She Will Be Loved
2 Ride
Notas iniciais
Quando acordei senti vontade de dormir de novo.
Era sábado, meu pai não vinha me buscar para darmos uma volta como ele tinha prometido, Lucy ia visitar uns parentes dela e eu estava com uma dor de cabeça que estava tentando me matar.
– Char... – Ouvi a voz embargada de Lucy soar.
Me virei na cama para encará-la e ver o que ela queria. Lucy estava parecendo um guaxinim por causa da maquiagem de ontem. Comecei a rir da cara dela. Lucy me olhou assustada e depois arqueou uma sobrancelha, fazendo uma cara maligna. Um guaxinim do mal.
– O que aconteceu ontem para você acordar dando risada senhorita? – Lucy perguntou e sentou na cama fazendo uma careta de dor logo em seguida.
– Nada. – Respondi. – É que você parece um guaxinim.
Lucy levantou da cama e se olhou no espelho, repetindo a careta que fez há pouco tempo.
– Eu vou tomar banho e tirar isso da minha cara. – Lucy falou. – Tem algum remédio para dor de cabeça?
– Segunda gaveta do armário. – Falei.
Lucy pegou o remédio, engoliu a seco e foi tomar banho. A mãe dela ia chegar às duas da tarde e já eram quase uma e meia. Fiquei enrolando na cama até Lucy sair do banheiro. Escovei os dentes e coloquei uma roupa.
Acompanhei Lucy até a entrada da escola enquanto conversávamos sobre as merdas que ela quase fez ontem à noite. Quando chegamos o motorista abriu a porta da limusine para ela.
– Te vejo segunda. – Lucy falou e me abraçou. A abracei de volta.
Um final de semana sem essa doidinha ia ser complicado. Nos soltamos e Lucy foi embora. Respirei fundo e comecei a andar pelo campus, procurando alguma coisa para fazer. Eu estava até cogitando a ideia de chamar Sophie para fazermos alguma coisa, mas a ideia desapareceu assim que uma mão pousou no meu ombro.
– Ei, pirralha. – Ouvi a voz rouca de Justin. Me virei e lá estava ele sorrindo. – Viu sua irmã?
– Não. – Falei. – Por quê?
Os olhos de Justin eram bem mais profundos de dia.
– Ela queria dar uma volta de carro e... – Justin falou enquanto dava de ombros.
– Você tem um carro? – Perguntei enquanto sentia minha boca abrir em um perfeito “O”.
– Tenho. – Justin falou e riu abafado. – Por que a surpresa? Estou no último ano, a regra básica é ter um carro.
Sorri.
– Prove. – Falei.
Justin arqueou uma sobrancelha.
– Por que eu mentiria que tenho um carro? – Justin perguntou.
– Todos os garotos daqui usam esse truque do “eu tenho um carro” para levar alguma menina popular para sair.
Justin tateou os bolsos e pegou uma chave, pendurando a chave na frente do meu rosto.
– Satisfeita? – Falou sorrindo enquanto balançava a chave na frente do meu rosto.
– Isso é só uma chave. Não prova nada. – Falei. Justin me olhou como se eu fosse uma idiota.
– Me siga. – Falou.
Segui Justin por todo o campus até chegarmos ao estacionamento dos alunos. Paramos numa BMW preta que cheirava a montes de dinheiro. Justin destravou o carro e abriu a porta do motorista.
– Vamos lá pirralha, você está sendo sequestrada. – Justin falou e sorriu.
Justin entrou no lado do motorista e eu entrei no do carona. Bancos de couro, copos do Burger King espalhados pelo painel. Típico.
– Eu não posso sair da escola, meu pai não me deu passe verde. – Falei com desdém.
– Quem precisa de passe verde? – Justin brincou e ligou o carro. – Dentro do porta-luvas tem óculos-de-sol. O meu o preto, mas você pode ficar com qualquer outro.
O carro começou a andar. Abri o porta-luvas e tive vontade de morrer. Sutiãs, pacotes de camisinha... Um arsenal do sexo dentro do compartimento. Justin me olhou pelo canto dos olhos e riu.
Justin se inclinou e pegou os óculos que queria e as “tralhas” que tinha lá dentro, as jogando no banco de trás. Peguei um óculos branco que eu deduzi ser de alguma garota que ele trouxe para o carro.
Assim que chegamos à portaria da escola, o porteiro mandou Justin abaixar o vidro e mostrar o passe de todos que estavam dentro do carro. O passe verde funciona assim, se você tem pode sair da escola nos finais de semana, se não tem se fodeu.
– Olha cara... – Justin falou e abaixou os óculos. – Eu estou muito excitado e não posso comer a minha namorada dentro do carro. Por favor, abre logo.
O porteiro olhou para mim, depois para Justin, depois para o portão, e então abriu sem fazer mais perguntas. Justin arrancou com o carro numa velocidade anormal.
– Para onde vamos? – Perguntei.
– Que tal o parquinho? – Justin falou e me encarou por uma fração de segundo.
– Muito engraçado. – Falei sem ânimo. Justin riu. – Qual é o seu problema com a minha idade? Falando sério.
– Bom, para uma garota do segundo ano que vai a festas do quarto ano e toma quase uma garrafa de vodca inteira sozinha, você é bem inocente. – Justin falou.
– Para um amigo da minha irmã até que você é legal. – Assumi. Justin sorriu e ligou o rádio.
Estava tocando Party Rock Anthem do LMFAO. Justin começou a cantarolar baixinho e chegou seu cabelo no espelho. Virei os olhos.
– Pega meu maço de cigarros ai do lado da porta, por favor. – Justin falou.
Comecei a mexer no vão da porta e encontrei mais peças íntimas femininas. Pelo amor de Deus. Achei o maço e joguei no colo dele.
– Estou me sentindo suja de andar nesse carro. Imagina quantas já não rodaram nesse banco. – Falei. Justin riu.
– Muitas. Mas se for pensar assim e ficar com nojo, é melhor descer do carro. Todos os lugares dessa belezinha já foram batizados. – Justin falou vitorioso.
Fingi limpar minha mão na calça e Justin riu enquanto colocava um cigarro na boca e depois o acendia.
– Não vai se incomodar se eu fumar dentro do meu carro, vai? – Justin perguntou. Ri abafado.
– Se não se incomodar que eu vomite em você. – Falei. Justin virou os olhos divertidamente e jogou a fumaça em mim. Tossi.
Depois de vinte minutos chegamos à cidade. A droga da escola ficava no meio do nada, fazer o que? Paramos num parque e descemos do carro. Enquanto caminhávamos, Justin me perguntou sobre minha família e esse monte de coisas que eu preferia esquecer. Comentei sobre a morte da minha mãe e sobre meu pai ser bem ausente.
– Tenho certeza de que ele te ama. – Justin falou depois de dez minutos de puro silêncio depois de eu comentar que meu pai não me vê a mais de dois anos.
– Eu não acho. – Falei rindo um pouco da minha situação. Não que fosse engraçado ficar sem ver o único parente próximo que você tem, mas porque era tão ruim que chegava a ser patético. – Ele tem uma namorada e essa mulher tem filhos e coisa e tal. Duvido que ele lembre que eu existo.
Justin passou o braço nos meus ombros. Se eu contasse para Lucy que estava desse jeito com um garoto do último ano ela ia me chamar de mentirosa.
– Você gosta dela? – Justin perguntou. Ok, considerando que nos conhecemos ontem quando eu estava bêbada, ele sabe bastante sobre mim. – Da namorada do seu pai?
– Ele a ama, o que eu posso fazer? – Falei dando de ombros. – Amor é amor.
Justin começou a rir, como se eu tivesse dito alguma coisa bem engraçada.
– Acredita nessa baboseira? – Justin falou.
– Que baboseira?
– No amor. Acredita nisso?
Eu conheço muita gente que não acredita no amor – Sophie, por exemplo –, mas o jeito que Justin falou soou bem... Grosso, como se realmente achasse que fosse umas das histórias mais ridículas que já tivesse ouvido.
– Um pouco. Mais ou menos. – Falei. Justin me olhou e riu.
– Pelo amor de Deus. – Justin falou parando de rir. – Amor é só uma desculpa que as pessoas têm para agir como retardadas e todo mundo achar fofo.
Começamos a falar da família dele e ele me contou sobre seu pai, que tinha deixado ele e a mãe para fugir com uma prostituta russa. Ok, esse garoto definitivamente tinha motivos para desacreditar do amor.
Compramos sorvetes numa barraquinha e sentamos na grama, conversando como os dois adolescentes normais que provavelmente não éramos.
– Sabe Charlotte... – Justin começou. – Você é bem legal para uma criança. Eu gosto de você.
Senti um calafrio subir na minha espinha. Fala sério, ele é do último ano – tirando o fato de ser inglês –, quem não adoraria o ouvir dizendo que gosta de você.
– Gosta a ponto de me pagar mais um sorvete? – Perguntei, tentando tirar os pensamentos idiotas da minha cabeça.
Justin sorriu e pegou alguma coisa no bolso de trás da calça que usava, me entregando logo em seguida.
– Compra um para mim também. – Justin falou.
Só então notei que era dinheiro.
(...)
Voltamos para escola pouco tempo depois porque começou a chover. Conversamos no caminho inteiro e quando cheguei na escola tive uma surpresinha desagradável.
A diretora, todos os amigos da minha irmã, o porteiro e a minha irmã estavam me esperando na entrada principal do colégio. Na verdade, estavam nos esperando. Tipo, eu e Justin.
Fomos para entrada principal e, assim que cheguei, a diretora me olhou com uma cara feia.
– Onde estavam? – A diretora perguntou com cara de poucos amigos.
– Nós... – Justin provavelmente ia dar uma daquelas desculpas boas, uma daquelas que fez o porteiro abrir o portão sem eu precisar mostrar o passe verde, mas foi interrompido.
– Justin! – Sophie gritou e correu para abraçá-lo. – Fiquei tão preocupada.
Sophie estava abraçada a Justin e me olhando com uma cara assassina.
– Sophie, deixe o garoto terminar a história, sim? – A diretora falou.
Os amigos da minha irmã ainda estavam lá, cochichando e observando tudo.
– Eu precisava sair para pensar um pouco e Charlotte foi comigo. Ela não teve culpa, eu meio que a obriguei a ir. – Justin falou.
A diretora olhou para mim, depois para Justin, depois para mim de novo e depois para o porteiro.
– Isso não está certo. – Anne, a amiga da minha irmã, falou. – Ela não tem o passe.
A diretora apertou os olhos na minha direção.
– Charlotte, pode, por favor, me seguir até a minha sala? – Perguntou.
– Claro. – Falei.
Notas finais
OBRIGADA SUAS LINDAS!!
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