Shadow Touch

31 Capitulo 30


–Não esperava que vocês virassem melhores amigos, mas ambos ignorarem um ao outro?

Quando nenhum deles fez sinal de responder, a tia pousou os talheres em cima do prato delicadamente e se preparou como que para uma reconciliação entre duas crianças muito teimosas.

–Muito bem. Ou vocês me contam porque eu sinto tanta tensão no ar ou irei informar a Senhora de Yoren que essa tutoria não está dando certo.

–Não! – ambos gritaram ao mesmo tempo.

Então se olharam pela primeira vez e como um acordo pelo bem comum o ressentimento de ambos foi obrigado a fazer uma pausa.

–Mary –Johana colocou a mão em seu braço para tranquiliza-la – acontece que eu só estava irritada por causa do treinamento que vem sendo um pouco exigente. E Jonh estava bravo por não conseguir o resultado esperado.

–Mas não pode ser. Se você foi entregue a sua tutoria só ontem...

–Ainda assim, temos pouco tempo, Jonh acha que pode ser a pressão desse lugar. De estar onde não conheço. Por isso – falou calmamente escolhendo as palavras — ele teve a ideia, de treinarmos em minha casa.

–Fora de Ebon? – a tia engasgou – Não pode ser... as bruxas não deixariam...

–Eu conversei com elas esta manhã, estamos partindo no dia seguinte – quando a tia abriu a boca para falar novamente Jonh interrompeu – eu sinto muito chama-la para vir tão depressa e logo ter que ir tia, mas não temos escolha.

–Eu sei que você tem medo de eu fuja– Johana continuou — mas eu estou indo com Jonh, não é como se fosse fácil fugir dele. E de certa forma, eu estou indo pela minha família também.

–Tia, se as bruxas de Yoren permitiram esse risco, quer dizer que os perigos são mínimos. Serão só quatro dias.

–Tudo bem- Mary falou por fim — Aceito seus argumentos, mas irei com vocês.

Johana olhou aterrorizada em busca de socorro.

–Não pode ir – Johana falou rapidamente – as pessoas que convivem comigo desconfiariam, aparecer com um homem e sua tia, pareceria... –engasgou – parecia que estamos comprometidos. Muito sério.

–Além disso, a senhora não sabe como as pessoas vestem e se comportam fora de Ebon. Seria arriscado ter as pessoas perguntando.

–Mas...Mas não é apropriado você ficarem em uma casa sozinhos. E que desculpas vão inventar para Jonhathan estar lá?

Johana olhou para aqueles cabelos claros tão diferentes do seu, de porte tão orgulhoso como a tia e nariz aristocrático que mostrava toda uma vida de realeza. Sabia que ninguém acreditaria que era um familiar distante.

–Ele já tem um disfarce como oficial – falou — Se alguém o ver saindo de casa posso dizer que ele só estava fazendo uma verificação rotineira.

–Essa é desculpa mais fraca que já ouvi – a tia franziu o nariz, desgostosa.

E era. Mas em sua vida, não havia precisado mentir com tanta frequência como agora.

–Vamos tia, a questão é que eu sei me cuidar fora de Ebon e você não. Não temos tempo mais para isso, já está decidido – se levantou da mesa e falou para Johana – espero você na sala de treinamento daqui uma hora.

–Antes de sair mocinho malcriado – Mary falou resignada – estou pensando em chamar alguns amigos para jantar essa noite. Johana precisa começar outra espécie de treinamento.

–Que tipo de amigos? – Jonh franziu o cenho – não podem saber que ela está aqui.

–Não se preocupe. Eu sei sobre isso. Será só um ou dois amigos aqui de Yoren mesmo. Ela precisa começar a cultivar conhecidos aqui. Não pode tranca-la em casa só treinando e treinando. Você sabe tão bem quanto eu que há outros aspectos que precisam ser cuidados.

–Mary, é muito cedo para você me apresentar a alguém essa noite, posto que sabemos tão bem que não sei me comportar em sociedade.

Jonh voltou a se sentar.

–Desde quando você começou a se comportar tão bem?

Johana fechou a cara.

–E quando foi que você parou?

–Certo – Mary murmurou – não sei se fico tranquila por não haver nada entre vocês, ou brava por ficarem se provocando como...

Ela parou quando um empregado apareceu para tirar os pratos.

–Por favor, traga a sobremesa.

–Sim, senhora.

Quando ele terminou, ela se voltou para Johana.

–Eu irei trazer um casal de amigos. Eles têm cinco filhas e serão discretos caso ocorra algum incidente – e então se virou para Jonh- Obviamente você terá que responder ao convite de baile deles e dançar com pelo menos uma de suas filhas mais velhas como agradecimento.

Ele gemeu.

–Eles vão considerar isso como um interesse pela filha deles.

–Então dance com mais de uma. E você, não sorria tão descaradamente mocinha. Depois do treinamento com Jonathan volte aqui, e eu ensinarei como se sentar adequadamente e dançar para o próximo baile. Além disso, precisaremos marcar com costureiras, um cabelereiro, sapatos...

Dessa vez foi sua vez de gemer.

–Francamente, vocês dois se comportam como crianças... O que é necessário é necessário.

A sobremesa foi traga e ela saboreou o creme doce e de cor rosa que serviam em pequenos pratos. Deus! Não estava certa de sobreviver sem isso novamente.

–Que horas vocês pretendem viajar pelos portais? – Mary quebrou o silêncio.

– Antes que o sol nasça. Será mais seguro caso algo dê errado.

–Eu queria que vocês ficassem mais tempo antes de ir. Realmente há pouco tempo para que Johana possa ir aos eventos da temporada.

Jonh a olhou, fazendo-a se sentir culpada.

Ela estava arriscando tudo para proteger os conhecidos dela. E de alguma forma, ele ainda tinha paciência para ajuda-la. Mas não podia voltar atrás. Mal sabia quanto tempo havia ficado fora. Se pudesse pelo menos arrumar isso em sua vida não se arrependeria de mais nada.

Ergueu o queixo.

–Não podemos adiar – ele falou.

–Eu entendo. Mas realmente, quando voltarem, haverá um milhão de coisas para fazer. Talvez eu possa trazer uma costureira hoje para tirar suas medidas e quando voltar terá vestidos te esperando e...

–Não é necessário – falou rapidamente.

–Logico que é. Você não pode continuar usando as minhas.

Johana se possível corou mais ainda. Odiava sentir que estava dependendo deles. Que estavam cuidando dela. Uma reponsabilidade que não deveriam ter.

–Será melhor se conseguir a costureira para hoje à tarde. Deve demorar uma ou duas horas para que ela faça o trabalho e depois terá tempo para ensina-la o que precisar.

Pegou-se observando Jonh. Ele estava bem com isso? Ou mais tarde só iria usar isso contra ela? Nunca conseguiu lê-lo muito bem, desde o começo...

Alguns assuntos foram acertados sem que ela entendesse muito bem do que falavam, por isso ficou quieta e esperou pacientemente na mesa até que a refeição fosse encerrada.

Então, todos saíram da mesa. Ela estava se dirigindo ao quarto porque não queria treinar e correr o risco de estragar um vestido que não era dela quando Jonh a parou.

–Onde vai?

–Para o quarto – se soltou dele.

–Você tem que treinar...

Ela suspirou. Ele ainda a achava irresponsável e egoísta?

–Eu sei, só preciso trocar de roupa.

–Qual o problema com essa?

Ele deu uma boa olhada no vestido claro de renda que ia até seus pés e marcava seu corpo por ser justo demais.

Ela se sentiu corar incomodamente de novo.

–Não interessa. Só preciso trocar.

Se voltou para escada quando ele segurou seu braço.

–Johana...

–Jonathan...

Ele suspirou e depois sorriu.

–Que roupa você pensa em trocar por essa?

Titubeou.

–Foi o que pensei – ele a puxou da escada — Vamos

–Não gosto de ser arrastada.

–Você não costuma vir por boa vontade.

–E você não costuma me dar bons motivos para ir.

Ele parou.

–Não estamos falando desse momento, estamos?

–Se não desse momento, do que estaríamos falando? – se soltou e caminhou a sua frente.

–Eu posso imaginar uma ou duas coisas– murmurou as suas costas.