPERO QUE TENHA GOSTADO DO SEU CAPÍTULO, AWN ♥
QUEM QUER SOCAR A SOPHIE COLOCA O DEDO AQUI PORQUE VAI FECHAR...
Amanhã vou pra praia, uh lá lá. Exibir meu corpo maravilhoso de 23456789kg distribuídos lindamente nos meus 1,58m. Ok, parei de reclamar.
BEIJOS :*