She Will Be Loved
12 Beautiful Liar
Notas iniciais
Enjoy (:
Andei de volta para o refeitório, ignorando os idiotas dessa escola que insistiam em cochichar e apontar para mim.
Fiquei o dia inteiro sem saber de Justin. O celular estava ocupado as três vezes que liguei. E Ryan tinha sumido também.
– Eles devem ter ido a algum lugar na cidade. Besteira se preocupar. – Lucy falou enquanto folheava a nova edição da Seventeen.
Bufei e joguei o celular na cama, quase me estressando. Quase.
– Será que aconteceu alguma coisa séria? – Perguntei para Lucy.
Lucy bufou e largou a revista na cama com as páginas viradas para baixo, fazendo a página ficar marcada.
– Não deve ter sido nada, Charlotte. – Lucy falou. – Se recomponha. Só pensa em alguma outra coisa, sei lá.
Mordi os lábios, considerando a ideia da minha colega de quarto. Pensar em outra coisa sem ser as milhões de pessoas me ligando para me xingar de fornicadora.
O telefone do quarto tocou e, por dois segundos, pensei que fosse Justin.
– Oi. – Atendi.
– Filha? – A voz do meu pai soou do outro lado da linha.
Virei os olhos.
– Oi pai. – Falei. – O que houve?
– Não posso ligar para saber como minha filha caçula está? – Meu pai perguntou.
– Está tudo bem. – Respondi. – Por que ligou?
– Estou na cidade. – Meu pai falou. – Faz tempo que não vejo você e sua irmã então planejei um jantar. O que acha?
– Quando? – Perguntei.
Tive um rápido flashback do desastroso jantar com o pai de Justin.
– Amanhã à noite. – Falou. – Não falte.
– Não irei faltar. – Falei. – Tchau pai.
Coloquei o telefone de volta no gancho sem ouvir uma resposta do meu pai.
– Quem era? – Lucy perguntou, folheando sua revista de novo.
– Meu pai. – Falei. – Ele quer jantar amanhã.
– Quer que eu te ajude com a roupa? – Lucy perguntou levantando os olhos da revista e me encarando.
– Não precisa. – Respondi. – Se eu bem conheço meu velho nós vamos jantar no Mc Donald’s do aeroporto para ele não se atrasar para voltar para casa.
Lucy riu baixo.
(...)
Passei o dia inteiro sem ter notícias de Justin, o que estava me matando.
Quando voltei para o quarto lá para umas cinco horas, não tive tempo de ligar ou de ir para o quarto dele para ver se estava tudo bem, o que me deixou extremamente irritada.
Coloquei uma roupa qualquer e fui para a secretaria da escola para esperar meu pai. Em menos de dez minutos ele apareceu, usando uma roupa descontraída demais para quem passou dias planejando um jantar.
Como eu disse, ele provavelmente ia nos levar no Mc Donald’s.
Vinte minutos depois Sophie apareceu e, como sempre, começamos nosso teatrinho de irmãs unidas. Fomos para o carro, tivemos uma rápida discussão sobre quem deveria ir no banco da frente e finalmente, depois de decidir ir no banco de trás para jantarmos mais rápido e eu poder voltar mais rápido, nos mandamos da escola.
Não demorou muito para o carro parar no Mc Donald’s e papai nos mandar descer.
Ouvi Sophie bufar. Ela odeiafast foodporque engorda, um motivo totalmente idiota para não comer tranqueiras.
Meu pai pediu os lanches de sempre e sentamos em uma mesa.
– E então... – Papai tentou puxar assunto. – Como vai a escola?
– Bem. – Respondemos em uníssono.
– Deve estar bem melhor para a Charlotte, que arranjou um namorado. – Sophie acrescentou maldosamente.
Meu pai me olhou indecifrável.
– Namorado? – Perguntou.
– Ela não sabe do que está falando. – Falei. – Ele não é meu namorado. Somos só amigos.
Meu pai mordeu o lanche ainda olhando para mim e então desviou o olhar, parando em Sophie.
– Você ainda não arranjou um namorado, arranjou? – Meu pai perguntou.
Namorado ela não tem, mas isso não a impede de abrir as pernas.
– Não. – Sophie falou inocentemente. – Eu sou a ovelha boa dessa família.
Virei os olhos e me concentrei em não jogar minha comida nela.
Eu e Sophie somos um pouco complicadas demais para entender. Em um momento estamos levantando a moral uma da outra, no outro estamos tentando entregar a vida alheia para o meu pai.
Depois de muito lero-lero, voltamos para escola. Meu pai parou na frente dos portões, avisando que não ia entrar porque estava com sono e queria dormir. Eu e Sophie fomos andando para escola, nos separando quando Sophie encontrou uma amiga que queria fofocar sobre um tal de Freddie.
Continuei andando no meu caminho em direção ao alojamento do segundo ano, mas quando passei na frente do alojamento do quarto vi que a luz do quarto de Justin estava acesa e tinha movimento lá dentro.
Rumei até o alojamento do quarto ano, subindo até o quarto de Justin e parando na porta para ouvir a conversa.
– Isso já foi longe demais. – Justin falou. – Pode ficar com o seu dinheiro estúpido, eu nem sei por que concordei com essa palhaçada.
Algum garoto riu. Não era Ryan.
Me aproximei mais da porta para ouvir melhor.
É errado, eu sei, mas é um crime sem vitimas.
– Não chegou nem perto de ir longe demais. – O garoto misterioso falou. – Aposto que nem chegou perto na noite da festa. Por isso está desistindo. A pirralhinha te deu um fora, foi?
Pirralhinha.
– Você. É. Nojento. – Justin falou pausadamente. – Pega a porra do seu dinheiro e se manda.
– Como vai contar para ela? – A voz do garoto ficou mais nítida. Ele usava um tom de zombaria. – Como vai contar para a pobre menina sem mãe do segundo ano que você a enganou esse tempo todo?
Senti um bolo grande se formar na minha garganta.
Não acredito que Josh tentou me avisar por tanto tempo e eu não acreditei!
– Isso não é problema seu. – Justin falou em uma voz fria. – Se você falar alguma coisa para ela eu juro que te mato.
O garoto misterioso riu.
Encostei na parede da frente da porta de Justin e fui escorregando até sentar. Tampei minha boca com a mão e senti algumas lágrimas teimosas formarem no canto dos meus olhos.
A porta do quarto de Justin abriu e o garoto alto de cabelo castanho – se não me engano o nome dele é Trace – saiu rindo. Quando me viu, o garoto sorriu mais ainda.
– Acho que não vai precisar contar para ela. – Falou. – Acho que ela já sabe.
Apenas fechei os olhos enquanto ouvia a risada maldosa do garoto. Ouvi passos pesados se aproximarem.
– Charlotte. – Justin falou perto demais. – Charlotte, olha para mim.
Balancei a cabeça, me punindo por ser tão idiota.
Eu contei sobre a minha mãe para esse idiota. Eu acreditei nas malditas palavras dele sobre me achar bonita e especial.
E era tudo parte de uma maldita aposta ou o raio que o parta.
Tudo o que ele falou não passava de um balde cheio de bosta.
– Você... – Comecei. – Você mentiu para mim.
Apesar de ser uma coisa bem imbecil de se falar, foi a única coisa que consegui colocar para fora. Ouvi Justin respirar fundo.
– Escuta, olha para mim. – Justin tentou puxar meu rosto.
Empurrei sua mão com força, fazendo ele bater a mão na parede.
Levantei do chão e seguei algumas das lágrimas que caíram.
– Charlotte. – Justin me chamou.
Comecei a correr pelo corredor até chegar na escada. Justin correu atrás de mim.
– Quer parar de correr? – Justin falou.
– Me deixa em paz. – Falei enquanto descia as escadas o mais rápido que eu conseguia.
E o prêmio de tapada do ano vai para Charlotte Adams, a garota que acreditou que tinha algum tipo de chance com um bonitão do último ano.
– Foi um tipo de pegadinha do último ano. – Justin tentava se explicar enquanto vinha atrás de mim. – Eu não tive escolha.
Bufei.
– Claro que não teve. – Falei e empurrei a porta do alojamento com força.
– Quer me escutar?! Eu posso explicar! – Justin falou.
A porta bateu atrás de mim.
Voltei com passos rápidos para o meu quarto, me enfiando embaixo das cobertas e esperando dormir para sempre.
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