Shape Of My Heart
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Ao ouvir Regina falando de demissão, Isabella aparece na frente dela de surpresa.
Isabella – Não!
Regina – Isabella? Você estava ouvindo a nossa conversa?
Isabella – Estava. Eu sei que é errado ouvir conversas alheias escondido, mas eu estava passando por aqui na hora e ouvi tudo. Não faz isso, Regina. Não se demite, por favor.
Laura – Bella, desculpa, mas a conversa é entre mim e ela. Eu resolvo o futuro da Regina nessa casa. O seu já está resolvido.
Isabella – Não, Laura. Tudo bem, eu vou pra fazenda se você quiser, começo a arrumar as minhas malas agora mesmo. Mas a Regina fica. Deixa ela ficar, por favor.
Laura – Isabella, não sou eu que estou a demitindo. É ela que quer ir embora. É uma pena, mas se é essa a vontade dela nós temos que respeitar.
Isabella – (para Regina) – Então por mim, Regina. Fica, por favor. Eu sei o quanto você precisa desse emprego e sei o quanto está dificil arrumar outro. Você não precisa se preocupar comigo. Eu vou fazer a vontade da Laura e vou ficar na fazenda. Eu gosto de lá, vai ser bom pra mim. Mas não se demite, por favor. Por mim.
Regina – Mas sozinha, Isabella? Você vai ficar lá sozinha?
Isabella – A solidão às vezes pode ser boa em alguns casos. Eu vou poder repensar a minha vida, pensar melhor no que eu quero pro meu futuro e esquecer o Nick.
Regina – Você é uma menina boa, Isabella. Eu sei que está preocupada comigo, mas isso não é justo. Essa casa é sua e você tem todo o direito de ficar aqui. A Vanessa já te fez mal demais.
Isabella – Você tá preocupada com a Vanessa? Eu já a perdoei. Ela não é obrigada a gostar de mim e eu não vou mais vê-la. Mas fica, por favor. Eu te peço.
Laura – Isabella, por favor, não se mete na conversa. Vá para o seu quarto, a conversa é apenas entre duas pessoas.
Isabella – Mas...
Laura – Você tem certeza, Regina?
Regina – Tenho. Tenho sim. Eu agradeço a oportunidade e pensei muito antes de tomar essa decisão, mas vai ser melhor assim.
Laura – Ah, que pena, Regina. Eu também não quero que você vá. Mas se é a sua vontade eu vou preparar sua demissão.
Isabella – Não, Regina. Por favor, fica. Se você for embora e ficar sem emprego eu vou me sentir muito culpada. Eu e a Laura gostamos muito de você. Reconsidere por nós. Por favor.
Regina – O que eu faço?
Laura – Eu tenho uma ideia: conversa com a Bella. Eu já vi que ela não vai desistir enquanto não te convencer a ficar. Quem sabe você não pensa melhor?
Isabella – Isso! E vê se desiste dessa ideia maluca.
Regina – Eu posso conversar com ela, Laura?
Laura – Você já tem a minha permissão.
Regina – Obrigada, Laura.
Isabella – Ótimo. Então vem comigo.
Isabella puxa Regina pelo braço e elas saem.
Na casa de Nick, no quarto dele, ele está dormindo, quando de repente...
No jardim do Mônaco, Nick está sentado num banco sozinho, quando alguém chega por trás, tampando os olhos dele com as mãos.
Ele se vira. É Isabella. Ela está com os cabelos lisos em cima e enrolados nas pontas, usando um vestido rosa e delicado.
Nick – Isabella... você...
Isabella – Nicholas, eu te amo.
Ela sai correndo com tudo até ele e os dois se beijam com paixão.
Nick – Você é linda.
Os dois se beijam novamente
Nick acorda e com o impacto do sonho está visivelmente confuso.
Nick – Isabella... você está aí?
Ele se levanta e começa a andar pelo quarto procurando Isabella, mas não a encontra.
Nick vai até a sua cama, se senta e pega uma jarra de água. Ele coloca um pouco da água que está na jarra num copo e bebe.
Na casa de Isabella, no quarto dela, ela e Regina estão conversando.
Isabella – E então, Regina, você pensou bem?
Regina – Eu não sei ainda, Isabella. Você realmente quer que eu continue trabalhando aqui?
Isabella – Quero. Quero sim. Regina, se nem eu nem a Laura queremos que você vá então não há por que você ir. Eu posso até ir pra fazenda, mas vou ficar bem mais tranquila se souber que você continua empregada. Fica, por favor.
Regina – Tá bom. Você me convenceu. Eu fico.
Isabella – Oba! Regina, eu gosto muito de você. Você não tem culpa das coisas que aconteceram.
Regina – E você vai mesmo morar na fazenda?
Isabella – Vou. Eu não queria, mas pelo menos longe eu vou poder tirar o Nicholas da cabeça. Eu só fico mais triste pelo Kevin. Ele foi o primeiro e o melhor amigo que eu fiz aqui em São Paulo.
Regina – Que pena, Isabella...
Isabella – É só por um tempo. Depois eu volto. A Laura prometeu que assim que as coisas melhorarem eu tô de volta.
Regina – E em pensar que isso é culpa da Vanessa...
Isabella – Não pensa nisso, Regina. Não é culpa de ninguém. A Laura resolveu assim e eu tenho que obedecer.
Regina – Você ainda nem foi e eu já tô com saudades.
Isabella – Eu também.
Regina e Isabella se abraçam.
Na casa de Kevin, no quarto dele, ele está deitado na cama, se lembrando:
Kevin consola Isabella por Nick ter transado com Vanessa – Cap. 27
Kevin – (acaricia o rosto de Isabella) – Não chora, Bella. Não chora não. Vem aqui. (ele abraça Isabella no seu peito) – Você tem que reagir. Eu não gosto de te ver triste desse jeito.
Isabella – (abraçada com ele) — Por que que isso foi acontecer comigo, Kevin? Eu fiz alguma coisa? Foi algum tipo de castigo por eu ter ficado com o Nicholas?
Kevin – Não, Bella. É como eu disse: essas coisas acontecem. Você não tem que se sentir culpada por ter sido vitima dessa violência horrível. Não pensa mais nisso. Já acabou, você está comigo agora, eu não vou deixar ninguém te machucar.
Outra recordação:
Cap. 28
Kevin – Me diz: o que eu posso fazer pra tirar essa tristeza do seu rosto? Eu faço qualquer coisa. Qualquer coisa.
Isabella – Nada, Kevin. As dores de amor só o tempo pode curar. Se é que o tempo cura alguma coisa.
Na sala, a campainha toca. Kevin se levanta e vai para a sala atender. Ele vai até a porta e abre. É Danielly.
Kevin – Danielly? O que você quer?
Danielly – Kevin, nós precisamos conversar.
Kevin – “Nós”? Se nesse “nós” você me inclui, fique sabendo que você perdeu seu tempo. Eu não falo com gente falsa, egoísta e invejosa.
Danielly – Invejosa?
Kevin – Sim. E falsa também. Você pensa que eu me esqueci daquele seu papo ridículo de aprender a tocar piano só por que a Isabella sabe tocar? Não, não esqueci não. Suas palavras estão bem aqui, gravadinhas na minha memória. E pode ir embora, Danielly. Pode ir embora, porque eu não tenho nada pra falar com você.
Danielly – Kevin, eu já sei de tudo. Já tô sabendo que a Isabella foi vítima de uma cilada, que eu fui injusta com você. Mas me perdoa, por favor!
Kevin – Não, Danielly. Eu já vi esse filme mais de mil vezes. Hoje você pede perdão, amanhã volta a ser a mesma Danielly de sempre. Eu tô cansado. Tõ cansado da sua personalidade controladora.
Danielly – Tudo bem, Kevin. Você tem todos os motivos do mundo pra ficar chateado comigo. Mas olha só, vamos esquecer tudo isso. Amanhã a gente vai na casa da Isabella e damos todo o apoio que ela precisa nesse momento. O que você acha?
Kevin – Eu acho que quero que você vá embora.
Danielly – Kevin...
Kevin – Pára com essa hipocrisia, Danielly! Você se faz de amiga, mas no fundo nem gosta dela, morre de ciume da nossa amizade. E deve estar feliz com o que aconteceu. Vai lá pra quê? Pra despejar sua falsidade?
Danielly – Kevin, não fala assim! (começa a chorar)
Kevin – Falo. Falo sim. Por que você não se junta com a Vanessa? Vocês duas odeiam a menina, fariam uma bela dupla dinâmica. E quer saber? Com aquela sua ceninha de ciume eu já tô arrependido de ter saído com você naquela noite. Teria sido mais produtivo se eu tivesse ficado com ela, porque aí pelo menos eu não teria deixado que ela fosse naquele maldito salão de festas e isso não teria acontecido.
Danielly – Kevin, você tá dizendo que foi um erro ter saído comigo?
Kevin – Foi. Foi um erro sim, porque você não merece a minha companhia, é bem diferente de mim. Eu não sinto as coisas pela metade, quando eu amo é pra valer e quando eu odeio é a mesma coisa. Se eu amo alguém eu falo e se eu odeio também. Por que você não se assume? Não assume logo o seu ódio por ela?
Zilda chega.
Zilda – Kevin... (vê Danielly) – Oi, Danielly, você aqui?
Kevin – Ela veio, mas já está de saída.
Danielly – Kevin, me deixa ficar...
Kevin – Não, Danielly. Vai embora, eu quero ficar sozinho.
Danielly – Por favor...
Kevin – Chega, Danielly.
Danielly – (coloca o cabelo pra trás) – Tudo bem, Kevin. Eu vou. Mas apesar de tudo eu te amo. Eu vou te amar pra sempre.
Danielly beija Kevin de surpresa. Ele se solta dela.
Kevin – Tchau, Danielly.
Danielly sai. Kevin fecha a porta, se encosta nela e dá um suspiro.
Na casa de Nick, na sala, Nick está sentado no sofá, quando Marina chega.
Marina – Nick?
Nick olha pra ela.
Nick – Oi, Marina.
Marina – O que você está fazendo aqui? Você deveria estar dormindo.
Nick – Eu não tô conseguindo dormir. Tive um sonho com a Isabella.
Marina – (dá um sorriso) – Sonhou com ela?
Nick – Sonhei. Mas não se anima não, porque a nossa história acabou. E sonhar com aquela garota não é sonho, é pesadelo.
Marina – Nicholas, presta atenção: você a ama. Vocês precisam achar um meio de se entenderem. Não adianta enganar a si mesmo, você não consegue esquecê-la.
Nick – Tá, tá, tá bom. Mas isso não importa. O que eu sinto ou deixo de sentir por ela não importa. O que interessa é que ela me traiu. E ponto final.
Marina – Nick...
Nick – Você acha que é fácil pra mim? Não é não. Só que eu não vou dar o braço a torcer. Marina, coloca uma coisa na sua cabecinha: Isabella e eu acabou. Acabou.
Nick se levanta e sobe as escadas.
No dia seguinte...
Na casa de Isabella, na sala, Laura está arrumando um vaso de flores numa mesa.
No quarto de Isabella, ela está penteando o cabelo.
Na sala, a campainha toca. Laura atende. É Kevin.
Laura – Kevin...
Kevin – Oi, Laura, tudo bem? A Isabella está?
Laura – Está. Está sim. Você não sabe o que aconteceu aqui ontem. A Regina quase foi embora, chegou a pedir demissão. Só que a Isabella ouviu a conversa e conseguiu convencê-la a ficar.
Kevin – A Bella é incrível.
Laura está saindo, quando de repente...
Laura – (se vira) – E o Brian?
Kevin – O Brian? Ele está bem. Sempre tentando agradar a Monique. Mas por que esse interesse todo no meu primo?
Laura – Nada. Não é nada. Eu... eu vou ver com ela se você pode subir. Com licença.
Laura sai, subindo as escadas.
Kevin vai andando pela casa.
Ele pára perto dos porta retratos e pega um retrato com uma foto de Isabella. Na foto ela aparece com a aparência mais nova, com aproximadamente 16 anos segurando um troféu. Kevin fica observando a foto e toca na imagem de Isabella lentamente. Ele coloca o porta retrato no lugar e pega outro. Neste porta retrato, Isabella aparece abraçada a seus pais com aproximadamente 6 anos de idade.
Kevin – Que linda.
No quarto de Isabella, ela está em frente ao espelho penteando o cabelo. Ela solta a escova e pega uma foto que está no criado mudo. Na foto, Isabella está no colo de sua mãe, ainda recém nascida, abraçada a seu pai. Ela se lembra.
CIDADE DE VANCOUVER, CANADÁ:
Numa avenida, o trânsito está um caos. Álváro e Eduarda, que são os pais de Isabella e Isabella estão aguardando o sinal abrir. Isabella está sentada no banco traseiro, digitando uma mensagem no celular.
Álvaro – Tudo parado, Eduarda.
Eduarda – Pois é, Álvaro. E eu tenho que chegar em casa logo pra preparar uma aula.
Isabella – O que será que aconteceu, mãe?
Eduarda – Não sei, filha. Deve ter acontecido algum acidente grave por aí.
No banco traseiro, Isabella abaixa a janelinha do carro, coloca o cabelo pra trás e continua mexendo no celular. A jovem, que está alheia ao que acontece à sua volta, dá um sorriso.
De repente, um grupo de três rapazes se aproxima do carro de Álvaro e Eduarda. Um dos rapazes se aproxima de Isabella, que está com a janelinha do carro aberta e distraída. O rapaz dá uma batidinha de leve na cabeça dela e quando Isabella levanta o rosto dá de cara com um revólver apontado na direção dela.
Isabella – (som de susto) – Mom, dad! (Mãe, pai!) (o assaltante aponta o revólver na cabeça dela)
Eduarda se vira com o susto.
Eduarda – (olhando para Isabella, que está com o revolver apontado na cabeça) — Bella!
Assaltante – Shut the fuck up. This is a robbery. Passes all, wealthy. Passes all or the Cinderella dies. (Cala a boca. Isso é um assalto. Passa tudo, ricaça. Passa tudo ou a Cinderela morre.)
Isabella dá um grito.
Eduarda – (tirando o relógio) – Here, here. (Toma, toma). (um assaltante arranca um colar de esmeraldas do pescoço dela)
Isabella – Mãe... (começa a chorar)
Assaltante – (para Isabella) – Give me cellphone, Cinderella. (Passa o celular, Cinderela.)
Isabella entrega o celular na mão dele.
Assaltante – The bracelet and earrings too, Cinderella. (A pulseira e os brincos também, cinderela.)
Isabella dá a pulseira e os brincos para o assaltante e ele dá um soco na cabeça dela com o revólver. Isabella cai, deitada no banco, chorando muito.
Álvaro – Do not touch my daughter, her bum! (Não encosta na minha filha, seu vagabundo!) (Álvaro dá um soco na cara do assaltante)
Isabella – (deitada no banco traseiro) – Dad, does not react, dad! (Pai, não reage, pai!) (chorando)
Assaltante – Bastard, you will die! (Desgraçado, você vai morrer!)
Álvaro – Calm, Isabella, do not cry. Is down and take care (Calma, Isabella, não chora. Fica abaixada e toma cuidado.)O trânsito começa a normalizar.
Eduarda – Look around, Álvaro. Traffic’re going, let’s get out of here. (Olha aí, Álvaro. O trânsito tá andando, vamos sair daqui.)
Álvaro coloca a mão no volante e tenta sair com o carro, ás pressas, enquanto Isabella continua deitada no banco traseiro. De repente, a moça escuta dois barulhos fortes de tiro e se levanta, se deparando com Eduarda desacordada no banco com a cabeça ensanguentada e Álvaro agonizando encharcado de sangue.
Isabella – Nãão! (gritando e chorando)
Isabella dá um beijo na imagem de Eduarda e depois na de Álvaro chorando.
Na sala, Kevin pega mais um retrato. Neste, Isabella está segurando um cachorro de raça Beagle no colo com a mesma aparência de 6 anos da foto anterior. Laura chega.
Laura – Kevin?
Ele se vira.
Kevin – Laura....
Laura – O que está fazendo?
Kevin – Nada. Eu só estava vendo esses porta retratos.
Laura – Hum...
Kevin – (sobre a foto do troféu) – Quantos anos a Bella tinha quando tirou essa foto?
Laura – Ela tinha dezesseis. Foi num concurso de decoração que ela participou no Canadá. Ela ficou em 2º lugar.
Kevin – E essa? (sobre a foto do cachorrinho)
Laura – Esse era um cachorrinho que a gente ganhou num natal do papai. O nome dele era Spike. A Bella era muito apegada a ele, mas três anos depois o cachorro morreu de cinomose. E como ela era uma criança, sofreu muito na época.
Kevin – Jura?
Laura – Juro.
Kevin – Tadinha...
Laura – Pois é. Ela é muito sensível.
Kevin – Eu posso subir?
Laura – Pode.
Kevin – Obrigado.
Laura – De nada.
Kevin sai, subindo as escadas.
No quarto de Isabella, a porta está encostada. Kevin segura a maçaneta e entra no quarto. Isabella está sentada na cama de frente para o seu piano e de costas para Kevin. Ele vai até ela e se senta na cama.
Kevin – (passa a mão no cabelo dela) – Bella...
Ela continua com o rosto virado de costas. Ele passa a mão no rosto dela e uma lágrima dela cai no dedo dele.
Kevin – Você tá chorando?
Ela vira o rosto e olha pra ele. Ele a abraça e dá um beijo no cabelo dela.
Kevin – Não chora. (ele olha pra ela) – Me diz: por que você tá chorando?
Isabella – Nada. (chorando)
Kevin – Como “nada”? Bella, ninguém chora por nada. Você tá chorando por quê? É por causa do Nicholas?
Isabella – Não. O Nicholas não me interessa mais. (chorando)
Kevin – Então é por quê? É por causa da Vanessa? Me diz, o que aquela vadia te fez?
Isabella – Não é por causa dela. (chorando)
Kevin – Por causa dos seus pais?
Isabella faz um sinal de “sim” com a cabeça baixa.
Kevin – (abraça Bella) – Não chora. Eles não estão aqui fisicamente, mas estão lá de cima olhando por você.
Isabella – Eu tava me lembrando do assalto em que eles morreram. O assaltante me deu uma coronhada na cabeça com o revólver e o meu pai deu um soco nele pra me defender. Eles morreram tentando me proteger, Kev. Toda vez que eu lembro daquela cena horrível eu choro.
Kevin – Então esquece, Bella. Não fica pensando nisso. Fique só com as lembranças boas deles. Você acha que se eles estivessem aqui iriam querer te ver triste? Não, Bella. Eles iriam querer te ver feliz.
Isabella – (dá um sorriso) – É, você tem razão. (passa o pulso nas lágrimas)
Kevin – Não liga não. Eu te entendo. Eu sei que não é do mesmo jeito, porque eu ainda tenho a minha mãe. Mas eu sei o que é perder um pai.
Isabella e Kevin se abraçam.
Isabella – (se solta dele) — Você também tá triste, não é?
Kevin – Eu?
Isabella – É. Eu te conheço, não adianta negar. Vai, me diz: o que aconteceu?
Kevin – Tá bom. Eu sei que você é sensitiva e percebe as coisas de longe. Eu briguei com a Danielly.
Isabella – O quê? Mas por quê? Foi por minha causa?
Kevin – Eu não quero falar sobre isso. Você entende?
Isabella – Claro.
Eles ficam calados por alguns segundos.
Kevin – Que foi? Tá pensando em quê?
Isabella – Kevin, eu quero te pedir desculpas.
Kevin – Desculpas? De quê?
Isabella – Você sabe, Kevin. É sobre quando você contou para sua mãe e pra Danielly sobre as mensagens anônimas. Eu fui muito rude com você nos últimos dias. Eu te ignorei, te tratei mal, mas agora eu vejo que você só queria me ajudar.
Kevin – Esquece isso, Bella. Eu não tenho nada pra perdoar de você. E tem mais: mesmo que você nunca mais falasse comigo, mesmo que a gente estivesse brigado até hoje eu sempre iria gostar de você do mesmo jeito. O meu carinho por você não morreria jamais.
Isabella – Eu só tenho a agradecer por todo o apoio que você me deu por todo esse tempo. Eu me lembro de quando a gente se conheceu e você se aproximou de mim naquela lanchonete. Você viu que eu não estava bem e mesmo sem me conhecer me tratou como se já me conhecesse há anos.
Kevin – Pois é. Foi só olhar pra você e eu já soube no mesmo instante que você era uma pessoa especial.
Isabella – E ainda me juntou com o Nick... eu fiquei morrendo de vergonha, mas foi muito legal o que você fez.
Kevin – Bella...
Isabella – Me ajudou com a Vanessa, me deu força pra enfrentar aquelas mensagens horríveis. Você mal me conhecia e por isso poderia ter duvidado de mim, mas não. Ficou do meu lado o tempo todo. Durante e depois. Eu nunca vou esquecer. Nunca.
Kevin – (segura a mão dela) – Tá, Bella. Eu entendi. E você não precisa agradecer. Amigos são pra essas coisas.
Isabella – Mesmo assim. Eu agradeço do mesmo jeito.
Kevin – Bella... por que essa conversa? Eu não tô gostando desse papo. Você fala como se estivesse se despedindo... fala como se a gente não fosse mais se ver.
Isabella – (cai uma lágrima dos olhos dela) – É isso, Kevin. Eu tava tentando achar as palavras certas pra dizer, mas eu realmente estou me despedindo. Eu tô indo embora de São Paulo. Eu vou pra Ponta dos Campos. Vou morar na fazenda dos meus pais.
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