Notas iniciais
Espero que gostem (: (: (:

Passar dois finais de semana arrumando a biblioteca, esse foi meu castigo por sair da escola de carro com um menino do quarto ano sem ter permissão para isso. Fala sério. “Bom, pelo menos vai ser uma boa distração até Lucy voltar” pensei.

Comecei a arrumar os livros de ficção primeiro, lendo algumas partes enquanto tentava não espirrar muito alto por causa da poeira.

– E eu achei que eu era a menina má da família. – Ouvi a voz de Sophie soar pelo corredor de livros que eu estava arrumando.

Sophie se aproximou e parou do meu lado. A encarei.

– Você é a menina má da família. – Falei e voltei a arrumar os livros.

– Posso até ser, mas nunca fugi da escola com um menino mais velho. – Sophie falou e cruzou os braços. Voltei a olhá-la.

– Eu não fugi da escola. – Falei. – Só fomos dar uma volta.

Sophie riu maliciosamente.

– Uma volta, hun? Espera mesmo que eu acredite nisso? – Perguntou ironicamente.

– Bom, é a verdade. – Falei.

– Espero que não esteja mentindo para mim Charlotte, porque sua vida nesse colégio pode ficar muito pior se estiver mentindo.

– Por que você se importa se eu e ele...

Sophie riu.

– Qual é Charlotte? Vamos encarar os fatos. Você é mais nova que ele, não tem nenhum tipo de atributo que chame a atenção de um menino. Por que ele olharia para você? Sem querer ser rude, mas me dê uma boa razão para ele escolher você ao invés de mim.

– Sophie... – Comecei, me virando para encará-la melhor. – Não aconteceu nada e você está certa, nunca vai acontecer. Ele é mais velho, eu já entendi. Agora posso, por favor, terminar de arrumar aqui?

Sophie sorriu e saiu de perto de mim. Respirei fundo e encostei na prateleira de livros, Sophie conseguia ser bem inconveniente quando queria. Voltei a arrumar os livros, remoendo o que Sophie falou.

(...)

Depois de gastar todo o meu sábado arrumando a biblioteca, pensei que o destino ia ser gentil comigo e me dar um domingo mais legal – ou menos entediante – que o sábado. Eu estava enganada.

Passei o domingo inteiro arrumando a biblioteca de novo. Tentei ligar para Lucy, mas o celular estava fora de área. Quando deu umas oito horas da noite eu fui liberada para ir para meu alojamento.

Ajeitei meu casaco e sai do prédio da biblioteca. Sai no frio, indo até o prédio do primeiro ano. No caminho, senti um braço me abraçar pelos ombros.

– Sabia que é perigoso sair por ai de noite? – A pessoa perguntou. Pela voz era um garoto, mas não era o Justin.

– Eu sei. – Falei e soltei meus ombros de seus braços. Comecei a andar um pouco mais rápido.

– Por que está fugindo? – O garoto perguntou.

Ele está brincando com a minha cara.

– Você mesmo disse que é perigoso. – Falei.

Estava dentro do colégio, o garoto não podia fazer nada né? O garoto me puxou pelo pulso, me colocando de frente para ele.

– Qual é Charlotte. – O garoto falou. Era Josh. – Não fala mais com os amigos?

– Você não é meu amigo. Para falar a verdade, eu nem gosto de você. – Falei e puxei meu pulso da mão dele.

Josh colocou a mão no peito e me olhou como se estivesse surpreso.

– Pensei que éramos próximos. Eu sempre deixo você entrar nas minhas festas. – Josh falou.

– Josh... Nós nunca conversamos. Você só me deixa entrar nas suas festas porque minha irmã faz sexo com você quando você faz isso. – Falei.

– Ok, acabou a palhaçada. – Uma terceira voz soou. Justin. – Josh, deixa ela em paz.

Ele não soou ameaçador nem nada, apenas tranquilo e divertido. Procurei Justin com os olhos e ele estava com uma menina loira nos ombros. A menina estava totalmente bêbada.

– Fletcher. – Josh falou e andou na direção de Justin. – Essa menina não gosta de mim. Dá para acreditar nisso?!

Justin riu.

– Não, não dá. – Justin falou. – Agora vamos bêbado, se a diretora te pegar você tá fodido.

Justin, Josh e a menina – que eu percebi ser Sophie – foram na direção contrária que eu estava indo, para o alojamento do quarto ano. Respirei fundo e continuei meu percurso até o alojamento do segundo ano.

Quando cheguei, Lucy já estava lá deitada na cama e lendo alguma coisa. Milagre.

– Oi Lucy. – Falei e me joguei do lado dela. – Você não vai acreditar no meu final de semana.

Lucy fechou o livro e me olhou com os olhos brilhando.

– Me conte tudo. Desde do inicio. Não esconda nada. – Lucy falou. Ri baixo.

– Você não quer contar sobre a sua viagem primeiro? – Perguntei.

– Dane-se a minha viagem. Você saiu com um menino do quarto ano, muito mais emocionante do que ficar fazendo receitas com a sua avó. Vai logo Char. – Lucy falou.

Sorri e comecei a contar para a doidinha sobre os dois dias fora de série que eu tive.

(...)

Aula de geografia. Aula de francês. Aula de matemática. Alguém me mate, por favor.

A próxima era de física. Faz duas semanas que ela só está mandando todo mundo ler algumas coisas no livro durante a aula inteira. Vai se foder professora de física.

Fui andando do jeito mais lesado para a sala de física. Esse é o problema de estudar num internato: nada de matar aula. A não ser que você conseguisse enganar a enfermeira dizendo que estava morrendo.

Parei no bebedouro, tomei quase um litro de água e continuei meu percurso. Olhei para a hora no meu celular. Nove e meia da manhã. Maravilha. Esbarrei em alguém, caindo no chão junto com todos os meus livros. Ótimo.

– Você não olha por onde anda? – A pessoa falou brava. Quando olhei para o ser humano, era Justin. – Ah. Charlotte. Foi mal.

Justin estendeu a mão para eu pegar e me ajudou a levantar.

– Tudo bem? – Justin perguntou.

– É. Eu sobrevivo. – Falei.

Justin sorriu.

– Estava indo para que aula? – Justin perguntou.

– Estou indo para aula de física. – Falei.

Justin pegou meus livros do chão.

– Vai se encrencar muito se cabular essa aula? – Perguntou. – A propósito, foi mal pelo castigo da biblioteca. Não foi minha intenção.

– Tudo bem. – Falei.

– Mas e ai... – Justin falou e me entregou meus livros. – Vai se encrencar muito se cabular essa aula?

– Por que quer saber? – Perguntei.

– Porque eu estou de saco cheio das minhas aulas e preciso conversar com alguém. – Justin falou. Sorri.

– Sou toda ouvidos. – Falei.

– E sua aula?

– Não vai ter problema.

Justin sorriu e começou a andar enquanto me puxava. Deixei meus livros no meu armário e o segui até a parte de trás do alojamento do quarto ano. Justin começou a entrar nas árvores que tinha atrás do alojamento.

– Onde estamos indo? – Perguntei.

– Bom, entre os alunos é conhecido como “Motel” ou “Prédio Da Erva”, mas entre todo mundo é conhecido como “mansão vitoriana que a escola não faz ideia que existe”. – Justin respondeu.

Travei meus pés no chão com força. Alunos do segundo ano – e de qualquer ano tirando o quarto – não podiam ir lá porque os maconheiros do último ano batiam em você até sangrar. E, bom, meninos só levavam meninas lá caso estivessem realmente com vontade de... Bom, já deu para entender... Na troca de aula.

– Justin... Eu não posso ir ai. Falando sério. – Falei.

Justin sorriu se aproximou de mim.

– Qual é? Por que não? – Justin falou.

– Maconheiros revoltados com a vida. Vão me matar se eu entrar ai. É o santuário do quarto ano – Falei.

– Eu sou do quarto ano. – Justin falou e deu de ombros.

– Mas eu não. – Falei.

Justin virou os olhos e me pegou no colo contra a minha vontade.

– Me solta! Eu não vou entrar lá! – Gritei enquanto batia nas costas de Justin.

Justin riu e começou a andar de novo para o meio do mato, como se nem estivesse sentindo os socos e tapas que eu dava em suas costas.

– Mais para baixo, pirralha. – Justin falou divertido. Soquei suas costas. – Isso. Desse jeito.

Poucos minutos depois chegamos ao local e Justin me colocou no chão. Era uma construção vitoriana enorme de três andares, velha, com janelas quebradas, barras de madeira em algumas janelas, cercada de plantas – e algumas plantações de maconha – e sem energia elétrica. Graças a Deus não usam mais isso aqui para nada. Sophie tinha algumas fotos aqui.

– Vamos? – Justin falou e nos arrastou até a entrada.

“Não é do quarto ano? Corra”, “Lugar sagrado dos veteranos”, “Fique fora” e outros avisos idiotas estavam escritos na barra de madeira bem cima da porta. Era bem empoeirado também.

Entramos e pude ouvir risadas e conversas altas vindas de algum lugar. Agarrei o braço de Justin e Justin riu baixinho.

– Shiu. – Uma das vozes falou. – Ouviram isso?

– Isso o que? – Outra voz perguntou.

– Cala a boca, Jake. – Uma voz feminina falou. – Quem tá ai?

– Justin Fletcher. – Justin falou. – Vou subir.

Os meninos e a menina pareceram ficar mais calmos e voltaram a falar bobagens, como provavelmente estavam fazendo antes. Justin tocou minhas costas, me levando para outro lugar. Chegamos no pé da escada.

– Primeiro as damas. – Justin falou e me deu passagem.

Subi o primeiro degrau da grande escada e olhei para Justin.

– Sobe logo. – Justin falou.

Subi a escada – que rangia mais que tudo – e finalmente cheguei ao segundo andar. O segundo andar era ainda mais destruído que o primeiro, cheio de toras de madeira no chão, empoeirado, móveis velhos cobertos com um pano branco. E tudo era bem mais escuro.

– Parece uma casa do terror, hun? – Justin comentou baixinho. Ri baixo.

– Um pouco. – Falei.

– Esse é o andar do sexo. – Justin falou e encostou-se a uma parede, depois apontou para um corredor que tinha uma janela enorme. – Esse corredor leva aos quartos. A maioria tem camas velhas e essas coisas.

– Nossa. Interessante. – Falei e Justin riu. – Tem um andar inteiro só para isso?

– É. Sabe, os que querem dormir com alguém não gostam que tenha alguém chapado do seu lado. – Justin falou. – Somos bem organizados.

Ri baixo.

– Aqui parece bem legal. Por que as festas não acontecem só aqui? Quer dizer, por que fazem festas na clareira se vocês do quarto ano tem isso? – Perguntei.

– Josh gosta de uma menina do terceiro ano e ela não pode entrar aqui. É a regra. – Justin falou.

– A regra que você quebrou. – Comentei.

– Eu não sigo regras. Principalmente as regras de Josh. – Justin falou.

Sorri e olhei para a escada que levava até o terceiro andar.

– O que tem lá em cima? – Perguntei.

– Entulhos. Uma parte do telhado despencou. – Justin falou e começou a me puxar pela cintura até o corredor que dava nos quartos.

Entramos em um que estava com a cama bagunçada e algumas peças de roupa no chão. Virei os olhos.

– Por que me trouxe aqui? – Perguntei.

Justin se jogou na cama, batendo a cabeça com força na parede. Ri disso.

– Bom, se você quer matar aula onde a diretora pode te pegar e você conseguir mais um castigo para sua lista, vai em frente. Aqui é o lugar mais seguro para matar aula. – Justin falou enquanto passava a mão repetidas vezes na cabeça.

– Machucou? – Perguntei tentando não rir da cena.

– Um pouco. – Justin falou. – Acho que um beijinho resolve.

– Vai ficar com dor até morrer, então. – Falei. Justin sorriu e deu uns tapinhas na parte vazia da cama.

Sentei e Justin se puxou para baixo, me fazendo deitar do lado dele. Justin me contou sobre a família dele na Inglaterra, e sobre como sentia falta do país. Depois ele xingou um pouco os Estados Unidos, onde eu nasci e fui criada, mas deixei passar. Justin me contou sobre o segundo marido da mãe e o quanto ele o odiava. Ficamos conversando sobre tudo e nem percebi o tempo passar. Até que ficou de noite e eu percebi a merda que tinha feito.

– Ai Deus! – Falei e levantei da cama, enfiando meus tênis com pressa. – Fodeu. Eu estou morta.

– O que aconteceu? – Justin perguntou e jogou os restos mortais do cigarro que ele estava fumando fora.

– Eu tinha uma prova no último período. – Falei.

Justin levantou da cama e colocou os tênis. Tentei dar um jeito no meu cabelo – ficar deitada durante um grande espaço de tempo acabou com ele – e ia sair do quarto correndo quando lembrei que estava no território inimigo.

– Vamos. – Justin falou e começou a me puxar para fora.

Corremos de volta para o campus da escola, encontrando um monte de gente preocupada procurando alguém em todos os cantos.

– Por que não estou surpresa? – Ouvi a voz de Sophie soar atrás de mim.

Me virei e lá estava ela e Anne, me olhando com uma cara assassina.

– Onde estava? – Sophie perguntou enquanto Anne saiu.

– Eu... Não é nada... – Comecei a falar mais me perdi.

– Ela estava comigo. Relaxa, Sophie. – Justin falou.

Sophie me olhou ameaçadoramente.

– Claro. Fico muito mais tranquila. – Sophie fingiu estar feliz por eu estar bem.

Anne voltou com a diretora atrás dela. Agora fodeu de vez.

Notas finais
Meus amoores!!
O que vocês acham que vai acontecer com a Char e com o Jus??!! (: (:
-me ignorem.
Reviews??