Sgrooper
1 Meu novo 'EU' - Capítulo 1
Notas iniciais
16h00min Texas-EUA. Quarta – Feira
Depois.
A chuva e o vento deixaram à tarde fria e cinza, assim como o coração de Audrey, escondida debaixo de uma enorme arvore. A franja cobrindo-lhe os olhos, e pequenos cachos se enrolava em seu pescoço. Os lábios numa linha fina de descontentamento e profunda tristeza. Ignorando o olhar piedoso do Sr. Randon do outro lado da Rua no seu restaurante Randon’s, um lugarzinho quente e aconchegante que ela recusou com um meio sorriso.
Ela havia pensado o quão o mundo não fazia sentido, afinal agora que ela não precisava de pessoas boas, lá estavam elas. Mas já estava feito, o mal já havia se instalado nela e se tornara irremediável.
Com os pés descalços ela continua lá, esperando por algo que ela sabe que não virá. Que não acontecerá. O barulho da sirene a tira do devaneio, e com passos rápidos ela sai para a chuva correndo sem rumo, correndo pra longe da sirene...
19h00min Texas-EUA. Terça – Feira.
Antes.
“Às duas horas no salão realmente valeram a pena.” Pensou Audrey olhando seu reflexo no espelho. A franja lhe caiu bem, destacando os belos olhos verdes. Olhou para o relógio que marcava sete e dois. Sentou-se na cama lembrando-se do acontecimento estranho daquela tarde.
Voltando do salão de beleza da Dona Cherry, Audrey resolvera cortar caminho pelo parque. Assim que ela cruzou o parque, notou á alguns metros á frente além das crianças brincando um rapaz, sem camisa os cabelos em cascatas até o começo do pescoço, em sua costa estava escrito “os abomináveis Sgroopers , não que ela estivesse encarando ele, mas era estranho. O garoto se virou e a observou por uns instantes, Audrey sentiu seu rosto corar, o garoto percorreu a praça com o olhar e voltou a encarar Audrey novamente, seus olhos cintilavam de ódio, um ódio que perfurou até sua alma, trazendo á tona um pavor terrível. De repente ela notou que não era pra ela que este olhar estava sendo dirigido, parecia ser pra algo acima de sua cabeça, Audrey olha pra trás á procura do que o estava irritando tanto, mas não havia nada, e com grande susto e surpresa ela nota que o garoto não estava mais lá.
–Audrey, minha filha, vem jantar! – Sua mãe grita, trazendo-a de volta á realidade.
A Sr. Monroe coloca cuidadosamente a ultima travessa com purê de milho e frango e aguarda ansiosa a vinda das filhas. A pequena Meredith entra saltitante na copa, suas tranças ruivas caindo sobre os ombros, o vestido todo florido.
– Esse vestido de novo minha filha?
A filha limita-se a sorrir. A mais velha das filhas entra sorrindo eufórica.
– Você esta horrível com esse cabelo...
– Ah, cala boca Meredith. O que achou mamãe?- Audrey gira feito uma bailarina.
– Esta linda... Meredith eu já falei que não quero brigas no jantar.
– Tudo bem mamãe. –A pequena responde. –
O jantar foi calmo e feliz. As filhas contaram a mãe como fora o dia na escola e antes das 23h todas estavam dormindo.
“Estou correndo desesperada! A floresta a minha volta é escura e assustadora, paro quando vejo um senhor já de meia idade, seus cabelos grisalhos balançando contra o vento, á sua volta um caminho de tochas iluminava aquela parte da floresta, ele me encara alguns segundos e então estende as mãos em minha direção e me chama, embora ele não esteja chamando meu nome, sei que é a mim que ele chama. “SGROOPER!” Ele grita novamente.”
Na manhã seguinte Audrey acorda tremendo e suando para seu primeiro dia de aula. Já atrasada entra na sala de aula. Com os olhos baixos ela senta na única carteira vazia ao lado de Joan. Joan era o tipo de rapaz de que todos tinham medo. O garoto com o qual ela teve a impressão de já ter visto, e não em um ambiente escolar. Ela notou que Joan á estava observando atentamente, tentou parecer o mais normal possível, mas era meio que impossível, nas suas escolas anteriores ela tinha fama de ser “a desastrada que atrai problemas”, pois sempre que algo estranho acontecia, lá estava ela envolvida. Com calma ela tira o material da bolsa, e então algo estranho aconteceu isso estava acontecendo com mais frequência ultimamente e Audrey simplesmente não entendia, ou não queria entender. Ela sentia que não tinha mais controle na sua força, e constantemente vinha “esmagando as coisas acidentalmente”, o lápis praticamente em pó em suas mãos e Joan a olhando, não com surpresa como os demais fariam, mas com certa raiva e pena estampado no rosto, antes que ela pudesse dizer algo ele se levantou e saiu no meio da aula.
No caminho de volta pra casa a neve caia forte, Audrey já podia sentir a forte gripe que estava a caminho.
Faltando dois quarteirões para chegar a casa, ela foi surpreendida por Adam. Ele não estava só. Trazia com sigo, Charlie, Benjamin e Jordan sua namorada. Eles não estavam amigáveis, e mesmo com Benjamin lhes implorando para desistirem nada adiantou. Sem que Audrey pudesse entender ou se defender eles começaram a lhe espancar, eles a encheram de pontapés lhe bateram até ficar desacordada, inerte no chão.
..............
–... Não sei exatamente, sei apenas que ela precisa de ajuda. A essa altura não sei o que poderiam ter feito...
– Isto é muito vago garoto. – Rodac diz de mau humor. Rodac um homem com seus 60 anos, se preparava para ir embora quando Benjamin apareceu implorando ajuda. Ele queria apenas que Rodac o seguisse. Explicou poucas coisas, bem vagas. Mesmo assim o pobre homem, contra sua vontade saiu neve a fora.
– O senhor acha que estou inventando não é? Vai ver só... Eu queria ter impedido, é claro, mas o que poderia ter sido feito? Não...
– Esta bem. Acalme-se.
Quando Rodac avistou os corpos coberto de neve e sangue coagulado, soltou um grande rugido e paralisou. Benjamin parecia mais assustado agora, e talvez um pouco confuso. A cena era realmente chocante. Ambulâncias foram acionadas e a policia já estava á caminho.
Depois. ( Prt. narrada por Audrey)
Ao longe eu ainda posso ouvir o leve som da sirene, que vai ficando cada vez mais distante. Sei que não posso ir pra casa, Meredith com certeza iria me fazer muitas perguntas e honestamente eu não estou com cabeça pra isso. A chuva já parou, e eu continuo correndo em meio à escuridão da noite e a neve que lentamente caí, fazendo meus lábios e joelhos tremerem tanto que não me permitiam correr mais rápido. Meu pensamento volta ao começo da tarde, e um arrepio percorre minha espinha. Isso já aconteceu outras vezes é claro, mas desta vez as coisas foram longe demais, fugiram do controle, eu simplesmente perdi a cabeça e a noção do que estava fazendo. As lembranças são turvas, e vão se apagando cada vez que tento me lembrar de o que exatamente aconteceu lá. Enxugo as lágrimas que teimosamente rolam em minha face. Paro ofegante. Do outro lado da rua uma placa com vários piscas-piscas chama minha atenção. “HOTEL VISION”. Atravesso a rua rapidamente e entro no estabelecimento. A sala de recepções é inteiramente iluminada, com poltronas de cor bege, o fogo crepitava na lareira onde duas crianças brincavam. Atrás do balcão uma moça morena com um coque alto sorriu pra mim amigável.
–Posso ajudar em alguma coisa?- Ela pergunta ainda sorrindo. Antes que eu pudesse responder uma voz na televisão acima de nossas cabeças chama minha atenção, o rosto assustado nela estampado faz meu coração acelerar. “...eu não sei como aconteceu, foi tudo muito rápido”. Era Benjamim.
Naquele momento minhas pernas bambearam, arrastei-me até a poltrona contendo as lágrimas. Parecia que o mundo tinha se voltado contra mim, mas a verdade é que eu não tinha culpa, simplesmente aconteceu. Eu queria voltar lá, para saber o que realmente aconteceu, pois neste exato momento não me lembro de mais nada.
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