She Will Be Loved
15 (Not That Good) Surprises
Notas iniciais
Enjoy (:
E de novo o tom de pai estava ali, me deixando mal. Senti algo se mexer no meu estômago.
– Pode falar. – Falei e penteei meu cabelo com os dedos, sem deixar o lençol cair e revelar mais do que deveria.
– O que você estava pensando ontem? – Justin perguntou bem irritado. – Na verdade, o que você estava pensando quando começou a usar essas roupas de prostituta?
Eu mereço, Justin Que Me Enganou Fletcher está me chamando de prostituta.
– Isso não é exatamente da sua conta. – Falei. – O que eu visto é problema meu.
Justin bufou.
– Não é da minha conta até eu te salvar de ser estuprada ou, quem sabe, morrer de overdose. – Justin falou. – E quer me explicar o que aconteceu ontem? Qual é a daquele garoto estúpido?
– Não aconteceu nada que não devia ter acontecido. – Menti. Se mentir era o único jeito de me vingar, então que seja. – Eu estava no controle.
– Claro que estava. – Justin zombou. – “Justin, eu vou desmaiar”, “Justin, socorro”...
Justin imitou minha voz, me deixando um pouco mais irritada do que eu já estava. Arqueei uma sobrancelha.
– Eu não falo assim. – Falei.
– Isso não é o ponto da questão. – Justin falou. – Você tem o que na cabeça? Sinceramente, achei que você fosse um pouco mais esperta do que isso.
– Claro, estou falando de ser esperta ou não com o cara que foi feito de fantoche pelos amiguinhos idiotas dele para fazer uma garota do segundo ano de trouxa. – Zombei.
– É. – Justin respondeu. – E você caiu feito um patinho. Acho que o fantoche não sou eu.
A resposta dele foi má e grosseira, mas no ponto. Talvez eu merecesse ouvir aquilo. Sei lá.
O silêncio ficou no ar durante um tempo.
– Se manda. – Falei. – Preciso colocar minha roupa.
– Sinto em lhe informar, mas estamos na minha área. – Justin falou. – Você sabe, alojamento do quarto ano. Quem tem que se mandar é você.
– Mas eu preciso colocar minha maldita roupa. – Falei.
Justin sentou na cama, perto dos meus pés, e cruzou os braços. Um olhar malicioso atravessou seu rosto.
– Eu não me importo. – Justin falou. – Você sabe, já vi isso ontem.
Senti minha boca abrir e meu rosto começou a ficar quente.
Deus, por favor, me arranja uma arma.
– Como é? – Perguntei.
– Pode colocar a sua roupa ai. – Justin falou e sorriu maliciosamente. – Eu não me importo de ver.
AVelha Charlotteia tentar convencer o idiota a sair ou fechar os olhos. Mas aNova Charlottenão se importa.
ANova Charlottenão se importa com nada, para ser sincera.
“Seja a nova Charlotte” mentalizei.
Levantei da cama, deixando tudo à vista. O sorriso de Justin caiu se transformando numa careta de surpresa.
Andei até o canto do quarto e peguei meu vestido, enfiando ele rapidamente. Fui até o banheiro e lavei o rosto, tentando não pensar no que eu acabei de fazer. Dei um jeito no meu rosto e prendi meu cabelo em um coque mal feito.
Percebi minha meia-calça rasgada no chão do banheiro e tentei não pensar em Justin rasgando-a ontem à noite. Impossível. Pensando bem, Justin rasgando a minha meia-calça é até um pouco... Sexy.
Balancei minha cabeça e dei uns tapinhas no meu rosto, me punindo.
Sai do banheiro e encontrei Justin ainda parado na mesma posição e com a mesma expressão no rosto. Fui até a porta e abri, saindo logo em seguida. No corredor encontrei Josh.
– Ah, oi. – Josh falou e sorriu. – Está tudo bem? Ontem você não estava lá essas coisas.
– Está. – Falei e retribui sorriso. – Aliás, obrigada por emprestar o quarto.
O semblante de Josh ficou meio preocupado.
– Vocês não transaram na minha cama não, né? – Josh perguntou.
Ri um pouco.
– Não. – Falei entre risos.
Josh sorriu e deu um soquinho no meu ombro.
– Que bom que não aconteceu nada de grave. – Josh falou. – Ah, e eu não gosto do seu amigo novo.
– Hm. – Soltei.
O que eu ia dizer? “É, eu também não”?
Josh continuou seu percurso e entrou no quarto dele, começando a falar algumas coisas para Justin. Eu queria escutar, mas Josh fechou a porta e eu fiquei meio traumatizada desde a última vez que eu ouvi conversas sorrateiramente.
Voltei para o meu quarto, ignorando os olhares curiosos dos meus colegas de internato pelo pátio e até dentro do alojamento do segundo ano. Entrei no meu quarto, dando de cara com uma Lucy lendo alguma coisa, de pernas cruzadas em cima da cama dela.
– Olá. – Falei e me joguei na minha cama. – Você não sabe o que aconteceu.
– Você também não sabe o que aconteceu. – Lucy falou um pouco séria.
– Você e Ryan... – Comecei.
Lucy ficou com uma expressão confusa.
– Claro que não. – Lucy falou.
– Uhn. – Falei. – David me drogou ontem. E você não acredita quem me salvou.
– Justin. – Lucy falou ainda séria. – Eu ouvi Josh comentar alguma coisa com Ryan.
– É. – Falei e olhei minha melhor amiga com mais calma. – O que houve com você?
Lucy respirou fundo.
– Vou ser transferida. – Lucy falou.
– Transferida? – Perguntei. – Tipo, transferida de quarto?
Já tinha ouvido histórias de garotas que tiveram que trocar de quarto porque tinham notas altas enquanto suas colegas de quarto mal compareciam as aulas.
Não que eu esteja matando aula, mas minhas notas não estão lá aquelas coisas. E as notas de Lucy sempre foram altas.
– Transferida de escola. – Lucy falou.
Senti o tempo parar durante alguns segundos.
– Tudo bem. – Falei. – Ainda vamos nos ver. Quer dizer, para onde você vai? Waverly? St. Jude’s? New Frontier? Você sabe que eles são praticamente nossos vizinhos. Ainda dá para nos vermos de final de semana. Claro que não vai ser a mesma coisa, mas vamos continuar nos vendo.
Lucy levantou da cama, deixando algumas lágrimas pularem dos olhos dela, e me entregou o um papel.
É com muito prazer que nossa escola aceita Lucy Andrea Ducan para cursar o terceiro ano do ensino secundário em nossas dependências.
Newbridge Boarding School, Maynooth, Irlanda.
Parecia que algum órgão vital tinha sido arrancado do meu corpo. Lucy está indo embora e indo para bem longe.
– Como... – Comecei. – Como isso aconteceu?
– Na viagem para a casa da minha avó meus pais tinham comentado sobre isso. – Lucy falou. – Mas eu achei que não estavam falando sério. Quer dizer, os dois se conheceram aqui, estudaram aqui a vida toda. Pra mim eles iam querer que a filha deles estudasse aqui também.
O silêncio pairou no quarto.
– Quando você vai? – Perguntei.
– Depois das férias de verão. – Lucy falou.
Faltava não mais que dois meses para as férias de verão. O silêncio voltou durante um tempo, antes de Lucy quebrá-lo.
– Você podia fazer isso Charlie. – Lucy falou. – Digo, se candidatar para uma vaga. Me aceitaram sem prova ou coisa alguma, você pode pedir uma vaga e tentar a sorte.
Assenti e entrei no banheiro, tomando um bom banho e deixando minhas lágrimas de desespero se fundirem com a água quente.
Leiam As Notas Finais
Notas finais
EU SEI, A "CONVERSA" DELES FICOU BEEEM TOSCA TAMBÉM. CULPEM MEU CÉREBRO INCAPAZ DE BOLAR ALGUMA COISA DESCENTE.
O PRÓXIMO VAI FICAR MELHOR, juro.
Fale com o autor