Na casa de Isabella, no quarto dela, ela continua a conversa com Kevin.

Kevin – Tem certeza, Bella? Tem certeza que é isso mesmo o que você quer?

Isabella – Tenho, Kevin. Tenho sim. E se você quer saber, a culpa é minha. Eu sou uma burra. Não devia ter ido lá. Devia ter ficado aqui bem quietinha, porque aí pelo menos eu não teria visto aquela cena horrorosa.

Kevin – Não, Bella. Não fala assim. Você não é burra.

Isabella – Sou sim.

Kevin – Não é. Mas tudo bem, Bella. Seja o que for que você decidir você pode contar comigo.

Isabella – Obrigada, Kevin. Você é demais.

Isabella e Kevin se abraçam.

Kevin – Eu adoro você. Não esquece disso nunca.

...

Na sala, Isabella e Kevin estão descendo as escadas.

Isabella – Eu te levo até a porta.

Eles chegam perto da porta. Isabella a abre.

No jardim do Mônaco eles caminham juntos um ao lado do outro, quando Kevin pára um pouco de andar.

Kevin – Obrigado.

Isabella – Não. Eu é que tenho que te agradecer.

Kevin – Pára com isso, Isabella. Tudo o que eu faço por você, o meu ombro pra você chorar, eu te dou de coração. Sem pedir nada em troca.

Isabella dá um sorriso.

Kevin – Tchau, Bella.

Isabella – Tchau.

Kevin está saindo, quando de repente...

Isabella – Kevin?

Ele se vira e sorri pra ela.

Kevin – Fala.

Isabella – Não é nada, é que... hoje a noite eu e a Laura vamos a uma exposição no Masp. Eu estava pensando e acho que seria legal se você fosse também. Você quer ir com a gente? Vai ser legal.

Kevin – Claro. Mas que horas?

Isabella – Sete horas. É uma exposição sobre os maiores artistas da Arte Moderna. Eu não estava muito a fim de ir, mas acho que vai me fazer bem.

Kevin – Vai sim, Bella. É sempre bom fazer programas que tenham a ver com o que a gente gosta. E você gosta muito de arte.

Isabella – Muito. Eu sempre gostei.

Kevin – Eu pego vocês às seis da tarde, pode ser?

Isabella – Claro. A gente vai estar esperando.

Kevin – Então até mais tarde.

Isabella – Kevin?

Kevin – O quê?

Isabella – Você e a Danielly estão brigados ainda, não é?

Kevin – Estamos. A gente não tá conseguindo se entender. Sinceramente eu acho que a gente já era.

Isabella – (abaixa a cabeça) – Que pena...

Kevin – Por que a pergunta?

Isabella – É que eu gostaria muito que ela fosse também.

Kevin – (com um tom surpreso) – Ah... claro.

Isabella – Você sabe o quanto eu torço por vocês... o quanto eu desejo que vocês sejam felizes.

Kevin – Eu sei, Bella. Eu também quero o mesmo pra você.

Isabella – Eu queria ajudar vocês. Falar com ela, quem sabe fazer alguma coisa pra vocês ficarem numa boa. Mas parece que você não quer a minha ajuda. Parece que não confia em mim.

Kevin – É claro que eu confio, Isabella. Você acha que eu tiraria um minuto do meu tempo pra te ouvir se não confiasse? Eu já expliquei pra você. Eu só quero te preservar. É só isso.

Isabella – Me preservar? Me preservar do que, hein, Kevin? Você tem medo de alguma coisa?

Kevin – Não.

Isabella – Tem certeza que você não tá me escondendo nada?

Kevin – Eu não quero te causar um mal – estar desnecessário, Bella. Já não chega tudo o que você passou, tudo o que você tá passando. E eu não tô falando só do que aconteceu no salão de festas. Eu tô falando do assassinato dos seus pais. Não é porque eu não confie em você ou porque eu não ache que você seja digna da minha confiança. É porque eu gosto de você, Bella. Eu me preocupo com você. E muito.

Isabella – Eu sei, Kevin. Eu também gosto de você.

Kevin – Então...

Isabella – Mas e a confiança, onde fica? Poxa, Kevin... eu sempre te conto tudo da minha vida. Até sobre as mensagens anônimas foi em você que eu confiei. E você? Por que você não me conta as suas coisas?

Kevin – Bella... (ela vira o rosto para o lado) – Bella, não faz assim. Não vamo brigar, por favor. A gente se entende tão bem...

Isabella – Eu não tô brigada com você, Kevin. Eu só queria que você confiasse mais em mim, só isso.

Kevin – Jura que tá tudo bem?

Isabella – Juro.

Kevin – E a exposição de hoje a noite? Tá de pé?

Isabella – (sem olhar pra ele) – Tá. Tá sim.

Kevin – (dá uma volta indo na direção dela – Isabella abaixa a cabeça – Kevin levanta o rosto dela a fazendo olhar pra ele) – Olha pra mim. Você confia em mim?

Isabella – Confio.

Kevin – Então me dá um sorriso.

Ela dá um sorriso tímido pra ele.

Kevin – E o meu abraço?

Isabella – Não, Kevin. Melhor não. Agora não.

Kevin – Sim... o que que é isso agora? Tá com medo?

Isabella – Não. Não é medo, é que... sei lá.

Kevin – Um abraço de amigos, Isabella. De amigos, como a gente sempre foi. (Isabella sorri) – Vem cá. (eles se abraçam) – (abraçando Isabella) – Eu gosto muito de você. Muito. Muito mesmo.

Eles se soltam.

Kevin – Fica tranquila. Tá tudo bem. Eu juro.

Isabella – Tá bom. Agora vai embora, Kevin. Até mais tarde.

Kevin – Até.

Ele dá um beijo na testa dela.

Kevin – Tchau.

Isabella – Tchau.

Na casa de Nick, na sala, ele está descendo as escadas. Marina está no térreo. Ele está aparentemente nervoso.

Marina – Nickolas? Meu Deus, o que aconteceu, a Isabella saiu daqui em disparada... vocês brigaram de novo?

Nick – O que que é isso, hein, Marina?

Marina – Isso o quê? Do que você tá falando? Aliás, o que houve com você e a Isabella?

Nick – O que houve? Aquela sem vergonha da Vanessa, foi isso o que houve.

Marina – A Vanessa?

Nick – Como é que essa garota entrou aqui, Marina? Como é que ela fez pra se enfiar dentro do meu quarto? Você deixou aquela vadia entrar aqui?

Marina – Não, Nickolas. Eu não fiz nada, eu não sei como ela entrou.

Nick – Tá bom e como é que ela conseguiu?

Marina – Ela deve ter entrado pela janela.

Nick – Desgraçada! (bravo)

Marina – Calma, Nick. Não adianta nada ficar nervoso desse jeito.

Nick – Ela veio aqui, Marina. A Isabella veio. A gente ia conversar, nós iamos nos entender, droga!

Marina – Eu vi, Nickolas. Ela parecia tão doce... até me pediu desculpas pela grosseria no telefone.

Nick – Me pegou com a Vanessa. Na cama, aos beijos, a força. E eu só de cueca, desprevinido. Imagine o que que ela deve estar pensando de mim agora. Agora é que ela deve estar me achando um canalha, um cafajeste!

Marina – Ai, Nickolas... você quer que eu fale com ela? Eu converso com ela, eu falo que você foi surpreendido pela Vanessa de surpresa.

Nick – Não, Marina. Obrigado, mas quem tem que resolver essa história sou eu. Eu vou falar com ela. Se a Vanessa pensa que vai ganhar essa ela tá muito enganada. Eu não vou me deixar perder a Isabella, Marina. Não vou.

Marina – Você gosta muito dela, não é?

Nick – Eu não gosto, Marina. Eu amo. Eu odeio as coisas que eu fiz com ela, se eu pudesse nascer de novo pra corrigir os meus erros... eu corrigia, eu faria tudo diferente. Mas quer saber, Marina? Nunca é tarde pra recomeçar. Eu vou conseguir o perdão da Isabella e vou recuperar o tempo perdido. Escreve o que eu tô te dizendo. Ela vai voltar pra mim. Ela vai voltar pra mim porque eu a amo e ela me ama.

Nick sai.

Na casa de Guilherme, no quarto dele, Vanessa e Guilherme estão sentados na cama. Ele está só de cueca e ela de calcinha e sutiã. Em cima da cama estão dois copos e uma garrafa de champanhe. Vanessa está colocando um pouco da bebida no copo, ao mesmo tempo em que está sorrindo.

Guilherme – Eita... mas você tá felizinha hoje, hein? Que astral...

Vanessa – É claro, Guilherme. Eu tenho que comemorar. Eu tenho que curtir a minha vitória.

Guilherme – Vitória? Mas que vitória depois que o meu priminho te dedurou pro loiro de olho azul?

Vanessa – Vitória sim, Guilherme, apesar de tudo. Hoje eu enterrei qualquer chance que o Nickolas tinha de conseguir o perdão da songa monga.

Guilherme – Ah é? E o que que você fez de tão extraordinário, Vanessinha?

Vanessa – Resolvi fazer uma visitinha surpresa pro meu ex- futuro boyfriend.

Guilherme – Mentira...

Vanessa – Verdade. E adivinha quem apareceu lá de surpresa? Isabella. Me pegou no flagra com ele só de cueca e tudo. Coitadinha... se eu pudesse eu tirava uma foto da carinha triste dela nesse momento pra guardar de recordação.

Guilherme – Mas você não perde tempo, hein?

Vanessa – É claro que não. Agora que o seu priminho desgraçado contou toda a verdade pro Nickolas impedir que eles voltem é uma questão de honra. E por falar nisso... por onde anda o dedo duro?

Guilherme – Eu falei com ele ontem. Você sabe onde encontra-lo. Mas o que você quer com ele, Vanessa?

Vanessa – Nada não. Eu só tô querendo levar um papo civilizado com ele.

Guilherme – Tem certeza?

Vanessa – Absoluta.

Guilherme – Vê lá o que você vai aprontar, hein? Vê lá. Não esqueça que ele é meu primo.

Vanessa – Relaxa, Gui. Eu sei o que estou fazendo.

Na casa de Kevin, no quarto dele, ele está sentado na frente do seu piano. Ele dá um toque numa tecla, quando alguém bate na porta.

Kevin – Entra.

É Zilda.

Kevin – (olha pra ela) – Zilda?

Zilda – Oi, Kevin? Tem visita pra você.

Kevin – Visita pra mim? Quem é?

Zilda – É o Brian, seu primo. Ele disse que é urgente.

Kevin – Tá bom. Eu vou ver o que ele quer.

...

Na sala, Kevin chega. Brian está de pé.

Kevin – Brian? Aconteceu alguma coisa?

Brian – Eu preciso da sua ajuda.

Kevin – No que eu posso te ajudar?

Brian – Eu quero fazer uma serenata para a Monique.

Kevin – Uma serenata?

Brian – É. Você pode me ajudar?

Kevin – Brian, você ficou louco?

Brian – Fiquei. Fiquei louco por ela. Eu quero conquistá-la, eu a quero pra mim, você não entende?

Kevin – Mas pra que você quer fazer isso? Ela nunca ligou pra você. Pelo contrário, sempre te rejeitou.

Brian – Ela gosta de mim. No fundo eu sei que ela gosta. Ela não me aceita por orgulho. Por medo. Mas tudo bem. Eu já vi que você não vai me ajudar. E sabe por quê? Porque talvez nunca tenha se apaixonado de verdade, nem mesmo pela Danielly. Mas quando você gostar de alguém como eu gosto dela, aí sim você vai entender. Vai entender tudo.

Kevin – Tá bom. Tá bom, Brian, eu vou te ajudar. Mas não é pela Monique, porque ela não merece que você faça tanto por ela e principalmente uma serenata. É por você. Porque eu sei que você gosta muito dela apesar de não ser correspondido.

Brian – Eba! Valeu, Kevão!

Kevin – Mas o que você quer que eu faça nesse papel de cupido?

Brian – Eu quero que você toque comigo no palco do restaurante Divina Estação. Que toque uma musica bem bonita pra ela no piano enquanto eu canto.

Kevin – Uma música?

Brian – É. Por favor, Kevin, me ajuda. Não custa nada. Você toca piano como ninguém.

Kevin – Tudo bem.

Brian – Se eu casar com ela você e a Danielly serão padrinhos do casório.

Kevin abaixa a cabeça.

Brian – O problema é que eu não tenho nenhuma ideia de musica pra tocar. Você tem?

Kevin – Eu tenho uma musica aqui. É uma musica do meu curso de piano de quando eu tinha dezoito anos. Essa musica me marcou muito. Lembro que o papai adorava quando eu tocava a canção no piano. Se chama “I’ll Never Break Your Heart”.

Brian – Você tem a musica? Eu posso ouvir?

Kevin – Claro.

Kevin vai até o seu piano e se senta no banco. Ele começa a tocar a introdução da música.

Na casa de Isabella, na sala, ela está sentada no sofá, quando a campainha toca. Isabella se levanta e vai até a porta. Quando ela abre a porta dá de cara com Nick.