She Will Be Loved
1 Party Hard, Baby!
Notas iniciais
“Nunca deixei que a escola interferisse em minha educação” – Mark Twain
Ser normal. Essa palavra realmente não existe no Melbourne Boarding School. Apesar de ser um colégio interno para filhos de gente rica, Melbourne parecia um reformatório. Um reformatório de filhos de gente rica.
Eu estudo aqui desde que minha mãe morreu e meu pai “perdeu o controle” das filhas dele. Sophie está no quarto ano, lutando para se formar. E por lutando eu quero dizer “distribuindo para todos os professores das matérias que ela precisa de nota”. Eu, infelizmente, ainda estou no segundo.
Minha irmã e eu não somos nem um pouco parecidas. Ela é a popular naturalmente descolada e eu sou a invisível e naturalmente mais madura do que minha irmã mais velha. Além dessa pequena diferença de personalidade, temos a diferença no quesito beleza. Sophie tem cabelos bem loiros e olhos azuis, o que já pode dar a dica de que eu fiquei com os genes ruins da família. Meu cabelo é um castanho mal decidido para o loiro escuro e meu olho... Bom, meu olho é preto. Nada que realmente chame atenção.
Meu pai? Bom, faz dois anos e meio que eu não o vejo. Nas primeiras férias de verão ele veio buscar eu e Sophie, mas depois nos abandonou aqui. De vez em nunca ele liga perguntando como estamos e avisa que está fora do país ou algo assim, como, por exemplo, agora.
– Queridas, vocês sabem que eu queria estar ai para vê-las como prometi, mas surgiu uma viagem de última hora e... Sinto muito. – Meu pai falou.
Sophie estava lixando as unhas enquanto conversávamos com Anthony, meu pai, pelo viva-voz do telefone da sala da diretora. É a primeira vez no mês que eu vejo Sophie, para você ver como somos próximas (Sentiu a ironia?).
– Tudo bem. – Eu e Sophie falamos ao mesmo tempo.
– Eu amo vocês. – Papai falou.
– Amamos você também. – Sophie falou sozinha dessa vez.
Ama sim, por isso estamos aqui. Conta outra.
Anthony desligou e a diretora parou de mexer nos papéis.
– Estão liberadas, garotas. – A diretora Thompson falou e sorriu falsamente para nós duas, arrumando os óculos na sua cara cheia de Botox logo em seguida.
Sophie levantou da cadeira que tinha se jogado pouco tempo antes de atendermos a ligação do meu pai. Fui em direção à porta, querendo ir embora daquele lugar e voltar para minha aula chata de física.
– E como vai o aluno novo Sophie? – A diretora perguntou.
– Ele já está bem enturmado. – Sophie respondeu brevemente.
Nós duas saímos da sala da diretora com pressa.
– Aluno novo? – Perguntei assim que constatei que ninguém podia nos ouvir. Estamos em Setembro, pelo amor de Deus.
– É. – Respondeu ainda lixando as unhas. – O nome dele e Justin, ele é bonitinho. E é da Inglaterra, um badboy da Inglaterra. Tem alguma coisa melhor que pode acontecer com essa escola?
Virei os olhos.
Sophie seguiu o caminho dela e eu segui o meu. Acho que as pessoas nem sabem que somos imãs, mas eu prefiro assim. Sophie não é o tipo de irmã que qualquer garota se orgulharia de ter, falando a verdade.
Voltei para minha aula de física e fiquei dormindo de olhos abertos até a aula acabar, como sempre.
(...)
– Charlotte. – Ouvi a voz de Lucy romper pelo quarto.
Lucy é a filha da governadora do estado do Alabama. Dividimos o quarto desde que cheguei aqui e tornamos melhores amigas. Lucy tem cabelos pretos e olhos verdes de causar inveja.
– Pode falar bebê. – Falei e Lucy deu um risinho.
Eu estava jogada na minha cama lendo o livro que o professor de filosofia passou, ou seja, fazendo nada numa sexta à noite.
– Sabia que vai ter uma festa no prédio do último ano? – Lucy falou. Ah não. – Sua irmã falou que podíamos ir se cumpríssemos o combinado.
O combinado: Eu não conheço você, você não me conhece.
– Lucy, já fomos da última vez e vai ter prova de filosofia semana que vem. Sossega ai. – Falei, marcando a página do livro e depois o colocando de lado.
– Por favor Char. Eu quero ver o garoto novo. – Lucy falou e fez biquinho.
Sorri. Lucy tem cara de criança quando faz essas expressões idiotas.
– Vamos. – Falei e Lucy pulou e bateu palmas. – Mas... Você vai ter que me passar o dever de casa de geometria.
Lucy assentiu com o sorriso pulando do rosto. Eu e Lucy nos arrumamos rapidamente e depois saímos para o prédio do quarto ano. O vento gelado que me atingiu assim que saímos fez eu me arrepender de ter colocado shorts e camiseta sem pegar uma blusa.
– Vamos Char. – Lucy falou enquanto me puxava – literalmente – pelo campus do colégio.
Chegamos ao prédio do quarto ano, eu menti que ia visitar minha irmã para monitora, ela nos deixou passar, corremos para trás do prédio e encontramos a festa.
Tinha a fogueira, a caixa de isopor com todo o tipo de bebida que era proibida na escola, como sempre. Eu e Lucy fomos até perto da fogueira, onde as coisas realmente aconteciam.
– Tem que virar, seu imbecil. – Josh Benson, filho do dono da CBS, falou para um nerd que tentava tomar um copinho de tequila.
Virei os olhos e me sentei em um pufe vazio junto com Lucy.
– O que vão querer, senhoritas? – Anne, uma amiga da minha irmã, falou e colocou dois copos na minha frente e na frente de Lucy.
– Vodca. – Lucy respondeu animada.
– O mesmo. – Falei.
Anne encheu os dois copos até a boca e começou a rir. Claro, ela já estava bêbada.
Tomei um gole grande enquanto via os macacos – vulgo amigos da minha irmã – virarem copos e copos de tequila e começarem a brincar de Eu Nunca. Depois do terceiro copo de vodca, Lucy entrou na brincadeira também.
– Vai com calma aí pirralha. – Uma voz rouca falou divertida na minha orelha.
Encarei o dono da voz, um garoto de cabelos castanhos e olhos da mesma cor.
– Você não manda em mim. – Falei e virei o quarto copo de vodca de uma vez.
– Ok, quer vomitar suas tripas então o problema é seu. – O garoto falou e sentou do meu lado com um copo com uma bebida que cheirava forte.
Ele também está bebendo, por que diabos está enchendo meu saco? O garoto olhou para mim e percebeu que eu o encarava.
– O que faz aqui? – Perguntou e pegou alguma coisa no bolso. – Pensei que só os estudantes do último ano podiam ficar aqui.
– Como sabe que eu não sou do último ano? – Perguntei e levantei uma sobrancelha. O garoto riu.
– Por que você tem cara de criança. – Falou. – A propósito... Qual seu nome?
O garoto acendeu um cigarro e soltou a fumaça na minha cara. Tossi.
– Charlotte. – Falei.
– Sou Justin. – Falou e então me toquei do grande sotaque que ele tinha.
– Minha irmã me falou de você. – Soltei e Justin sorriu.
– Sua irmã? É por isso que conseguiu entrar? – Perguntou soltando a fumaça para o outro lado, sem ser na minha cara dessa vez.
– É. Basicamente. – Respondi.
– Quem é sua irmã? – Falou enquanto apontava para os babuínos com a cabeça.
– É a Sophie. Você deve saber quem é. Ela é bem popular. – Falei.
Ok, a bebida começou a fazer efeito. Estou falando tudo para um desconhecido.
– Sophie? Popular? – Justin riu, me fazendo rir com ele. Ele tem uma risada contagiosa. – Desculpa, mas a sua irmã não é popular, a vagina dela é.
Comecei a rir como nunca disso. Por mais que ele tenha falado da minha irmã era engraçado e no fundo eu sei que era verdade. Nem tão no fundo assim. Eu e Justin começamos a conversar e só paramos quando Josh Benson começou a gritar coisas nada discretas sobre eu e Justin conversarmos.
Quando Lucy começou a tirar a camiseta para pagar o desafio de nadar pelada, a puxei pelo braço e voltamos para nosso quarto. Amigas que são amigas de verdade não deixam a outra nadar pelada na frente de idiotas do último ano.
Assim que chegamos ao quarto, tomei um banho e deitei. Lucy dormiu suja mesmo, fazer o que? Cai no sono pouquíssimo tempo depois.
Notas finais
Obs: Não sei se vou continuar com essa fic, talvez eu delete ela depois.
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