Sexy Fire - Klaroline
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Toquei a campainha do apartamento várias vezes, sem paciência de esperar que alguém atendesse. A porta se abriu segundos depois e Elena me encarou. Sua expressão foi de surpresa a raiva em apenas alguns segundos, e então ela cruzou os braços e me encarou.
― Preciso falar com a Caroline.
― A Caroline não está. Mas talvez você deva passar aqui daqui alguns... Nunca mais está bom para você?
Depois fez menção de bater a porta, mas coloquei a mão antes que se fechasse, ela me olhou pela fresta da porta e parecia decidida a acabar comigo ali mesmo.
― Eu preciso falar com ela, e posso ficar aqui o tempo que for.
Ela parecia decidida, mas eu também estava. E não podia ficar longe dela nem mais um segundo. Elena finalmente abriu a porta.
― Ótimo, entre. Eu vou adorar ver ela te chutar daqui.
Depois ficou de lado e me deixou entrar. Assim que entrei na sala vi Caroline sentada no sofá, com as pernas cruzadas e o Notebook no colo. Ela vestia uma camiseta de seda e um short jeans que cobria bem pouco das suas pernas. Parei um pouco só para apreciar seu corpo. Ela não estava maquiada, ou vestindo algo para ficar sensual, mas sua simplicidade parecia absurdamente sexy para mim. Senti meu pau começar a acordar dentro das calças, e coloquei as mãos no bolso tentando disfarçar um pouco.
E nessa hora ela ergueu os olhos para mim, e eu senti um calor percorrer meu corpo dos pés a cabeça. Como eu tinha sentido falta dela!
Ela tirou o Notebook do colo e se levantou parando a alguns passos de mim. Eu queria toma-la nos braços e sentir o gosto de cada centímetro do seu corpo, mas eu tinha magoado ela demais, e precisa reparar isso antes de qualquer coisa.
― Eu até ficaria aqui para acabar com ele também, mas sei que você não precisa de ajuda para isso.
Ela passou por nós e me lançou um olhar ameaçador que parecia dizer “Se você fizer bobagem vou arrancar sua cabeça”
Ficamos parados encarado um ao outro. Eu tinha que dizer algo, mas pedir desculpas não é algo que me vinha naturalmente.
― Então... Pensei que tivesse dito para você não aparecer aqui.
Sua expressão era dura, mas eu podia ver um pouco de incerteza passar por seus olhos. E no fundo eu precisava acreditar que ela sentia por mim pelo menos um pouco do que eu sentia por ela.
― Caroline... Eu sinto muito. Eu nunca quis magoar você.
Ela pareceu vacilar um pouco, mas depois se recompôs.
― Se é só isso...
― Não é só isso, me deixe explicar, por favor.
Dei alguns passos em direção a ela sentindo um alívio por dentro ao ver que ela não recuou nem tentou se afastar.
― Eu não planejei nada disso, quando encontrei você naquele bar, eu te quis no mesmo segundo, eu te desejei com tanta força, que me lembro de cada detalhe, do jeito que você parecia cansada, e como pegava o copo quase como se sentisse culpa, e então eu me aproximei, e eu via nos seus olhos que você me queria também.
― Mas você é noivo porra! Não tinha nada que ficar atrás de uma mulher num bar!
― Meu noivado com a Hayley era muito complicado, e ficar com outras mulheres nunca foi um problema.
― Era?
― Era. Eu rompi com ela.
Ela pareceu pensar nisso alguns segundos, depois deu uma risada sem um pingo de humor.
― E você veio aqui achando que eu vou voltar correndo para os seus braços?
― Não, eu vim aqui me explicar e pedir desculpas, é o mínimo que eu te devo depois de tudo.
Ela se sentou no sofá e indicou o outro para que eu me sentasse também. Minhas pernas estavam rígidas, mas andei até a poltrona e sentei de frente para ela. Seu olhar era afiado e questionador e eu me senti como se estivesse sendo julgado, o que era definitivamente o caso.
― Estou ouvindo.
― Como eu já disse, eu não esperava que o que acontecesse entre nós se transformasse tanto, a ponto de eu querer você tanto que eu chegava a me esquecer de que eu não deveria e nem podia.
― Você quer se desculpar me dizendo que eu era só uma transa? Sério?
― Não! Eu só... Não sabia como lidar com o que eu senti quando nós transamos, e depois, na segunda de manhã você apareceu na minha sala, eu fiquei tão surpreso quanto você, mas você estava lá, e eu não podia te deixar ir.
Ela se recostou no sofá e deixou seus olhos vagarem pela sala, como se estivesse lembrando tudo que aconteceu entre nós. Levantei-me do sofá e sentei a seu lado, segurei sua mão contra meu peito e não desviei os olhos dos dela nem por um segundo.
― Acontece que quanto mais eu ficava perto de você, mais eu queria ficar, queria ver seu sorriso, queria ver como sua testa se franzia quando algo a aborrecia queria ver como você ficava linda quando estava brava comigo... Eu queria tudo Caroline e ainda quero, só preciso de mais uma chance...
Ela olhou para sua mão em meu peito e depois desviou os olhos.
― Não é tão simples assim, você mentiu para mim e me enganou, eu não posso simplesmente voltar e fingir que nada aconteceu.
― Eu não estou te pedindo isso, só que me escute, e depois julgue por si mesma se eu mereço ou não uma segunda chance.
― E como você quer fazer isso? Só vindo aqui e dizendo que está solteiro?
― Vamos conversar só você e eu. Num lugar mais tranquilo.
Essa se levantou bruscamente do sofá.
― Só você e eu? Num lugar onde você possa usar sexo para me manipular? Não obrigada! Eu dispenso!
Ela se dirigiu até a porta e abriu para mim, eu fui até ela e a fechei.
― Eu só quero explicar as coisas Caroline, será que você pode facilitar um pouco?
Minha voz soou alta e aborrecida, e aquilo pareceu despertar a fúria nela também, pois ela veio até mim com um olhar que faria um homem mais fraco se encolher de medo e enfiou o dedo no meu peito.
― Você é um grande idiota mentiroso, se você quer a droga de outra chance faça por merecer, eu já tenho problemas o suficiente para ainda ter que lidar com um cara arrogante que acha que o mundo deve girar a seu redor!
Cada frase era pontuada por uma estocada em meu peito, e ela foi me fazendo recuar até que senti minhas costas baterem na parede.
― Agora escute aqui Niklaus Mikaelson, é bom que você tenha uma boa explicação por ter me enganado, ou ter um bom plano de saúde!
Ergui as mãos me rendendo e ela me deu um pouco de espaço. Ela estava pronta para briga, mas eu também estava só que não para brigar com ela, e sim por ela.
― Eu nunca quis ficar noivo. Você sabe muito bem que sou controlador, mas acho que não nasci assim, eu fui criado assim. Minha família é... Não sei nem se devo chamar de família. Mas tudo que você precisa saber sobre eles é que são versões bem piores de mim mesmo.
Eu detestava falar sobre minha família. Nenhuma lembrança boa vinha deles, mas eu precisava explicar tudo, ou ela não me entenderia nem perdoaria.
― A família dela sempre foi amiga da minha. Desde adolescentes nossas famílias praticamente nos empurravam nos braços um do outro. Mas então eu fui para faculdade e levei anos sem vê-la. Nesse meio tempo meu irmão mais velho se casou com uma garota aprovada por meus pais, depois dele vem o Elijah, que namorava uma garota chamava Katherine, mas ela não chegava aos padrões que meus pais queriam, então eles fizeram de tudo para separá-los. Desde então Elijah não quis mais saber de casamento e tentou se afastar deles o máximo possível.
Escorreguei minhas costas na parede até que senti minhas pernas tocarem o chão, me sentei e cruzei os braços, Caroline se aproximou devagar e sentou quase na minha frente.
― Então eu era o próximo da fila. Eles queriam que eu me casasse, com alguém que eles queriam, e forçaram a barra até eu me aproximar da Hayley. Depois disso só foi piorando. Começamos a namorar, e eles sempre ali, até que um belo dia meu... Pai. Comprou uma aliança de noivado e disse que eu deveria pedi-la em casamento.
― Você ficou noivo porque seu pai mandou?
― Minha relação com meu pai não é nada fácil, nunca foi, e se tem algo que ele é capaz de fazer é forçar alguém, quase sempre eu, a fazer o que ele achava certo.
― Mas por quê? Se você não a amava nem...
― Caroline eu cresci ouvindo meu pai me dizer que eu não era bom o suficiente, que eu era fraco e covarde e que ele sentia vergonha de mim, por mais patético que pareça, não significa que eu não ia aceitar o que ele queria, e que eu não queria nem que fosse uma gota da aprovação dele.
Minhas palavras a calaram e seus lindos olhos azuis pareciam mais ternos. Desviei o rosto, cada palavra que eu dizia açoitava implacavelmente meu orgulho. Eu não queria deixar ninguém saber o quanto eles tinham poder sobre mim, o quanto a vontade deles as vezes prevalecia sobre a minha.
― Na época foi isso que meu noivado significava. Queria dizer que ele aprovava pelo menos alguma coisa que eu fiz. Então eu aceitei, e desde então eles tomaram as rédeas da situação e tomavam toda decisão que precisava ser tomada em nosso relacionamento.
Ela parecia cautelosa agora, passava as mãos pelos cabelos demonstrando nervosismo.
― Era por isso que você a traia? Porque você não queria se casar?
― Talvez. Mas acho que no fundo era porque, eu não me sentia completo com ela. E jamais me sentiria, mas achei que eu pudesse lidar com isso com o tempo.
― Mulher nenhuma merece ser usada assim.
― Ela sempre soube de tudo Caroline, e fazia parte, só que ela não se importava. E eu também não, pelo menos até conhecer você...
Cheguei perto dela ficando ajoelhado na sua frente e passei a mão em seu rosto devagar. Ela inclinou um pouco a cabeça em direção a minha mão, e eu quase suspirei.
― Por quê? Porque eu?
Ela me perguntou muito baixo, como se tivesse medo da resposta.
― Porque eu me sinto completo com você, me sinto feliz e você não tem ideia de como isso é raro na minha vida.
― Mas e ela? A Hayley? Sua família quer que você se case com ela...
― Mas é isso, pela primeira vez em muitos anos não é a aprovação deles que me importa, e sim a minha felicidade, e estar com você é o que vai me fazer feliz.
Notei que seus olhos ficaram marejados e ela ergueu a mão como se fosse me tocar, depois baixou e olhou para os lados.
― Eu quero ficar com você, mas eu não quero sofrer mais Klaus.
Segurei seu rosto com ambas às mãos e fiquei a centímetros dela.
― Eu nunca mais vou te magoar de novo, eu prometo. Fazer você feliz é o que eu mais quero na vida.
Ela ficou me encarando como se avaliasse se eu estava dizendo a verdade.
Depois de um tempo ela abriu um sorriso que fez meu coração disparar no peito e me abraçou.
Respirei fundo varias vezes e a abracei forte, beijando sua cabeça.
― Você é um grande babaca sabia?
Nós dois rimos e levantamos do chão. Sentei no sofá e a puxei para o meu colo. Enfiei os dedos em seus cabelos e puxei seu rosto em minha direção. Seus lábios estavam ainda mais doces do que eu me lembrava, quando encontrei sua língua um gemido involuntário escapou por minha garganta, ela me abraçou pelos ombros e pude sentir seus seios contra meu peito, minhas mãos os tocaram quase involuntariamente, e o calor deles contra minha palma era tão delicioso que procurei a barra da camiseta, para sentir sua macies sem nada entre nós. Ela se apertava contra mim, e soltei um suspiro quando apertei seus mamilos com a ponta dos dedos, depois se afastou da minha boca para tomar ar e eu comecei a beijar e morder seu pescoço.
― Eu senti tanto a sua falta...
Murmurei contra sua pele e voltei a beijar sua boca. E nesse segundo ouvi um pigarro. Tirei a mão de dentro da blusa dela e nos afastamos rápido.
― Como eu não ouvi nenhum grito ou discussão pensei que você tivesse matado ele. Mas pelo visto...
A sobrancelha de Elena estava arqueada e ela parecia dividida entre achar graça da situação e ficar com raiva. Caroline fez menção de falar, mas a impedi. Ela tinha que ouvir de mim, e não dela.
― Eu fui um grande idiota com ela Elena, mas não consigo ficar longe, então estamos juntos agora e eu prometo que vou fazê-la feliz.
Ela pareceu considerar por alguns segundos depois sua expressão relaxou um pouco.
― É bom que você faça isso, porque eu conheço mais de dez formar de matar alguém e fazer parecer que foi um acidente.
Depois disso voltou para dentro e eu me virei para Caroline.
― E então, o que você acha de passarmos um tempo juntos?
― Onde?
― Eu tenho uma casa no lago, que é perfeita para nós, um lugar lindo e tranquilo, aposto que você vai adorar.
― Por um lugar lindo e tranquilo, você quer dizer um lugar onde podemos transar na casa inteira?
― Com certeza amor, depois de tanto tempo longe eu preciso passar horas e horas dentro de você.
Ela sorriu e bateu no meu ombro e encostou a cabeça no meu peito.
― Eu odeio dizer isso, mas, ir para um lugar isolado não tem nada a ver com não sermos vistos em público juntos não é?
E estava aí, em sua voz, uma insegurança que eu teria que trabalhar muito para desfazer. Não poderia construir uma relação com base em dúvidas ou ela nunca seria sólida.
― Tem a ver com eu não querer que nos vejam pelados em público. Mas quando voltarmos amanhã a noite nos vamos jantar fora para que todo mundo saiba que você é minha.
Ela ergueu a cabeça e me deu um beijo lento e molhado, eu retribuí com intensidade, mas estávamos na sala dela e não podia arriscar ir mais longe, ou não conseguiria parar.
― E quando nós vamos?
― Eu preciso urgentemente estar dentro de você, então saímos assim que você pegar a escova de dente.
― Preciso levar roupas não acha?
― Vamos passar a maior parte do tempo pelados, então não se preocupe com roupas.
― Fico pronta em cinco minutos.
Ela se levantou do meu colo e correu para o quarto. Fiquei sentando no sofá esperando com um sorriso pateta que se recusava a sair do meu rosto. Eu estava tão feliz, por finalmente estar aqui, por estarmos bem... Mas sentia um incomodo, algo que eu não conseguia identificar, mas que com certeza tinha a ver com eu estar feliz. Não conseguia me livrar da sensação de que não duraria muito. Mas eu não queria me preocupar com isso agora, tudo que eu ia pensar era que em menos de duas horas eu estaria dentro dela, que era exatamente onde eu queria estar.
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