Notas iniciais
Desculpem pela demora :S
Enjoy (:

Respirei fundo e me revirei na cama.

A maldita carta do Newbridge não tinha chego e faltava uma semana para o baile. A diretora deixou bem claro que a carta de aceitação chegaria até o dia do baile, caso não chegasse significava que não fui aceita.

Bufei baixinho – para não acordar a Lucy que quase roncava do meu lado – e me revirei na cama de novo.

Meu pai tinha concordado em me deixar viajar com Justin com pequenascondiçõesque ele fez questão de impor:

1- Nada de dormir no mesmo quarto.

2- Cumprir a primeira regra ao pé da letra.

2 ½ — Não existem exceções. Nem mesmo se a casa estiver pegando fogo.

Eu prometi cumprir apesar de saber que se fossemos de fatojogar baralhoeu ia acabar descumprindo.

Eu estava surtando. Literalmente surtando. É muita coisa em cima de mim – carta de aceitação, caber no vestido que Sophie escolheu para mim, baile, viajar com Justin, carta de aceitação, viajar com Justin, baile, baile, baile, carta de aceitação, viajar com Justin, carta de aceitação, carta de aceitação, baile. Mencionei que tenho que caber no vestido? – e eu estou a um passo de explodir.

Acabei pegando no sono por um tempo.

Eu estava correndo rápido demais por uma grama fofa em uma campina que parecia não ter fim. Eu estava feliz, rindo e olhando para os meus pés.

Eu comecei a levantar do chão, a voar. Sorri e comecei a dançar pelos ares, sentir o vento bater nos meus cabelos e rosto. Um sentimento enorme de liberdade e felicidade me invadiram, me fazendo sorrir mais ainda.

Olhei para o lado e então percebi uma coisa que eu não tinha notado...

Eu estava completamente sozinha.

Então eu olhei para baixo e vi uma porção de gente olhando para mim e cochichando, como se estivessem preocupados que eu fosse cair.

E então aconteceu;

Eu caí.

Acordei suada e com o coração acelerado. Olhei para o relógio e mentalizei um palavrão. Cinco da manhã, eu mal tinha dormido três horas. Levantei da cama, tomei um banho para tirar o suor de mim,coloquei uma roupae deixei um bilhete para Lucy antes de sair.

Verifiquei minhas correspondências – nada de carta da Newbridge – e fiquei esperando a cafeteria perto do alojamento do primeiro ano abrir. Quando deu sete horas, a cafeteria finalmente abriu e eu entrei. Peguei um café e sai de lá, tentando manter meus olhos abertos e minhas pernas firmes.

Maldito sono.

Aquele horário só tinha algumas pessoas acordadas. As aulas só começavam às oito horas e todos deviam estar acordando nesse momento. Claro, eu sou a única tonta que acorda cinco horas da manhã sem despertador.

SEM DESPERTADOR.

Cheguei de novo minha correspondência e nada, de novo. Fui para o alojamento do quarto ano, subindo para o quarto de Justin e pedindo a Deus para nenhuma das amigas/seguidoras de Sophie ou a própria Sophie estarem acordadas.

Eu e Sophie até que estamos nos dando bem, mas eu ainda não estou preparada para começar umaamizadecom a minha irmã mais velha.

Principalmente depois que ela me chamou de vagabunda.

Bati na porta do quarto de Justin, esperando que ele estivesse acordado. Depois de um minuto, um Ryan sonolento abriu a porta e me encarou de sobrancelha arqueada.

– Com licença, mas como você ousa vir me acordar antes da hora? – Ryan perguntou.

– Já está na hora de levantar, Ry. – Respondi e Ryan bocejou.

– Meu plano hoje era o de dormir o dia inteiro, mas muito obrigada por arruinar isso, sua estraga prazer. – Ryan falou e escancarou a porta. – A Bela Adormecida ainda tá dormindo.

Entrei e Ryan fechou a porta atrás de mim, seguindo para o banheiro enquanto resmungava.

Observei Justin dormindo jogado na cama de bruços, com a coberta o cobrindo até as orelhas. As bochechas dele estavam meio rosadas por conta da coberta e um pé com uma meia listrada estava saindo para fora da cama.

Abri as janelas e vi Justin apertar um pouco os olhos.

– Ryan, combinamos que íamos dormir hoje. – Justin falou sem abrir os olhos. – Fecha essa droga.

Tapei minha boca com a mão, controlando uma risada.

Cheguei perto dele, me abaixando para ficar perto da orelha dele.

– JUSTIN! – Gritei.

Justin deu um pulo e caiu na cama, rolando para o chão e me derrubando. Mesmo com a cabeça batida na quina da cômoda, continuei a rir demais enquanto tentava aliviar a dor passando a mão várias vezes na minha cabeça.

Justin me olhava com um pouco de ódio. Olhei para ele por dois segundos antes de voltar a rir.

– Haha, morri de rir. – Justin falou. – Muito engraçado, Charlotte.

Ri mais ainda.

– Acho que nunca mais vou escutar com o ouvido direito. – Justin falou enquanto passava a mão na orelha repetidas vezes.

– Desculpa. – Falei, tentando controlar os risos. – Não pude resistir.

Justin virou os olhos divertidamente e levantou do chão, me estendendo a mão para me puxar para cima. Parei de passar a mão na minha cabeça e peguei na mão de Justin, que me puxou para cima.

Esperei ele se trocar e então fomos para o refeitório tomar café. Como o novo costume, Justin sentou comigo e trouxe toda a turma de populares junto com ele. Engoli meu café e fui para a aula.

Sentei nos fundos e abri meu caderno, esperando a professora de geografia.

David entrou na sala assoviando uma música alegre. O encarei e ele me viu encarar, sorriu para mim.

– Feliz? – Perguntei cinicamente.

– Muito, para falar a verdade. – David falou e sentou em um lugar mais afastado.

(...)

Assim que as aulas terminaram, corri para as caixas de correio do alojamento. Nada de carta. Bufei e encostei a cabeça na minha caixa de correio, totalmente derrotada e desesperada.

Eu precisava da carta da Newbridge. E tinha que ser agora.

– Alguma carta em especial? – A senhorita Tate, a secretária da escola que entregava as cartas aos alunos, falou enquanto colocava cartas na caixa de correio de algumas pessoas.

Me enchi de esperança.

– Carta de aceitação do Newbridge Boarding School. – Falei. – Por acaso não tem nenhuma ai, hun?

A senhorita Tate conferiu e sorriu torto.

– Só uma para um tal de Daniel Russo. – A senhorita Tate falou. – Mas um garoto foi na secretaria buscar uma carta de aceitação de alguma menina ontem. Da namorada dele, acho. Vai ser tipo uma surpresa pré-Baile.

Qual é a real probabilidade de esse garoto ser o Justin?

– Esse garoto... – Comecei. – Como ele é?

A senhorita Tate fez sinal de zíper nos lábios.

– Eu sou um túmulo. – Falou. – Se é uma surpresa então não sou eu que vou estragar.

Bufei.

– Mas... – A senhorita Tate continuou e me olhou de um jeito conspirativo. – Acho melhor começar a empacotar suas coisas, Charlotte. Parece que alguém vai visitar a Irlanda.

Sorri e abracei a senhorita Tate.

– Oh meu Deus! – Gritei. – Não acredito que consegui!

Senti um peso enorme ser tirado das minhas costas, como se finalmente minha vida estivesse de fato nos trilhos certos.

A senhorita Tate deu uns tapinhas nas costas.

– Ok, agora me solta. – Falou. A soltei e ela sorriu para mim. – Não fui eu que te falei.

– Combinado. – Falei tentando conter minhas emoções.

Subi para o quarto e me joguei na cama, abraçando o travesseiro e começando a rir, me achando realmente tonta por achar que não ia entrar. Justin estava certo, Lucy estava certa, Ryan estava certo, Josh estava certo. No final, todos estavam certos, menos eu que duvidei da minha capacidade.

– Charlie, já chegou? – Lucy entrou no quarto e jogou a mochila no chão. – Por que está sorrindo assim?

Lucy me olhava com uma sobrancelha arqueada.

Levantei da cama e corri até minha melhor amiga, a abraçando fortemente.

– Eu vou para a Irlanda com você, Lucy! – Gritei enquanto rodava nós duas. – Nós vamos para a Irlanda!

Lucy parou de girar e me parou também, me olhando surpresa e feliz.

– Sério? – Perguntou.

– Sério. – Respondi sorrindo.

Lucy se jogou em cima de mim e ficamos pulando igual duas loucas enquanto ela falava milhões de vezes que ela sempre soube que eu conseguiria.

– Ok, temos que ir comemorar já! – Lucy falou e pegou o celular no bolso da calça. – Vou ligar para os meninos.

– Não! – Falei e tirei o celular da mão dela. – Justin pegou a carta, segundo a senhorita Tate. Ele quer fazer surpresa no dia do baile.

Lucy fez biquinho.

– Droga. – Falou. – Ok, vamos manter a calma até o dia do baile então.

Mal passou meio segundo e já estávamos pulando de novo.

Uma Semana Depois

– Se nos atrasarmos por sua causa, eu te mato. – Lucy falou enquanto me ajudava com ozíper do vestido. – Encolhe essa droga de barriga. Eu falei para você parar com os doces, Charlotte.

– Vai com calma Lucy. – Falei e puxei o ar, parando de respirar. Lucy fechou o zíper. – Estou... Sem... Ar...

– Não é para ter ar, é para ficar bonita. – Lucy falou. – E bem feito para você. Eu te avisei, Sophie te avisou, Anne te avisou.

Como sempre, a escola praticamente distribuiu docinhos para quem quisesse para consolar as coitadas que não tinham um par. Bom, eu tenho um par, mas eu gosto de doces.

Confesso que exagerei no doce, mas com o alivio do problemainternatona minha cabeça, eu só pensei em o que ia acontecer na viagem para a Inglaterra com Justin. Vamos amanhã, eu já estou com as malas prontas e meu pai já me desejou boa viagem.

Sophie vai passar as férias de verão na Flórida com os nossos avós, como sempre. Eu vou para a Inglaterra com Justin, Ryan e Lucy. Meu pai não vai aparecer.

Calcei meus saltos e peguei minha bolsa-carteira. Lucy e eu disparamos pelo campus em direção a quadra coberta. Ao chegarmos, não pude deixar de pensar em como capricharam na decoração desse ano.

Luzinhas douradas estavam penduradas em todos os lugares, com apenas aqueles míseros pontinhos de luz acesos. Na entrada, havia uma placa que dizia “País Das Maravilhas”. Ri discretamente para a placa.

– Você está linda. – Ouvi a voz de Justin no pé do meu ouvido.

Me virei e o olhei.Justin não estava apenas lindo, ele estava esmagadoramente maravilhoso.

– Você também. – Falei sorrindo.

Justin selou nossos lábios por um curto espaço de tempo, limpando a mancha de batom de seus lábios logo depois.

Justin pegou minha mão e me levou até dentro da quadra. Se por fora estava lindo, por dentro parecia o país das maravilhas mesmo. Lembrei do livro rosa da Alice que Justin me deu.

– Parece que tem muita gente lendo Alice. – Falei enquanto Justin me conduzia até a mesa de bebidas, claro. Pelo cheiro, todas já estavam batizadas.

Justin riu.

– Você leu? – Justin perguntou.

– Claro que sim, é um clássico. – Falei num tom brincalhão.

Justin pegou um copo de um ponche para mim e outro para ele. Enquanto tomávamos e observávamos as pessoas entrando na fila de uma cabine de fotos, resolvi dar algumas indiretas sobre a carta da Newbridge.

– Então, a carta não chegou. – Falei. – Da Newbridge, quero dizer.

Justin me olhou um pouco... Triste?

– Sinto muito, Char. – Justin falou. – Não acredito que não conseguiu.

– Quem sabe alguém não quer me fazer uma surpresa. – Falei um pouco confusa com a reação dele.

– Acha que o departamento de aceitação do Newbridge quer te fazer uma surpresa? – Justin perguntou.

– Cara, Justin! – Ouvi Josh gritar e apontar para a cabine de fotos que todos estavam fazendo fila. – Vem! Vamos tirar uma foto todos juntos!

Justin e eu fomos até a cabine, deixando os outros da fila um pouco irritados. Eu, Justin, Lucy, Ryan, Josh e Sophie entramos na cabine. Tiramos algumas fotos rindo, outras fazendo cara de sérios de brincadeira até nossa vez acabar.

Saímos e pegamos as fotos.

– Ficaram legais. – Lucy falou e sorriu. – Eu quero a terceira. Vou morar longe então acho que mereço a melhor foto.

– Todos vamos morar longe. – Sophie falou. – E, Charlotte, conseguiu a carta?

Eu e Lucy trocamos um olhar.

– Ainda não. – Respondi.

– Não era até hoje? – Ryan perguntou um pouco confuso.

– Sim, mas... – Comecei. – Acho que estou esperando um milagre.

Sophie me olhou como se eu fosse doente.

– Ok, você que sabe. – Falou.

Josh, Ryan, Lucy e Sophie desapareceram discutindo sobre as fotos. Justin me puxou para a fila das fotos e esperamos nossa vez. Quando – depois de uns dez minutos – conseguimos entrar de novo na cabine, tiramos duas fotos rindo e outras quatro nos beijando.

Devo ressaltar que não era um simples selinho. Nas fotos dava para ver nossas línguas meio que se tocando. É nojento para quem ouve e vê, eu sei, mas para mim foi muito romântico.

Depois de alguns minutos de conversa e bebidas – o suficiente para me fazer relaxar – o DJ do baile – que estava bêbado – pegou o microfone.

– Ok, vamos desacelerar o ritmo e voltar um pouco no tempo. – O DJ falou e colocou um CD para tocar. Os primeiros acordes de uma música lenta começaram a tocar. – High de James Blunt. 2004. Vocês devem lembrar.

Justin olhou para mim, talvez enxergando dentro da minha alma.

– Eu gosto dessa. – Justin falou e me puxou da cadeira que eu estava sentada. – Me dá a honra de uma dança?

Justin brincou pegando minha mão e beijando. Me arrepiei com a corrente elétrica que passeou pelo meu corpo com aquele gesto simples.

– Claro. – Falei. – Só avisando que vou pisar no seu pé.

Justin riu e nós dois fomos para a pista de dança onde outros casais dançavam e se beijavam ao mesmo tempo. Apoiei minhas mãos nos ombros de Justin e Justin segurou minha cintura.

Começamos a dançar enquanto as luzes mudavam em cima de nós. Justin beijou meu pescoço e eu ri.

– É uma pena que vai demorar para nos vermos agora que eu não vou para a Irlanda. – Falei, o provocando.

Quando diabos ele vai entregar a carta afinal?

– Sobre isso... – Justin começou a falar como se aquilo o preocupasse. – Não acho que devíamos terminar por causa da distância. Quer dizer, Ryan e Lucy também vão ficar longe e não vão terminar.

– É. – Falei. – Poxa, aquela carta era mesmo a única solução. – Fiz drama.

Ok Justin, você pode me dar a carta agora.

Justin demorou um pouco para falar.

– Se está falando em códigos, acho melhor parar porque eu não estou entendendo porra nenhuma. – Justin falou calmamente.

– Só estou me lamentando. – Falei.

Ok, agora é uma boa hora. Quando você quiser, Justin.

– Isso não parece uma lamentação. – Justin falou. – Parece que está jogando uma indireta para mim, só que eu não estou entendendo nada.

Bufei.

– A senhorita Tate me contou que você pegou minha carta de aceitação da Newbridge. – Falei. – Ela disse que você queria me fazer uma surpresa e coisa e tal.

Justin parou de dançar e meio segundo a música parou também. Aplaudimos a música enquanto Justin me olhava confuso.

– Char,eu não pequei carta nenhuma.


Notas finais
Gostaram? *-*
Justin no baile: http://data.whicdn.com/images/29055180/tumblr_m47nb9oS9E1r6hr20o1_500_large.jpg (caso não funcione no texto)
Ok, eu demorei e esse capítulo não ficou lá aquelas coisas. Mas eu dei o melhor de mim, galerê.
Beijos na bunda, suas lindas :*