She Will Be Loved
11 Unpleasant Warnings
Notas iniciais
Senti um calafrio subir por toda minha espinha.
Ok Charlotte, mantenha a calma. Não é nada demais.
As coisas que Josh tinha me dito começaram a rondar minha cabeça. Talvez ele tenha um pouco de razão. Tudo bem, Justin tem sido um príncipe comigo, mas euviaqueles sutiãs no porta luvas dele. Euvi.
– Então, você e o Fletcher, hun? – David surgiu do nada. – Ouvi algumas coisas sobre vocês dois.
Sorri torto.
– Coisas boas? – Perguntei.
– Coisas horríveis. – David falou tentando controlar uma risadinha. – Na verdade, vocês dois têm uma reputação terrível.
Bufei e virei os olhos.
– Seja lá o que ouviu, é mentira. – Falei.
– Eu sei. – David falou e sorriu para mim. – Você é legal demais para ser quem as pessoas falam que você é.
Sorri de volta.
– Obrigada. Eu acho. – Falei.
David virou o copo de alguma coisa que estava tomando e passou a observar as pessoas da festa, desviando seu olhar de mim, o que totalmente me deu margem para observar.
David era alto, os cabelos pretos despenteados contrastavam perfeitamente com seus olhos verdes intensos. Apesar de ter minha idade – eu acho – David definitivamente se destacava com seu sorriso doce e, ao mesmo tempo, pervertido.
Parei de olhá-lo porque, de uma maneira meio esquisita, eu sentia que podia estar traindo Justin olhando demais para meu colega de classe.
– Char! – Ouvi a voz de Lucy e senti alguém puxar meus ombros. – Não. Vai. Acreditar.
Lucy estava com um cheiro fortíssimo de álcool e cigarro. Me virei para ela, encontrando minha amiga com um cabelo em um estado totalmente deplorável.
– O que? – Perguntei.
– Adivinha quem acabou de tomar um fora do Josh? Pior, adivinha quem acabou de tomar um fora de um Josh completamente bêbado e descontrolado? – Lucy perguntou e começou a rir.
– Não tenho ideia. – Falei. – Fala logo, menina.
– Sua irmã! – Lucy gritou e voltou a rir. – Ela tentou com o seu namoradinho, que não deu a mínima para ela. Quando percebeu que tinha sido rejeitada, foi tentar com Josh. Josh a desprezou totalmente e agora ela está chorando no banheiro.
Apesar de eu e minha irmã agirmos como... Bom, como lenhadora e árvore, eu ainda tenho um coração e me senti mal por ela.
Deixei Lucy rindo sozinha e fui acudir minha irmã, apesar de me questionar mentalmente sobre o que eu estava fazendo. Procurei por ela no banheiro do térreo e não a achei, subi até o quarto dela e pude ver Anne tentando consolar uma Sophie super bêbada e chorona.
– Por que ninguém me quer Anne? – Sophie perguntou dramaticamente enquanto chorava no ombro de Anne. – O que eu fiz? Eu fiquei feia?
– Claro que não, olha só Sophie... – Anne começou, mas me ouviu fechando a porta.
– Oi. – Falei e sorri sem graça enquanto Anne e Sophie, que tentava controlar o choro, me encaravam.
– O que faz aqui? – Anne me perguntou.
A ignorei e sentei do lado de Sophie na cama.
– Lucy me contou sobre o que aconteceu lá na festa. – Falei.
Sophie riu sem humor enquanto enxugava as lágrimas.
– Como se se importasse. – Sophie falou. – Vai embora Charlotte, esse é o alojamento do quarto ano.
Respirei fundo. Nem quando eu quero ajudar essa vaca ela coopera.
– Você sabe que Josh é um idiota, não devia se preocupar com o que ele disse. – Falei. – Além do mais, é só o Josh. Cadê a Sophie que não dá a mínima para ele?
Sophie respirou fundo, controlando o choro, e olhou para Anne.
– Pode nos dar licença um minuto? – Sophie falou.
– Mas eu... – Anne tentou protestar.
– Se manda, Anne. – Sophie falou.
Anne bufou e saiu do quarto, batendo a porta atrás dela.
– A verdade é que eu dou a mínima Charlotte. – Sophie falou. – Eu me importo com o que as pessoas pensam da minha aparência, apesar de não parecer. De verdade. Ser bonita é a única coisa que eu sei fazer. Se eu parar de ser bonita, estou fodida.
Tive que segurar muito para não rir dessa.
Sophie, apesar de eu odiar admitir, é a menina mais bonita que eu já vi. Fala sério, quantas meninas por aí tem um e setenta e cinco, cabelos loiros de dar inveja, olhos azuis e peitos em uma medida invejável? Tirando o fato de Sophie ter a maior autoestima – ou devo dizer ego? – do mundo.
– Sophie, você é linda. – Falei. – Provavelmente todos os meninos dessa escola matariam para ter cinco minutos de conversa com você.
– Todos os meninos. Sei. – Sophie falou meio irritada. – Posso te garantir que não são todos. Por exemplo, Justin. Desde que ele colocou os malditos olhos em você, é como se menina nenhuma existisse.
Senti a ponta do meu estômago gelar quando ela mencionou Justin.
– Isso é totalmente falso. – Me defendi.
– Ok. Falso. – Sophie respondeu ironicamente. – Preste atenção no modo como ele olha para você. Parece que os olhos dele vão explodir de tanto brilho.
Fiquei muda. Primeiro porque eu não tinha mais nada para dizer, segundo porque Sophie ligou para alguém pelo celular que eu não havia percebido que estava com ela. Fui embora depois, dando de cara com Anne no corredor. Anne me olhou de cima a baixo e riu pelo nariz, entrando no quarto de Sophie logo em seguida.
Saí do alojamento, voltando para festa e encontrando Justin logo de cara. Sorri e Justin sorriu de volta.
“Preste atenção no modo como ele olha para você”
Bom, no momento os olhos de Justin parecem um pouco maliciosos.
Justin se aproximou de mim e selou nossos lábios. Os lábios de Justin estavam gelados, o que causava uma sensação boa ao entrar em contato com os meus lábios quentes.
Desgrudamos nossos lábios e Justin passou os lábios dele para o meu pescoço.
– Boa menina. – Justin falou sem tirar os lábios da minha pele. – Ficou sóbria a noite inteira.
– Faz uma hora ou menos que nos vimos, Justin. – Falei. –Não deu tempode te desobedecer.
Justin riu, fazendo uma rajada de ar quente bater no meu pescoço. Me arrepiei.
– Está gostando da festa? – Justin perguntou sem tirar os lábios do meu pescoço. Assenti. – Não quer levá-la para o meu quarto?
Senti minhas pernas tremerem e todo o meu sangue correr para o rosto. Ótimo, estou ficando vermelha só de pensar em ir para o quarto de Justinterminar a festa.
– Ia ser bom. – As palavras dispararam da minha boca sem que eu pudesse as medir.
EU BASICAMENTE DISSE “SIM, NÓS VAMOS TRANSAR HOJE”.
Não que eu já não tivesse feito. Quer dizer, na maioria das vezes eu estava totalmente chapada e só conseguia rir. Mas agora é totalmente diferente, não só pelo fato de eu estar sóbria, mas por ser com ele.
Justin com certeza é o menino mais legal e lindo que conheci e, sendo sincera, eu acho que estou apaixonada por ele. Eu entendo que ele é mais velho e, na idade dele, transar deve ser tipo status, mas ele tem que entender o meu lado: Se eu abrir minhas pernas para ele, fazer coisas como passar a tarde conversando iriam sair de questão porque só vamos pensar em, bom,fazer de novo.
E ai o romance desce pela descarga, junto comigo. Porque, sério, tem muitas meninas nessa escola que definitivamente não se importariam de serem as escravas sexuais dele.
Justin sorriu maliciosamente e mordiscou meu lábio inferior.
– Então o que ainda estamos fazendo aqui em baixo? – Justin falou, com sua voz carregada de malícia.
Justin agarrou minha mão e começou a subir as escadas do alojamento, me arrastando. Literalmente. Quando chegamos no andar dos meninos, fui puxada até a porta do quarto de Justin.
O garoto me prensou contra ela e começou a me beijar ferozmente. Correspondi ao beijo no inicio, mas depois as coisas tomaram outras proporções. Eu sentia que conforme nossas línguas se tocavam o Justin fofo ia desaparecendo, dando espaço para um Justin selvagem que eu não estava acostumada. Tive certeza disso quando as mãos ágeis de Justin desabotoaram meu sutiã por dentro do vestido.
– Justin... – Tentei chamar sua atenção quando demos um tempo de meio segundo para puxar mais folego.
Os lábios de Justin voaram para os meus de novo. Tentei o afastar devagar empurrando um pouco seu peito, mas Justin pareceu nem notar.
Senti as mãos de Justin girarem a maçaneta atrás de mim e a porta do quarto abrir.
Era minha oportunidade de ser uma covarde e fugir.
Acontece que Justin é muito mais avançado que eu e me agarrou pela cintura antes que eu pudesse me afastar. Os beijos de Justin estavam me deixando louca e o pouco de sanidade que ainda me restava estava começando a desaparecer.
Senti eu corpo se chocar contra algo macio.
Justin sugou com força meu lábio inferior, me fazendo repensar o negócio do romance.
Quem precisa de romance quando se tem tudo isso?
Desgrudamos nossos lábios para respirar e Justin começou a beijar e chupar meu pescoço e colo, me fazendo perder a lucidez por alguns segundos. Enfiei meus dedos em seus cabelos.
E então eu lembrei que eu precisava sim do romance.
– Jus. – O chamei.
– Hmm? – Justin fez um barulho estranho.
– Acho melhor... – Comecei. – Acho melhor pararmos por aqui.
Justin parou de beijar meu ombro direito, mas manteve seus lábios grudados na minha pele.
– Que? – Perguntou como se não tivesse entendido nada.
– Quer dizer, não precisamos apressar as coisas. – Falei me sentindo a maior idiota do mundo. – Podemos nos divertir e deixar coisas sérias como essa para depois.
Justin desgrudou seus lábios do meu ombro.
– É só sexo, Charlotte. – Justin falou meio incrédulo.
Soltei os cabelos do garoto, tentando evitar um momento constrangedor.
– Eu sei. – Falei. Na verdade eu não sabia nada não, para mim não era só sexo. – Olha, não estou dizendo nunca, só não quero fazer isso agora.
Justin levantou da cama, me olhando com o cenho franzido.
– Não quer... – Justin começou.
– Não hoje. – Falei e arrumei a alça do meu vestido que quase já tinha sido totalmente abaixada.
Justin fechou os olhos e coçou a nuca, como se estivesse pensando.
– Esquece que isso aconteceu, ok? – Justin falou. – Eu passei dos limites hoje. Desculpa.
Assenti enquanto me sentava na cama.
Depois disso o quarto ficou em um silêncio desconfortável. Antes, é claro, de alguém interromper.
– SHE’S OVERBORED AND SELF ASSURED. – Ryan entrou no quarto cambaleante. Soluçou e fechou a porta atrás de si. – JUSTIN!
Ryan começou a rir descontroladamente e então percebeu que eu estava ali.
– CHARLOTTE! – Ryan gritou de novo e desabou em rir. – Atrapalhei alguma coisa, pombinhos?
– Não. – Falei e levantei da cama. – Eu já estava indo para o meu quarto.
Saí do quarto sem ouvir qualquer palavra de qualquer ser humano que estava lá dentro.
Como eu souburra.
Idiota, idiota, idiota!
Quando já estava descendo as escadas, ouvi a voz de Justin.
– Charlotte! – Ele me chamou.
Voltei para o andar certo e encontrei Justin.
– O que foi? – Perguntei.
– Não precisa ir embora. – Justin falou. – Quer dizer, podemos expulsar o Ryan. Dorme aqui hoje?
– Não tenho pijama. – Falei.
– Bobagem. – Justin falou sorrindo.
Voltamos para o quarto, encontrando um Ryan desmaiado e roncando em cima da cama. Sorri um pouco. Justin fuçou em uma gaveta e me jogou um moletom doSuperman.
– Vai ficar um pouco grande, mas deve servir. – Justin falou.
Sorri e entrei no banheiro, tirando meu vestido e enfiando o moletom. Quando saí de lá, Justin já estava trocado e deitado em uma cama improvisada no chão.
– Vai dormir no chão, gatinho? – Perguntei.
Justin me olhou de cima a baixo e sorriu maliciosamente.
– Não sei. – Justin falou. – Quem sabe durante a noite eu não banco o esperto e pulo para a cama?
Ri um pouco e me deitei na cama de Justin. Estava passando um filme de terror ridículo e totalmente sem nexo. Assisti até pegar no sono.
(...)
Sentei na mesa ao lado de Lucy para tomar café da manhã. Por algum motivo ela estava bem estranha, mal me olhava na cara.
– Está tudo bem, Luce? – Perguntei.
– Está. – Lucy respondeu secamente e enfiou um monte de pão na boca.
– Eu te conheço, sei que tem algo errado. – Falei e tomei um gole do suco de laranja.
Olhei ao redor do refeitório, procurando por Justin. Nada.
Eu simplesmente acordei, voei para o meu quarto, tomei um banho, troquei de roupa e vim tomar café. Justin ainda estava dormindo?
– Se você acha... – Lucy falou secamente de novo.
Percebi que metade da escola prestava atenção em Lucy.
– O que houve? – Perguntei. – Por que todos estão olhando para você?
Lucy riu cinicamente.
– Para mim? – Perguntou mantendo o mesmo tom cínico. – Estão olhando para você, querida.
– Para mim? – Perguntei meio surpresa.
De repente o refeitório pareceu pequeno demais.
– É claro Charlotte. – Lucy falou agora brava. – O que pensou que aconteceria? Que ninguém ia ver?
– Ver o que? – Perguntei.
Do que essa louca está falando?
Anne e Sophie passaram por nossa mesa com o exército deattention whoresatrás delas.
– Bom-dia, puta. – Anne falou para mim.
– Vagabundinha. – Sophie falou para mim também.
Elas passaram direto, indo para a mesa de sucos.
– Ok, o que aconteceu? – Perguntei.
– Sabe como é. – Lucy começou. – A escola não é tão grande assim. As fofocas correm rápido.
– Que fofocas? – Perguntei tentando não perder a paciência com Lucy.
– Bom, aquelas sobre você ter dormido com Justin ontem a noite. – Lucy falou. Minha boca se abriu em um perfeito ‘O’. – Não acredito que foi capaz de fazer isso, Charlotte. Pensei que éramos amigas e contávamos tudo uma para outra!
– Nós somos amigas! – Falei. – Isso é tudo mentira!
– Ah é? – Lucy falou sarcasticamente. – E aquele moletom do Superman que chegou no quarto usando hoje? E o fato de só ter chegado hoje da festa? Um garoto contou para todo mundo que viu vocês dois praticamente começando a fazer no corredor! Que nojo!
Fiquei meio perdida. Um porque realmente não rolou absolutamente nada entre eu e Justin. Dois porque minha melhor amiga estava duvidando de mim. Três porque, em toda a santa festa, as meninas daqui transam e ninguém falanada.
Mas claro, quando o assunto é a irmã pata da Sophie a coisa muda de figura.
– Quer parar? – Falei brava. – Não. Aconteceu. Porra. Nenhuma. Eu só dormi no mesmo quarto que ele, isso não é um crime. E mesmo que tivéssemos transado não seria da conta de ninguém.
Lucy me analisou por um segundo, fechando os olhos e erguendo a mão em sinal de rendição.
– Ok, se você diz então eu acredito. – Lucy falou e então abriu os olhos, voltando para a posição normal. – Mas é o que todo mundo está comentando.
Comecei a sentir um pouco de raiva.
Não era da conta de ninguém esse tipo de assunto.
– Bom, então alguém vazou a informação errada. – Falei. – Eu e Justin nunca fizemos sexo.
Vi David sentar ao lado dos jogadores de alguma coisa e sorrir para mim. Sorri de volta sem graça. Ele provavelmente já sabia da mais nova notícia.
Tentei terminar de tomar meu café, mas foi impossível. Joguei tudo o que peguei no lixo e comecei a caminhar para o alojamento do quarto ano para contar para Justin e dar um jeito nisso tudo.
– Indo para algum lugar? – Ouvi a voz de David atrás de mim enquanto eu tentava passar o mais rápido possível pelo pátio.
– É. – Falei. – A propósito, se ouviu alguma coisa sobre eu e Justin ontem à noite...
– É, eu ouvi sim. – David falou. – Mas não se preocupe, eu não acreditei.
Respirei aliviada. Pelo menos um acreditava em mim. Sorri para David, que sorriu de volta.
Apressei meu passo até conseguir chegar no alojamento. Subi correndo as escadas, batendo na porta de Justin com um pouco de força.
Ninguém atendeu.
Bati de novo dessa vez mais rápido e um pouco mais forte.
– Ele saiu. – Ouvi a voz de Josh no corredor.
Josh tinha acabado de sair do quarto dele, massageando as têmporas.
– Ok... – Falei. – Sabe para onde ele foi?
– Não sou babá dele. – Josh falou. – E você não desiste, hun? Não adianta alguém te avisar, você quer sofrer.
– Olha, eu conheço o Justin, tá legal? – Falei, já perdendo a paciência com o ser humano de ressaca a minha frente. – Eu sei que ele não quer me usar ou me machucar ou qualquer uma das coisas que você insinua que ele esteja fazendo.
Josh começou a rir e depois voltou a massagear a têmpora.
– Você não sabe nada sobre ele. – Josh falou.
Eu queria responder alguma coisa à altura de Josh, mas ele não me deu chance. Josh foi embora, me deixando ali sozinha na porta do quarto de Justin.
Depois de dez minutos resolvi sair dali.
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