Notas iniciais
Lembando que as letras são minhas

Victor Nikiforov está deitado na cama de seu quarto, se preparando para dormir, quando seu celular recebe uma notificação. Quando ele o abre, percebe ser uma resposta do dono do canal no Youtube, e quando lê a resposta, ele se anima.

— Yes!! — Ele diz, se sentando e continuando a ler a mensagem.

“Querido Sr. Nikiforov,

Tenho o prazer de dizer que K.Y. aceitou o seu pedido e terá o maior prazer de criar uma nova composição pro Sr. Para falar a verdade, amanhã estou em Barcelona, acompanhando o programa livre de patinação. Se não for nenhum problema, podemos marcar de nos encontrar em um restaurante? Meu número é xx… E meu nome é Minako Okukawa. Me ligue quando puder para confirmar. E caso lhe interessa, estou lhe mandando minha playlist com novos vídeos de K.Y. para você e caso seja de seu interesse, posso lhe passar um CD com as músicas dela.

Boa sorte na apresentação livre amanhã.”

Imediatamente, ele abre a playlist e o primeiro vídeo aparece. O nome o assusta: Victor Nikiforov’s SP [For You] — Cover by K.Y.

No vídeo, ele consegue perceber em um ambiente iluminado por uma luz fraca que foca a lateral de uma moça com os cabelos para trás, suéter preto, headphones e um violão no colo. Ela está sentada, começando a tocar e a cantar.

À você, uma pessoa qualquer desta vida

Eu desejo toda a felicidade possível

Neste dia em diante para todo o sempre

Por que você merece isso e muito mais

Á você, uma pessoa cheia de dúvidas

Eu desejo que a tua linha do destino

Traga as respostas certas e necessárias

Neste dia em diante, para todo o sempre

Á você, uma pessoa revoltada com a vida

Eu desejo força para erguer quando cair

Eu desejo palavras para levantar seu ânimo

Eu desejo paciência para todos os os momentos

Á você, uma pessoa perdida do seu caminho

Eu desejo ser os braços que te carregam

Eu desejo ser as pernas que te acompanham

Eu desejo ser a pessoa que te mudará

Á você, uma pessoa solitária e sonhadora

Eu desejo que tudo de bom possa acontecer

Neste dia em diante, para todo o sempre

Porque você merece isso e muito mais

À você, minha pessoa especial e única

Desejo ser a pessoa que está ao teu lado

Te dando todo o meu carinho e confiança

Porque você merece isso e muito mais

Uma lágrima escorre de seu olho direito, e o vídeo mal está na metade. Ele fita a cantora, tentando ver a face dela, mas a fraca iluminação deixa mais difícil. O vídeo acaba e outro começa, sendo o vídeo que ele viu mais cedo, Perfect Word. Ele o vê novamente, deitado na cama e parte para o próximo: Rain

A manhã que nasce, diferente todos os dias

Ontem sorrias, ontem brilhavas

Mas então porque hoje derramas tantas lágrimas?

Porque logo hoje estás a sofrer?

Chuva densa que cai, molhando tudo

Chuva forte, chuva forte. Que não pára mais

Por que choras? Por que choras, meu amor?

Há tantas coisas que realmente ainda não sei

Vivo sem saber se minha vida é algo para ti

E também me pergunto, se vivo sem ti, sem seu brilho.

Será que sou capaz de te entender um dia?

Uma ferida inesquecível, aberta tão maldosamente

Você me perdoaria? Você perdoaria esta tola pessoa?

Deve ser por isso que estás a chorar sem parar

Me desculpe por não ter percebido enquanto era tempo

Chuva densa que cai, molhando tudo

Chuva forte, chuva forte. Que não para mais

Por que choras? Por que choras, meu querido?

Esta chuva que machuca o meu coração

Esta chuva que me fez perceber

Coisas que achava tão tolas, tão idiotas

E no fundo, eram apenas os seus sentimentos

Chuva densa que cai, molhando tudo

Chuva forte, chuva forte. Que não para mais

Por que choras? Por que choras, …?

Chuva densa que cai, molhando tudo

Chuva forte, chuva forte. Que não para mais

Por que choras? Por que choras, meu Céu?

E o próximo, Alone

Aqui estou, com medo de te dizer

Estas doces palavras, que meu coração nega

Toda noite, em meus sonhos, tento te dizer

‘Volte para mim! Não me deixes mais só!’

Sim, eu sei

Você gosta de outra pessoa

Mas, já nem sei mais

Se meu coração ainda te ama ou não.

Como eu gostaria de ser feliz, ao teu lado

Como eu gostaria de sentir teu cheiro, mais uma vez

Como eu gostaria de sentar junto a ti, e te beijar eternamente

Mas… Agora já não dá mais…

Aqui estou, solitária e sofrendo

Me desculpe, estou apenas me impondo a você

Agora meu coração está mais que quebrado

Ele está envolto em intensa escuridão.

Sim, eu sei

Não consigo te esquecer

Assim, já não há mais

Nada que me faça voltar atrás.

Como eu gostaria de ser feliz, ao teu lado

Como eu gostaria de sentir teu cheiro, mais uma vez

Como eu gostaria de sentar junto a ti, e te beijar eternamente

Mas… Agora já não dá mais…

E antes que percebesse, ele dorme ao som de K.Y., completamente encantado com a voz e a música dela. E definitivamente desejando do fundo do coração poder se encontrar pessoalmente com ela e agradecer por ajudá-lo hoje cedo. E pelas músicas.

Victor acorda ao escutar o barulho de seu celular, notando que a bateria dele está descarregando. Xingando, ele se levanta e o coloca para carregar. Ele olha pro relógio e vê que são quase 7 da manhã. Não sentindo mais sono, ele decide tomar café da manhã e usar o resto do dia para revisar o seu programa. Após um rápido banho, ele se veste de uma calça jeans e tênis pretos, camisa cinza de manga comprida e um casaco longo também cinza, um pouco mais escuro que a camisa.

No elevador, ele aperta o andar do saguão e espera ele descer. No andar de baixo, a porta se abre e uma moça asiática se mostra, de longos cabelos negros desarrumados, óculos escuros, casaco azul escuro e calça jeans cobriam seu corpo não muito gordo. Um par de fones de ouvido negros está pendurado em seu pescoço e em sua mão direita, uma espécie de cajado, que levemente se ergue e começa a bater de leve no chão na frente dela, se locomovendo junto com ela. Oh, ela é cega, Victor percebe, segurando o botão de manter a porta aberta.

“Que andar?” Ele pergunta, assustando ela.

Ela pára de andar por um tempo, inclinando a cabeça. Ela gira o rosto de leve, na direção de Victor e recomeça a andar.

“Térreo.” A moça responde, parando quando o cajado acerta a parede do elevador e colocando os fones nos ouvidos.

Ela se vira, ficando de frente para a porta do elevador e Victor solta o botão, vendo-a se fechar. Ele fica curioso ao ver uma moça cega sozinha e decide tentar conversar com ela, mesmo ele achando que ela não pode o ouvir.

“Bom dia. Eu sou Victor Nikiforov.” Ele começa a falar, percebendo que a garota se assusta de novo.

A moça vira o rosto na direção de Victor, com a boca semi-aberta. Ela a fecha, mas não gira o rosto. Ela se curva para ele.

“Yuuri.” Ela diz, o surpreendendo. “Bom dia, Sr. Nikiforov.”

“Hmm, ser chamado de senhor me faz sentir velho.” Ele diz, se encostando na parede do elevador e cruzando os braços, a fitando com um sorriso no rosto.

“Me desculpe.” Ela diz, abaixando o rosto.

“ Está tudo bem.” Victor diz, se sentindo mal. “Você pode me chamar de Victor, Yuuri.”

Ela solta uma leve risada, erguendo o rosto.

“Você está sozinha?” Ele pergunta, vendo o elevador chegar no térreo.

“Agora, sim. Acordei cedo demais.” Ela responde, começando a andar assim que a porta do elevador se abre.

“Ei, como você sabe que está no andar certo?” O patinador pergunta, surpreso com a movimentação dela.

“Eu… apenas sei.” Ela responde, se afastando dele.

“Ei, Yuuri. Podemos tomar café da manhã juntos? Mas talvez você possa se juntar a nós, se não for problema.” Ele logo passa a andar ao lado dela, sem se importar com os olhares que recebe de outras pessoas.

“Me desculpe, Victor, mas eu já tenho companhia.” Ela diz, parando de andar. “Mas talvez você possa se juntar a nós.”

Então, eles escutam a voz de Phichit Chulanont.

“Ohayo, Yuu-chan! E aí, Victor.”

“Ohayo, Phichit-kun.”

Victor se surpreende ao ver os dois conversando em uma língua diferente, distinguindo palavras como vídeo, cover e programa e os vendo mexendo em um celular. Ele nota que Phichit olha do celular para ele, o deixando confuso e se sentindo ignorado. Ele coça o pescoço, se perguntando o que deveria fazer agora.

Ele decide seguir para o restaurante, já que eles parecem ter se esquecido dele. Não que os culpe, pois ele mesmo tem mania de esquecer muita coisa. Sentado numa mesa, de pernas cruzadas, ele fica no aguardo de ser atendido, quando algo o toca. Ele ergue o rosto e vê Yuuri, ofegante e suada.

“Me desculpe…”

~x~

Sinto meu corpo despertar ao escutar um barulho ao meu lado. Estico minha mão e pego meu fone de ouvido wireless, o colocando no ouvido e aperto o botão para atender uma ligação.

“Sim?” Pergunto, bocejando.

“Yuu-chan, bom dia. Vamos tomar café juntos? Tem algo que eu quero perguntar a você.” Escuto Phichit, e me sento.

“Que horas são?” Pergunto, me sentindo fraca.

“Quase 7.” Phichit responde. “Por favor, Yuu-chan. É muito importante.”

“É sobre ontem?” Pergunto, deslizando os dedos pela lateral da cama até achar minha mala, onde meu casaco, meu celular, minha carteira e meus fones especiais estão.

“Sim. Tudo bem? Eu estou esperando por você na entrada do salão. Até.”

“Até.” Digo, dando risada ao ouvir a voz entusiasmada dele.

Percebendo Minako-sensei roncando, coloco meu casaco e os objetos nos bolsos deles, os fones no meu pescoço e os óculos no rosto. Calço meus sapatos e pego meu bastão, saindo do apartamento silenciosamente e seguindo até o elevador de acordo com minha memória, tateando a parede para apertar o botão de descer. Me surpreendo ao escutar o barulho dele chegando, e quando a porta se abre, eu entro.

“Que andar?”

Paro de andar ao escutar a voz de Victor Nikiforov, me assustando com o eco causado, por causa do elevador. Me pergunto se ele me reconheceria como a pessoa que o ajudou ontem. Inclino e viro meu rosto na direção da voz.

“Térreo.” respondo, continuando a andar até meu bastão bater na parede do elevador.

Coloco os meus fones e me viro, escutando a porta se fechar,franzindo a testa ao notar a demora. Talvez ele tenha segurado o botão pra ela.

“Bom dia. Sou Victor Nikiforov.” Escuto e me assusto, pois não esperava que ele quisesse bater papo comigo.

Viro meu rosto, abrindo a boca enquanto procuro o que falar.

“Yuuri.” Me curvo, ainda pensando no que falar. “Bom dia, Sr. Nikiforov.”

“Hmm, ser chamado de senhor me faz sentir velho” Escuto, e logo abaixo meu rosto.

“Me desculpe.”

“Está tudo bem. Você pode me chamar de Victor, Yuuri” Ele fala e eu sinto um estranho arrepio ao escutar meu nome.

Solto uma risada para disfarçar, erguendo o meu rosto.

“Você está sozinha?” Ele pergunta, e eu escuto o elevador chegar no térreo.

“Agora, sim. Acordei cedo demais.” Respondo, começando a andar assim que a porta do elevador se abre.

“Ei, como você sabe que está no andar certo?”

“Eu… apenas sei.” Respondo, me afastando dele.

“Ei, Yuuri. Podemos tomar café da manhã juntos?” Ele logo passa a andar ao lado dela, sem se importar com os olhares que recebe de outras pessoas.

“Me desculpe, Victor, mas eu já tenho companhia.” Digo, parando de andar. “Mas talvez você possa se juntar a nós.”

Então, escuto a voz de Phichit, meu amigo, que como Victor, é patinador.

“Ohayo, Yuu-chan! E aí, Victor.”

“Ohayo, Phichit-kun.”

“Yuu-chan, sabia que seus vídeos voltaram ontem de noite?” Phichit me diz, em japonês.

“Que?” Pergunto, também em japonês.

“Eu acho que sua professora te enganou. E você fez um cover da música do programa dele?”

Retiro o celular do meu casaco.

“Yuu-chan, esse celular…”.

“Checa pra mim. E as mensagens também”

Ele pega e eu o escuto mexer nele.

“Estão aqui. E… ‘ele' fez um pedido que ela aceitou.”

“Ei, Phi. Lembra daquilo? Quero que poste tudo. E tagueie ela.”

“Ok!” Escuto-o animado, no que ele me devolve o celular.

Abri um enorme sorriso.

“Sayonara, celular.”

“Yuuri, e quanto a ‘ele’?”

“Eu me sinto mal de ter que recusar o pedido dele de tomar café da manhã. Mas você já tinha me convidado antes…” Digo, um tanto nervosa.

“Está tudo bem. Eu posso perguntar pra ele e depois pra você.”

“Ok.”

“E talvez ele fale sobre a música. E talvez vocês passem a se conhecer. E talvez passem a namorar. E talvez passem a se casar. E talvez passem…”

“Phichit. Mais uma palavra e você será minha próxima vítima.” Falo, seriamente.

“Yuu-chan, me deixa sonhar!”

“Então que deixe tudo em seus sonhos. Agora, estou com fome.”

“Eu também… Ei Yuuri. Cadê Victor?”

“Victor?” pergunto e retiro os fones dos ouvidos, deixando os diversos sons ecoar pelos meus ouvidos.

“Yuu-chan!”

“Achei.” Digo em inglês, sentindo meu rosto suar. “Me ajude. Eu preciso pedir desculpas.”

Phichit me segura pelo braço direito e eu sigo com ele acompanhando o som dos passos de Victor, que se misturam na multidão à minha frente. Ele tenta erguer meus fones, mas eu o agarro com a mão esquerda.

“Eu preciso pedir desculpas.”

Me solto de Phichit e sigo com a mão erguida, a sentindo tocar em algo. Em alguém. Ele. Como, eu não sei. Eu apenas sei.

“Me desculpe…”