Shadow Touch
30 Capitulo 29
Havia então questões politicas, e maiores do que ela pensava..
. Sua dor de cabeça havia aumentado consideravelmente. Não estava certa se podia acreditar em Mary, mas ela parecia ter a convicção suficiente de saber sobre o que falava para não levar em conta.
Poderia haver famílias do lado de Morrish que a matariam se soubessem que estava viva e em Ebon?
Tinha que ser verdade. Jonh havia a alertado que sua presença aqui deveria ser um segredo.
Mas então, todos convocados pelas bruxas de Yoren em seu julgamento estavam de certa forma do seu lado ou no mínimo neutras?
Havia muitos fatores a considerar. Especialmente o fato de que Mary pedia a ela que fosse simpática quando apresentada em sociedade. Uma sociedade que odiava antes de conhecer, pedindo uma habilidade que não era sua melhor característica, e quando nem sabia que tipo de roupas e etiquetas eram usadas aqui.
Não, havia uma grande chance de tudo dar errado. Então, porque sentia a necessidade de continuar tentando, quando teria uma chance de fugir se voltasse para casa?
Era tão fácil não ligar para o mundo quando achava que estava sozinha e não precisava de ninguém. Mas agora, essas pessoas que nem conhecia, davam a ela uma chance de finalmente se sentir parte de algo, de ter uma coisa especial.
...
Já era tarde quando saiu com os vestidos do quarto de Mary para que ambas pudessem se arrumar para o almoço.
A maior parte do tempo ela falou deixando Johana livre com seus pensamentos, que no momento, eram de puro terror. Não estava certa de que Mary continuaria falando se soubesse como estava assustada.
Por incrível que parecesse ela tinha mais medo de enfrentar conversas cheias de segundas intenções em uma festa onde não conhecia ninguém, do que lutar com Morrish.
Escolheu o vestido azul claro de renda e o colocou, fechando os botões que iam da sua cintura até o decote no começo dos seios. Depois fez uma trança e a deixou solta. Embora Mary falasse de maquiagem, Johana nunca havia usado e nem podia imaginar os apetrechos então deu sua tarefa de se arrumar por terminado e deitou na cama cansada pelo esforço emocional que tinha sido sua conversa com Mary.
Fechou os olhos e se permitiu sentir os raios de fim da tarde que esquentavam de leve seu rosto.
Logo teria que descer, mas não estava pronta para encarar Jonh sozinha. Talvez ele ainda estivesse zangado, ou pior, quisesse conversar com ela a respeito. Sozinha ela não teria coragem...
Mas você vai ficar. Uma vozinha falava em sua cabeça. Vocês vão ficar sozinhos em sua casa por quatro dias inteiros.
Gemeu. Porque tinha feito isso?
Quando ouviu que Mary fechava sua porta, com toda a delicadeza de uma dama, se pôs de pé para sair e se encontrar com ela. Sim, era uma covarde, mas no momento não estava ligando.
–Oi querida. Lamento ter demorado, fiz o necessário para me arrumar, mas sabe como são as mulheres.
–De maneira alguma, não demorou.
–Vejo que está mais tranquila e com melhor linguajar. Aprende rápido. Desse jeito estará pronta para a apresentação.
–E quando será essa apresentação se me permite perguntar?
–Ainda não escolhi uma da pilha de convites. Mas deve ser uma prestigiosa e grande o suficiente.
Johana engoliu em seco enquanto Mary dava tapinhas em sua mão.
–Ó não se preocupe. Você se sairá bem.
Desceram as escadas juntas antes de serem levadas ao salão de café da manhã. Mary franziu o cenho, mas nada disse. Jonh ainda não estava lá o que Johana prontamente agradeceu aos céus. Talvez ele nem viesse para almoçar...
–Não senhora, ele não nos avisou se faltaria – um dos criados se dirigiu a Mary.
–Devemos esperar mais cinco minutos e então você pode trazer os pratos.
–Sim senhora.
–Jonh anda vivendo como um selvagem – repreendeu Mary – não come nas horas certas, as refeições são colocadas nas salas erradas... Ele precisa de uma esposa para gerenciar a casa. Olha quanta luz esta entrando por essas janelas, isso destrói os móveis de madeira. Eu vivo tentando arrasta-lo para jantares e festas, há uma pilha de convites em seu escritório, ele vai e volta entre os mundos...
–Uma mulher poderia viver feliz sem receber os cuidados do marido por este trabalhar demais?
–Tenho certeza que se houvesse uma bela mulher o esperando ele ficaria mais tempo em casa.
–Quem sabe? – deu de ombros- Acho que seria uma aposta arriscada demais.
–Sim. Mas há muitas mulheres bonitas querendo se arriscar.
–Mesmo?
–Ó sim. São tantas mães me pedindo para apresentar suas filhas...
Johana riu.
–Não ouso me perguntar quantas.
– Às vezes elas me cansam. A metade delas nem trocaram meia dúzia de palavras com ele. Tenho certeza que sua distância de certos entretenimentos tem haver com isso.
–Vamos, não deve ser ruim ter todos te querendo por perto. Recebendo tantos convites...
–Quando não é por seus próprios méritos...
–O que quer dizer?
–Johana nunca devemos fazer perguntas diretas, ou interromper quem estiver falando, lembre-se disso. Mas em todo o caso, o que quero dizer, é que as pessoas almejam se casar com um herdeiro ou líder de família. Somos uma pequena elite, e muitos, mesmo que ricos, anseiam em ter esse privilégio.
–Devo espera esse tipo de assédio também?
–Provavelmente. Na verdade, talvez em seu caso deva ser pior.
Antes que pudesse perguntar por que Jonh entrou na sala despenteado e se sentou na cabeceira.
–Desculpe-me senhoras.
–Eu sempre te digo, primeiro a família. Mas você ouve sua tia? Porque tem que trabalhar tanto? Isso não pode ser saudável.
–Não se preocupe tia. Não é sempre assim. Só tive alguns assuntos de última hora para resolver.
–Imagino que tenha muitos assuntos de última hora ultimamente...
E então ele riu.
–Pensei que tivesse dado um jeito em seu último espião.
–Sim – ela soltou uma risadinha- O pobre nunca mais vai querer voltar ao trabalho novamente. Você deve me reembolsar pelo o próximo. Ele será melhor.
–Sinto te dizer que os melhores trabalham para mim.
–Isso é algo que estou pronta para apostar.
O resto do almoço se seguiu de conversas levianas, e perguntas ocasionais sobre os assuntos de Jonh.
No entanto, Johana tinha quase certeza de que ele não gostava que a tia se intrometesse tanto em sua vida. Provavelmente ela também não gostaria, mas se pegou pensando como seria ter alguém que se importasse tanto com você que exigiria saber de um jeito ou de outro o que você anda fazendo.
Os pais de Jonh nunca eram mencionados. Ela poderia arriscar sobre porque nunca tocavam em seus nomes, ou porque ele morava sozinho sendo tão jovem, mas talvez não quisesse saber no momento o quanto tinham em comum.
Em vez disso passou o almoço concentrada em seu prato. Tentando ignorar seus pensamentos, que geralmente acabam nele e se perguntando coisas bobas como se ele havia reparado no vestido que usava, ou se ele a achava atraente.
No entanto, não estava disposta a falar. Ainda estava chateada pelo episódio da manhã e não tinha certeza como reagir. O certo era que não poderia evita-lo para sempre, mas não seria a primeira a quebrar o silêncio entre eles.
Infelizmente, a tia percebeu que não se falavam e cutucou a ferida de ambos.
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