Na casa de Danielly, no quarto dela, ela está deitada na cama. Danielly vai até a escrivaninha e pega o seu celular. Ela começa a discar um número.

Na casa de Ann, na sala, o telefone toca. Ann atende.

Ann – Alô?

Na casa de Danielly, no quarto dela...

Danielly – Ann?

Ann – Oi, Danielly! Que surpresa! Como vai?

Danielly – Mais ou menos. Ann, o Kevin está?

Ann – Não, não está não. Mas se quiser eu deixo um recado. Pode ser?

Danielly – Não, Ann. Não precisa. Eu posso ir aí conversar com você?

Ann – Claro, Dani. A casa é sua.

Danielly – (dá um sorriso) – Obrigada, Ann. Você é demais.

Ann – De nada.

Danielly – (pausa) – Ann?

Ann – O quê?

Danielly – Eu quero que você saiba... que eu amo muito o seu filho.

Ann – Obrigada.

Danielly – Tchau.

Ann – Tchau.

Elas desligam.

Na casa de Isabella, na sala, Brian está sentado no sofá e Regina está parada na frente da escada enquanto Laura está andando de um lado para o outro. Vanessa está parada no corrimão da escada ouvindo as conversas.

Brian – (enquanto Laura está andando de um lado para o outro) – Calma, Laura. Desse jeito você vai fazer um buraco no chão.

Laura – Regina, o que aconteceu pra Isabella sair?

Regina – Ela e Vanessa discutiram. Eu não sei se é verdade, mas a Vanessa disse pra Bella que ficou com o Nicholas na noite que a Bella teve febre.

Laura – O quê? Eles transaram?

Regina – Segundo a Vanessa sim. A Isabella saiu daqui desesperada. Eu não tenho a menor ideia de aonde ela possa ter ido.

Laura – Tá vendo? Esse garoto não merece a minha irmã!

Brian – Não fica assim, Laura. Talvez a Vanessa esteja mentindo. E notícia ruim chega logo. Se tivesse acontecido alguma coisa com a Bella você já saberia.

Laura – O meu medo é que ela faça alguma loucura. Você não conhece a Isa. Ela tenta mostrar força, mas no fundo ela é frágil. Muito frágil.

Brian – (se levanta e vai até ela, segurando-lhe a mão) – Fica calma, Laura. Ela pode ter essa personalidade frágil que você diz mas não está sozinha. Ela vai ficar bem.

Brian e Laura se abraçam.

O telefone toca. Laura sai em disparada para atender.

Laura – (com o telefone no ouvido) – Isabella? Isabella, é você? Onde você está?

Numa rua, Isabella está sentada num banco de uma praça com o celular de Kevin na mão. Kevin está com ela.

Isabella – Calma, Laura. É a Bella sim. Não se preocupe, eu estou bem. Eu me encontrei com o Kevin e ele está comigo agora.

Na casa de Isabella, na sala...

Laura – (com o telefone no ouvido) – O Kevin está aí com você? (Vanessa olha)

Na rua onde Isabella está...

Isabella – Está. Está sim.

Laura – Que bom. Isabella, aquela proposta que eu te fiz de você morar na fazenda continua de pé.

Isabella – Laura, eu vou desligar. Tchau.

Laura – Tchau.

Elas desligam.

Brian – E aí?

Laura – Era a Bella. Ela me disse que está bem e que encontrou o Kevin na rua. Ele está com ela agora.

Vanessa sai.

Brian – Tá vendo? Eu não disse que ela estava bem? Fica tranquila, Laura. Se ela está com meu primo ela está com Deus.

Laura – (dá um sorriso) — É, você disse.

No quarto de Vanessa, ela chega e fecha a porta.

Vanessa – Quer dizer que o Mr. Body Beautiful e a mosca morta estão juntinhos nesse momento? Que interessante...

Na pracinha, Isabella dá o celular na mão de Kevin.

Isabella – Obrigada. Eu saí correndo e não peguei meu celular.

Kevin – De nada.

Isabella vira o rosto para o lado.

Kevin – Você tá triste ainda, né?

Isabella – Tô.

Kevin – Me diz: o que eu posso fazer pra tirar essa tristeza do seu rosto? Eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa.

Isabella – Nada, Kevin. As dores de amor só o tempo pode curar. Se é que o tempo cura alguma coisa.

Kevin fica olhando pra ela. Ele se lembra:

(Voz de Laura) — Se você gosta da Isabella, se você realmente se preocupa com ela você há de convir que um tempo distante de tudo fará muito bem pra ela.

...

(Voz de Laura) — Você é um cara legal, Kevin. Eu sei que gosta muito da Bella, mas eu sou a responsável por ela. E já tá decidido. Ela vai pra fazenda.

Kevin vira o rosto para o lado.

Isabella – Que foi?

Kevin – Nada. Não foi nada.

Isabella – Fala, Kevin. Pode falar.

Kevin – Não foi nada, é que... de repente me deu um medo. Um medo muito forte de a gente se separar.

Ele abraça Bella de surpresa.

Kevin – Eu te adoro. Não duvide nunca.

Isabella – Ah... eu também gosto muito de você.

Ela abaixa a cabeça.

Kevin – Que foi? Agora é você que tá com uma carinha triste.

Isabella – Eu não consigo esquecer as palavras da Vanessa. (começa a chorar)

Kevin – São só palavras, Bella. Esqueça isso.

Isabella – E as coisas que o Nick me dizia... as coisas que ele falava quando a gente se conheceu... era tudo fingimento. Era tudo mentira. (chorando)

Kevin – Tudo bem, Bella. É natural a sua raiva e eu também tô com raiva dele pelo tapa que ele te deu, mas não é assim. Você não pode acreditar em tudo o que te dizem. É preciso ver para crer.

Isabella – Ver pra crer... Pois é, Kevin, você está vendo algum Nicholas aqui? Não. Ele não está comigo, não está ao meu lado. Não ficou comigo naquela noite que eu fiquei chamando por ele. Você acabou de dizer que as coisas que a Vanessa disse eram apenas palavras. E é verdade. O que importa são as atitudes, o que ele fez. E isso eu não vou perdoar. Isso eu não vou perdoar nunca. E quer saber? (começa a passar o pulso nas lágrimas) – Chega de choro. Eu não vou mais chorar pelo Nicholas, ele que se dane. Aquele garoto não merece as minhas lágrimas, não merece que eu derrame uma lágrima por ele.

Kevin – Tá falando sério?

Isabella – Tô, Kevin. Eu nunca falei tão sério em toda a minha vida. Eu cansei. Cansei de ser aquela menina bobinha que todo mundo pisava e ainda limpava os pés. Se o Nicholas me quiser ele vai ter que rastejar. Agora quem não quer mais sou eu.

Kevin – Você não é boba, Bella. Você nunca foi boba. E eu sei que você é forte. Eu tenho certeza que você vai tirar de letra tudo o que aconteceu.

Na casa de Ann, na sala, a campainha toca. Ann atende. É Danielly.

Ann – Danielly...

Danielly – Oi, Ann...

Ann – Tudo bem?

Danielly – Tudo. O Kevin não está, não é?

Ann – Não.

Danielly – Melhor assim.

Ann – Aconteceu alguma coisa?

Danielly – Aconteceu. Eu briguei com ele, quer dizer... ele brigou comigo.

Ann – Por quê?

Danielly – Por causa do ciume que eu sinto por ele. Ele já deve ter te falado da Isabella, não é?

Ann – Falou. Ele fala muito dessa moça, tem um carinho especial por ela. (Danielly abaixa a cabeça) – Por quê?

Danielly – Você sabe se aconteceu alguma coisa com ela?

Ann – Olha, Danielly, saber eu sei, mas eu não conheço a menina pessoalmente, apenas de nome. Sei lá, eu acho que não fica bem eu ficar comentando sobre a vida de alguém que eu não conheço.

Danielly – Por favor, Ann, me ajuda. Ele me disse que ela passou recentemente por algo muito pior do que aquelas mensagens. Eu preciso saber o que aconteceu. Só assim eu vou poder falar com ela e pedir desculpas pra ele.

Ann – Tá bom. Mas eu só digo porque estou vendo que você está muito preocupada. A Isabella foi estuprada.

Danielly – Estuprada?

Ann – É. Pelo que o Kevin me disse ela foi atraída para uma armadilha.

Danielly – Meu Deus... então era por isso que ele tava tão preocupado. E eu idiota, xingando ele, ofendendo ela...

Ann – Calma, Danielly. Desentendimentos fazem parte da rotina de qualquer casal. Vocês vão acabar se entendendo.

Danielly – (se levanta e começa a andar de um lado para o outro) – Burra! Idiota que eu sou. O Kevin tem razão, eu sou uma egoísta.

Ann – Calma, Danielly. Não é o momento de se martirizar. Vai atrás dele, conversa com ele numa boa, sem brigas. (ela se levanta e pega na mão de Danielly a levando para o sofá) – Senta aqui. (elas se sentam) – Relaxa. Com esse nervosismo todo você não vai chegar a lugar algum.

Danielly – Eu sei, Ann. Mas é que eu amo o Kevin. Eu odeio a ideia de vê-lo brigado comigo.

Ann – Eu sei, querida, mas olha só: o Kevin é super compreensivo. Eu tenho certeza que agora ele nem deve estar lembrando do que aconteceu. Faz o seguinte: vai lá na casa da Isabella, conversa com ela. Dê a ela o apoio que ela precisa nesse momento. E não se preocupe com o Kevin. Vai dar tudo certo.

Danielly – Ann, você é uma sogra incrível.

Ann e Danielly se abraçam.

Ann – Agora vai lá. Fica tranquila e relaxa, que tudo vai se resolver.

Na casa de Nick, no quarto dele, Nick está deitado na cama, chorando. Marina chega.

Marina – Nicholas?

Ele olha pra ela.

Marina – (vai até ele e se senta na cama) – Nick, não adianta ficar assim. Você precisa resolver essa situação.

Nick – Não adianta me enganar, Marina. Eu digo que não amo, mas eu amo. Eu sinto falta dela.

Marina – Então lute por ela. Tente ouvi-la, acreditar no que ela diz. Vocês se amam, não podem deixar que uma desconfiança abale a relação de vocês.

Nick – Não foi só uma desconfiança, Marina. Eu ouvi. Parece que eu tô ouvindo aquele cara com ela, dizendo que a amava. Eu fecho os olhos e me vem a voz dele na cabeça, as palavras dele. E aquele desenho da Angel me deixou pior.

Marina – Dá pra ver que você tá sofrendo apesar dos erros que cometeu. Mas a verdade vai aparecer, Nicholas. Ela sempre aparece, mais cedo ou mais tarde.

Marina dá um beijo no cabelo de Nick.

Marina – Fica bem.

Marina sai.

Na casa de Isabella, na sala, a campainha toca. Laura atende. É Danielly.

Laura – Danielly?

Danielly – Oi, Laura, tudo bem? Eu já soube o que aconteceu com a Isabella, ela está?

Vanessa – (aparece de surpresa descendo as escadas) – Ela acabou de sair com o Kevin.

Danielly – (se vira para Vanessa) – O quê?

Vanessa – É isso mesmo, Dani. Os dois saíram e neste momento devem estar juntinhos e a sós fazendo só Deus sabe o quê.

Danielly – Mentirosa!

Vanessa – É verdade. Tá duvidando? (ela desce o resto dos degraus e coloca o telefone sem fio na direção de Danielly) – Toma. Liga pro Kevin, confirme você mesma. A destruidora de casais esqueceu o celular.

Brian – Cala essa boca, Vanessa!

Vanessa – O que você acha disso, Danielly? É... lembra daquelas fotos? Eu bem que avisei pra você tomar cuidado com aquela garota. O Kevin é homem e vamos combinar que a Isabella é bem atraente. Se você não cuidar do seu namoradinho mais cedo ou mais tarde os “irmãos postiços” se tornarão marido e mulher. E você vai acabar madrinha do casamento.

Danielly – Vagabunda!

Danielly tenta ir pra cima de Vanessa, mas Brian segura o braço dela.

Danielly – Me solta, Brian!

Brian – Se controla, Danielly, você não está na sua casa!

Na casa de Julia, no jardim, ela está sentada num banco, quando Jennifer, a mãe de Julia chega.

Jennifer – Júlia?

Julia – Oi, mãe.

Jennifer – Adivinha quem ligou.

Julia – Quem?

Jennifer – A Amanda, sua prima. Ela ligou e disse que volta para o Brasil em breve.

Julia – A Amanda? Nossa, eu não a vejo há tanto tempo!

Jennifer – Deve estar uma bela moça. Ela disse que está namorando um rapaz chamado Jorge, que vai voltar junto com ele e que está feliz da vida.

Julia – Que bom pra ela, né, mãe?

Jennifer – Vocês brincavam muito quando eram crianças. Você lembra?

Julia – Claro. Claro que eu me lembro. A gente adorava Barbie. O legal é que ela vai conhecer os meus amigos novos.

Jennifer – Você só não gostaria que ela grudasse no famoso Howie D, não é?

Julia – Ele é muito fofo. Eu estou disposta a fazê-lo esquecer o medo e ficar comigo. E eu acho que ele também gosta de mim.

Chega a noite. Na casa de Isabella, na biblioteca, Laura está sentada na mesa de cabeça baixa, quando alguém bate na porta.

Laura – Entra.

É Regina.

Regina – Laura? (Laura olha pra ela) – Eu posso falar com você?

Laura – Claro. E aproveitando a conversa eu quero te pedir desculpas por ter sido tão grosseira com você ultimamente.

Regina – Não, Laura. Eu é que tenho que pedir desculpas.

Laura – Do que você tá falando?

Regina – Eu ouvi a sua conversa com a Isabella sobre ela morar na fazenda. Essa decisão ainda está de pé?

Laura – Claro. E ela já está avisada.

Regina – Não precisa, Laura. E pelo que eu sei ela não quer ir. Se alguém aqui tem que sair esse alguém sou eu.

Laura – O quê? (Isabella aparece na porta)

Regina – É isso mesmo, Laura. Eu vou embora junto com a Vanessa. Ela confessou a participação no estupro e eu sei que parte do que aconteceu com a Bella é culpa minha. (na porta da biblioteca, Isabella faz um sinal de “não” com a cabeça) — Ela é uma pessoa boa, não merecia passar por isso.

Laura – Olha, Regina, independentemente do que aconteceu e de quem é ou não culpado o destino da Isabella já está resolvido, ela...

Regina – Não, Laura. Não faz isso. Aqui ela tem os amigos dela, ela tem o colégio, não merece essa punição. Não a trate como se ela tivesse culpa do que aconteceu. Ela fica em São Paulo, aqui no Mônaco com você e eu vou embora. Eu me demito.

Notas finais
Xiiii.... será que a Regina vai mesmo embora da casa da Isabella? E a Isabella vai mesmo pra fazenda? Só acompanhar os próximos caps. Obrigada e até o 29 *-*