Shape Of My Heart
21 Capitulo 21
Notas iniciais
Na casa de Howie, na sala, Paula está sentada no sofá. Ela vai até o armário de bebidas, pega uma garrafa, abre e bebe um gole. Paula guarda novamente a garrafa no armário.
Paula – Hum... Que delícia...
Rita, uma das empregadas chega.
Rita – Senhora?
Paula se vira.
Paula – Sim?
Rita – Eu posso colocar a mesa pro café da manhã?
Paula – Pode. Pode sim.
Rita – Obrigada.
Rita sai. Ela fica escondida ao lado da porta e vê quando Paula abre novamente o armário de bebidas e bebe mais um gole de bebida alcóolica. Rita sai.
Na cozinha...
Rita – (para o mordomo) – Aqui entre nós... a dona Paula tá bebendo de novo.
Antônio – (mordomo) – Ela tem problemas, Rita. O alcoolismo é uma doença. Mas não se mete. Deixa isso com os filhos dela.
Rita – Eu hein... da minha boca não sai um piu...
Na casa de Isabella, na sala de jantar, Laura está tomando café da manhã. Regina está ao lado dela.
Laura – E a Isabella? Não vai descer para tomar café?
Regina – Eu fui na porta do quarto dela chamá-la e a porta estava trancada.
Laura – (dá um sorriso) — Hum... ela não deve ter dormido em casa. Deve ter passado a noite com o Nicholas.
Regina – Você quer que eu vá no quarto dela chamá-la de novo?
Laura – Por favor.
Regina – Tudo bem.
Regina sai. Na porta do quarto de Isabella, Regina vê que a porta está encostada. Regina entra no quarto e vê que Isabella não está lá. Ela vai até a porta da suíte.
Regina – (bate na porta) – Bella?
Sem resposta.
Regina – Isabella, você está aí?
Isabella – (pausa) – Eu já vou, Regina. (com a voz embargada)
Regina – Isabella, tá tudo bem?
Isabella não responde.
Regina – Que estranho...
Ela se afasta. Regina vai até a porta do quarto e sai.
Na sala de jantar, Laura está passando margarina no pão. Regina chega. Laura olha pra ela.
Laura – E aí?
Regina – Ela vai descer.
Laura – Que bom.
Vanessa chega.
Vanessa – (se sentando na mesa) — Bom dia! Belo dia! Que dia lindo!
Laura – Tá feliz assim por quê, Vanessa? O que aconteceu?
Vanessa – Nada. Eu só estou feliz. Por que, não posso?
Laura não responde. Isabella chega de cabeça baixa. Ela se senta na mesa e faz uma careta de dor.
Vanessa – Bom dia, Isabella. Como foi a sua noite?
Laura – Eu imagino que tenha sido maravilhosa.
Isabella – Maravilhosa?
Laura – É, você não ficou com o Nicholas?
Isabella – Eu... eu... (cai uma lágrima dos olhos dela)
Laura – Isabella, o que foi? Não precisa chorar, foi uma noite especial.
Isabella sente o celular vibrar em sua calça. Ela pega o aparelho. O celular está indicando mensagens. Ela abre os SMS’s.
“Gostosa. Já estou com saudades. Te quero de novo. Beijo na boca”.
Ao ler essa mensagem, cai uma lágrima dos olhos de Isabella. Vanessa fica observando o jeito dela na mesa e solta uma gargalhada baixa e rápida. Regina olha pra ela.
Regina – Vanessa, qual é a graça?
Vanessa – (com voz de riso) – Nada, mãe. Eu tô lembrando de uma piada que eu ouvi ontem próximo ao salão de festas do Mônaco.
Isabella começa a chorar.
Laura – Isabella...
Isabella – Com licença. (chorando)
Ela se levanta da mesa e sai correndo.
Laura – Isabella... Isabella, volta aqui!
Laura sai correndo atrás dela.
Regina – Vanessa, você fez alguma coisa?
Vanessa – Eu? Magina, mãe. Agora tudo o que acontece com a orfã é culpa minha? Eu hein!
Vanessa sai.
Enquanto isso, nos corredores dos quartos, Isabella entra no seu e tranca a porta. Ela se deita na cama chorando muito. Na porta...
Laura – Isabella! Isabella, abre a porta, eu quero falar com você!
Isabella – Me deixa, Laura! (gritando e chorando)
Isabella vê que o celular possui uma mensagem de voz. Ela aperta o botão para ouvir a mensagem.
“Oi, Bella. Sou eu, o Kevin. Tá tudo bem contigo? Se puder, responda essa mensagem de voz. Tchau.”
Isabella joga o celular longe.
Na casa de Nick, no quarto dele, ele está deitado na cama chorando, quando alguém bate na porta.
Nick – Entra.
É Angel. Ela entra no quarto. Nick olha pra ela.
Angel – Nick...
Ela vai até a cama dele e se senta.
Angel – Nick, você não vai descer?
Nick – Não.
Angel – Por quê?
Nick – Não é nada, eu só estou com um pouco de dor de cabeça.
Angel – Você tá triste?
Nick – Não. Eu tô bem. (cai uma lágrima dos olhos dele)
Angel – Você quer que eu faça um chazinho pra sua dor de cabeça?
Nick – Não, minha linda. Não precisa.
Angel – Eu tô preocupada com você, maninho.
Nick – Não precisa. Eu já vou melhorar.
Angel – Você tá chorando?
Nick não responde.
Angel – (passando a mão no rosto dele, que está cheio de lágrimas) — Não chora, maninho.
Nick – Não se preocupa não. Eu tô um pouquinho triste, mas já vai passar.
Angel – Você quer que eu fique aqui com você te fazendo companhia?
Nick – Não, Angel. Vai lá tomar seu café. Eu vou ficar bem.
Angel – Tem certeza?
Nick – Tenho.
Angel – Eu te amo, Nick. Te amo muito, muito, muito.
Nick – Eu também, meu amor. Eu também.
Angel abraça Nick e lhe dá um beijo no rosto.
Angel – Fica bem, mano. Não chora.
Angel se levanta e vai até a porta. Na porta, ela fica olhando para Nick de longe. Ela sai.
Nick – (olhando para um porta retrato de Isabella) – Como eu pude me enganar tanto com você?
Nick pega o porta retrato e o vira pra trás.
Na casa de Isabella, no quarto de Vanessa, ela está ouvindo os gritos de Laura vindo do lado de fora.
Laura – Isabella, o que aconteceu? (enquanto Vanessa dá gargalhadas em tom baixo no quarto) – Abre essa porta, eu quero saber!
Isabella – Me deixa, Laura, eu não quero falar com ninguém!
Vanessa – Maravilha.
Na sala, Laura está descendo as escadas.
Laura – (para Regina) – Regina, você sabe de alguma coisa?
Regina – Eu não tenho a menor ideia, Laura. Também estou preocupada tanto quanto você.
Laura – Alguma coisa muito estranha aconteceu naquele salão de festas. Eu vou ligar pro Nicholas agora.
Ela pega o telefone e começa a discar o número do celular de Nick. Na casa dele, no quarto dele, o seu celular toca. Nick, que está chorando seca as lágrimas e atende.
Nick – Alô?
Na casa de Isabella, na sala...
Laura – Nicholas, o que você fez com a minha irmã? (brava)
Nick – Eu não fiz nada. Foi ela que fez comigo.
Laura – O quê? Ela esteve ontem no salão de festas e ia se encontrar com você.
Nick – (sem prestar atenção no que Laura disse) – Olha, não me interessa. E aproveitando que você está na linha eu vou logo deixando um recado pra Isabella por você. Diz pra ela que ela está morta pra mim. MORTA.
Nick desliga. Na casa de Isabella...
Laura – (com o telefone no ouvido enquanto ele está apitando) – Nicholas! Nicholas! (ela coloca o telefone no gancho)
Regina observa assustada.
Regina – Laura, o que aconteceu?
Laura – É o que eu vou saber agora.
Laura pega o telefone.
Regina – (enquanto Laura está discando um número) – Pra quem você está ligando?
Laura – Lembra do dia que a Isabella sumiu? Ela foi na casa do Kevin e voltou toda agressiva. Ele é o melhor amigo dela. Se a Isabella tem alguma coisa a esconder ele com certeza sabe o que é.
Na casa de Kevin, no quarto dele, ele está tomando seu café da manhã, quando o telefone toca. Kevin atende.
Kevin – Alô?
Na casa de Isabella...
Laura – Kevin... que bom que você atendeu...
Kevin – Laura, o que foi? Aconteceu alguma coisa?
Laura – Kevin, você pode vir aqui? Eu preciso muito da sua ajuda.
Kevin – Claro. Claro que sim. Mas a Isabella está bem?
Laura – Não sei, Kevin. Ela tá muito estranha. Se trancou no quarto, não quer falar comigo, não pára de chorar... eu não sei o que fazer.
Kevin – O quê?
Laura – É, Kevin. Eu não sei o que fazer. Você sabe de alguma coisa?
Kevin – Calma, Laura. Fica calma. Eu tô indo praí.
Laura – Obrigada, Kevin. Até logo.
Kevin – Até.
Eles desligam.
Na casa de Howie, na sala de jantar, Paula chega.
Paula – (se sentando em uma cadeira) – E o Howard? Já acordou?
Rita – Já acordou e saiu cedo pro trabalho.
Paula – E a Pollyanna? Onde está?
Rita – Saiu também.
Paula – Rita, me faz um favor? Pega aquele vidro daquele conhaque novo que eu comprei? Tá escondido no meu quarto em cima do meu guarda roupa. Por favor?
Rita – Mas dona Paula, o Howie me proibiu de te dar bebidas...
Paula – O Howie proibiu? Mas que coisa! Rita, quem paga o seu salário sou eu. Sendo assim, você tem que obedecer a mim, não ao Howie.
Rita – (abaixa a cabeça) – Tudo bem.
Rita sai.
Paula – Quanto atrevimento...
Na empresa de Brian, no seu escritório, ele está avaliando um projeto de um shopping.
Brian – (passando o dedo na demonstração da planta no computador) – São duzentos e trinta e seis mil metros quadrados... Aqui dariam pra ser construídas mais ou menos umas quinhentas e cinquenta lojas, mas temos que ter em mente o número de elevadores, as escadas rolantes, o número de pisos do shopping, as praças de alimentação, etc.
Renato – (empregado) – A gente poderia idealizar a construção de um playground para o publico infantil. O que acha, Brian?
Brian – É uma ideia válida. Podia ter também um salão de beleza para o publico feminino dentro do playground. Assim, enquanto as crianças se divertem as mães podem aproveitar para cuidar da própria aparência. Mulher adora essas coisas.
Renato – Você pensa em tudo.
Brian – Esse é um projeto que deve ser muito bem pensado. Será um grande sucesso empresarial.
Renato – E por falar em mulher... como anda a vida? Já conseguiu se acertar com a tal Monique?
Brian – (dá uma risada) – Esse é um projeto do coração um tanto complicado, mas deixa estar. Ela vai ficar comigo, mais cedo ou mais tarde. Ou eu não me chamo Brian Thomas Littrell.
Renato – É isso aí.
Na casa de Isabella, a campainha toca. Laura atende. É Kevin.
Laura – Oi, Kevin.
Kevin – Oi, Laura. E aí?
Laura – Ela continua trancada no quarto.
Kevin – Eu vou subir.
Kevin corre até a escada e sobe até o andar de cima. Laura vai atrás dele. Chegando lá, ele vai até a porta do quarto de Isabella.
Kevin – (do lado de fora, batendo na porta) – Bella... Bella, sou eu, o Kevin. Abre a porta, eu quero falar com você.
Isabella não responde.
Kevin – (bate na porta três vezes) – Bella, é sério, vamo conversar. Abre a porta, eu quero te ajudar. Por favor...
No quarto de Isabella, ela está deitada na cama chorando, agarrada a um bichinho de pelúcia.
Do lado de fora...
Kevin – Laura, não vai ter jeito. Se afasta um pouco da porta.
Laura se afasta.
Kevin – Um... dois... três...
Ele dá um murro na porta tão forte que ela se abre. Dentro do quarto de Bella, ele a encontra deitada na cama, chorando muito.
Kevin – (corre até ela e a abraça de surpresa enquanto ela chora) – Bella! Bella, o que foi? O que você tem, me diz, por favor!
Ela continua calada chorando nos braços dele.
Kevin – Responde, Bella. Pode confiar. (para Laura) – Laura, por favor, me deixa sozinho com ela.
Laura – Tudo bem.
Ela dá uma última olhada para Isabella e sai.
Isabella – O que que cê tá fazendo aqui?
Kevin – A Laura ligou pra mim e disse que você estava esquisita. O que houve, Bella? Eu tô preocupado com você. Responde.
Isabella – (se levanta e vai até a porta) – Sai daqui, Kevin. Eu não te chamei, eu não quero ver ninguém. (chorando)
Kevin – Mas...
Isabella – Vai embora, Kevin. Não chega perto de mim! (gritando e chorando)
Kevin – Eu não tô entendendo. Isabella, por que você tá me tratando assim? O que eu te fiz? Quando eu contei sobre as mensagens anônimas pra Danielly e pra minha mãe tudo bem, você tinha um motivo pra não querer falar comigo, mas isso já foi. Dessa vez eu não fiz nada. Me diz, Bella. Desabafa, confia em mim. Não precisa ter medo, eu não vou te machucar.
Isabella vira o rosto pro lado desviando o olhar.
Kevin – (passa a mão no cabelo dela) – Fala...
Ela se afasta.
Isabella – Não me toca. (chorando)
Na sala...
Laura – (se sentando no sofá) – Eu não tô entendendo mais nada. (coloca a mão no rosto)
Regina – Fica calma, Laura. Eu vou fazer um chá de camomila pra você.
Laura – Eu não quero chá, Regina. Eu só quero saber o que está acontecendo.
Regina – Calma, Laura. O Kevin não tá lá em cima conversando com ela? Daqui a pouco ele te conta.
Laura – Tem uma coisa que eu não entendi.
Regina – O quê?
Laura – Quando eu liguei pro Nicholas ele foi grosso, muito grosso. Parecia que estava com raiva da Isabella. Disse até que era pra eu dizer pra ela que ela estava morta pra ele.
Regina – O quê?
No quarto de Vanessa, ela está deitada na cama, segurando um porta retrato de Nick.
Vanessa – Agora sim, Nicholas. Agora sim você vai voltar pra mim.
No quarto de Isabella...
Kevin — ... Tá bom. Eu não vou te tocar. Mas me conta, o que aconteceu.
Isabella – Eu... eu nem sei por onde começar. É cruel demais. (chorando)
Kevin – Começa pelo começo. Vem cá. (segura a mão dela e a leva até a cama dela) – Senta aqui. Me conta, o que houve? O que fizeram com você?
Isabella — No salão de festas...
Kevin – O que tem o salão de festas?
Isabella – Ontem à noite eu recebi um buquê de flores de um homem desconhecido. O tal rapaz se passava pelo Nick e me pedia pra me encontrar com ele no salão de festas pra um pequenique romântico. Eu fui e quando eu cheguei lá... quando eu cheguei lá...
Kevin – O que, Isabella? Continua.
Isabella – Quando eu cheguei lá não era o Nick.
Kevin – Não era o Nick?
Isabella – Não. Era o cara que me mandava as mensagens anônimas e os presentes estranhos. (chorando)
Kevin – O que você está dizendo?
Isabella – É isso mesmo, Kevin. Eu caí numa armadilha. Não era o Nicholas. Ele me obrigou a ter relações sexuais com ele.
Kevin – O quê? Isabella, esse cara te estuprou?
Isabella faz um sinal de “sim” com a cabeça chorando de cabeça baixa.
Kevin – Você precisa denunciar isso pra polícia! Tem que prestar depoimento, fazer exame de corpo de delito, isso não pode ficar assim!
Isabella – Não, Kevin, polícia não! (chorando)
Kevin – Como assim “polícia não”? É crime, Isabella. Esse desgraçado, esse vagabundo que fez isso com você não pode ficar solto por aí. Entende uma coisa, querida: hoje é você, amanhã é outra menina. E depois outra, e depois outra, e depois outra. Você tem que denunciar.
Isabella – Não, Kevin. Eu não posso. (chorando)
Kevin – Por que não? Por que não pode, Isabella? Eu vou com você, eu sou testemunha de tudo o que você passou.
Isabella – Não, Kevin. Eu só tenho a Laura. Eu não posso denunciar, ele sabe tudo sobre mim, ele disse que se eu fosse na polícia ia machucar a Laura e o Nicholas, eu não posso!
Kevin – Não vai acontecer nada com a Laura, Isabella. Eu te prometo. Nem com o Nicholas. Você precisa denunciar o que aconteceu com ou sem ameaças. Até porque só com o B.O você vai ter o pedido de exame de corpo de delito.
Isabella – Exame?
Kevin – Sim, Isabella. Só com esse exame você vai poder provar a violação.
Isabella – Não, Kevin. Exame não. Se eu for fazer exame a Laura vai saber o que aconteceu. Eu não quero que ela saiba nunca. (chorando)
Kevin – (segura o rosto dela) – Olha só, meu amor... deixa eu explicar direitinho pra você: você tem que fazer o exame. É necessário, não só pra você ter a prova da agressão, mas pra você ter ciência dos cuidados que você deve ter pra evitar uma gravidez indesejada.
Isabella – Meu Deus...
Kevin – E não vai ter jeito, Bella. A Laura vai ter que saber mais cedo ou mais tarde. Mas você tem que fazer o exame. E não se preocupa, você não vai estar sozinha. Eu vou com você, pra te apoiar, pra te dar força nesse momento.
Isabella – Tá bom, Kevin. Eu faço o exame. Mas antes deixa eu tomar um banho.
Ela se levanta e ele puxa o braço dela.
Kevin – Não, Bella. Você não pode tomar banho ainda. As provas estão no seu corpo, nas roupas que você estava usando na hora do crime. Você tem que levar tudo pra delegacia. Eu sei que nesse momento tudo o que você quer é tomar um banho e tirar essas marcas de si mesma. Mas você não pode. Não enquanto não realizar o exame fisico. Você entende, não é?
Isabella – (faz um sinal de “sim” com a cabeça baixa) – Entendo.
Kevin – Agora vem cá. Deixa eu te dar um abraço. Um abraço bem forte pra você saber que não está sozinha.
Isabella e Kevin se abraçam.
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