She Will Be Loved
13 New Charlotte
Notas iniciais
– Não, ela está aqui sim. – Ouvi a voz de Lucy perto do bolo de cobertas, travesseiros e lágrimas que eu tinha virado em cima da minha cama. – Pode ficar tranquilo, eu falou para ela. Tchau.
Espremi mais meu corpo contra o colchão, tentando de algum jeito ser morta e meus restos serem enterrados no meu colchão.
– Charlotte, eu sei que não está dormindo. – Lucy falou e me chacoalhou. – Tira essas coisas da cara e olha pra mim.
Gemi e me enrolei mais nas cobertas.
– Vamos, eu não quero gracinhas. – Lucy falou e começou a puxar minha coberta.
Depois de quase cinco minutos, Lucy conseguiu tirar a coberta de mim junto com os travesseiros. Afundei meu rosto no colchão.
– Nossa, quanta maturidade. – Lucy reclamou e sentou do meu lado, empurrando meu ombro para eu virar para ela. – Olha só, eu não sei o que o Justin fez, mas ele ligou aqui umas vinte vezes. E o Josh também ligou. E teve outro, David eu acho, que te ligou também. Como eu não sou secretária eletrônica de ninguém, dá para você levantar dessa cama e resolver seus problemas?
Gemi de novo, virando para o teto e respirando descentemente.
– Vamos, para de se martirizar e levanta dessa cama. – Lucy falou. – Você já perdeu a aula de hoje e a diretora quer matar você.
– Me deixa quieta. – Reclamei e coloquei um travesseiro no meu rosto.
– Quer pelo menos me contar o que ele fez? – Lucy falou e tirou o travesseiro de mim.
– Ele mentiu esse tempo todo. – Falei. – Era só uma aposta ou sei lá o que. Caralho, eu contei para ele sobre a minha mãe! Lembra quanto tempo eu demorei para confiar em você e contar sobre a minha família?
Lucy ficou em silêncio porque ela sabia que a história trágica da minha mãe não era uma coisa que eu saia contando para todo mundo.
– Pode parecer que não, mas eu tenho certeza de que deve ter uma explicação para tudo isso. – Lucy falou.
É o que me falta!
A encarei com ódio.
– Você tá defendendo ele?! – Perguntei totalmente disposta a sufocar Lucy.
– Não. – Lucy falou rápido, provavelmente percebeu que eu ia matar ela. – Eu estou defendendo você. Você viu como você ficou o dia inteiro? Deitada numa cama criando mofo. Nem na aula você foi!
Pensando bem, tenho certeza de que Justin e os amigos idiotas dele devem estar rindo montes com a menina que está no quarto o dia inteiro tentando desaparecer.
Levantei da cama e fui para o banheiro, fechando a porta. Ouvi Lucy gritar um “essa é minha garota” e entrei no chuveiro gelado, me castigando por me castigar por causa de Justin Fletcher.
Não vou dar a ele o gostinho de ver totalmente sofrida por causa dele.
(...)
Arrumei o batom com os dedos e me analisei no espelho. Dizer que eu estava irreconhecível era pouco,aquela garotano reflexo não era eu nem em um milhão de anos.
– Charlotte, eu... – Lucy entrou no quarto e me olhou. – Charlotte?
– Oi Lucy. – Falei e sorri para minha melhor amiga.
– Você tá bem? – Lucy perguntou e se aproximou do espelho onde eu estava.
– Estou. – Falei e me olhei pela última vez. – Vamos jantar?
– Você vai... – Lucy começou. – Tem certeza de que está tudo bem?
– Tenho. – Respondi.
Sai do quarto, dando de cara com um grupo de garotas no corredor. Elas me olharam e então começaram a sussurrar entre si, andando e olhando para trás. Provavelmente estavam surpresas com aNova Charlotte.
Desci rapidamente para o pátio e comecei a caminhar normalmente para o refeitório, ignorando os olhares curiosos e até um pouco maldosos sobre a minha pessoa.
– Onde vai vestida assim? – Josh perguntou quando o encontrei no meio do caminho.
Josh estava com um cheiro fortíssimo de cigarro, sinal que recentemente ele estava fumando.
– O que você tem ai? – Perguntei, ignorando sua pergunta.
– Do que está falando? – Josh retrucou totalmente perdido. – Está bêbada, sobre o efeito de remédios de emagrecer?
Considerei a parte dos remédios de emagrecer um insulto, mas ignorei. Agora eu sou aNova Charlotte, a que não se preocupa com o que diabos os outros pensam.
– Estou falando de cigarros. – Falei. – Você tem cigarros ai?
Josh arregalou os olhos, provavelmente estranhando. AVelha Charlottebebia, mas nunca fumava e achava que fumar era um hábito grotesco. Mas aNova Charlottenão dá a mínima.
– Não do convencional. – Josh respondeu. – Só baseados.
Mordi meus lábios.
– Tudo bem. – Falei. – Pode me dar um?
Me puni mentalmente por pedir, eu devia dizer algo como “passa um aí”.
– Não. – Josh falou. – O que está acontecendo? Brigou com a Lucy? Você está bem?
– Nunca estive melhor e não, não briguei com a Lucy. – Falei.
Continuei andando, deixando Josh totalmente perplexo para trás. Entrei no refeitório, atraindo mais olhares do que eu realmente queria. Peguei minha bandeja e entrei na fila da pizza.
Eu podia ouvir alguns murmúrios rondando o local e, falando sério, aquilo não estava me incomodando. Mas, claro, tudo o que é bom acaba um dia.
– Vai aonde vestida de Mortiça? – Sophie apareceu atrás de mim com Anne e o exército de meninas que as seguiam aonde quer que fossem.
– Não é da sua conta. – Respondi e virei para frente, totalmente disposta a ignorá-la.
– Credo. – Lucy falou e bateu a mão de unhas perfeitas no meu cabelo. – Só toma cuidado pra sua esquisitice não afetar a minha popularidade. Você tá um nojo.
– Obrigada e pode deixar, vou tomar cuidado. – Falei cinicamente.
Sophie me encarou durante alguns segundos até perceber que eu estava sendo irônica.
– Espera só até a diretora ver isso. – Sophie falou e saiu, sendo seguida pelo exército de baba-ovos e Anne.
Respirei fundo e esperei a fila. Peguei meu pedaço de pizza e sentei na mesa de sempre, lugar sagrado entre Lucy e eu. Pouco tempo depois, Lucy apareceu.
– Então... – Lucy começou. – Você é minha melhor amiga e sabe que eu te amo, mas esse estilo dark não combina com você.
– Tudo bem. – Falei despreocupadamente e enfiei um pedaço de pizza goela abaixo. – Sem ofensas, mas eu não quero agradar ninguém, nem mesmo você Luce.
Lucy me olhou durante um tempo e então sentou na mesa.
– Ok, se te faz feliz o que eu posse fazer? – Reclamou. – Pizza do que?
– Atum. – Respondi.
– Lucy. – A voz de Justin soou perigosamente perto. – Onde ela está?
Justin estava do meu lado, mas parecia não ter notado que eu estava ali. Lucy olhou para mim, fazendo Justin me olhar também.
Por um segundo, eu achei que ele ia cair duro no chão por causa de uma parada cardíaca, mas claro que eu não tenho essa sorte.
– Charlotte? – Justin falou e se aproximou de mim.
– O que foi? – Perguntei tentando soar o mais grossa possível.
– O que... – Justin começou, mas sua voz foi morrendo no meio da frase.
– Justin, sabe aquele cara que... – Ryan apareceu ao lado de Justin e me olhou. – Jesus. O que houve com você?
– Nada. – Falei e levantei da mesa junto com o meu prato vazio.
Justin me encarou com os olhos estreitos.
– Precisamos conversar. – Justin falou.
Ele me lembrou meu pai quando ele descobriu que Sophie tinha feito uma tatuagem na costela. “Precisamos conversar” foi exatamente o que ele falou antes de gritar com Sophie durante duas horas seguidas. Sem exageros.
– Não precisamos não. – Falei. – Acho que conversarmos o suficiente já.
Andei até o balcão de louças e deixei meu prato sujo lá. Saí do refeitório dando de cara com David. David me olhou e assoviou.
– Perdi alguma coisa? – David perguntou num tom divertido.
– Não, eu só... – Comecei. – É apenas uma mudança de visual... Sabe como é, renovar a imagem.
David riu um pouco.
– Até que ficou bom. – David falou. – Claro que sua personalidade não tem nada a ver com o jeito que está se vestindo.
Me aproximei de David com os braços cruzados e com o olhar mais desafiador que consegui.
– Você não me conhece, garoto. – Falei e sorri.
David sorriu malicioso e se aproximou mais de mim. Estávamos em uma distância perigosa, próximos demais.
– Você é um livro aberto, Char. – David falou. – Não precisa te conhecer a muito tempo para saber que não faz o tipo de gente que chuta filhotinhos ou bate nas pessoas.
Arqueei uma sobrancelha e soquei o braço cruzado dele. Ele provavelmente nem sentiu, mas meu anel bateu no meu dedo e meio que me machucou. Claro que eu não dei o braço a torcer e fingi que nada aconteceu.
David riu.
– Você soca muito mal. – Falou e então se aproximou da minha orelha. – Posso te ensinar se quiser, gatinha.
Sorri e percebi que Justin nos olhava com um pouco – muito – de ódio no olhar.
– Eu iria adorar. – Respondi no tom de voz mais sensual que consegui, alto o suficiente para qualquer ser humano chamado Justin Fletcher ouvir.
David riu baixo e beijou meu pescoço, se afastando logo em seguida.
– Preciso jantar agora, mas passa no meu dormitório qualquer dia. – David falou.
E então as coisas saíram de controle e saíram muito rápido.
Em um segundo os lábios de David estavam colados aos meus num selinho inocente, no segundo seguinte estávamos nos separando porque pessoas começaram a gritar “vagabunda” para alguém.
E esse alguém era eu.
Pelo menos vinte meninas – algumas do grupinho de Sophie, mas não Sophie ou Anne – estavam me chamando de vagabunda. E então eu percebi que fiz merda, uma merda bem grande e irreversível.
Por mais que eu e Justin nunca tivéssemos transado, as pessoas pensavam que sim. E poucos dias depois eu estou beijando outro menino no meio do pátio.
Acho que se fosse uma situação inversa eu também me chamaria de vagabunda.
Justin me olhou com um sorrisinho irônico e então deu as costas e foi embora, não como se estivesse morrendo de culpa, mas como se estivesse perdendo seu precioso tempo.
Claro, ele não se importava. E isso, de um jeito idiota, me machucava mais do que uma porção de meninas me chamando de meretriz.
Apenas ergui minha cabeça – coisa que aVelha Charlottenunca faria – e andei até o alojamento do segundo ano, apenas remoendo uma espécie de raiva que crescia no meu peito.
(...)
– E então os átomos... – A professora de química explicava.
Bati na porta, vinte minutos atrasada para aula dela.
– Posso entrar? – Perguntei enquanto enfiava minha cabeça cheia de maquiagem para dentro da sala.
– Está muito atrasada senhorita Adams. – A professora falou.
David riu pelo nariz no fundo da sala e colocou os braços cruzados atrás da cabeça, fazendo sua camiseta levantar e mostrar um pouco da cueca azul petróleo dele. Comentei do risinho presunçoso no rosto dele?
– Eu sei. – Falei. – Me desculpa é que... Eu me atrasei e... Por favor.
ANova Charlottenão implora, mas eu abri uma exceção para a aula de química já que eu estava a um passo de tomar bomba e repetir de ano no segundo ano é a última coisa que eu preciso agora.
A professora relinchou um pouco antes de me deixar entrar. Todos na sala estavam atônitos de novo com o meu novo visual, mas David parecia não se importa demais com aNova Charlotte.
Sentei do lado de David, ignorando o comentário de uma menina que murmurou um “puta” para a amiga.
– Aproveitando a interrupção da senhorita Adams, quero comentar com vocês sobre o baile. – A professora falou e seu animo mudou de entediada e demasiadamente irritada para animada. – Como todos sabem, o baile acontece sempre nessa época do ano.
Bufei e me concentrei nas minhas unhas, ignorando a conversa sobre o baile.
O baile nunca foi uma coisa que me agradou, nem mesmo quando eu era aVelha Charlotte. Simplesmente uma festa idiota para um povo idiota feita por pessoas mais idiotas ainda.
– Soube da festa esse final de semana? – David perguntou.
– Não. – Falei.
– Bom, soube agora. – David falou e desceu uma mão, parando na minha perna.
Aquilo me incomodou um pouco, porque era uma invasão de espaço tremenda. Mas isso é o que aVelha Charlottepensa, aNova Charlottenão se importa.
– Onde foi a última festa? – Perguntei e David assentiu, mexendo um pouco a mão dele, subindo um pouco mais.
– Vai ser legal. – David falou.
A mão dele subiu mais um pouco, ficando perigosamente próxima da minha intimidade. Arranquei a mão dele dali e levantei da cadeira.
– Professora, desculpa incomodar, mas eu posso ir beber um pouco de água? – Perguntei. – Sabe como é, vim correndo.
A professora assentiu e continuou a falar do baile para os poucos interessados.
Sai da sala e corri para o bebedouro, me sentindo um pouco suja por deixar David me tocardaquele jeito.
Bati minha cabeça na parede algumas vezes antes de voltar para sala e pedir para trocar de lugar com um nerd que estava sentado em um lugar mais afastado de David e sua mão idiota e abusiva.
Notas finais
Esse capítulo ficou meio fraquinho e talz, mas é porque o próximo vai estar um zilhão de vezes melhor e cheio de emoções, juro.
Eu também sei que o Jus quase não apareceu nesse capítulo, mas é porque esse capítulo foi mais uma introdução de como é o David e etc. e a mudança de personalidade da Charlotte. No próximo capítulo tem muito mais Justin, eu prometo (:
Beijos, meus amores.
BEIJOS NA BUNDA DAS LINDAS QUE RECOMENDARAM A FIC! :3
Fale com o autor