Notas iniciais
Desculpem a demora e a má qualidade do capítulo ):

Eu pensei que ia cair dura no chão ou que ia começar a babar, qualquer coisa realmente humilhante podia acontecer.

Justin é apaixonado por mim. Não por Sophie ou qualquer outra menina do time de vôlei ou qualquer outra menina do jornal da escola.

Ele está apaixonado por mim, Charlotte Adams, dezesseis anos e no máximo um e sessenta de altura.

Abri a boca para falar alguma coisa, mas simplesmente não consegui, saiu apenas uma rajada de ar articulado.

– Eu sei que eu agi feito um idiota. – Justin falou. – Desculpa.

E então eu fiquei em silêncio total. Não porque eu queria ficar em silêncio, mas porque simplesmente não conseguia dizer uma palavra que não soasse com um mugido ou algo tão idiota quanto isso.

– Uau. – Falei depois de um tempo.

Justin riu baixinho.

– Não precisa me perdoar agora porque eu sei que pisei feio na bola. – Justin falou. – Só achei importante te dizer antes que aquele otário das drogas o fizesse antes de mim.

Fiquei imóvel, apenas digerindo. Justin levantou do chão e sentou na cama, me olhando profundamente nos olhos. Fechei meus olhos e senti os dedos de Justin tocarem minha bochecha, fazendo uma espécie de carinho.

Umedeci meus lábios e percebi Justin se aproximar, encostando de leve seus lábios nos meus. Me aproximei de Justin e envolvi minhas mãos na nuca dele, aprofundando um pouco o beijo.

Justin me segurou pela cintura e pediu passagem para língua. Cedi.

Nossas línguas travavam uma batalha enquanto eu sentia uma felicidade extrema dentro do meu peito, como se finalmente tivesse conseguido o que eu queria.

E então a palavra amor me veio a mente.

Me afastei de Justin, que me olhou confuso.

– O que houve? – Justin perguntou preocupado.

Eu não estava só apaixonada por Justin, eu estava caindo de uma montanha de amores por esse garoto.

E ele não acredita no amor.

– Nada. – Menti. – É só que... Ryan me falou o que o seu pai fez.

Justin bufou.

Eu estraguei o clima, eu sei.

– Como eu disse antes, meu pai é um otário. – Falou. – Só não é um grandessíssimo filho-da-puta porque minha vó era muito legal e com certeza não faria uma coisa desse nível.

– E o que vai fazer? – Perguntei. – Ir para Oxford?

Justin deu de ombros.

– Eu tenho que ir para algum lugar. – Falou.

O abracei. Justin correspondeu ao meu abraço. Ficamos assim por um tempo, antes do meu estômago roncar de fome e Justin começar a rir.

– Vem. – Falou e me soltou, se levantando da cama. – Vou te levar para saciar esse monstro que mora na sua barriga.

Justin apontou para o meu estômago. Mostrei o dedo do meio para ele.

Fomos para o refeitório de mãos dadas, como fazíamos antes de merdas acontecerem. Claro, as pessoas ficaram olhando/apontando para nós, mas nada que fizesse Justin parar de andar e me puxar para a fila da comida.

Peguei uma bandeja e a mulher da comida – que eu nunca fiz questão de decorar o nome – colocou um bolo de aparência estranha no meu prato.

Quando Justin pegou a comida dele, fomos para a mesa que eu e Lucy geralmente sentávamos. E, como da primeira vez que isso aconteceu, eu fiquei pasma com a quantidade de gente popular sentando na minha mesa. Sophie, cara de pau do jeito que é, sentou lá também junto com Anne.

A conversa começou a fluir em torno de vestidos de baile entre as meninas e última partida de futebol entre os meninos. Como de costume, fiquei quieta no meu canto porque não me encaixava em nenhuma conversa.

David sentou em uma mesa próxima, fingindo não estar prestando atenção na gente apesar de soltar olhares fulminantes na direção de Justin, que estava com o braço passado nos meus ombros.

Sophie mudou de lugar com uma menina que estava sentada do meu lado e me cutucou.

– Acho que te devo desculpas. – Sophie falou. – Você sabe, eu tenho sido insuportável nesses últimos tempos.

Últimos tempos? Que tal durante minha vida inteira?

– Tudo bem, eu acho. – Falei.

– Eu só estava preocupada, Charlie. – Sophie falou. – Eu sabia o que Justin estava aprontando e, mesmo que eu odeie isso às vezes, você é minha irmã. Não quero nenhum idiota quebrando seu coração de criança.

Claro, eu sou a criança.

– Obrigada Sophie, mas eu sei me cuidar. – Falei.

Então Sophie me abraçou. Correspondi ao abraço um pouco pasma com a demonstração de afeto entre eu e Sophie.

– Eu sei que sabe. – Sophie falou. – Você cresceu tão rápido desde que a mamãe... Você sabe. Está tão mais madura do que era antes.

Isso era verdade.

Digamos que a morte da minha mãe me fez amadurecer alguns anos. Eu tinha que ter o dobro de responsabilidade – para mim e para Sophie – e isso acabou me fazendo “envelhecer” alguns anos.

– Obrigada. – Falei.

Sophie me soltou. Ela sorriu e eu sorri de volta.

Depois disso a conversa girou em torno do baile, um assunto que eu realmente estava tentando evitar.

– Que vestido vai usar, Charlotte? – Uma garota perguntou para mim.

– Eu não vou. – Falei tentando soar o menos grossa possível.

As bocas femininas da mesa se abriram em um perfeito “O”.

– Por que não? – Anne perguntou. – Todo mundo vai.

– É Charlie. – Lucy falou. – Pensei que fosse com o Justin.

Justin provavelmente ouviu o nome dele, o que o fez me encarar.

– É, mas não vou. – Falei tentando controlar a cor do meu rosto. – Não gosto de bailes.

– Charlotte, quer por favor agir um pouquinho só como se fosse a minha irmã? – Sophie falou um pouco irritada. – Você precisa ir ao baile. Vai ser a última oportunidade de festa que vamos ter antes das férias de verão.

– Eu sei, mas... – Comecei.

– Ela vai sim. – Justin falou por mim. – Estávamos até discutindo a cor que vamos combinar.

Oi?

Sophie bateu palminhas animadas.

– Perfeito. – Falou e sorriu. – Assim todos vão e vai ser uma despedida descente, diferente do ano passado. Lembram do vestido que Marie Anne estava usando?

Aproveitei a deixa do “falar mal do vestido da Marie Anne” para me virar para Justin.

– Como assim eu vou? – Perguntei.

Justin sorriu. Um sorriso irresistível que faria eu atravessar o oceano a nado se ele pedisse.

– Nós vamos. – Justin falou. – Você ouviu sua irmã, você tem que ir. E nós somos um casal agora.

Meu coração pulou uma batida, mas fiz questão de soar o mais má possível.

– Quem disse que somos um casal? – Perguntei.

Justin se aproximou dos meus lábios, mudando do sorriso irresistível para sorriso malicioso.

– Eu disse. – Justin falou. – E eu sou mais velho.

Arqueei uma sobrancelha divertidamente e Justin riu antes de selar nossos lábios.

Apesar de ter sido apenas um selinho, isso fez Josh perder totalmente o foco da conversa sobre beisebol que estava tendo com Ryan.

– Ou! Parem com a putaria ai. – Josh falou e jogou um pedaço de pão no rosto de Justin, que revidou com um tomate da salada dele.

– Vocês aí. – A inspetora do refeitório chamou a atenção da nossa mesa. – Nada de guerra de comida.

Percebi Ryan, Justin e Josh se entreolharem antes de começarem a jogar comida na inspetora.

Apesar de saber que ia resultar em um bom castigo para todos nós, não deixei de rir e jogar alguns pedaços de queijo na inspetora. Com a minha mira muito boa, eu não estava acertando nem o chão.

– Sua mira é terrível. – Justin falou e arrumou minha mão. – Tente agora.

Ri e joguei o queijo, que bateu direto nos peitos da inspetora. Ela estava gritando com todo mundo a essa altura, mas era engraçado.

Era engraçado até a diretora aparecer e nos mandar um olhar mortal.

– Josh, Ryan e Justin. – A diretora falou. – Os três para minha sala.

Ryan segurou o riso assim como Justin e Josh e os três saíram do refeitório, acompanhados pela diretora.

Depois de comer o que sobrou no meu prato, cheguei minhas correspondências na secretária – não tinha nenhuma – e fui para o meu quarto. Eu estava nas nuvens.

Assim que abri a porta, dei de cara com um David olhando meus porta-retratos.

– O que faz aqui? – Perguntei.

David se virou para mim.

– Nada. – Falou e sorriu malignamente. – Você parece com a sua mãe.

– Eu sei. – Falei. – Sai daqui antes que eu chame a inspetora.

– Calma. – David falou e levantou as mãos. – Eu só vim dar um recado para você.

Continuei o encarando, esperando ele dar o recado.

– Vou fazer sua vida um inferno, você sabe. – David falou. – Se não vai transar comigo, então não vai transar com ninguém.

– Você é louco. – Falei grossamente.

– Louco? Eu? – David perguntou divertido. – Não sou eu que estou me envolvendo em um relacionamento que tem prazo de validade. Quando ele vai se mandar para uma universidade qualquer? Daqui um mês ou dois?

– Você não tem nada a ver com isso. – Falei.

David sorriu.

– Veremos. – Falou.

David passou por mim, saindo do meu quarto cantarolando alguma música que eu não fiz questão de prestar atenção.

Bufei e balancei a cabeça, tentando apagar a ceninha ridícula de David da minha cabeça. Deitei na minha cama e, na atitude mais infantil do meu dia, toquei meus lábios com os dedos.

Sorri enquanto lembrava do toque aveludado dos lábios de Justin nos meus.

Oh Deus, como ele pode ser tão perfeito?

Tudo bem, Justin estava longe da perfeição. Mas ele é perfeito pra mim e isso é o suficiente.

– Pensando em mim? – Justin entrou no quarto sem bater e se jogou na cama da Lucy.

– Pensando em qual vai ser o seu castigo para eu poder ir rir da sua cara. – Falei.

Justin riu.

– Pra sua informação, Ryan bancou o herói e assumiu a culpa por mim e Josh. – Justin falou.

Ri.

– Coitadinho. – Falei. – Por que diabos ele fez isso?

– Porque eu vou emprestar o quarto para ele hoje. – Justin falou e arrancou os sapatos. – Então, meu moletom ficou com você, sim?

– Vai dormir aqui? – Perguntei.

– Não tenho outra opção. – Justin falou. – Josh não me quer no quarto dele porque tem assuntos a tratar com a Sophie. Eles vão transar, se não ficou óbvio.

Arfei.

– Poxa, legal. – Falei.

– Parece que todo mundo resolveu comer a namorada hoje. – Justin falou e cruzou os braços na nuca, encarando o teto.

Senti um gelo no estômago.

– Ah. – Falei.

Levantei da cama e peguei o moletom de Justin na gaveta, jogando nele.

– Toma seu moletom. – Falei e sentei na minha cama.

Justin arrancou a camisa ali mesmo, me pegando de surpresa. Apenas desviei o olhar, dando o melhor de mim para não começar a encarar demais.

Voltei meu olhar para o abdome de Justin por dois segundos, mas foi o suficiente para ele me pegar encarando profundamente. Corei e fingi estar tirando algumas revistas e livros de cima da minha cama.

– O que foi? – Justin perguntou.

– Nada. – Respondi.

Justin riu baixo.

– Meu corpo te deixa constrangida? – Perguntou.

Antes que eu pudesse responder, Justin já estava atrás de mim beijando meu pescoço.

– Cala a boca. – Falei isso por estar debilitada demais para dizer qualquer coisa coerente.

Justin riu e se jogou na minha cama, me puxando junto e começando a me fazer cosquinhas. Comecei a me debater e a tentar respirar, o que era impossível. Dei alguns chutes em Justin que tiveram o mesmo efeito das minhas suplicas por piedade: Nada.

– Justin... Para... – Falei entre risadas. – Eu... Estou... Sem... Ar...

Justin ria da minha situação.

– Diga a palavra mágica. – Falou.

– Por... – Comecei e voltei a rir. – Por favor! Eu imploro!

Justin parou alguns segundos depois. Regulei minha respiração.

– Para um garoto do último ano você é bem infantil. – Brinquei.

– Para uma garota do primeiro ano você é bem chata. – Justin falou em um tom divertido.

Ri e percebi que Justin estava em cima de mim.

– Tá bom senhor Legal. – Falei. – Sai de cima de mim antes que me mate, seu gordo.

– É o gordo aqui que faz você perder a linha, né senhora Magra. – Justin falou e me deu um selinho. – Não se preocupe pirralha. Você pode ver quando quiser. Quem sabe até tocar.

– Tá. – Falei tentando desviar o assunto. – Agora sai de cima de mim.

Justin se jogou do meu lado na cama.

– Acha que seu pai iria deixar você viajar comigo? – Justin perguntou. – Você sabe, nas férias antes de eu ir para a universidade.

– Ele não se importa com isso desde que eu não volte grávida e tenha que parar de estudar para criar um filho. – Falei.

Justin riu.

– Venha comigo para a Inglaterra. – Justin falou e se virou, olhando nos meus olhos e me deixando completamente derretida. – Passamos as férias na casa da minha mãe e então eu vou para Oxford e você para aquele internato na Irlanda.

Encarei o teto, sentindo Justin acariciar minha cintura.

– Eu não sei. – Falei. – Nem conheço a sua mãe. Não posso ir para casa dela e passar dois meses lá.

– Você me conhece. – Justin falou. – E eu represento quase 50% daquela casa.

Ri.

– Eu não sei. – Falei.

Justin começou a beijar meu pescoço.

– Vai ser divertido. – Falou. – É tipo uma casa de campo. Podemos nadar no lago, fazer trilha... Jogar baralho no quarto.

Jogar baralho no quarto.

Era esse o código para transar loucamente ou o que?

– Vou pensar. – Falei.

– Por favor. – Justin falou e começou a mordiscar meu lóbulo. – Eu imploro de joelhos se quiser.

Ri.

– Se é tão importante pra você... Eu vou falar com o meu pai. – Falei.

Justin deu um beijo longo na minha bochecha.

– Vai ser suas melhores férias. – Falou. – Pode apostar.

Conversamos durante um tempo antes de eu apagar enquanto Justin falava sobre a casa da mãe dele.

Acordei no outro dia com Josh se jogando em cima de mim e de Justin.

– Vai se foder, Josh. – Justin falou e afundou a cabeça no travesseiro.

– Vamos cara. – Josh falou ainda deitado em cima de nós dois. – Charlotte tem um compromisso com as garotas. Blargh. E você e eu temos que ir tornar o castigo do Ryan um pouco mais difícil.

– Parece que o sexo foi bom ontem, hun? – Justin falou enquanto empurrava Josh. – Está de bom humor.

– E parece que alguém aqui definitivamente não fez sexo ontem. – Josh falou e empurrou Justin.

Os dois começaram a se bater (de brincadeira, eu acho) e eu aproveitei a deixa para ir para o banheiro ficar uma pessoa descente. Coloquei as roupas de Velha Charlotte e sai, encontrando meu quarto vazio.

Sai do quarto e encontrei uma Lucy me esperando.

– Vamos ir ver vestidos hoje. – Lucy falou. – Você checou suas correspondências? Chegou alguma carta do Newbridge?

– Vi ontem e não, não chegou nada. – Falei. – Como assim vestidos?

– Pro baile. – Lucy falou. – Duh.

Lucy me arrastou até o carro de alguém onde um grupo surpreendente de meninas estava amassado umas em cima das outras para ir para cidade ver vestidos de baile.

Só a palavra “baile” me dá náuseas.

Notas finais
EU SEI, ficou péssimo. Desculpem.
O capítulo demorou porque eu fiquei de castigo (fui pega cabulando aula, é.) e fodeu com o meu esquema.
E ADIVINHEM SÓ!! A partir de agora os capítulos vão começar a ser um tiquinho mais longos e mais mais emocionantes. POR QUE? A FIC ESTÁ QUASE NO FINAL. Eu sei, é feliz e triste ao mesmo tempo. Eu adoro essa fic e não queria que ela acabasse, mas tudo o que é bom tem um final. MAAAAS, eu estou pensando em uma segunda temporada que TALVEZ (ressaltando o TALVEZ) pode acontecer (:
Provavelmente ninguém leu minhas notas, okay, estou conformada.
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