Isabella continua imóvel olhando pra ele seriamente.

Isabella – O que você tá fazendo aqui?

Nick – Isabella, nós precisamos conversar.

Regina – (para Laura) — Laura, me desculpe. Ele foi entrando, eu tentei impedi-lo de entrar, mas não consegui.

Laura – (se levanta) — O que você tá pensando, hein, Nickolas? Que isso aqui é a casa da mãe Joana?

Isabella – Não tá vendo que eu tô jantando?

Laura – Isabella... é melhor eu sair.

Isabella – Não, Laura. Fica. Quem tem que sair é o Nickolas, que entrou aqui sem ser convidado.

Nick – Isabella, por favor, me escuta. Eu já sei de tudo o que aconteceu.

Isabella – Não.

Laura – O que você quer com ela, hein, seu mau caráter? Ainda não está satisfeito com o mal que você fez à minha irmã? Quer mais?

Nick – Quero. Quero sim. Eu quero conversar com ela, eu tenho esse direito.

Laura – Direito? Quem é você pra falar em direito? E que direitos? Qualquer direito que você tinha você perdeu quando entrou aqui e deu um tapa nela. Perdeu quando resolveu passar a noite com aquela sem vergonha. Direitos tinha a minha irmã de ser ouvida, direitos que você desprezou!

Nick – Laura, você não pode falar assim comigo.

Laura – Posso. Posso sim. Deixa ela em paz. Ela precisa de alguém que seja mais do que um namorado pra ela, precisa de alguém que seja amigo, companheiro e parceiro.

Regina – O que eu faço, Laura?

Laura – Coloca esse cara fora da minha casa, Regina.

Nick – Mas...

Laura – Fora, Nickolas.

Isabella se levanta.

Isabella – Tá bom. Eu converso com você, Nickolas.

Nick – Tá falando sério?

Laura – Isabella, não faz isso. Ele não te merece.

Isabella – (coloca o cabelo pra trás) – Eu vou conversar com você sim. Mas me faz um favor: não me toca.

Nick – (abaixa a cabeça) – Tudo bem.

Isabella caminha na frente afastada de Nickolas, enquanto ele anda atrás dela.

Na casa de Danielly, no jardim, um carro se aproxima. É o carro de Brian. Ele está com Monique. Brian pára o carro. Monique tira o cinto de segurança do ombro.

Monique – Ficamos por aqui então.

Ela abre a portinha do carro e está saindo, quando Brian puxa o braço dela. Com os braços segurados por Brian, ela olha pra ele.

Brian – (enquanto segura o braço dela) – Espera, Monique.

Monique – O que você quer, Brian? O dia já acabou, já é tarde.

Brian – Eu sei. Não é nada, é que eu... eu queria te agradecer pelo dia de hoje.

Monique – De nada.

Brian – Quando é que a gente vai se ver de novo?

Monique – Não sei, Brian. Talvez amanhã. Agora me deixa ir?

Brian – Você tem que ir mesmo?

Monique – Tenho. (ela olha no relógio) – Já são 22:00, já tá tarde. Eu tô com sono.

Brian – Eu não.

Monique – Isso é porque você tá apaixonado. E os apaixonados não sentem sono.

Brian sorri.

Brian – Então você acredita que eu estou apaixonado por você?

Monique – Acredito.

Brian – Eu te adoro, sabia?

Monique – Eu sei. Eu também gosto de você. Agora chega, Brian. Tchau.

Monique solta o braço da mão dele e se inclina para abrir a porta, quando Brian a puxa novamente pelo braço.

Monique – O que você quer, Brian?

Brian – Espera. Não vai não. Fica comigo.

Monique – O quê? Ir com você? Pra sua casa? De jeito nenhum, você tá louco.

Brian – Por favor. Eu prometo que vou me comportar direitinho. Não vou fazer nada que você não queira. (beijando a ponta dos dedos) — Eu juro.

Monique – Você? Se comportar? Conta outra.

Brian – É sério.

Monique – Não, Brian. Não insista, eu já disse não.

Brian – Tá bom. Tudo bem. Mas olha: fique sabendo que eu vou estar sempre do seu lado.

Monique – Obrigada.

Brian – Boa noite.

Monique – Tchau.

Brian – Tchau.

Monique sai. Brian a observa de longe.

Enquanto isso, no jardim do Mônaco, Isabella está caminhando na frente e Nick atrás dela. Ela pára de andar e ele também. Isabella se mantém de costas para Nick.

Nick – Olha pra mim.

Ela continua de costas pra ele, sem dizer uma palavra.

Nick – Olha pra mim. Fala alguma coisa, qualquer coisa.

Isabella se vira e olha pra ele. Seu olhar é frio e sério, com ar de reprovação.

Isabella – E então? O que é que você tem pra me dizer? Fala logo, eu não tenho a noite toda.

Nick – Eu me rendo. Tô aqui, passando por cima do meu orgulho, da minha vergonha. Tô aqui pra te pedir perdão. Pra pedir pra você voltar pra mim.

Isabella – Perdão?

Nick – É. Eu já sei de tudo. (Isabella faz um sinal de “sim” com a cabeça, com os olhos embaçados) – Já sei tudo o que aconteceu. Sei que você não teve culpa de nada, meu amor. O unico idiota nessa história fui eu.

Isabella – Caiu em si muito tarde, não é, Nickolas?

Nick – Sim. Pode ser que eu tenha me dado conta do meu erro muito tarde. Mas nunca é tarde pra perdoar. Principalmente quando se há um amor tão grande como o nosso amor.

Isabella – (em tom sério) – Fale por você. Não por mim. Como o seu amor. O seu. O meu não existe mais. Já está morto e enterrado. Você mesmo enterrou.

Nick – (começa a chorar) – Não fala assim, Bella. Eu te amo.

Isabella – Mas que droga de amor é esse, não é, Nickolas? Um amor cheio de desconfiança, de raiva, de ódio. Não foi esse o amor que eu sonhei pra mim.

Nick – E qual foi o amor que você sonhou? Me diz. Eu vou te dar o amor que você quiser. É só você me dar mais uma chance.

Isabella – Eu sonhei com um amor totalmente diferente do seu. Sonhei com um amor que confiasse nas minhas palavras em primeiro lugar. Sonhei com alguém que antes de desconfiar de mim escolhesse me ouvir e que no momento em que eu negasse ou afirmasse algo a minha palavra fosse sempre a ultima.

Nick – (fecha os olhos) – Tá bom. Eu sei que eu errei nesse ponto com você. Mas, meu amor, eu já sei de tudo. O seu estuprador foi na minha casa. Ele me disse toda a verdade. Eu já sei que você caiu numa armadilha. A culpa não foi sua. Eu fui um idiota. Pensei coisas horríveis de você. Tava com raiva, tava com ódio. Me deixei levar por um impulso ruim. Me perdoa, meu amor.

Isabella — Aí você foi acalmar sua raiva com aquela vadia... Fez a burrada e depois de saber a verdade foi encher a cabeça do Kevin com o seu numero de bom moço arrependido. E pelo visto deve ter atuado muito bem, não é? Ele me procurou pra falar de você, acredita no seu falso arrependimento. Mas eu vou te dizer uma coisa, Nickolas. Eu não. Comigo o tiro saiu pela culatra. Eu não acredito em nada do que você diz.

Na casa de Isabella, na sala, Laura está sentada no sofá de cabeça baixa. Regina chega com uma bandeja e uma xicara.

Regina – Pronto, Laura. Eu trouxe um chá de camomila pra você. Pra acalmar os nervos.

Laura – O que será que tá acontecendo lá fora, meu Deus?

Regina – Fica calma, Laura. Fica calma, porque por enquanto a gente só tá ouvindo um silêncio. Sinal que eles estão apenas conversando.

Laura – É, mas dessa vez eu queria ouvir gritos. Da Isabella, de preferência. Regina, eu não quero... eu não quero a minha irmã metida com aquele garoto de novo. Eu queria levá-la pra fazenda especialmente para tirá-la de perto dele.

Regina – Eu sei, Laura.

Laura – O que me preocupa é que apesar de tudo ela ainda gosta dele. Está sofrendo por ele, chora por ele. Só que essa relação já fez muito mal pra ela. Eu não quero que ela sofra mais.

Regina – Quer um conselho? Relaxa, respira um pouco. Vá viver a sua vida. Desde que eu te conheci você está praticamente vivendo a vida da Isabella, vivendo em função dela. A Isabella já é bem grandinha, ela com certeza vai saber decidir o que é melhor pra ela em relação a esse assunto.

Laura – Eu me preocupo demais com ela, não é?

Regina – Demais. Mais do que com você mesma.

Laura – Eu só faço aquilo que a minha mãe pediu antes de morrer. Cuidar dela. Desde que ela era pequena eu sempre a defendi das zoações dos meninos. Agora eu quero defendê-la do Nickolas e da Vanessa.

Regina – Olha, Laura, se você achar que é melhor eu ir embora...

Laura – Não. Nós já conversamos sobre isso. A Isabella não quer que você vá, então o seu lugar é aqui.

Regina – Então, mas leva em conta o que eu falei. Saia mais, conheça outras pessoas. Quem sabe você não se interessa por alguém?

Laura abaixa a cabeça.

Regina – Ou será que já não está interessada?

Laura – Não.

Regina – Tem certeza?

Laura – Regina...

Regina – Laura... hoje mesmo você estava sonhando aqui acordada com alguém. Era o Brian?

Laura – Eu não estava sonhando acordada, Regina.

Regina – Então estava sonhando mesmo. Fala a verdade: você ta gostando dele, não é?

Laura – Tô. Tô gostando dele sim. Gosto dele como meu amigo. É só isso. (Laura se levanta) – Mas que idéia, Regina!

Laura sai. Regina fica rindo na sala.

Enquanto isso, no jardim do Mônaco, Isabella e Nick continuam conversando.

Nick – Tudo bem. Eu saí com ela sim, reconheço. Mas foi ela que veio atrás de mim.

Isabella – E daí? Você acha que esse pequeno detalhe faz alguma diferença? Não faz, Nickolas. Isso não importa. O que importa é que você saiu com ela.

Nick – Me perdoa. Eu te amo, me perdoa.

Isabella – Não. Não perdôo. E sai da minha frente, Nickolas. Eu não consigo nem olhar pra você depois do que você fez. A Laura tá certa. Eu não preciso de alguém como você. Como ela mesma diz eu preciso de alguém que seja além de namorado um parceiro. E isso você não foi em nenhum momento.

Nick – Eu sei que eu errei, Bella. Sei que eu pisei na bola com você, te abandonei no pior momento da sua vida. Mas eu tô aqui te pedindo perdão de coração aberto.

Isabella – Pra você um pedido de perdão resolve tudo, não é? Mas não pra mim. Você acha o quê? Que eu tô assim só por você ter transado com a Vanessa? Não é só isso, Nickolas, pode ter certeza. No seu ápice da raiva você me bateu, esqueceu? Você me deu um tapa no rosto. Um tapa que não dói mais no corpo, mas dói na alma.

Nick – Desculpa. Eu prometo... prometo que nunca mais vou levantar a mão pra você.

Isabella – Eu precisando de amor... de carinho... precisando me sentir protegida. E você me agredindo. Indo pra cama com a Vanessa, com a minha pior inimiga, que aliás mandou fazerem aquilo comigo. Por que você fez isso, Nickolas? Pra se sentir vingado? Por vingança?

Nick – Me perdoa.

Isabella – Transou com ela, pra quê? Pra depois ela poder esfregar na minha cara que passou a noite com você? Foi pra isso? (brava)

Nick – (chega perto dela e segura o braço dela) – Isabella, me escuta, por favor.

Isabella – (empurra Nick) – Não encosta em mim! (grita)

Nick – Bella...

Isabella – Eu sinto nojo, ódio de você. Quando eu penso em você naquela cama com a Vanessa eu sinto vontade de vomitar. Aliás o que aconteceu? Por acaso a Vanessinha já te deu um pé na bunda?

Nick – Eu não quero mais nada com ela. Eu quero com você. É por isso que eu tô aqui. Eu te amo.

Isabella — Ah é? Então me faz um favor, Nickolas. Volta pra sua casinha. Faz melhor: vai atrás da Vanessa, volta pros braços daquela vagabunda.

Nick vai pra cima de Isabella e lhe dá um beijo forçado. Ela tenta se soltar dele, mas Nick é mais forte e a puxa contra o corpo dele com mais força. Isabella se solta dele.

Isabella – (empurra Nick) – Me solta!

Nick – Eu amo você, Isabella. Você também me ama, não pode negar. Está escrito nos seus olhos.

Isabella – Sim. Eu te amo sim. Mas não seja por isso, Nickolas. Eu vou te esquecer. Depois do que você fez mais cedo ou mais tarde eu não vou mais nem me lembrar que você existe.

Isabella se vira e tenta sair, quando Nick puxa o braço dela.

Nick – Isabella, espera!

Isabella – Me solta!

Ela se solta e sai correndo.

Na casa de Bob, no quarto de Luna, ela está deitada na cama, quando alguém bate na porta.

Luna – Entra.

É AJ. Luna se levanta da cama, se sentando e olha pra ele.

Luna – Alex...

AJ – (vai até a cama dela e se senta – segura a mão dela) – Oi, minha vida.

Luna – (dá um sorriso) — Oi...

AJ – Eu só vim pra te dar um beijo de boa noite.

Luna – Boa noite também.

AJ tenta beijá-la, mas ela o afasta.

AJ – Que foi?

Luna – Não é nada. É que eu tô com sono.

AJ – Entendi.

Eles ficam calados por alguns segundos.

AJ – Eu te amo muito, sabia?

Luna faz um sinal de “sim” com a cabeça.

AJ – Eu tô te achando tão calada... aconteceu alguma coisa? Você tá estranha comigo desde a hora que eu te dei aquela rosa.

Luna – É impressão sua.

AJ – Jura que você não tá me escondendo nada?

Luna – Juro.

AJ – Tá bom. Você tá dizendo. Mas eu só acredito com uma condição.

Luna – Que condição?

AJ – Se você me der um beijo.

Luna dá um selinho em AJ.

AJ – Ah não. Assim não. Um beijo direito. Assim olha.

AJ rouba um beijo de Luna e ela corresponde. Ele a deita na cama enquanto a beija. Luna se solta de AJ.

Luna – Agora chega, Alexander.

AJ – Tá bom. (ele dá um selinho na boca dela) – Chega. (ele dá mais um beijo na boca dela)

Luna – (se solta dele, rindo) – Chega.

Luna se levanta, puxa AJ pelo braço o tirando da cama dela.

Luna – Chega.

AJ, que está de frente para Luna é levado por ela até a porta, enquanto ela o segura com a mão no peito dele. Quando eles chegam na porta, Luna vira AJ de costas, abre a porta e o coloca para fora o empurrando de brincadeira. Luna fecha a porta. Ela vai até a cama e se deita. Quando fecha os olhos, se lembra:

(Voz de Denise) – Quem é você? Ah, já sei... você deve ser a Luna. A filha da vagabunda e destruidora de lares. É você, Luna? A vagabundinha?

Notas finais
Nick pagando pelos seus erros Gostaram? Espero que sim ♥ Muitos beijos e até o próximo