Sexy Fire - Klaroline
15 Capítulo 15
Notas iniciais
POV’S Damon
As sete em ponto já estavam tudo preparado. Meu apartamento estava normalmente arrumando. Eu tinha comprado uma barca de comida japonesa para nós, porque com a conversa que provavelmente teríamos eu não iria conseguir comer muita coisa. Coloquei o Champanhe no balde com gelo e pus as taças na mesa de centro. Arrumei algumas almofadas no chão, e esperei.
Alguns segundos depois alguém bateu na porta, eu respirei fundo algumas vezes e a abri... E lá estava ela. Linda com seu vestido verde mar que descia quase até os pés, e o cabelo preso em um rabo de cavalo. Dei espaço para ela entrar, e fechei a porta.
― Boa noite Damon.
― Boa noite.
Indiquei a mesa e ela se sentou em uma das almofadas. Sentei-me de frente para ela e servi o champanhe. Eu estava tenso, podia sentir meus ombros e meu maxilar travados. Mas não havia muito que eu pudesse fazer em relação a isso.
― Como adivinhou que eu gostava de comida japonesa?
Ela sorria para mim, e eu sorri de volta.
― Eu adivinhei! E isso não tem nada a ver com o fato de eu conhecer o porteiro e ele conhecer o cara do restaurante de comida japonesa...
Olhei para ela e dei uma piscadinha oferecendo a taça.
Ela pegou a taça da minha mão, e a tocou de leve na minha.
― Damon Salvatore você está me espionando?
Balancei negativamente a cabeça antes mesmo de ela terminar a frase.
― Espionar é uma palavra tão feia, eu diria... Conhecer?
― E o que mais você sabe sobre mim?
― Sei que você trabalha como analista de sistema... Sei que adora comida japonesa, era animadora de torcida e é a melhor amiga que alguém poderia ter.
Ela sorriu para mim e o som de sua risada foi um dos sons mais felizes que eu já ouvi.
Começamos a jantar, na verdade ela jantou, porque eu detesto comida mal cozida, crua e peixe ainda por cima, está no limite do que eu consigo. Então belisquei algumas coisas, e continuamos conversando. Ela tinha uma habilidade surpreendente com os pauzinhos que eu até hoje não decorei o nome. Então minhas tentativas falhas de equilibrar a comida naquilo, foi motivo de piada o jantar inteiro.
Quando terminamos de comer ficamos saboreando nossas bebidas em silencio. Eu sabia que deveria falar, mas tinha medo de como ela poderia reagir, então queria adiar o máximo possível.
― Stefan é seu único irmão?
Ela quebrou o silencio, e pela sua expressão sabia que ela estava me ajudando a começar a falar. Levantei-me de onde estava e sentei ao lado. Respirei fundo algumas vezes e comecei a falar.
― Sim, ele é meu único irmão. Minha mãe morreu poucos meses depois que ele nasceu. Ela descobriu que tinha um tumor no cérebro, e se fizesse o tratamento iria perder o bebe. Ela não queria isso, então deu a luz, e... Se foi.
Ela segurou minha mão como se quisesse me dar apoio, mas não me interrompeu.
― Eu e meu irmão sempre fomos amigos, mas... Éramos totalmente diferentes. Stefan tirava nota “A” em todas as matérias, era educado, estudioso, nunca fazia nada que pudesse aborrecer nosso pai. Já eu era o oposto, acho que você podia encontrar todas as letras do alfabeto no meu boletim, eu nunca me importei com nada além de me divertir, desde por cola na cadeira dos professores, a jogar bobinhas no banheiro, até beijar a namorada do meu amigo atrás da quadra de basquete... Enfim, esse era eu, o irresponsável, que não queria saber de nada.
Parei alguns minutos pensando em tudo que tinha acontecido com minha vida, mas continuei a falar.
― Stefan conseguiu bolsas nas três melhores universidades do país, enquanto meu pai precisou pagar bastante dinheiro em suborno para eu ser aceito em uma razoável. Na faculdade minhas notas não melhoraram em nada, eu só conseguia passar porque pagava alguém para fazer meus trabalhos. Mas quando estava no terceiro semestre eu me cansei daquilo. Eu não queria viver preso daquele jeito, então arrumei minhas malas e dei adeus a tudo aquilo.
Tive que tomar ar varias vezes antes de continuar, eu não pensava em nada daquilo há muito tempo.
― E depois?
Elena perguntou e olhou em meus olhos. Senti meu peito se comprimir, eu guardava aquelas lembranças bem lá no fundo da memória e procurava não pensar nelas se possível, mas vendo-a aqui a meu lado, eu sentia que precisava falar, precisava por tudo para fora.
― Quando meu pai descobriu que eu larguei a faculdade ele deu infarto e morreu. Eu estava surfando em Cancun e só soube quase uma semana depois, mas provavelmente eu era a última pessoa que deveria comparecer ao velório... Afinal de contas ele morreu por minha causa.
Minhas palavras foram morrendo na garganta. Eu nunca falei a ninguém sobre isso, nunca tinha dito isso a ninguém, como eu me sentia culpado, como eu sabia que eu causei a morte do meu próprio pai.
― Ei ― Ela apertou meus dedos ― Não foi culpa sua. Ele podia ter sofrido um ataque por qualquer motivo...
― Podia. Mas não foi por qualquer motivo, foi porque eu larguei a faculdade, eu deixei que meu futuro fracassasse antes de começar.
― Damon...
― Só... Deixe-me terminar. No final talvez você perceba que eu não sou o sujeito inocente da história.
Fiquei olhando para frente por longos segundos, essa noite podia ser a diferença entre tê-la em meus braços ou perde-la para sempre, mas seja o que fosse eu queria que fosse real, que ela soubesse onde estava se metendo.
― Um tempo depois o advogado dele me procurou. Ele tinha deixado tudo para mim e o Stefan desde que nós terminássemos a faculdade. Acho que ele sabia que eu ia fazer uma bobagem descomunal... Bom, mas eu não estava nem aí, depois do que aconteceu com ele eu não tinha que ser nada para ninguém. Então me joguei numa vida fútil e vazia. Passava ás noites bêbado e os dias de ressaca, e cada manhã encontrava uma nova garota do meu lado, alguém que eu não sabia o nome e muito menos o que tínhamos feito.
Pensei em como me sentia naquela época, cada manhã que eu punha os pés para fora da cama eu me sentia pior, parecia um enorme sacrifício fazer alguma coisa, até tomar um café ou trocar de roupa.
― Álcool, sexo, drogas... Tudo me anestesiava e me fazia pensar que aquela vida não era minha, que não era real. Eu embarcava de cabeça em tudo que me ofereciam sem pensar duas vezes, só para me fazer esquecer-se de tudo, até de quem eu era...
― Você... Usa drogas?
Ela perguntou num fio, e finalmente eu podia ver preocupação em seu semblante.
― Não. Quer dizer... Não mais, mas naquela fase negra tudo era válido, Elena.
― E onde o Klaus entra nessa história?
― Eu queria tudo, queria dar festas e comprar tudo que podia para meus amigos, eles me cercavam e me tratavam como se eu fosse um Deus. Eu adorava aquilo, então gastava com tudo que eles quisessem. Mas um dia a fonte secou, fui passar meus cartões de crédito e estavam bloqueados, procurei o gerente do meu pai e ele disse que fazia parte do acordo da herança. A faculdade estava paga, e o dinheiro na minha conta era o suficiente para eu ficar bem até lá, mas no meu estilo de vida durou quatro meses, então eu estava falido, e devendo dinheiro.
― Devendo dinheiro a quem?
― A pessoas que não me deixariam viver uma semana se eu não pagasse. Eu não sabia o que ia fazer, então fui procurar o Stefan, mas ele não tinha o dinheiro e nem acesso a herança até completar a faculdade.
Bom se você nunca teve que pedir ajuda a seu irmão mais novo para concertar suas merdas, nunca vai poder saber o quão ridículo e patético eu me senti ao fazer aquilo.
― Mas o Stefan tentou me ajudar e procurou o Klaus.
― Klaus e Stefan são amigos?
― Eram praticamente irmãos, pelo menos até o Klaus descobrir que o Stefan estava transando com a irmã dele.
― Mas se o Klaus te ajudou, quer dizer que ele gosta de você, se não iria deixar você sozinho nessa.
― Ele gosta do Stefan, por isso pagou a divida. Quando o Klaus descobriu sobre Stefan e Rebekah ele surtou e separou os dois, me ajudar era uma espécie de cessar fogo, que não deu muito certo, o Stefan gostava de verdade da irmã dele, e sofreu muito com a separação.
― Você trabalha para ele para pagar a divida?
― Mais ou menos. Klaus tem um senso de lealdade meio deturpado, ele pagou minha divida, em troca ele me deu um emprego e esse apartamento.
― Ele desconta do seu salário o que você deve a ele?
― É aí que está Elena, ele não desconta sequer um centavo, a forma de pagamento que ele quer é que eu seja seu quebra galho, ajudante, sindico e às vezes até motorista. Ele não quer o dinheiro de volta, quer me punir pelo modo como eu agi com minha família e minha vida, por eu ter deixado o Stefan sozinho quando perdemos nossos pais, por eu ter jogado pela janela todo o futuro que poderia ter se não fosse um idiota completo.
― O Stefan concordou com isso?
― É um acordo entre mim e ele, eu não posso correr para o Stefan sempre que tiver um problema Elena.
― E quanto tempo você tem que trabalhar para ele?
― Até ele achar que eu já aprendi a lição.
Caímos num silêncio depois disso, ambos pensando em cada palavra que eu acabei de dizer.
― No dia que saímos, foi ele que mandou você voltar? Por que estava tudo bem e você de repente...
― Foi. Ele sabia que iríamos sair com o Stefan e ele... Olha mesmo em não concordando com a maioria das coisas que ele faz. Ele gosta da Caroline, e estava com ciúmes do Stefan.
― Ciúmes do Stefan? Por quê?
― Porque o Stefan é o bom partido Elena, é o cara educado, gentil, que sempre pensa nos outros antes dele, e o Klaus sabe que o Stefan é uma escolha melhor que ele, melhor que eu...
― Todos erram e acertam na vida Damon. Você errou, mas está tentando fazer a coisa certa agora. Isso não quer dizer que ele é melhor que você.
― Você ouviu sequer uma palavra do que eu disse hoje?
― Ouvi todas. E o que importa, não é o que você já fez, e sim o que vai fazer daqui para frente.
Ela parecia determinada, quase como se precisasse provar a mim mesmo que eu vali a pena. Seus pequenos lábios estavam contraídos e uma linda ruga se formou entre as sobrancelhas. Ergui minha mão lentamente e toquei seu rosto. Ela relaxou sob meu toque e inclinou o rosto em direção a minha mão. Cheguei para frente e a beijei. Sentindo o contorno macio dos seus lábios devagar no começo, até que ela entreabriu os lábios e eu senti sua língua contra a minha.
Abracei-a pela cintura e puxei contra mim, ela abraçou meus ombros e me beijava com cada vez mais vontade. Corri as mãos por suas costas e desci até as pernas, procurando a bainha do vestido, quando finalmente a alcancei e senti sua pele nua contra meus dedos, soltei um gemido involuntário, tateei por sua coxa, mas nos segundo que ia encontrar sua carne quente entre as coxas ela segurou minhas mãos e colocou de volta a cintura, eu interrompi o beijo e olhei seus olhos.
― Vamos devagar, está bem?
Eu quase pude ver meu rosto formar uma careta.
― Afinal de contas o que você ia pensar de mim se eu transasse no primeiro encontro?
― Nada de sexo no primeiro encontro?
― O que você iria pensar de mim?
― Que você é uma garota muito legal?
Ele se afastou um pouco de mim e colocou a mão em meu peito.
― Nada de sexo.
Respirei fundo tentando controlar a ereção que pulsava dolorosamente contra a calça.
― E isso inclui coisas parecidas com sexo, mas sem ser sexo de verdade?
Ela olhou para mim como se avaliasse o que eu estava oferecendo.
― O que você tem em mente?
Eu sorri de lado e me inclinei sobre ela e a beijei lentamente enquanto subia a mão por sua coxa. Podia sentir sua pele se arrepiar sob meu toque, e quando meus dedos tocaram alcançaram a calcinha ela não me parou. Deslizei meu dedo lentamente até sentir sua pele contra meu dedo. Ela estava excitada e pronta, comecei a estimular seu clitóris. Seu beijo se tornava cada vez mais ofegante.
Desviei um pouco de sua boca e comecei a beijar o maxilar e pescoço. Ela se movimentava contra mim, e eu comecei a aumentar o ritmo.
Senti seu corpo estremecer violentamente e depois começou a relaxar. Continuei há estimulando um pouco mais depois retirei a mão. Ela me abraçou forte e eu acariciei suas costas. Depois ela se afastou um pouco de mim e acariciou meu rosto.
― Obrigada por confiar em mim, eu sei que não deve ter sido fácil.
― Eu confio em você, e quero que confie em mim também.
Ele me deu um selinho e levantou do meu colo sentando a meu lado, depois encostou a cabeça em meu ombro.
― Sabe, esse foi um ótimo primeiro encontro.
Senti um sorriso se espalhar por meu rosto e entrelacei os dedos nos seus. E relaxei não me preocupei com o que já fiz, nem com o que seria da minha vida, eu só aproveitei cada segundo da companhia dela, sentindo que estava cada vez mais perto do meu coração.
POV’S Klaus
Na segunda de manhã quando cheguei ao escritório o pedido de demissão dela estava na minha mesa. Tentei ligar infinitas vezes para o telefone dela, mas ela não atendia.
Então me coloquei no piloto automático e o resto da semana passou praticamente voando. Eu acordava cedo, ia para o escritório, tratava mal meia dúzia de pessoas, voltava tarde para casa, bebia várias doses de uísque, depois caia no sono.
A única parte em que meu dia parecia pior era quando me mandavam novas assistentes. Em resumo elas eram todas inúteis. E tudo que faziam só me servia para me lembrar de Caroline. De como os relatórios dela eram melhores. Como ela sempre sabia os lugares aonde eu iria e o que eu iria precisar. E o pior de tudo eram os cafés. Elas me traziam cafés razoavelmente bons, mas tudo que eu mais queria era o café ruim dela.
Deus do céu, na sexta feira eu já estava um lixo. Sentia-me cansando a cabeça doía da bebedeira da noite anterior, e eu sentia tanta falta dela que era quase insuportável.
Então no fim da tarde estacionei o carro em frente a seu prédio. Ela provavelmente chegaria logo. Eu não iria falar com ela, nem sequer sair do carro. Eu só queria vê-la. Apreciar seu rosto nem que seja por segundos. Para conseguir passar por mais uma droga de noite.
Não demorou muito a até ela chegar. Quando surgiu no fim da rua me inclinei para frente e observei. Ela usava roupas diferentes, mais informais o que a deixa com um ar de menina e quase insuportavelmente bonita. Seus cabelos estavam soltos e meus dedos quase formigaram de vontade de toca-los. Ele se aproximou do prédio e eu pude ver claramente seu rosto. Ela parecia bem. Seu sorriso não estava tão largo quanto costumava ser, mas estava lá. Seu rosto estava bonito e claro. E não tinha sequer um sinal de que não estava dormindo bem, como as olheiras enormes que parecia quase tatuadas no meu rosto.
Ela parecia... Tentei pensar no que aquilo significava... E Senti um aperto no estomago. Ela parecia estar seguindo em frente. Mesmo não estando cem por cento bem, ela estava seguindo a vida sem mim. Bati no volante com raiva, e o som da buzina soou alto a assustando. Ela olhou para o carro, e notei sua expressão se fechar, mesmo não podendo me ver, ela sabia que era eu. Então deu as costas e entrou.
Dirigi para casa quase sem enxergar o caminho. E quando cheguei me joguei em uma poltrona com uma garrafa de uísque.
Ela estava me esquecendo. Eu a magoei, e sabia disso. Desde o começo eu sabia que não era certo, mas eu não esperava me envolver tanto. Nunca pensei que iria querer tanto, que se tornaria quase uma necessidade.
Virei o uísque em grandes goles. Eu a estava perdendo. Cada segundo que passava, ela estava mais longe de mim. E não iria demorar muito até que tudo não passasse de uma lembrança ruim. Eu seria apenas um babaca que a magoou.
Acontece que eu não conseguia esquece-la. Não podia empurrar cada lembrança do que tivemos, mesmo que brevemente para o esquecimento. Eu jamais conseguiria me afastar, jamais poderia esquecer, eu precisava dela.
Bebi quase a garrafa inteira de uísque e dormi sentado na sala.
Acordei com uma dor aguda no pescoço, tentei me levantar, mas minha cabeça doía tanto que parecia ter um prego perfurando o meu crânio.
Arrastei-me para o quarto e tomei um banho. Depois tomei duas aspirinas e me joguei na cama.
Passei o resto da manhã hibernando. Ao meio dia a campainha começou a tocar. Virei-me e tentei fingir que não estava ouvindo, mas o som se tornou mais insistente. Então me levantei e fui até a porta.
Hayley estava esperando e deu um sorriso contido quando me viu. Depois me abraçou e me olhou preocupada.
― Você está bem querido? Parece cansado.
Soltei-me dos seus braços e me sentei no sofá. Ela me seguiu e sentou na minha frente.
― Bebi muito ontem à noite.
― Quer que eu prepare algo para você?
― Não.
Minha resposta saiu bem mais seca do que eu pretendia, mas ela não esboçou quase reação nenhuma. Sempre fora assim com Hayley. Nunca expressava o que estava sentindo, e parecia sempre fazer o que se esperava dela, como sorrir para uma piada terrível que eu contei, ou fingir que não ligava para as piadinhas que Kol fazia.
Olhei para ela por alguns segundos. Eu nunca quis me casar. Mas meus pais praticamente enfiaram o anel de noivado em meu dedo, então eu aceitei. Hayley era bonita, os pais dela eram amigos dos meus, e provavelmente seria uma boa esposa, do tipo que estaria ao meu lado nos eventos, e que prepararia festas e jantares de trabalho para mim, e que fingiria não notar quando eu chegasse a casa tarde, ou se nem chegasse. Parecia uma boa ideia no começo. Mas depois de Caroline, isso não era o suficiente, eu precisava sentir, precisava sentir tudo que eu sentia quando estava com ela para me sentir completo.
― Isso não vai dar certo.
As palavras passaram por meus lábios quase inesperadamente. Mas no segundo em que falei tive certeza absoluta que era exatamente isso que eu queria dizer.
― O que não vai dar certo?
Ela parecia genuinamente confusa.
― Você e eu. Nosso casamento.
O entendimento brilhou em seus olhos e ela corrigiu a postura, não parecia magoada ou triste, só confusa.
― Como assim não vai dar certo Klaus? É claro que vai, nós dois...
― Não existe nó dois Hayley. Nós nunca quisemos isso e você sabe. Todas as decisões sobre nossas vidas foram tomadas por outras pessoas.
― Klaus você deve estar cansando, melhor conversarmos outra hora.
Dizendo isso ela me deu um sorriso reconfortante e se levantou. Quase como se dissesse que eu não tinha dito nada demais e ela perdoasse. Levantei-me do sofá.
― Vamos conversar agora. Eu não estou confuso, muito pelo contrário, nunca estive tão certo sobre algo. Você não percebe Hayley? Você mal se importa! Você também não liga para tudo isso, só está fazendo o que seus pais te mandaram fazer!
Ela também se levantou do sofá, e eu via uma leve sombra de irritação em seu rosto, mas era tão distante que eu não podia ter certeza.
― Nossos pais são amigos há anos, e sabem melhor que ninguém o que é melhor para nós, e, além disso, eu quero me casar com você.
― Quer mesmo? Passar o resto da vida com alguém que você não ama, só para fingir para os outros que é feliz? Meu Deus Hayley, eu nem sequer comprei seu anel de noivado!
― Eu não ligo para isso, e você sabe disso, Nós já temos quase dois anos juntos, podemos esperar um pouco antes de marcar o casamento, para você poder pensar e...
― Não vai ter casamento! Eu não posso me casar com você!
Minha voz ecoou por todo o apartamento. Minha respiração estava pesada e eu fazia força para controlar, afinal ela era só uma vítima da minha vida.
Pela primeira vez desde que eu a conheço, eu finalmente a vi expressar alguma coisa, seus olhos brilhavam de raiva e ela cruzou os braços.
― E o que você quer que eu faça Klaus? Quer que eu volte para casa e diga a meus pais que não fui boa o bastante para conseguir me casar com você?
― Não tem nada a ver com você ser boa ou não Hayley, você não está comigo porque quer estar, e sim porque seus pais disseram que você tem que querer, não podemos viver uma mentira para o resto da vida.
― Então é isso? Você simplesmente desistiu do casamento?
Suspirei cansado, nunca foi minha intenção magoá-la, mas não havia um jeito fácil de fazer isso.
― Eu não simplesmente desisti do casamento, mas nós dois merecemos mais da vida do que um casamento de aparência. Você merece alguém que a ame e eu também.
― Sabe seu pai sempre disse que você era mimado e egoísta, e eu sempre achei que fosse exagero, pelo menos até agora. O que eu mereço de verdade é que você deixe de ser criança e assuma a droga do nosso casamento. Você quer ter outras mulheres? Vá em frente, eu não ligo. Você nunca foi fiel a mim, mas esqueça dessa bobagem e vamos continuar com o noivado que nossas famílias querem, e vai ficar tudo bem.
Suas palavras tocaram num ponto bem doloroso. A única coisa que eu tinha certeza disso tudo era que minha família não aceitaria esse termino. Mas eu não podia deixar que isso continuasse, tinha que tomar minhas próprias decisões.
― Eu sinto muito ter envolvido você nisso Hayley, mas continuar vai ser ainda pior, comigo e com você. Você é jovem, bonita, e merece ser feliz. E essa vida que você acha que quer ter comigo, não vai te trazer felicidade nenhuma.
Ela descruzou os braços e sacudiu os ombros. Mesmo parecendo ainda estrar com raiva. Ela não estava de coração partido, estava com o ego ferido.
Ela deu alguns passos em minha direção. Depois tirou a aliança do dedo e jogou no chão.
― Se é isso que você quer tudo bem, faça o que você quiser da droga da sua vida. Mas eu gostaria de estar aqui quando seus pais vierem, aposto que seu pai vai estar muito orgulhoso de você, ele sempre achou que você era fraco, agora ele vai ter certeza.
E com isso me deu as costas e saiu.
Eu sabia que logo, logo a tempestade chegaria até mim. Se tem uma coisa que meus pais sabiam fazer bem eram querer acabar com tudo de bom na minha vida.
Mas eu não ia ficar aqui pensando nisso. Corri para o andar de cima, tomei outro banho e fiz a barba. Vesti uma camisa branca e uma calça jeans. Depois desci voando as escadas.
Quando cheguei à garagem, o motorista já estava com o carro ligado e a minha espera. Entrei e bati a porta.
― Para onde vamos Sr. Mikaelson?
― Vamos buscar minha garota.
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