Sexto Sentido
9 O inferno é logo ali
Notas iniciais
Hello, guys! Bom, temos barraco nessa delícia e a volta do POV da Santana para aterrorizá-los com tanta baixaria. Puck, Quinn e Rachel também dividem seus pensamentos conosco e temos visitas inesperadas.
E ainda comentando que eu não tenho Glee, porque eu preciso me convencer disso todos os dias.
E ainda comentando que eu não tenho Glee, porque eu preciso me convencer disso todos os dias.
Acordei do meu transe com meu primeiro prêmio no concurso de canto e interpretação (que ganhei aos quatro anos, sim, eu sempre foi boa desse modo) voando em minha cabeça. Me joguei no chão e olhei pra Quinn, que tinha uma expressão não familiar. Algo com medo, raiva, proteção e desespero. Ela estava estática no chão, abraçando suas pernas e com a cabeça abaixada, murmurando algo e se balançando. Ver isso me despertou uma raiva e um sentimento de culpa que ainda me eram desconhecidos. Eu tinha colocado-a nessa situação e precisava tirá-la sã e salva. Nem que eu morresse tentando.
Me levantei com as forças recuperadas e tentei segurar Megan, a mais descontrolada ali. O problema é que não tive sorte. Meus planos de socar sua cara de pau foram interrompidos pela minha cadeira de computador voando em cima de Quinn, que não via por estar letárgica, ainda na mesma posição. A única coisa em que pensei — na verdade, eu não pensei e agi por impulso mesmo – foi em protegê-la. Em outras palavras, me joguei na frente da minha loira e levei uma cadeirada que me fez voar pelo quarto com a força da pancada. Antes de abrir os olhos e praguejar a dor que senti no pulso (por tentar conter a fúria de minha não tão inocente cadeira), Megan me enforcava no alto da parede, me subindo cada vez mais para que eu não alcançasse o chão."Pensei que fosse ter mais trabalho contigo, mas as pessoas falam mais do que sabem." Rangi os dentes e ela me arremessou pro outro lado quarto. Quiquei rolando a cama e fui de cara no chão (usando o braço para proteger meu nariz, obviamente), dando uma cambalhota. Bati com as costas no estrado da cama e suspirei, dor do capeta! Tentei levantar, ainda de olhos fechados, mas senti um peso no meu colo, me segurando pra baixo."Você não me escapa assim tão fácil." Shirley Manson teve a audácia de sorrir na minha cara depois disso. Mas, e pro meu azar, existia a possibilidade de ela estar certa. Seu corpo prendia o meu e suas mãos torciam as minhas, segurando-as nas minhas costas. Não preciso dizer que eu estava gemendo de dor, por mais que essa seja a verdade. Escondi isso, ou tentei e virei o rosto e vi Fox aproximando seu dedo sujo pra perto de Quinn e brincando com as sensações que isso causava na minha garota. Sem pensar direito, dei uma cabeçada na ruiva vadia que estava no meu colo. O que pareceu funcionar, já que ela afrouxou seus dedos frios do meu braço, e me usei disso pra socar sua cara.Certo, eu me desesperei. Só um pouco, no entanto (quem me culparia?). Passei a bater tanto na morta, que estava a ponto de matá-la mais uma vez. Eu já estava sentindo minhas mãos ficarem dormentes. O fato de ela gritar e me pedir pra parar não a ajudou nem por um segundo, eu não pararia. Digo, não por vontade própria. Levantei e ela caiu no chão e aproveitei disso pra chutá-la, que tentava, em vão, se proteger. A única coisa que me parou e eu confesso, foi uma livrada que levei na cabeça e me fez perder o equilíbrio e embaçar minha visão. Cambaleei para trás e caí sentada na cama, passando a mão na cabeça. Mas que diabo?"Não se bate em mulheres, não sabia disso, Rachel?" Pisquei algumas vezes pra ver se a nebulosa me deixava ver o que acontecia ali. Claro, isso era a mórbida e funda voz de Marlon Brando e seu sorriso vencedor me brindando numa visita desagradável. Megan foi ajudar sua finada comparsa (e essa maldita teve sorte, pelo estrago que eu fiz em sua cara mesquinha, ela morreria se estivesse viva) e Brando ficou me olhando com curiosidade, até se voltar pra Quinn e rir seu sorriso desgraçado. Nem no inferno ela ia mexer com ela! Nem no inferno!"Quinn, sai daqui agora!" Gritei e puxei seu braço, o que a fez me olhar fundo nos olhos. Pela expressão que ela fez, talvez tenha ficado com medo, pois pulou nos pés e correu pra fugir do meu quarto. Claro que o desgraçado bateu minha porta com ferocidade, o que a fez travar e emperrar, impedindo minha ex-cheerio de sair. Cretino!"Agora eu vou te ensinar como se trata uma mulher." Disse se aproximando da minha loira que encostou suas costas na parede e escorregou até o chão, cobrindo o rosto. Certo, são três mortos pra uma viva e minha namorada não podia se defender ou me ajudar. Noah estava ocupado traindo minha confiança com a promíscua da sua ex. Santana e Brittany não podiam fazer nada tampouco. E minha cabeça latejava, enquanto eu não mais me equilibrava em minhas pernas. Que cacete! Resolvi deixar de praguejar os astros ao vê-lo se abaixar na frente de Quinn e acariciar seus cabelos, murmurando um 'senti saudades'. Esse corno não perde por esperar. Não perdeu mesmo. Antes que eu percebesse, estava na frente da minha garota com uma dor terrível no pé direito.Quando dei por mim, ele estava caído de costas no chão, com o queixo ensangüentado e provavelmente quebrado, pena que ele se restauraria logo, eu até que curti esse visual nele. Sem o sorrisinho puto na cara, agora seus olhos pegavam fogo. Tanto quanto seu corpo, ou matéria, ou o que seja, vai pegar quando eu mandá-lo de volta pro inferno."Não ouse encostar nela, não ousem!" Gritei primeiro praquele sem vergonha e depois pras outras mortas no recinto. A loira ainda estava encolhida atrás de mim e me virei para olhá-la, saber como estava (nada bem, é claro). Bem, não foi meu movimento mais inteligente desde que comecei a engatinhar e eu ignorei a segunda regra do meu manual 'como lidar com mortos', que diz para não tirarmos os olhos deles nem para piscar, sentir dor, ou respirar. Eu deveria ter me lembrado disso, principalmente pelo meu 'PS' ("caso morra, permaneça de olhos abertos até sua alma seguir seu rumo, observando cautelosamente o que quer que aconteça com seu espírito. Não pisque fundo, ou tente morrer de olhos fechados, pois se estiver vivo, os já falecidos com certeza te levarão com eles."). Fox se fantasmagorizou ao lado da minha loira e soquei sua cara e empurrei-a pra longe. Até que senti uma companhia do meu lado e me virei a tempo de sentir o troféu que ganhei aos sete anos, num concurso de dança, bater com força na minha têmpora direita. E só.
...Acordei num pulo. Que caralho tava acontecendo ali? Ao me sentar, uma dor agonizante cortou meu corpo e foi quando dei por mim. Eu estava deitado no asfalto frio, sem camisa e com um quilômetro de gaze enrolada no meu abdômen. Claro, ele estava cortado, isso explicaria a dor. Passei a mão na cabeça porque minha vista ainda não estava cem por cento e tinha um pequeno corte no supercílio, coberto por alguma coisa, esparadrapo ou fita crepe, ainda não sei."Olá, estranho." Vi um rosto me sorrir com cabelos avermelhados e se afastar pra algum lugar, próximo de um carro.Tentei me levantar e consegui, xingando um pouco de dor. Pelo visto, os machucados não eram tão sérios e quem quer que tenha me ajudado fez um bom trabalho em cobri-los. Foi quando acordei pra situação e me lembrei da noite toda. Stacey! Foi ela que destruiu o meu carro e sumiu, a vagabunda. Será que foi ela que me ajudou também?"Tome cuidado, você ainda precisa de um médico." Rodei ao ouvir a mesma voz, agora mais distante e praguejei baixinho pela dor de cabeça que isso me deu. "Calma, toma isso aqui." Agora a piranha queria me drogar! Era só o que me faltava. Abri os olhos, olhando pra porcaria que ela estava me socando e bati forte em sua mão."Não, Stacey, eu não quero nada que venha de você. Nada além de distância." Gritei e ameacei me agachar para achar minha blusa e pegar meu carro. Olhei em volta e vi minha picape, ou os restos mortais dela. É, mais uma perda total de carro no meu currículo. Porra! Ainda ia ter que ir à pé até a Rach."Eu acho que você precisa ver essa cabeça, você está delirando." Foi o que ouvi e me virei para xingá-la. Era o que me faltava aquela desgraçada se fazer de vítima. Fiz isso e olhei para a menina na minha frente e, bom, não era a Stacey..."Quem é você? A Stacey te chamou aqui também? Porque eu juro que se você me impedir de ajudar a Rach..." Gritei rosnando pra menina que me olhou com uma expressão bem espantada, até ficar com raiva e se aproximar, invadindo meu espaço."Escuta aqui, que tipo de idiota é você? Eu te ajudei, você podia ter morrido, sabia?" Balancei a cabeça, aquela menina não era a Stacey, definitivamente. E eu não consigo discutir com mulheres autoritárias, ainda mais com aquilo de mão na cintura, me apontando e falando alto. Não, eu não sou mulher de malandro, só não é cavalheiro brigar com uma garota. Ela balançou a cabeça, olhando pra minha cara assustada. "Bem, eu vou levá-lo ao hospital enquanto você me explica essa história." Terminou e se aproximou, segurando meu antebraço, o que me fez pular assustado. "Sério, qual é o seu problema?" Gritou com raiva."Eu não posso ir ao hospital, tenho que fazer algo primeiro." Falei mais calmo. Ela continuou me olhando."Eu tenho certeza que a sua namorada não vai se irritar se esperar mais dois minutinhos pros médicos verem esses seus machucados." Falou cheia de si e cruzou os braços, encostando no seu mustang vermelho. Um puta carro! A melhor edição dessa belezinha. Rodas cromadas num aro 22", dava pra ver que era v8 pela cara de mau do bichano, se fosse a edição que parecia, ainda tinha mais 507 de poder em cavalaria, isso sem contar na aceleração monstro de 4,5 segundos pra... "Gostou dele, né?" Só balancei a cabeça, quem na Terra não amaria aquela máquina? "Esse é o Diablo, meu melhor amigo."Andei pra perto do carro e passei a mão na lataria, até que me lembrei. "Peraí, como ele não tá amassado se o meu carro tá destruído?" Ou esse carro se transformava num megazord dos Power Rangers ou tinha alguma coisa bem errada ali."Blindagem em duas camadas. Além do mais, não sei se você viu o modelo, mas ele é um Shelby e foi feito sob design, a lataria é toda em ferro. O que salvou a sua vida, porque se você arranhasse essa belezinha, eu teria te deixado morrer." Ela disse e riu da minha cara de banana. "Brincadeira. Sobre a parte de te deixar morrer, eu quis dizer." Eu concordei com a cabeça e olhei pra ela."E por que uma garota como você teria um carro desses? Tá pensando em fazer uma viagem no tempo?" Ela riu desesperadamente e arfou por ar. Não entendi qual foi a graça da minha pergunta, mas sorri também. Sua risada era melódica e contagiante."Meu pai trabalha com a parte final das produções de carro, geralmente para os modelos únicos, sabe o que são?" Ora, quem essa guria achava que eu era? Um nerd babaca que não entende nada? É obvio que sei o que são. "Calma, não quis te ofender, enfim. Ele finalizou esse carro pra mim, de presente de quinze anos e deixou no seu testamento pra que eu tivesse algo quando ele morresse..." Eu quase senti pena da garota. Não, eu realmente senti pena da menina. Por isso me aproximei e segurei a sua mão, dando uma apertada leve. Ela sorriu triste e limpou os olhos, assentindo com a cabeça. Até que puxou sua mão e bateu uma na outra, como se estivesse batendo palmas. Ou ficando louca. Será que não existe uma menina normal nesse mundo? "Vamos lá, estranho, vou levá-lo pro hospital.""Desculpa, eu sei que estou abusando, mas você poderia me levar pra outro lugar?" Falei olhando pra baixo. A garota já tinha me salvado e tal, mas eu precisava proteger a Rach. Além do mais, eu nunca tive problema em ser cara de pau, não até aquele momento."Pra casa da 'Rach', eu presumo?" Como cacetes ela sabia? Eu disse! Tinha certeza que a vadia da Stacey tinha algo com isso... "Você estava delirando falando que precisava salvá-la e me chamando de uma tal de 'Stacy', ou algo que o valha." Ah, bem, isso explicava tudo. Não cheguei a corrigi-la porque já chamei minha ex de coisa bem pior e engolir uma letra tá de bom tamanho."Ah sim... Bem, pode ser? Eu sei que estou sendo um idiota pidão e tal, mas meu carro não presta nem pro ferro velho." Perguntei meio sem graça. E não, eu não sabia por quais diabos."Vamos lá, não queremos deixar sua namorada esperando." Ela falou e foi caminhando para a porta de motorista do carro."Ela não é minha namorada, só minha melhor amiga." Gritei antes de fazer o caminho da porta de passageiro. Ela sorriu branco antes de se abaixar e entrar no seu monstro. Ligou o carro e eu pude ouvir o ronco do motor. Se eu era apaixonado pelo jeep da Santana, esse carro fez minha vida mais feliz. Sorri pra menina do meu lado. Dei as coordenadas e ela pisou no acelerador. Que nada me impeça dessa vez....Eu e minha Britt dançávamos coladas ouvindo músicas boas (não o que a metade de macho de Fabray gosta de ouvir) e resolvi abandonar a missão de me porrar com bebida (sim, para agüentar aquela sapatice toda da Q. com RuPaul eu só podia estar pelo menos próxima de um coma alcoólico, isso é o mínimo e só porque não uso drogas mais fortes), enquanto eu tentava seduzi-la. Sem as lésbicas safadas ali, eu iria aproveitar para me aproximar de minha garota. Sério, quem no mundo consegue se mexer como ela? Dios mio! É um pecado o modo que ela faz qualquer dança parecer mais provocante e sensual. Até se a gente ouvir essas palhaçadas que Carrie vocifera, no auge de sua falta de noção, da tal da Streisand, minha loira vai conseguir segurar uma audiência rodando a metade de corpo de homem do hobbit e transformando aquela dor de cotovelo em um verdadeiro espetáculo.Me aproximei pra beijá-la e ela correspondeu. Não preciso dizer que fui aos céus com isso. É disso que estou falando, bitches! Essa garota consegue transformar até um beijo numa troca de almas ou qualquer estupidez romântica dessas. O beijo foi forte e cheio de algo que não sei nomear, mas com uma parcela de rancor da parte dela. O que eu posso até entender, mas o fato de ela estar me levando e ainda estar saindo com o professor Xavier também não me agradava.Paramos ao ouvir um barulho muito alto vindo da câmara de tortura de Berry. O que elas estavam fazendo não era sexo, não podia ser. Até que sorri comigo. Q. deve ter se aproveitado que estávamos longe para amordaçar e torturar seu playmobil. Provavelmente pelo fato de Carrie querer cantar alguma coisa escrota do mesmo século de onde tinha tirado suas antigas roupas (algo entre XIV ou XV), ou tinha colocado uma música broxante de seus musicais para tentar estuprar minha amiga inocente. Mas claro que minha antiga capitã acordou a tempo e resolveu trancá-la no banheiro, ou cortar sua língua de trapo..."San, acho que elas estão com problemas..." Disse minha loira assim que ouviu Quinn caindo na real e atirando Berry pela janela. Claro que elas estavam com problemas! É só olhar pras duas que vemos isso escrito em suas caras depravadas. Ellen DeGeneres está com problema por ter ficado presa no armário por tantos anos que saiu pegando qualquer coisa que aparecesse. E Cher estava com problemas porque é o que ela é, um problema cantante, que nem esses vírus de computador de hoje em dia que, além de destruir nossa vida, ainda vem com uma música falida que debocha de nossa cara. Ou Q. percebeu que sua meia namorada é, na verdade, um anão disfarçado e foi abaixar suas calças e se deparou com... "É sério, San, eu não estou com um bom pressentimento."
Bom, isso me fez deixar de pensar no show de horrores que deve ser o sexo entre aquelas duas e me concentrar no rosto preocupado da minha garota. Pra falar a verdade, eu sempre levo a sério quando meu bebê me fala esse tipo de coisa porque ela sabe bem do que está falando. E tirando essa doideira toda de pressentir, ela está sempre certa. Ela resolveu se desatar de mim e suspirei à contragosto. Malditas sapatas que tinham que atrapalhar a minha noite. Como se o meu dia com elas não tivesse sido ruim o suficiente."O que foi, Britt?" Perguntei, fazer o quê? Já que não ia rolar nada no momento, pelo menos eu podia resolver a situação pra gente voltar ao que estávamos fazendo. Ela sentou-se no sofá e caí do seu lado, passando a mão em seu braço pra que se acalmasse."A Rach está com problemas..." Ela me disse eu continuei olhando-a. Mas quando é que o gnomo não está com problemas? Nunca vi uma pessoa sofrer tanto nessa vida. Coisa que ela sempre eleva e faz um drama mexicano em cima. Deve ser por ter nascido com nanismo, aí resolveu chamar a atenção de algum modo, já que seu tamanho de boneco de totó não a favorecia. Ou então foi pelo fato de viver numa casa mais cor de rosa que as calcinhas do George Michael e ser a última espécie de sua já extinta raça de nanicos do reino dos 'Quem' que a deixou assim, se achando o último sapato no armário. Quer dizer, fora dele. Pelo que suas quatro mãos de Goro (duh, eu jogo Mortal Kombat, e daí?) fizeram mais cedo com Q. (depois de drogá-la, claro), ela estava tão fora do armário que poderia ser encontrada por um satélite. "Vamos subir para vê-las?""Não, Britt, elas devem estar ocupadas..." Não terminei porque não queria pensar mais nessa imagem do que já tinha feito. E se eu fosse muito longe, só uma lavagem cerebral me salvaria da deficiência que eu iria adquirir vendo uma cena dessas. Mais assustadora, nojenta, baixa, desesperada, aterrorizante e trash do que toda a saga de 'Jogos Mortais' somada aos filmes de baixo nível de Sam Raimi, antes de pegar numa aranha heroína (cipós que estupram pessoas não são cenas gostosas de serem vistas, não mesmo). Não, eu não precisava pagar por esse tipo de tortura, definitivamente. Valha-me, Deus! É melhor ficar cega."Não, eu sei que elas não estão, San..." Até aí, eu posso concordar. Berry era broxa, no mínimo. Ou Quinn ainda estava cheia de estrias e com seu corpo marcado e parecendo ter sido amarrado no arame farpado. Melhor ainda! Ela pode ter mandado o hobbit fazer uma prece, bem a cara dela isso. Ou ela poderia estar rezando e pedindo aos céus pra perdoar o pecado de beijar a boca enorme e sem filtro de Carrie (quero nem imaginar quantas ave-marias ela teria que rezar pra se redimir desse pecado sujo). "Vamos lá, San, nós precisamos ajudá-las.""Mas, Britt..." Eu tentei segurá-la ou mudar sua mente, em vão. Minha loira me arrastou pelo braço escada acima, até o desfecho da minha vida e visão. Iria ficar mais cega que um filho do Ray Charles com Andrea Bocelli, triste fim o meu. Consegui fechar os olhos antes de minha garota girar a maçaneta. Eu não preciso de mais pesadelos pra me entreter de madrugada. Já sonho sempre com aqueles perdedores cantando em meu funeral, liderados por Yentl que resolvia fazer um rap com o Sr. Inútil, seguida por Finnabilitado balançando suas duas pernas paralisadas em meu túmulo, enquanto Elvira agarrava o outro asiático que nunca fiz questão de saber o nome. Q. era feita de vítima pela boca de sapo do caçapa, que a sugava como uma sucuri assassina. A delinqüente travesti esposa de RuPaul se agarrava com a sua hipopótamo do gueto e o perneta fugia com minha loira em sua cadeira voadora. Um pesadelo horroroso que já me deixou acordada por duas noites seguidas.Fui cortada de reviver essas desgostosas emoções por meu bebê que gritava."Ah, meu Deu! Rach!" Abri os olhos porque eu precisava salvar minha garota de viver o 'Ensaio Sobre a Cegueira' vendo os atos tão baixos quanto a dignidade de Berry, mas não consegui segurar um grito."Caralho! O que é que tá acontecendo aqui?"...Eu não sei o que tinha dado em mim, mas ter visto o laptop da Rach voar em minha direção me paralisou todo o corpo. Eu perdi todos os sentidos e não conseguia organizar minha mente, não conseguia me mover e nem pensar com precisão. Até ter ouvido o grito da Rachel me mandando sair do quarto e eu, bem, obedeci. Mas infelizmente não cheguei a fugir de lá, a porta estava sendo segura por alguma força sobrenatural, pois parecia em perfeito estado, exceto pela batida.Foi quando caí no chão e voltei a fazer alguma prece praquilo acabar, pra voltar tudo ao normal, pra gente ficar bem e poder fazer coisas que pessoas da nossa idade faziam. Ou só ficarmos juntas e abraçadas, como se o mundo não existisse. Ao pensar nisso, senti os olhos da Rach em mim e virei para olhá-la, que brigava com alguma coisa que eu não estava vendo. Fiquei me sentindo uma inútil por não pode ajudá-la, não estar fazendo nada além de me esconder como um cachorro amedrontado. E a minha menina tão pequena estava fazendo o trabalho todo sozinha. Mas nada, nada nesse mundo inteiro, vai conseguir me fazer sentir mais inútil do que quando ouvi um barulho e vi seu corpo caído na minha frente.Eu não fui uma boa filha, ou uma boa mãe e, Deus me perdoe, eu era uma namorada terrível. Ao ver minha pequena diva jogada e desacordada na minha frente um sentimento de perda e decepção me bateu com tanta força que eu desejei estar morta.Engatinhei até seu corpo enquanto as coisas iam voando pelo quarto. Me abaixei ainda mais ao seu lado e virei sua cabeça, segurando para olhá-la. Eu não me segurei e chorei como nunca tinha chorado em toda a minha vida, agarrando sua cabeça no meu colo, e pedindo aos céus para que ela não morresse."Rach... Por favor, fala comigo..." Suspirei nos seus cabelos sem controlar minhas lágrimas. "Você não pode me deixar, entende? Eu te amo, não faz isso comigo... Não faz. Me desculpa por ter demorado tanto, por ter te tratado tão mal por esses anos todos, eu não podia..." Desisti de falar e resolvi abraçá-la mais forte. "Eu te amo tanto, eu sei que você merece alguém melhor, alguém que vai cuidar de você e tratá-la bem, que vai protegê-la e vai ter palavra pra cumprir isso. Eu prometo que me afasto e te deixo ser feliz, só não morra, por favor. Eu não agüentaria..." Continuei olhando seu rosto ensangüentado. Deus! Tinha uma poça de sangue embaixo da gente e minha blusa branca estava completamente ensangüentada, assim como seu vestidinho de verão. Mas ela não ia morrer, eu não podia deixar.Resolvi parar de esperar uma intervenção divina e tentei salvá-la. Chequei sua pulsação e respirei aliviada quando vi que ela ainda estava viva. Engatinhei pra perto da minha bolsa e peguei uma blusa branca para limpar sua testa e parar o sangramento. Continuei rezando e segurando seu rosto quando seu corpo entrou em espasmos e eu chorei ainda mais, barganhando a minha vida pra que ela ficasse viva. Isso simplesmente não era justo. Deitei em cima dela quando vi suas feições ficando pálidas e as convulsões pareceram aumentar a intensidade e a freqüência. Senti que arfava e percebi que estava com dificuldades pra respirar. Fiz o que sempre via na televisão e improvisei uma respiração boca a boca, rezando para que desse certo, para que ficasse bem.Até que senti seu corpo ficar rígido e as crises pararem. Chorei com mais força e beijei seus lábios."Eu te amo, Rach, não me deixa, por favor..."...Dor de cabeça desgraçada do inferno!"... Rach, não me deixa, por favor... Eu prometo que vou deixá-la, só fique bem, só sobreviva..." Abri os olhos ao ouvir a voz mais doce e especial do mundo me sussurrando, com seu corpo em cima do meu. Mas do que ela estava falando que ia me abandonar? Por que isso? Até olhar ao redor e ver que meu quarto não tinha sobrevivido à fúria imortal dos desgraçados mortos. Claro, ela estava arrependida de ter ficado comigo ao ver o que iria enfrentar. Falar é algo, ver é outro. Eu não posso julgá-la e deveria ter previsto isso, mas ainda assim me destruiu.Antes de dizer a loira em cima de mim que não iria mais incomodá-la e ela estaria livre pra encontrar outra pessoa, a mesa do computador veio levitando em nossa direção. Fiz a única coisa que podia pra nos salvar naquela situação e girei nossos corpos pra longe do ponto onde a mesa se estraçalhou.Ela abriu os olhos e me olhou pra mais de assustada, parecia que quem estava vendo um fantasma era ela. Observei-a por algum tempo para guardar suas feições e dei um beijo leve de despedida em sua boca. Levantei e sorri triste em sua direção, até me virar e dar de cara com o furacão que tinha destruído meu quarto."Sai daqui, Quinn." Falei fria e olhando pros três. Ela se levantou e colocou a mão no meu braço."Não. Eu não vou te deixar sozinha." Me virei e olhei em seus olhos, assustada. Mas que diabo? Ela tinha acabado de terminar comigo e estava fazendo o que ali? "Eu posso não vê-los, mas vou ajudar, só me diz como." Tinha algo parecido com súplica na sua voz."Você vai me ajudar mais estando a salvo, Quinn. Por favor..." Olhei suplicando de volta. Isso estava até idiota."Que graça, vocês podem morrer juntas também." Piranha Fox falou e se aproximou da minha cabeça com outro livro. Dessa vez eu virei a tempo, segurei seu braço e dei uma de direita em sua cara sem noção, que cambaleou. Olhei para o lado e vi Quinn em posição de combate, ri balançando a cabeça. Que menina linda e fofa. Bem, minha felicidade não durou tanto tempo, Brando resolveu atacar e saí da sua frente, levantando o pé esquerdo. O que o fez passar como um touro e tropeçar. Fechei com um soco nas suas costas e me virei.A situação estaria hilária se não estivesse tão cretina. Quinn socava o ar e a puta da Manson se desviava rindo. Parti pra cima dela, ninguém ri da minha loira e se safa assim, mas Santana nos interrompeu numa entrada glamorosa com seus xingamentos."Que caralho de sangue é esse?" Falou apontando pra gente até que viu meu quarto num de seus piores dias. Quinn me olhou e nos entreolhamos culpadas, o que nunca escaparia da percepção latina, obviamente. "Alguém me explica que porra é essa?" Gritou e entrou no quarto batendo a porta....A menina ruiva corria com meu sonho de consumo como Lindsay Lohan dirigindo seu fusca velho. Não conversamos muito e eu me liguei que estava sentindo frio."Droga! Esqueci minha camisa lá." Falei mais pra mim do que outra coisa."E eu aqui pensando que você estava querendo se fazer de gostosão." Ela falou rindo e balançando a cabeça, dirigindo como uma profissional. Oras, flertar não vai fazer mal, né?"E se eu estiver?" Falei piscando pra ela que pareceu achar muita graça. Não sei onde ou por que, mas ela entrou numa série de gargalhadas. Olhei pra frente e cruzei os braços. Qual é o problema com essas mulheres? Quando me querem são loucas assassinas e sem a menor compaixão. As interessantes nunca me queriam mesmo. E essa garota desconhecida, definitivamente, era uma das interessantes.Seus cabelos eram ruivos (pronto, agora eu posso dizer que tenho um tipo, ela é a terceira, contando Lauren e Stacey), mas não eram lisos e muito vermelhos como os da minha ex macumbeira (ela não pode ter feito coisa boa pra ter invocado espíritos, não mesmo), se ondulavam levemente e eram um pouco cheios, menos avermelhados e mais puxando pro loiro, sei lá que cor seria isso. A pele também era clara e os olhos eram azuis ou verdes, ou os dois ao mesmo tempo, ainda não sei. Sua expressão era suave, nada de controladora, mas parecia ser bem fácil de lidar. Exceto quando sentia raiva de mim, pelo que me lembro, isso era um pouco assustador ainda. Talvez eu tivesse olhando firme pra ela, ou sei lá, mas ela resolveu cortar o silêncio."O que foi?" Perguntou ainda sorrindo."Você é de onde?" Não, ela não era daqui, do estado ou do país, dava pra ver no modo como se articulava e pelo seu sotaque forte também."Eu sou de Manchester, na Inglaterra." Disse ainda prestando atenção na estrada. "Por que, parece?" Perguntou agora me olhando."Parece sim." Falei prestando atenção no caminho. Aquela menina sabia correr. "O que está fazendo aqui?""Questões familiares." Falou se protegendo e eu não iria perguntar mais, não sabia nem o nome da garota pra isso. "Meu pai morreu e me deixou o Diablo, só que tive alguns problemas com os parentes, coisa que ele previu, pelo visto, já que deixou o carro e uma casa aqui, para que eu more com meu irmão mais velho." Sorri e nem sei porque, mas foi um dos sinceros. Seria bom ter alguém como ela por perto e tal. "E a sua história, estranho?"
"Nada tão divertido. O babaca do meu pai foi embora e moro com minha mãe e minha irmã mais nova, desde sempre aqui." Foi uma resposta rápida, nem por grosseria ou coisa do tipo, mas não tem nada de mais na minha vida, nada que eu possa dividir com um estranho. "Por que Lima?" Perguntei do nada. Sério, como uma pessoa pode sair de tão longe pra vir pra esse inferno? É muito azar, só pode."A esposa do meu irmão era daqui e ele escolheu fugir da família e vir ficar com ela.""Ela não é mais daqui? Eu não entendi." Como uma pessoa poderia ser de um lugar e deixar de ser depois? Não fazia o menor sentido."Ela morreu." Agora sim. Não que isso me fizesse feliz, mas explicava a situação."Eu sinto muito." Disse olhando-a. Talvez fosse verdade, eu andava sentimental sem motivo nenhum nesses dois dias. Ela riu e balançou a cabeça."Diga isso ao meu irmão, não fui eu que fiquei viúva." Falou rindo e me olhando enquanto virava na rua da Rach. Subimos por trás e, ainda no carro, eu vi a desgraça que estava acontecendo no quarto da minha princesa judia. Aquilo parecia uma reunião no inferno. Antes de olhar pra ela, pulei do carro como um doido."Obrigado de verdade, foi um prazer e a gente se vê." Falei andando de costas e com a mão direita levantada, num meio aceno. Ela me acenou e eu pisquei, até que a ouvi rir e corri ainda mais. Fiz meu usual caminho para o quarto da Rach, um pouco mais doloroso dessa vez, mas enfim. Escalei a parede, agarrei a telha, me balancei e subi pelo telhado. Foi quando olhei pra trás e o mustang ainda estava ali. Droga! Esqueci de perguntar o nome da menina. Que isso espere. Pulei a janela e vi que a coisa realmente assustadora lá dentro, ainda mais do que eu tinha imaginado....Santana me olhava com uma cara raivosa, como é o seu usual. Brittany tinha uma cara de compaixão e Quinn estava tentando me proteger. Os mortos estavam espalhados pelo quarto. Marlon me olhava com raiva, Shirley estava sorridente (grande vadia) e Fox balançava a minha cama e a levantava cada vez mais alto."Como é? Quem vai explicar as coisas?" Santana ainda falava e eu não sabia quem eu olhava, pra onde ou por quê.Fui salva da corte latina por Noah pulando a minha janela e se jogando em Marlon Brando, que estava parado perto dela. Seu movimento fez Megan soltar a cama que se espatifou no chão (eu realmente vou precisar vender o corpo pra pagar a reforma do meu quarto e é bom já ir pensando em alguma mentira pra justificar meu ímpeto de mudar a antiga decoração). Aquilo pareceu calar Santana e assustar todas as pessoas presentes no nosso encontro de amigos. Aproveitei-me desse fato e fui agredir a safada da Fox. Enquanto Noah rolava e socava Marlon pelo chão, eu agarrei os cabelos sebosos da cachorra dois e dei com sua cara na parede (claro, como sua fuça era feita de madeira maciça, fiquei com medo de machucar a minha parede e fazer essa redecoração sair ainda mais cara) e ela gritava e tentava se soltar."Dios mio! Vocês estão possuídos?" Santana gritava, segurava uma chorosa Britt e uma raivosa Quinn."Me solta, S.! Me deixa ajudá-los!" Isso foi minha loira tentando se desvencilhar dos braços de sua melhor amiga.Estava entretida socando Megan em minha parede, entretida demais para perceber que Shirley tinha resolvido me enforcar por trás."Shhh! Calma que vai ficar tudo bem..." Mais um de seus abusos, ainda mais me dizendo que as coisas iam ficar bem com ela me enforcando daquele modo. Soltei a juba da outra cadela e segurei seu antebraço que não poupava força contra meu pescoço. Sua colega de esquina resolveu se vingar e me socou, se aproveitando do fato de eu estar presa e sem ar. Depois de dois murros violentos (pelo menos ela poupou meu nariz), eu já estava perdendo o ar e as forças. Até ver minha loira (que se soltou misteriosamente dos braços latinos) se aproximar e socar com força o ar, onde ela imaginou que o piranhão estava. Não sei se foi pela força que minha garota usou ou pela sua tosqueira infinita, mas Megan Fox bambeou e bateu na parede. Dei um risinho arfante, eu realmente amava aquela menina. Aproveitei-me disso para pisar o pé da rampeira ruiva e cotovelar sua barriga. Olhei para minha garota que me abraçou incrivelmente forte, me beijou rapidamente e segurou meu rosto."Meu amor, você está bem?" Foi sua pergunta com lágrimas nos olhos e eu consenti com a cabeça, com ela me segurando assim perto, quem não estaria?"E você, baby?" Me afastei para observá-la e ver como estavam as coisas. Ela sacudiu a cabeça rápido, concordando e me puxou para um beijo cinematográfico e desesperado."Meu Deus, como eu tive medo de perdê-la, Rach... Me desculpa por não ter ajudado antes, eu sei que sou uma terrível namorada e tinha prometido que ia te proteger. Eu sinto muito, muito mesmo..." Falou numa corrida enquanto me apertava bem forte. Confesso que eu ignorei sua sentença final, parei de prestar atenção depois do 'namorada' e ri como uma idiota, até gargalhar (o que não ajudou em nada a minha dor de cabeça homérica). Ela se afastou e me olhou confusa, provavelmente achando que eu tinha batido forte demais com a cabeça e ficado louca. Coloquei a mão em seu rosto e abrandei minha respiração."Você é minha namorada?" Perguntei nervosa e sorrindo. Ignorando os mortos que Noah estava tomando conta."Quer dizer, você quer? Eu sei que sou uma inútil e eu não te defendi. Deus! Eu quase te deixei morrer e eu deveria..." Beijei seu nariz porque ela já estava soando e falando como eu."Você é minha namorada." Afirmei e ela abriu o seu maior e mais amável sorriso pra mim, me abraçou e me rodou no ar, me beijando depois. Eu sorri feliz, porque apesar de quase ter morrido, estava me sentindo nas nuvens.Isso tudo teria sido muito romântico e o dia mais feliz da minha vida. Exceto pelo fato de Manson ter desgrudado uma das minhas prateleiras da minha parede e arremessado-a na minha direção. Empurrei Quinn e nos joguei no chão novamente. Olhei seu rosto e, num balanço de cabeça, soube que ela estava bem. Visto isso, segui para a parte dois. Levantei e fui pra cima dela, isso até ver Noah atirar o corpo/alma/espírito/seja o que for de Brando em cima da vagabunda. Dei um aceno de cabeça pra ele e me virei pra nossa outra companhia, a galinha d'angola.Peguei a prateleira voadora e dei em sua cara depravada que se virou. Então decidi terminar com minhas mãos aquela arte dadaísta em sua cara assanhada. Foi o que fiz, resolvi socá-la como uma desesperada enquanto Santana corria como Forrest para fora do quarto, com Britt quente em seus calcanhares. Agradeci mudamente a Barbra, esse é o único show que eu não gosto de ter uma casa cheia....Carrie estava possuída pelo demônio e eu me lembrei daquela marcante cena onde ela incendeia uma cidade toda só por ser uma grande e endiabrada perdedora. Claro, algo me passou pela espinha, mas eu sei que o negócio dessa nossa Carrie eram os showtunes e não sair queimando tudo e todos como uma encapetada fogueira da Inquisição por aí. O que me aliviava um pouco. Mas ainda assim, aquela cena era uma foda no inferno e extremamente louca, até pra eles.Quinn socava o ar como se fosse discípula de Finnadmissível (eu sabia que namorá-lo ia fazer mal a essas duas. Digo por experiência própria, afinal, tive o carma de tirar seu cartão de virgindade e posso dizer que foram os piores quarenta e cinco segundos da minha vida. Segundos esses que eu, infelizmente, não terei de volta. Então eu realmente não sei o que essas duas viram ali, além de sua falta de cérebro e pernas, Finnoperante traumatizava qualquer ser humano) e Berry se debatia como um peixinho de vala fora do esgoto. Só que o melhor realmente aconteceu quando a travestida delinqüente juvenil se jogou janela adentro, agarrando o ar. Provavelmente sabendo que era o máximo que ele iria arrumar pra hoje, já que aquele quarto estava mais gay que uma turnê do Ricky Martin. O hobbit então pegou uma tábua horrorosa que lhe servia como prateleira e bateu no vento, depois atirou-a longe. O que é mais do que bizarro. Eu já soube de gente que batia em sacos de areia (grandes perdedores, eu prefiro usar pessoas mesmo) para acalmar os nervos, mas é claro que RuPaul não faria isso. No mínimo, estava ali brigando com seu invisível e quase nulo bom senso. Isso tudo depois de Fabray nos proporcionar com seus momentos homossexuais rodando o corpo incompleto de Berry como uma pombagira num centro de macumba.Certo, mas comecemos do início. Tinha uma gigantesca poça de sangue no chão, creio que vinda da cabeça dura de Berry que estava cortada, dado o crescimento de seus chifres. Pedaços de pau voavam na direção de Treasure Trail, Q. teve um de seus ataques de bipolaridade quando tentei segurá-la, até me morder e ir bater na brisa como seu meio homem estava fazendo, porque isso sim é sadio. A outra menina da cabeça raspada estava rolando no chão e emitindo sons desconhecidos e RuPaul mergulhava no chão achando estar numa piscina. Minha Britt chorava aterrorizada no meu ombro e as três justiceiras da noite estavam fazendo seus papéis ridículos como de costume. O que me leva a imaginar, ou eles usaram uma droga muito boa e forte, ou Berry tirou de seu pequeno cérebro algum musical estúpido e os fez ensaiar, o que também fazia tanto sentido quanto a existência daquelas três revoltadas. Que porra estava acontecendo ali?Antes que pudesse perguntar ou resolver esse mistério da humanidade, a campainha gritou várias vezes. Algum leproso deve ter esquecido o dedo nela, não era possível. E contar com o trio parada dura composto por Janis Joplin, Billie Holiday e Marilyn Monroe no auge de seus picos não ia fazer o barulho demoníaco parar. Além de mim, Britt foi a única com uma audição boa o suficiente para ouvir aquela vuvuzela infernal (RuPaul destruiu seus ouvidos com musicais e toda aquela gritaria de mercado de peixe que ela ouvia; sua danada e transviada esposa perdeu a audição por ter sido submetida a uma convivência com seu falatório sem fim e a torturantes musicais quando se negava a lavar a louça e Quinn deve ter se feito de surda ou estava num barato alucinante da droga safada que devem ter usado e achou que a campainha era, na verdade, um sino de igreja condenando seu mais novo e bizarro caso gay, o que a deixou mais psicótica ainda, socando as inocentes moléculas de ar. Exato, isso faz realmente sentido).Descemos eu e minha loira enquanto eu estralava os dedos, pronta para socar os fuxiqueiros vizinhos de RuPaul. Depois de preparada, abri a porta. Qual não foi a minha surpresa ao ver o antigo padre da paróquia parado na minha frente. Até que juntei as pecinhas, não, as três panteras não estavam drogadas, estavam era com o diabo no corpo mesmo.Nem me esperou convidá-lo ou dar 'boa noite', não que eu fosse ser educada, de todo modo. O padre entrou marchando pela sala de Berry com uma Bíblia para atirar em sua cabeça e repreender o demônio do homossexualismo dessa casa (no seu lugar, eu ateava fogo no lugar. Num ambiente contaminado como esse, só o fogo pode purificar). E parou na frente da escada, nos olhando."Onde estão Rachel e Noah, Santana?" Falou me encarando como se eu devesse algo. Ora, só porque ele era padre podia chegar valsando na casa que eu estava e sem nem me cumprimentar? Ah, não! Ele não podia!Antes de rebater em sua cara eclesiástica e ensinar-lhe algumas lições, o marginal fez a entrada dramática que aprendeu com seu macho rolando as escadas e caindo em nossa frente. Abri minha boca para soltar uma piadinha sobre sua ridícula pessoa estar sempre jogada aos meus pés, mas fui cortada por seu marido fazendo a mesma entrada sem requinte e rolando seu micro corpo pela mesma escadaria. Talvez Q. tenha perdido seu homem pro pai de sua filha (uma relação estranhíssima, meio 'Transamérica', sei lá), porque esses dois não disfarçavam nem mudando a falida entrada de suas miseráveis caras.A moça bateu com o lombo no chão e a endemoniada diva caiu por cima de sua carcaça, fazendo sua boneca sexual gritar de nojo, já que seu negócio agora era homens. Quinn apareceu correndo as escadas logo atrás para ajudar seus companheiros traficantes. Foi quando vi que a transexual amante de RuPaul tinha amarrado uma cortina na cintura, provavelmente fazendo-a de saia. Até Berry levantar um pouco sua cabeça de socar bife (para secar Q., claro) e eu percebi (agora claramente) que estava enganada, ele não tinha pego um dos criminosos crochês de seu cafetão, mas sim feito uma cirurgia para colocar silicone nos peitos (acreditem, eu conheço uma quando a vejo) para libertar a mulher que tinha dentro dele. Isso e ainda tinha feito alguma coisa na sobrancelha (provavelmente modelou-a com henna), porque estava com uma grande e preta fita isolante na testa. Queria saber como ele (ou ela) arranjou tempo para fazer isso tudo. A menos que tenha preparado isso há muito tempo e só tenha resolvido cortar sua miséria agora. Ou será que ele só amarrou-a atrás?"Deus do céu! Vocês estão bem?" Isso foi o padre correndo para alisar as duas (agora completamente, da parte de Puck, pelo menos. Tenho minhas dúvidas quanto a Berry ainda) meninas estiradas e derrotadas no chão. Ajudou o hobbit a se levantar com sua drogada cheerio de prontidão ao seu lado e olhou para o corpo recém operado da ex-presidiária (fico pensando comigo qual será seu novo nome. Será Norah? Tipo aquela estranha cantora que, de tão flopada, não tinha banda e só era acompanhada por seu violão que, analisando bem, não tinha muita escolha. Mas ele também podia deixar de lado o óbvio e encarar um novo nome e uma nova identidade. Quem sabe Gloria? Já que, pela sua cara bagaceira, ele era um sobrevivente. Talvez eu possa ajudá-lo — ou 'la', já nem sei mais — nessa procura).Hobbit balançou a cabeça como a menina do exorcista e me virei a tempo de ver um monstro preto e marrom entrar correndo pela porta e defender o trio bad trip, rosnando para o alto das escadas. Que porra de noite é essa? Estamos no halloween e ninguém me avisou? Desisti desse povo e fui sentar no sofá pra voltar a beber, já que eu ia ter que lidar com gente possuída e/ou entorpecida de tóxicos, que eu fizesse isso bêbada pelo menos. Todo mundo se divertia nas suas ondas esquizofrênicas de socar objetos inanimados e se jogar de escadas (gentinha que além de louca, baixa e promíscua, era sádica), eu é que não ia ficar sóbria nesse meio. Minha Britt olhava alucinada pro padre com a Bíblia na mão, provavelmente exorcizando os malignos espíritos de showtunes que rodeavam Berry. O homem lançava maldições em latim e tive medo da casa explodir, cair num buraco ou de todos nós, homossexuais no recinto (salvo o mais novo transgênero do grupo), entrarmos em combustão como espantalhos numa plantação de milho seco, queimando até o inferno rachar e se abrir embaixo de nossos pés.Por sorte isso não aconteceu e fomos poupados por hora. Berry se atirou como um torpedo no colo de Q. (que se jogou no chão, tentando escapar, mas não teve sorte) e a indefinida do nosso grupo soltou o ar dos pulmões e deu com sua cabeça dura no chão. Pensando nisso, agora eu entendi porque ele tinha raspado seu pico ruim. Fez isso pensando em RuPaul (o de verdade, não sua metade de rascunho que estava conosco) e em facilitar pra quando for colocar suas perucas. Agora sim, tudo faz sentido. Desde o seqüestro relâmpago do hobbit em busca de roupas que não tivessem sido usadas por sua tataravó, ou que não fossem feitas com sacos de pano costurados. Era um plano maligno desses maledicentes para fazer a hermafrodita agarrar a loira tapada e para aflorar a mulher que se escondia por baixo de uma atitude fora da lei do antigo encrenqueiro."Está tudo certo? Estão todos bem?" O padre perguntou olhando todos e mirando nas she spies jogadas como tapetes no chão. Claro que estava tudo ótimo! Era uma perfeita noite de segunda, estávamos fazendo uma festa normal de adolescentes e sendo divertidos. Qual é a porra do problema desse homem? Ele só podia estar de palhaçada com a minha cara. Aliás, não só ele, como as meninas superpoderosas que pareciam cansadas depois de entrar na bad influenciada pela quase overdose do que quer que tenham tomado."Tá certo, todo mundo bem e blá blá blá. Eu só quero saber quem vai me explicar que porra acabou de acontecer aqui?"...Abri os olhando vendo minha sorridente loira deitada embaixo de mim e acariciando meus cabelos. Sorri para ela. Coisa que não ajudou muito a minha dor no queixo."Bem, eles já foram." Ignorando a educação de Santana (e eu imagino o quão esquisito isso deve ter parecido aos seus olhos, toda essa loucura), o padre Brandon nos disse e eu resolvi olhar pra ele, estranhamente sem a batina. Na verdade, o mais estranho era: o que ele estava fazendo aqui?"O que você está fazendo aqui, padre Brandon? Não que eu não tenha apreciado a sua ajuda, acho que posso afirmar isso por nós três." Disse e olhei para minha loira e Noah que confirmaram minha tese. Quinn por sorrir e balançar a cabeça e Noah por soltar o ar de seus pulmões, aparentando estar cansado. Foi quando vi a gaze enrolada em sua barriga e reparei também no esparadrapo que estava em sua cabeça. Será que a vagaranha da Stacey tinha feito algo com ele? Ah, mas ela não perdia por esperar, essa piranha! Quem ela pensava que era pra atacar meu melhor amigo e machucá-lo assim? Claro, eu ainda estava decepcionada com suas atitudes, mas isso não queria dizer que ia ignorar o fato de ele estar machucado. Tentei me levantar do corpo da minha agora namorada (ah, é tão bom pensar nisso. Me faz sorrir mais e mais) para checá-lo, só que ela e a dor me seguraram e resolvi abandonar esse plano.
"Noah me pediu para vir, disse que você estava em perigo, Rach. Agora eu vi por que..." Ele disse e olhei pra Noah que parecia descansar com a cabeça no chão. Bem, talvez ele não seja um amigo tão ruim assim, quer dizer, ele mandou o padre nos ajudar e tudo mais. Se bem que, se ele não estivesse num encontro e tendo relações sexuais com o exu de sua ex, provavelmente estaria ali para nos ajudar. O que também não teria sido tanta coisa se repararmos em nossos estados, mas eu ainda podia ter um quarto se ele não fosse tão promíscuo. O lado bom é que, graças à Barbra e ao padre, os fantasmas tinham seguido seus destinos desastrosos. Fixei meus olhos no vigário. "Vocês dois precisam de um hospital e temos que pesquisar sobre esses três para a próxima vez que os encontrarmos." É, sem exorcismo hoje."Mas se isso não foi um exorcismo, o que acabou de acontecer? Quer dizer, eles foram embora, né?" Perguntei depois de sentar-me num pulo."Isso foi apenas uma prece que fiz para proteger essa casa e a alma de vocês, o que vai nos dar pelo menos três dias até voltarem. Caso eles se aproximem da casa, ela está santificada e, além disso, se eles não respeitarem nosso bom Deus, Hades está aqui e vai vigiar as proximidades." Hum, agora a situação estava explicada. Abri um sorriso ao ver nosso saudoso amigo rottweiler, que se aproximou de mim e fiz carinho em sua cabeça."Ele é mansinho, pode fazer acariciá-lo." Disse pra minha loira que senti ter ficado tensa ao vê-lo. Ela me balançou a cabeça e aproximou sua mão da cabeça do animal, ainda temerosa. Hades pareceu gostar e se jogou no chão à nossa frente, fazendo Quinn rir divertida e contente e brincar com ele com ainda mais gosto."Cadê sua batina?" Me assustei ao ouvir Noah fazer a pergunta que estava atiçando minha curiosidade, ainda de olhos fechados e deitado de costas."Eu não sou mais padre." Ele respondeu e todos na sala olhamos para sua cara, até Santana se engasgou com a cerveja. "Muito embora eu ainda não aprecie esses barulhos demoníacos." De que esse homem estava falando? Os mortos já tinham ido embora e Santana estava quieta, nem xingava baixo. Fechei os olhos e foi quando entendi sua frase seguida por uma cara de nojo. 'I wanna love you/ But something's pulling me away from you/Jesus is my virtue/ And Judas is the demon I cling to/ I cling to/ I'm Just a holy fool/ Oh baby it's so cruel but/ I'm still in love with Judas baby.' Era isso, seu problema se resumia a Lady Gaga ter assumido sua torpe alma e estar jurando seu amor eterno a Judas. Tive que rir, ele podia não ser padre, mas ainda pensava como um."E desistiu por ter se apaixonado por Judas ou por uma das freiras?" Essa foi a direta e desrespeitosa pergunta de Santana. De quem mais seria?"Cruzes, Santana! É claro que não! Imagina se eu faria algo baixo desse tipo? Que pecado!" Brandon, o não mais padre, disse com certo desespero na voz, achando que o questionamento de Santana era algo extremamente fora de cogitação. Minha namorada tinha resolvido ignorar o que acontecia à sua volta e ainda brincava feliz com seu mais novo bichano. A latina só se deu ao trabalho de levantar uma sobrancelha para Brandon, que emendou. "Eu não preciso ser padre para acreditar em Deus e em suas maravilhas e sei que nós somos o templo dEle. O que me leva a dizer que isso que você está bebendo não te faz bem em sentido algum." Ok, até eu revirei os olhos pra ele nesse discurso de 'corpo, templo e etc.' e Santana fez o mesmo, o que foi bom porque ela fez só isso. "Tudo bem, eu saí do celibato por me julgarem e não farei o mesmo com vocês, prometo. Depois da viagem para o mosteiro,..." Falou se dirigindo à mim e ao Noah "eu pude ver o quão maiores são as coisas do que dentro de quatro paredes. Isso me fez rever meus conceitos, muito embora eu ainda siga a mesma religião e decidi realizar meu sonho e estudar História, pra virar um professor." Completou seu sermão rindo e cheio de si."Adorável e tocante história, agora quem vai me dizer o que acabou de acontecer aqui?" É, não tinha como fugir de suas perguntas e nos entreolhamos os quatro."Quinn, você sabe?" O mais velho se dirigiu à minha loira que só assentiu com a cabeça, voltando a brincar com o, agora, amigável cãozinho. "Bem, então é justo que saiba também, Santana." Ela só o fuzilava com os olhos, esperando a tal da explicação. "Mas é importante pensarmos no bem estar de nossos amigos e levá-los ao médico, eu posso explicar no caminho, ou na volta..." O embaraçado homem concluiu depressa e só foi recompensado com olhos assassinos em sua face. Até que a campainha tocou e o ex-padre tossiu, parecendo agradecer aos céus quando foi interrompido de seu esclarecimento. A latina levantou batendo os pés e xingando baixo."Deixa que eu atendo essa merda." Disse e se carregou em direção à porta. Até que parou e virou-se de repente. "Se for algum vizinho seu, Berry, eu vou quebrar o nariz da pessoa." Balancei a cabeça porque eu não poderia concordar mais com sua lógica. Quando se convenceu de que eu não seria contra ou impediria seus punhos de atingirem os songomongos dos meus vizinhos, a latina abriu a porta."Olá, posso falar com a Rachel e com o Noah?" Eu poderia jurar que reconhecia aquela voz, mas de onde?..."E você é?" Disse sem paciência para a menina estirada e sorrindo na porta. Não entendi absolutamente nada depois disso. Minha resposta atravessada pareceu lhe agradar e seu sorriso cheio de dentes (até que bastante brancos, devo admitir) se arreganhou ainda mais. Esse povo estranho que anda com a Berry, eu vou te contar, hein?"Eu sou a Katie, muito prazer." Se for possível, sorriu ainda mais e me esticou a mão, que apertei sem a menor vontade. Foi quando me lembrei do carro, da explicação sobre o primeiro beijo da Carrie e da barata descascada que pareceu defender seus sentimentos. Ela era aquela Katie. Eu devo ter fechado a cara porque a menina deixou de sorrir. Quinn não ia gostar nem um pouco daquilo, nem um pouco... "Eu posso entrar?" Pelo menos a vadia era educada, o que eu não podia dizer sobre as outras pessoas naquela casa. O ex e provavelmente pedófilo padre (vamos lá! Quem compra essa historinha idiota de 'ó, me decepcionei'. Isso só serviria se ele quisesse ter se assumido gay); Gloria Gaynor nem pela porta tinha entrado (falta de educação maior que essa não existia); Quinn, no auge de sua viagem, resolveu me morder e se achar certa; Brittany só me usava como travesseiro e estava brincando de quente-frio comigo (o que pode não ter a ver com educação, mas não era justo também) e Berry... Bem, era ela mesma, o que nem precisa de maiores explicações. Resolvi poupar a menina de passar o resto da noite ali e saí da frente. Que ela enfrentasse a fúria da loira bisca por si só.Ela passou por mim com um perfume muito bom e me sorriu agradecida. "Obrigada, Santana." Minha expressão deveria estar pau a pau com a cara monga do Finnconcebível. Sim, o fato de aquela desconhecida saber o meu nome era a cereja do bolo da minha noite no inferno.Sua alteza desfilou do alto de seus saltos na sala esculhambada de Berry e atraiu os olhares de todos. Caminhei de volta ao meu trono para uma melhor visão do resto daquele desastroso espetáculo e segurei minha amiga cerveja. Até a gigantesca boca do hobbit esfaquear o pesado silêncio."Katie?" Sua bocarra aberta e cara de espanto conseguiram passar sua mensagem melhor do que sua estúpida pergunta retórica. Olhei para sua loira e drogada segurança e vi que estava prestes a atacar sua vítima, a menina de olhos verdes e cabelos bem penteados que tinha cometido o delito de trocar saliva com seu homem. A rainha da indiferença poderia incendiar a menina com seus olhos (e tenho certeza que esse era o seu desejo) e só moveu sua cabeça russa quando seu brinquedo de lego se levantou para examinar sua primeira vítima. Quinn, claro, pulou em seus ligeiros sapatos de bico largo e foi marchando atrás de seu micro macho."Nossa, Rach? Tá tudo bem?" Foi a nova e mal recebida (não só por mim, ok?) garota que disse. Carrie-cherrie balançou sua cabeça com força, provavelmente pelo efeito prolongado da droga que usou mais cedo. Sua cintilante amiga-colorida sorriu e abraçou seu corpo que veio em miniatura. "Eu estava com tantas saudades de você." Não, eu não sei como alguém pode sentir falta da cantoria torturante de RuPaul ou de seus monólogos intermináveis. Talvez a menina estivesse drogada também... De qual buraco do inferno surgiu esse povo?"Olá." Sempre muito simpática e educada, Fabray resolveu rosnar alto o suficiente para interromper o momento good times entre a Barbie morena e sua boneca de retalhos."Olá, muito prazer, sou a Katie." A sorridente modelo da Victoria's Secret ofereceu sua mão para Q., que a apertou de tanto mau grado que achei que ela estivesse escondendo um canivete e se preparando para cortá-la. Bem, isso não aconteceu. Fabray só arreganhou seus dentes numa mensagem muda de que 'sim, ela morde'. E seu perdedor projeto de ciências aprumou-se para segurar sua mulher maravilha e proteger seu ouro."Katie, essa é a Quinn, minha namorada." Disse com um sorriso que parecia o do Coringa e sua pervertida líder de torcida deu uma fungada generosa no ar enchendo seu inexistente peito e achando ser o Tarzan. Depois passou uma mão safada pela barriga de Carrie, sorrindo como se ouvir e saber desse fato fosse uma coisa boa. Eu teria sentido vergonha em seu lugar. Na verdade, nem em um milhão de anos eu estaria em seu lugar. Deus me deu olhos e eu os uso para meu próprio bem. "Eu também senti sua falta. Mas desculpe perguntar, o que você está fazendo aqui?" Gnomo e sua falta de filtro brindaram a nova integrante do círculo de fogo que se fazia ali."Bom, eu estou de férias e estava de passagem pela cidade. Na verdade, eu iria para Santa Monica com o pessoal da faculdade. Mas como estava em Cleveland e iria passar por aqui de todo modo para ver as ações do meu pai... E, bem, depois da ligação desesperada de Noah, resolvi parar por mais tempo." Sério, essa menina não parava de rir nunca? Ela iria ter rugas bem cedo. "E já não era sem tempo de vocês duas se resolverem." Ok. Quem foi drogada fui eu. Essa é a resposta. Injetaram algo em mim e eu acordei numa realidade paralela, só pode ser. Porra! Como eu saio dessa?Só relaxei quando vi Quinn com uma cara tão abestalhada quanto a minha no momento e a Madre Tereza de Calcutá resolveu ir espalhar o bem pela casa e falar com todos, como um desses ursinhos carinhosos. Até chamar a atenção com sua voz e dizer que o transgênero estava desmaiado.Bem, se ele tivesse me pedido algum conselho de onde fazer sua cirurgia de siliconização eu teria dado um nome, mas pelo visto ele deve ter feito isso num açougue mesmo. Era idiota até mudando sua vida mesquinha. Isso fez homem do mundo entrar em um sermão sobre ajudar os irmãos e conquistar a Terra para o bem, espalhando o amor entre os demais e blá blá blá.Verdade seja dita, eu parei de prestar atenção quando ele citou a desmaiada, depressiva e turbinada moça na sala e só fui perceber quando todos iam se despedindo e carregando seu corpo modificado e repleto de pecado para o carro da miss América, que deu as chaves a Quinn (num gesto de pura ousadia, já que a loira estava vivendo sua juventude transviada da época The Doors há menos de uma hora, mas bem), fui atrás para fugir daquele lugar amaldiçoado e caçar minhas respostas."Não, San, fique e tente ajudá-los com as coisas..." Isso foi Britt colocando uma mão no peito e me impedindo de fugir daquele hospício. Confesso que fiquei magoada. Ela realmente não queria mais a minha companhia... "Não, San, você não entendeu..." Gritou com a cabeça para fora do carro depois de ver minha cara fechada."Na verdade, eu entendi tudo pela primeira vez, Brittany. Nos vemos mais tarde." Me virei e segui meu karma naquele lugar. Bom, se eu bebesse mais talvez eu até me divertisse. Sim, era isso que eu iria fazer! Até que me lembrei das minhas companhias."Isso nos dá tempo suficiente para conversar sobre o que acabou de acontecer aqui?" Disse abrindo mais uma garrafa. O mundano me olhou e engoliu em seco, provavelmente calculando qual seria sua punição por mentir. Talvez uma cavalaria de fogo viesse incinerá-lo."Sim, Santana, temos tempo o suficiente pra conversar sobre isso." A morena S. O. S. Malibu me disse sincera e me olhando de um modo esquisito nos olhos. Concordei e meti mais cerveja pra dentro. Pelo menos alguém estava sendo sincero comigo hoje. Nem que fosse uma completa desconhecida, ela parecia se importar o suficiente para me explicar as coisas.Eu confesso que senti medo do que estava prestes a ouvir, mas depois do terreiro que tinha presenciado, qualquer coisa era lucro.
Notas finais
Espero que gostem. E comentem, qualquer pedaço de pensamento é lucro.
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