Sexy Fire - Klaroline
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Quando eu finalmente voltei para o meu apartamento já estava quase escurecendo. Max parou o carro e pegou minha mão. Eu tentei sorrir para ele, mas não consegui. Ele passou quase metade do dia comigo, sem fazer perguntas ou julgamentos, simplesmente me deu apoio enquanto eu chorava, eu jamais seria capaz de agradecer o suficiente a ele por isso.
― Tem certeza que quer vir para cá?
Ele perguntou em voz baixa fazendo pequenos círculos com o polegar em minha mão. Fiquei alguns segundos observando nossas mãos unidas, até que finalmente ergui os olhos para ele.
― Tenho. Eu vou ficar bem.
― Você vai trabalhar amanhã?
― Eu preciso. Não posso deixar minha vida parar só por causa de um erro estúpido desses.
Depois de passar quase o dia inteiro chorando, meus olhos estavam inchados e vermelhos, minhas roupas amaçadas e meu cabelo estava um pesadelo. Eu precisava urgentemente de um banho, chocolate quente e da minha melhor amiga.
― Você não precisa conviver com ele se não quiser.
― Eu tenho que trabalhar Max.
― Um amigo está abrindo um estúdio de publicidade e está procurando pessoas para trabalhar com ele. Posso falar com ele se quiser, tenho certeza que ele vai te implorar para trabalhar com ele.
Aquela proposta era tentadora. Mas depois de passar o dia pensando no que houve. Eu não iria dar o braço a torcer de jeito nenhum. Eu podia estar um caos agora, mas eu não podia o deixar saber disso.
― Obrigada de verdade Max, mas eu vou continuar na Originals. Eu só preciso de tempo.
Ele se inclinou para mim e beijou minha testa.
― Qualquer coisas que precisar eu estarei aqui.
Eu o abracei e ele passou os braços ao meu redor.
― Você é um cara incrível.
“E eu devia ter me apaixonado por você” Acrescentei mentalmente, e desci do carro me despedindo dele.
Assim que eu destranquei a porta, vi Elena parada do outro lado, com os braços cruzados e a expressão determinada que se desfez no segundo que viu meu rosto.
― Care? O que houve?
Ela me puxou para o sofá e sentou ao meu lado. E eu contei tudo para ela, desde o dia da limusine até quando ele veio para o meu quarto, fechando com chave de ouro na grande aparição no escritório hoje de manhã. Seus olhos foram se enchendo de preocupação e ela segurou minha mão.
― Ele é noivo?
― Sim, ele é noivo.
― Mas como ninguém da empresa nunca contou isso para você?
― As pessoas mal falavam comigo por causa dele Elena, acha que alguém iria vir me contar fofocas?
― E como você está?
― Me sentindo um lixo, eu me apaixonei por um babaca, e ele é noivo.
Pus a cabeça em seu colo e ela acariciou meus cabelos.
― Você merece coisa bem melhor, Care. Vai ficar tudo bem...
Depois ela fez uma panela de brigadeiro e nos ficamos comendo e assistindo a filmes bobos, e lembrando dos grandes babacas que nos já conhecemos.
Dormi tão pouco durante a noite, que quando o despertador tocou, parecia que tinham se passados minutos. Elena entrou no quarto já vestida e bem disposta e puxou minhas cobertas. Tentei puxar de volta e grunhi de frustação.
― Ainda é cedo Elena!
― Temos que começar o mais rápido possível Care.
Sentei-me na cama esfregando os olhos.
― Começar o quê?
― Arrumar você para o trabalho.
― E desde quando você me arruma para o trabalho?
― Desde que precisamos mostrar ao Klaus o que ele está perdendo. A noite da foça já acabou e hoje a nova Caroline vai entrar em ação.
Quando Elena Gilbert colocava uma coisa na cabeça, não havia nada que pudesse fazer ela mudar de ideia. Então me arrastei para o banho. E depois de uma hora eu finalmente estava pronta. Dei uma volta em frente ao espelho, e tive que admitir que ela era boa.
Meus cabelos estavam soltos, e meio cacheados nas pontas, a maquiagem escura faziam meus olhos parecerem ainda mais azuis. Eu vestia uma blusa rosa bebê que me dava uma aparência meiga, mas tinha um decote nas costas que terminava um pouco acima dos quadris. Uma saia justa e preta, que exibia minhas pernas e deixava bem pouco para imaginação, e para completar o look, sapatos de salto fino com quase 15 centímetros de altura.
Virei-me para Elena e abracei forte.
― Eu já disse que te amo?
― Já.
E riu um pouco, depois me empurrou em direção a porta.
― Não pode se atrasar ou ele vai pensar que você desistiu.
Peguei minha bolsa e fui para porta.
― Me liga para me contar o quanto ele rastejou quando viu você.
E deu uma piscada para mim.
Cheguei no trabalho 10 minutos antes dele, e tive que admitir que estar vestida assim fazia eu me sentir segura e poderosa. E não foi nada mal também, os caras me olhando duas vezes quando eu passei pelos corredores.
Fui em direção à copa preparar o café e vi alguém chegar. Era Max
Ele ia me cumprimentar, mas parou quando me olhou. Seus olhos percorreram meus corpo dos pés a cabeça, e ele quase suspirou.
― Uau! Eu achando que devia vir aqui apoiar você, mas parece que você não precisa disso.
Fui em direção a ele e o abracei, ele passou os braços por minha cintura e me abraçou também.
― Eu sempre vou querer ver você seu bobo.
― Não devia dizer essas coisas.
Afastei-me um pouco e olhei seus olhos.
― Por que não?
― Porque eu posso acreditar.
Seus olhos estavam intensos e ele encarou minha boca. Soltei-me dos seus braços e sorri sem graça. Ia responder alguma coisa a ele quando o vi.
Klaus estava parado como uma estatua nos encarado. Suas mãos estavam cerradas ao lado do corpo e os olhos transbordavam raiva. Engoli em seco. Ele estava perto o bastante para ter ouvido o que nos dissemos.
Max se virou para ver o que eu estava olhando e sua expressão congelou ao ver Klaus.
― Senhor Mikaelson.
Mas ele não respondeu.
― Imagino que depois de ter passado o dia fora ontem, você tenha bastante coisas para fazer Daniels.
Max não disse nada, apenas acenou para mim, e saiu.
Klaus ficou no lugar me encarando, seus olhos percorreram devagar meu corpo, e eu senti um arrepio atravessar-me. Quando seus olhos cruzaram com os meus, eu vi uma fagulha de desejo atravessar a raiva e ele respirou fundo.
― Venha até minha sala Srta. Forbes.
Depois entrou e bateu a porta.
Eu demorei mais alguns segundos antes de segui-lo tentando me acalmar. Mesmo sabendo que ele era noivo, meu corpo ainda respondia a ele, mas eu tinha que resistir. Então me lembrei da Hayley o beijando na minha frente, a raiva dominou cada célula do meu corpo e entrei na sala com minha determinação renovada..
Ele estava de pé em frente à mesa.
Parei a uma distância segura dele, ele me olhou de novo e passou a mão pelos cabelos.
― Sobre o que aconteceu ontem...
― Eu pensei ter deixado claro Sr. Mikaelson, que tudo que se passou entre nós tinha acabado naquele segundo, e não havia mais nada a ser dito.
Seus olhos brilharam e ele deu alguns passos na minha direção.
― Não pode terminar assim, você sabe disso. Temos que conversar.
― Conversar sobre o quê? O senhor precisa que eu reserve a igreja para o casamento? Ou procure hotéis para a lua de mel?
― Eu nunca disse que iria me casar.
Eu dei um passo e nossos rostos ficaram a centímetros um do outro.
― Você não me disse muita coisa. Mas quando se está noivo, o casamento está implícito, não insulte minha inteligência.
Ele balançou a cabeça exasperado.
― O noivado é... É complicado Caroline. Mas eu posso explicar eu juro só me dê uma chance.
― Ótimo, vamos conversar! Que tal naquele restaurante que você gosta, perto daqui?
Ergui as sobrancelhas de forma irônica, seus dentes se fecharam num estalo audível. Aquilo era um teste. O restaurante era toda de vidro, e qualquer um que passasse nos veria, a hesitação dele foi tudo que eu precisei ouvir.
― Estamos conversados então.
Sai batendo a porta e o deixei parado no meio da sala olhando enquanto eu saia.
Se ele não estava de bom humor quando chegou isso só piorou durante o resto do dia. No meio da tarde eu já estava a ponto de estrangular aquele babaca. Fechei os olhos e coloquei a mão na nuca para aliviar um pouco a tensão.
― Acho que nunca vi as secretárias dele de bom humor.
Abri os olhos na mesma hora e uma mulher sorria para mim cheia de papeis nas mãos. Sua pele era cor de chocolate e os olhos também, o cabelo era um pouco abaixo do queixo e ela me entregou uma pilha de papeis.
― Sou Bonnie. Assistente do Elijah.
Ela estendeu a mão para mim e eu a cumprimentei. Ela parecia ser o tipo de pessoa que sempre estava de bom humor, e eu imediatamente gostei dela.
― Caroline. Como eu nunca te vi por aqui?
― Estava de férias. E seu chefe já gritou comigo pelo telefone por quase dez minutos, só hoje.
Deu uma piscadinha para mim, mas não parecia aborrecida.
― Você parece bastante cansada.
― Foi uma semana difícil.
Eu respondi olhando para os lados.
― Peça a ele para assinar esses documentos, eu espero aqui.
― Você pode entrar se quiser.
― Eu já tive minha cota dele por hoje.
Ela se sentou na cadeira em frente a minha mesa, e me encarou divertida.
― Espero que você me recompense por isso.
E me levantei da cadeira levando os papeis. Ele estava lendo algo no notebook quando eu entrei, e sequer se deu ao trabalho de erguer os olhos. Pus papel e caneta na frente dele e esperei.
Ele olhou os documentos como se o estivessem incomodando, e começou a assinar lentamente.
― Você e o Daniels pareciam bem íntimos hoje.
Quase dei um pulo para trás quando ele falou.
― Porque diabos você insiste em chamá-lo pelo sobrenome?
Ele terminou de assinar e jogou a caneta na mesa.
― Porque eu evito intimidade com meus funcionários.
Um sorriso de escarnio escapou por meus lábios e eu cruzei os braços.
― Se o senhor está dizendo Sr. Mikaelson.
Antes ele fazia questão que eu o tratasse formalmente, mas agora, parecia quase magoado ao me ouvir falando assim.
― Você não me respondeu.
Ele parecia impaciente e irritado, eu simplesmente recolhi os papeis.
― Por duas razões, primeira: isso não é da sua conta e segunda: A intimidade que eu tenho com o Max não tem nada a ver com meu trabalho, portanto, eu não lhe devo satisfação.
Caminhei até a porta, mas ele levantou da cadeira e me puxou pelo braço.
― Nós ainda não terminamos você não pode ficar com ele, você é minha!
As últimas palavras soaram autoritárias, mas fizeram meu corpo inteiro responder. Eu queria me entregar, queria dizer que era dele, mas eu não podia, então puxei meu braço e o empurrei.
― Eu não sou sua! Eu posso sair com quem eu quiser, e é melhor você ficar bem longe de mim!
Sai de lá pisando duro, ele me seguiu, mas parou ao ver Bonnie. Que se levantou num pulo.
― O que você está fazendo aqui Bennet?
― Esperando o...
― Volte a seu trabalho!
E com isso bateu a porta tão forte que assustou a nós duas. Bonnie me encarou por alguns segundos depois apontou para a porta.
― Parece que alguém está de TPM.
Mesmo com raiva, suas palavras me fizeram rir.
― Parece que sim.
Depois pegou os papéis da minha mão.
― E sobre aquilo de te recompensar, que tal na sexta? Você parece estar precisando muito de dançar e encher a cara.
Aquilo parecia quase o paraíso depois de tudo que estava acontecendo.
― É a melhor ideia que alguém podia me dar.
― Meu irmão é sócio de uma boate chamada Mynt Lounge e pode nos deixar entrar de graça, pode levar alguém se quiser.
― Minha amiga Elena. Podemos fazer uma noite de garotas.
― Combinado. Mais tarde te ligo para combinar.
Depois me deu um tchau Zinho e saiu.
Sentei na cadeira e passei a mão nos cabelos. Uma noite de garotas era o que eu mais queria nesse momento. Meu celular deu um alerta de mensagem e eu o peguei.
Max: “Hey, como você está?”
Caroline: “Bem eu acho. :)”
Max: “Ótimo! Estava pensando se você... tem planos para sexta a noite?”
Parei por alguns segundos antes de responder. Eu gostava muito do Max, mas não sabia se estava pronta para isso ainda, e eu ainda me sentia atraída pelo babaca, o Max não merecia isso.
Caroline: “Acabei de fazer. Boate com as garotas”
Max: “Ah... que boate?”
Caroline: “Mynt Lounge”
Max: “Lugar legal... Eu posso encontrar vocês lá?”
Eu estava realmente querendo uma noite de garotas, mas o Max foi tão legal comigo que era quase crueldade tentar afasta-lo agora.
Caroline: “OK”
Max: “Fantástico. Até lá então. ;) xo xo”
Sorri para o telefone. Era tão fácil gostar de Max.
POV’S Damon
Parei em frente à porta dela e fiquei quase meia hora tentando me decidir entre tocar ou não a campainha. Na hora comprar essas flores me pareceu uma boa ideia, agora eu me sentia um idiota. Andei pelo corredor e joguei as flores no lixo no segundo que ela saia pela porta com roupa de academia e o cabelo preso em um coque. Ela parou quando me viu, mas não sorriu, cruzou os braços e me encarou meio zangada, meio triste.
― Oi Elena.
― Oi.
Ela olhou para as flores depois para mim, sua sobrancelha se ergueu em questionamento.
― Eu... Hum... Entregaram errado eu peguei com o porteiro.
― OK.
Ela foi até os elevadores, mas tinha alguma coisa errada então eu a segui.
― Tudo bem? Você parece meio... Chateada.
― Não estou meio chateada, estou muito chateada.
Aquilo me surpreendeu um pouco, eu dei de ombros e a encarei.
― Foi algo que eu fiz?
― Talvez.
Ela parou como se estivesse se decidindo entre falar ou não.
― Você sabia que o Klaus era noivo?
Elas descobriram. Senti meus olhos se arregalarem um pouco, e meus ombros se curvarem. Ele pareceu ver qual era a resposta, e balançou tristemente a cabeça.
― Sim, foi algo que você fez.
Ele deu um passo em direção ao elevador, mas eu não podia deixar ela ir assim.
― Espera Elena, eu não... Não podia contar. Não era assunto meu, e ele é meu chefe, eu não podia simplesmente...
― Acontece Damon que a Caroline é assunto meu, e se ela se magoa, eu me magoo junto.
As palavras sumiram da minha boca. Havia tanto que eu gostaria de dizer, e muito mais que eu não podia...
― Eu sinto muito Elena.
― Eu também sinto. A coisa mais importante que uma pessoa pode fazer por mim é me dizer a verdade Damon, segredos não funcionam comigo.
Ela respirou fundo e olhou para os lados.
― Acho que é melhor, pararmos por aqui, eu definitivamente não quero sair machucada disso.
― Eu não vou magoar você eu juro, eu prometi que te contaria tudo no sábado, e eu vou, por favor, Elena, só... Me escuta.
Ela me encarou por alguns segundos, e eu mantive meus olhos firmes nos dela. Elena parecia tão diferente de todas as garotas por quem eu me atraia e acho que eu nunca quis tanto que uma coisa desse certo, quanto queria com ela.
― Tudo bem. Eu prometo que vou te ouvir, mas vai ser a única chance que você vai ter de me provar que eu posso confiar em você.
― Eu vou merecer isso, eu prometo.
Ela ergueu as mãos como se fosse me tocar, mas desistiu e entrou no elevador.
― Eu quero isso Damon, quero ver até onde vai me levar. Mas se o que quer que você tenha com Klaus fizer você ficar entre mim e a Caroline, eu vou sempre escolher ela.
Essas palavras só confirmaram, o quanto ela era leal e digna, senti meu peito se aquecer, e uma vontade de tocá-la e ser bom o suficiente para alguém como ela.
― Eu nunca te pediria o contrario.
Um pequeno sorriso começou a se formar em seus lábios e eu me derreti por dentro. Fiquei olhando para ela até que as portas do elevador se fecharam. E prometi a mim mesmo que a faria sorrir muito mais vezes.
Fale com o autor