Notas iniciais
ATENÇÃO: ESSE CAPÍTULO CONTÉM CENAS FORTES. Não me responsabilizo por infartes ou aneurismas ou qualquer outra coisa assim.
Enjoy (:

Leiam as notas iniciais.

“Somebody mixed my medicine, I don’t know what I’m on. Somebody mixed my medicine, now baby it’s all gone” – The Pretty Reckless

Lucy estava no banheiro e eu estava tentando dar um jeito no meu cabelo. A maldita festa que David me convidou é hoje e eu não estou no clima para festas. Na verdade, eu não estou no clima para nada.

Lucy saiu do banheiro cantarolando e parou em frente a minha cama, observandominha roupa. Ela parou de reclamar da Nova Charlotte desde tivemos uma pequena conversa sobre o que estava acontecendo.

– Por que começou com essa palhaçada? – Lucy falou quando estávamos esperando o sono deitadas na cama. – Com as roupas, quero dizer.

– Porque sim. – Falei e respirei fundo. Lucy é minha melhor amiga, por que mentir? – Acho que é só um jeito que eu consegui de ser a Charlotte e não a menina tosca que caiu na ladainha do Fletcher.

– Bom, você é quem sabe. – Lucy falou.

– Está... Bom. – Lucy falou.

– Obrigada. – Respondi e calcei os sapatos. – Vamos doidinha?

Lucy arfou divertidamente.

– Você se veste como se estivesse indo para um funeral eterno e eu sou a doida? – Lucy brincou. – Precisa rever seus conceitos, Charlie.

Ri e então fomos para a clareira, o eterno lugar de festas. Mal chegamos e Lucy despareceu com Ryan, me deixando totalmente sozinha.

Esses dois estão juntos ou não a final de contas?

Sentei em um pufe qualquer e comecei a curtir a música por alguns segundos, antes de David de achar. Não que eu estivesse fugindo dele...

Quer saber? Sim, eu estava fugindo dele.

David não é nem metade do garoto que eu achei que ele era. Quando ele me passou cola na prova, eu achei que era um garoto direito, mas ele se mostrouextremamentediferente.

Por exemplo, quando ele me deixou um pacote de camisinhas debaixo da porta anteontem para eu usar com ele hoje.

É, tenso, eu sei.

– Sozinha? – Ouvi a voz de David soar perigosamente próxima de meus ouvidos.

– Ah. – Falei e olhei para ele. – Oi.

Mesmo tendo tomado um susto, não ia mostrar para esse idiota que ele tem algum tipo de influencia sobre mim porque ele não tem. Ou tem?

David se jogou no pufe do lado do meu, virando o copo de bebida forte dele de uma vez só e então me encarando.

– Por que a cara de funeral? – David perguntou enquanto jogava o copo plástico em qualquer lugar.

– Não é nada. – Falei. – Só não queria vir hoje.

“Por sua causa, imbecil.”Completei mentalmente.

– Ah. – David falou e riu. – Já venho. Não se mova.

David levantou e saiu do meu campo de vista. Me afundei mais no pufe, desejando dormir até amanhã e poder rir dos idiotas de ressaca. Algumas meninas passaram e tossiram tentando disfarçar – ou serem engraçadas, dane-se – o “vadia” debaixo das tosses.

Virei os olhos, pousando-os em um ponto do outro lado da clareira. Justin, para variar, estava nas preliminares com alguma menina. Não era Sophie, eu teria reconhecido, mesmo assim.

Levantei do pufe, totalmente disposta a sair dali e, quem sabe, denunciar a festinha para a diretora, mas David chegou.

– Onde vai? – David perguntou e me entregou um copo com alguma coisa de cheiro forte.

– Embora. – Respondi enquanto analisava o conteúdo do copo.

– Não. – David falou e tocou minha bochecha com a mão vazia. – Por favor, fica. Olha só, só um copo e eu juro que te deixo ir se não começar a se divertir.

Observei o copo por alguns segundos e então virei de uma vez. O que podia acontecer?

Era definitivamente tequila pura, mas tinha um gosto diferente. Limão, eu acho.

– Aposto que você não vai querer ir embora agora. – David falou e virou o copo dele. – Vamos dançar.

Assenti, enquanto sentia minha cabeça girar um pouco.

Ok, não é possível que um copo de tequila fosse me deixar tonta.

– O que tinha no copo? – Perguntei enquanto David me arrastava para um lugar onde um monte de gente dançava.

David agarrou minha cintura e sorriu malicioso. Antes que eu pudesse raciocinar, David abaixou até minha orelha e chupou meu lóbulo.

– Seu passaporte para a diversão. – David falou.

Tudo começou a ficar turvo e piscar, do nada. David puxava minha cintura no ritmo da música e eu sentia que estava dançando, mesmo sem ter total controle sobre meus pés.

Olhei para David e comecei a rir e David me acompanhou. Encaixei minha cabeça nos ombros de David enquanto ria e quase colocava meus pulmões para fora. Meu coração estava um pouco palpitado, mas nada fora do comum.

Depois de onze músicas – ou foram treze? – resolvi voltar para o meu pufe, me sentindo muito bem e animada.

No caminho, virei alguns copos de alguma coisa e passei atropelando as pessoas, totalmente desnorteada. David e eu ainda riamos por nada. Nos jogamos no mesmo pufe e David sacou um maço de cigarros do bolso.

– Quer um? – Perguntou e me estendeu a caixinha.

Peguei um e enfiei nos lábios, esperando David acender para mim. Depois que David fez a gentileza de acender, puxei com força o ar. Como nunca tinha fumado na vida, tossi algumas vezes e ri demais de mim mesma.

Depois de dois cigarros, senti meu corpo ficar meio mole, apesar de não estar cansada.

– Deus, vou morrer. – Brinquei e ri da minha própria piada.

– O que está sentindo? – David perguntou no mesmo tom brincalhão.

– Sei lá. – Respondi e fechei os olhos, encostando a cabeça no pufe. – Meu corpo só está meio mole.

– Ótimo. – David falou.

Senti lábios serem pressionados verozmente no meu pescoço. Tentei puxar minha mão e dar um tapa no infeliz, mas meu corpo parecia cansado demais para realizar qualquer atividade apesar da minha mente estar a um milhão.

Abri os olhos e minha visão estava embaralhada.

– David. – Chamei. – Não estou me sentindo...

Antes que eu pudesse terminar minha frase, David colocou seus lábios no meu e adentrou minha boca sem pudor algum, explorando sem o meu consentimento. Tentei morder a língua dele, mas eu parecia não ter força.

Em um movimento complicado, tirei minha cabeça de perto do idiota do David.

– Para com isso. – Falei. – Me leva de volta.

David me ignorou e subiu em cima de mim, beijando meu pescoço e colocando uma mão por baixo do meu vestido, nas minhas coxas.

– Para... – Reclamei.

Minha voz parecia estar perdendo o volume e eu me sentia fraca demais para lutar com o garoto.

– David, não tem graça. – Falei, mas soou mais como um sussurro.

David chupou meu pescoço e, não vou mentir, doeu. Provavelmente vai deixar algum tipo de marca.

Em um movimento brusco, as mãos de David abriram minhas pernas, o que deu espaço para ele se prensar ainda mais em mim. Meus olhos começaram a pesar enquanto suas mãos abusivas brincavam com o elástico da minha calcinha.

– Para com isso... – Falei.

Minha voz estava mais baixa que nunca.

– Por favor, me solta...

David me ignorava e seus atos se tornavam cada vez mais violentos. Seus lábios voaram para o meu colo, chupando e provavelmente deixando sua marca ali também.

– Por que não vão para o quarto? – Alguém com uma voz conhecida falou próximo.

Eu me esforcei para abrir os olhos, encontrando uma porção de borrões. David nem saiu de cima de mim, apenas virou a cabeça para a pessoa parada próxima do pufe.

– Por que não vai cuidar da sua vida? – David falou.

Senti meus olhos fecharem e então se abrirem lentamente.

– Sai de cima de mim... – Falei. De novo minha voz não era alta o suficiente.

– Ãhn? – A pessoa perguntou.

– Não é nada. – David se apressou em dizer. – Foi só um gemido de prazer. Se manda, cara.

– O que fez com ela? – A pessoa agora parecia muito irritada.

– Nada, ainda. – David falou. – Tem um imbecil atrapalhando tudo.

Senti uma mão agarrar meu pulso e me puxar.

– Charlotte? – A pessoa me chamou. – O que ele deu pra você?

David me puxou para outro lado, de volta ao pufe.

– Nada. – Falou. – Sai daqui e nos deixe em paz.

A pessoa socou David, o que o fez cair e, consequentemente, sair de cima de mim.

– O que deu para ela? – A pessoa perguntou irritada enquanto chutava um David caído no chão. – Fala, seu filho-da-puta! O que deu pra ela?!

– Nada! – David gritou. – Eu não dei nada!

A pessoa brava se aproximou de mim, puxando minha pálpebra inferior para baixo e mirando bem nos meus olhos. Justin era a pessoa brava. Justin se voltou para David de novo.

– Deu droga pra ela? – Justin falou e chutou o David de novo, fazendo David gemer de dor. – Você drogou ela?!

– Justin. – Chamei baixinho.

Era hora de deixar o orgulho de lado e pedir ajuda. Eu estava perdendo a consciência.

– Não droguei ninguém! – David falou. – Estávamos apenas nos divertindo, eu não dei droga para ninguém!

– E ia comer uma menina que está a um passo de apagar, seu filho-da-puta?! – Justin chutou David de novo.

– Justin. – Chamei de novo.

Eu estava cada vez mais perto de apagar, eu podia sentir.

Senti um par de mãos me levantarem do pufe e me pegarem no colo. O cheiro de Justin penetrou minhas vias aéreas, me deixando mais tranquila por não estar na mão de David de novo.

Justin estava andando rápido demais. Ou eu estava meio lerda?

– Josh. – Justin chamou.

– Oi. – Josh falou próximo. Pelo cheiro, ele andou fumando. De novo.

– Um infeliz deu alguma coisa pra ela. – Justin falou e mexeu os braços, fazendo minha cabeça meio que tombar. – Ryan provavelmente deve estar trancado no meu quarto com alguém, então me empresta o seu.

Ouvi barulho de chave e senti algo cair em cima da minha barriga descoberta. É, David levantou tanto meu vestido que ele estava parecendo uma blusa provavelmente.

– Eu vou desmaiar. – Falei.

Minha voz estava cada vez mais fraca.

– O que? – Justin perguntou enquanto me carregava para algum lugar.

– Vou desmaiar. – Falei de novo, reunindo todas as forças do meu corpo.

Pelo menos saiu um pouco mais alto.

– Consegue segurar até subirmos? – Justin perguntou.

Assenti devagar.

Senti Justin subir as escadas do alojamento e então correu até alguma porta.

– Vou te colocar no chão agora. – Justin falou e senti seus braços abaixarem um pouco. – Segura no meu braço e, pelo amor de Deus, não cai de cara no chão.

Foi meus pés tocarem o chão que meu corpo ganhou uma consistência gelatinosa, me fazendo bater na parede – ou em uma porta – e depois cair no chão. Justin resmungou alguma coisa, mas não me ajudou.

Justin abriu a porta com força e me arrastou – literalmente – para dentro. Depois de fechar a porta com os pés na maior pressa, Justin me pegou no colo de novo e me jogou dentro do chuveiro.

– Ok, agora eu preciso que você me ajude. – Justin falou e começou a arrancar meu vestido e sapato. – Comece a falar, sei lá. Só não durma, em hipótese alguma.

Assenti devagar.

– Malditas meia-calça. – Justin falou e senti as minhas meias começarem a sair do meu corpo de algum jeito. – Vamos, Charlotte. Preciso saber se está acordada ou não.

– Uma vez eu tive um cachorro. – Falei com a voz fraca.

– Isso, continue falando. – Justin falou e então se afastou de mim, me deixando encostada na parede usando sabe-se lá o que.

Espera ai...

Eu estava mesmo seminua na frente de Justin Fletcher? Ou pior... Nua?

– Ele fugiu porque Sophie abriu a porta para ele fugir. – Falei fraca.

– Ótimo. – Justin falou.

Senti minhas costas serem retiradas da parede fria do chuveiro e entrar em contato com algo quente. Antes que eu pudesse pensar, alguma coisa estava provocando meu vômito.

Vomitei algumas vezes e então senti a água quente bater na minha pele fria. Aquilo me trouxe uma sensação de alivio, como se agora tudo estivesse bem.

A sensação de desmaiar foi embora, mas deu lugar ao cansaço extremo.

Senti mãos percorrerem meu corpo inteiro, lavando meu cabelo e limpando as partes do meu corpo que pareciam sujas com vômito ou algo assim. As mãos contornaram alguma coisa no meu pescoço.

– Isso vai ficar feio. – Justin falou.

Senti cheiro de sabonete e de shampoo e me dei conta de que Justin Fletcher estava me dando banho.

É, o menino que me mentiu pra mim e fez eu fazer papel de idiota agora está me dando banho.

Depois de um tempo, Justin me carregou para fora e me colocou na cama enrolada em alguma coisa.

– Posso dormir agora? – Perguntei com a voz embargada.

– Pode. – Justin falou. Senti algo tocar minha testa. – Boa noite.

(...)

Minha cabeça estava latejando demais e eu estava morrendo de dor no corpo. Abri os olhos e tudo piorou, como se eu tivesse acordado o demônio ou algo parecido.

Me mexi na cama macia e quentinha, percebendo que eu não estava usando nada. Quando eu digo nada, eu digo absolutamente nada. Passei os olhos pelo quarto, procurando por alguém. Especificamente, procurando por Justin.

O achei deitado da cama do lado, sem camisa e totalmente... Angelical. Sua boca rosada estava meio aberta e sua respiração pesada, seu braço estava atrás da cabeça me dando uma boa visão de duas tatuagens em seu tórax. Uma escrito alguma coisa em alguma língua na costela e um pássaro na cintura.

Fechei os olhos, tentando decidir se odeio ou se amo Justin Fletcher. Ele me enganou durante um bom tempo, mas o que ele fez ontem – principalmente a parte de quebrar a cara do David enquanto eu estava incapacitada – foi ótimo.

O que eu achei que era apenas um momento de reflexão virou um cochilo, do qual eu só despertei com Justin balançando meu braço.

– Está tudo bem? – Justin perguntou com aqueles olhos castanhos claros que me deixavam mal só de encarar por tempo demais.

– Está. – Falei e coloquei a mão na cabeça. – Só um pouco de dor de cabeça e dores pelo corpo.

– Com a dor de cabeça eu posso ajudar mais tarde. – Justin falou. – Agora as dores no corpo...

Sentei na cama, puxando o lençol para cobrir minhas partes.

– O que aconteceu ontem... – Comecei, meio sem graça. – Foi... Eu acho que... Obrigada.

Justin sorriu torto.

– Não há de que. – Justin falou. – Até gostei de ter batido no seu amigo. Desestressei um pouco.

Ri baixo.

– Não, sério. – Falei. – Eu não quero nem pensar no que ia acontecer se você não tivesse me tirado de lá.

Justin mordeu os lábios e olhou para baixo, meio pensante.

– Precisamos conversar. – Justin falou.


Notas finais
QUEM GOSTOU DO CAPÍTULO POEM O DEDO AQUI, QUE JÁ VAI FECHAR..
Me ignorem, estou totalmente lenta nesse momento.
Nathalia Facts: Acabei de voltar do cinema para assistir Titanic 3D. QUE LINDO ESSE FILME, NUNCA CONSIGO PARAR DE ASSISTIR. Chorei meus olhos para fora, mas tudo bem, faz parte.
Reviews? Pode me xingar, qualquer coisa. Se quiserem me contar da vida de vocês também pode, eu não mordo tão forte assim :3
Beijos