Eu acordei quebrado da noite anterior. Fui até a cozinha peguei um pedaço de pão em cima da mesa, e um resto de suco dentro da geladeira. Depois de comer tomei um banho me arrumei e saí de casa.

A caminho da escola, não conseguia tirá-la da minha cabeça. Dos nossos planos é que eu tinha mais saudade. Tinhámos planejado tudo, tudo mesmo, desde o noivado até a faculdade das crianças.

Tinhámos planejado viagens, festas... E agora? Tudo tinha acabado. Era como acordar de um sonho bom, e ter que aturar a realidade novamente.

Eu não queria mais saber de nada, pra falar a verdade, estava indo a escola de uma forma mecânica, rotineira. Havia faltado a semana inteira... e tinha resolvido tentar voltar à minha antiga rotina. Acho que eu só tinha cansado de ficar trancado em casa.

Eu estava triste mas não iria deixar isso acabar com a minha vida. Sem falar que ainda me restavam esperanças de voltar a ve-la.

Já da esquina da escola avistei Thiago e Carol na entrada. Meus dois melhores amigos. Eles eram praticamente de casa, iam lá muitas vezes por semana. Menos na última, se bem que era bem capaz de eles terem ido até lá. Não atendi o interfone nem o telefone naquela semana, meu celular? Descarregado desde terça...

Logo que me viu Thiago veio falar comigo:

— E aí mano? Que que aconteceu? Você faltou a semana inteira, cara! E que cara é essa? Parece que você não dorme há dias!

— Ah, deixa essa história quieta, firmeza? Não quero falar sobre isso — Não ia adiantar mentir ou inventar desculpas... a gente se conhecia desde a 2ª série, ele saberia se eu estivesse mentindo.

— Ah, firmeza cara, qualquer coisa...

— Pode deixar, cara! Tá tudo na boa ok?
— Beleza... — pelo tom que ele falou deu pra entender que ele sabia que não estava tudo ok.

Carol veio em seguida e me cumprimentou, mas não me encheu o saco... ela sabia quando eu estava mal, assim como eu também sabia quando ela estava. A gente era amigo há muito tempo. Nos conhecemos no primário quando ela deu uma mordida na minha mão por que eu não queria emprestar meu giz de cera pra ela. E depois disso a gente ficou amigo. Crescemos e fomos para escolas diferentes, mas ela morava no andar de cima e a gente vivia indo um na casa do outro. Aí na 6ª série, depois que minha mãe morreu, eu e meu pai nos mudamos pra outro bairro não muito longe. E aí eu fui estudar no Alarico. Ela também foi pra lá. Naquela época meu pai estava muito endividado e não podia pagar uma escola particular. E acabou que, como eu havia gostado do colégio fiquei por lá mesmo. Enfim, a gente esteve sempre juntos. Desde o primário. Na 6ª série ela batia nos caras que encrencavam comigo por que eu era baixinho. Na 8ª ela me batia porque eu encrencava com os caras que eram baixinhos.

Foi ela quem me apresentou a Érika, era bem capaz de ela saber o porque de todo aquele "drama".

Depois da escola, ela e o hiago foram lá em casa. O Thiago ficou pouco tempo por que tinha que ir aprontar as coisas da banda dele.

A gente ficou assistindo filmes de terror até meia noite e acabou que ela ficou pra dormir lá em casa.
Eu falei pra ela ficar com a minha cama que eu ia me arranjar com um colchão velho na sala. Mas ela quis ficar na sala com o colchão e só pra sacanear eu fui dormir na sala também, no sofá. Aí ela ficou puta, mas não foi pro quarto só pra sacanear comigo também...

Eu acordei com a Carol me chaqualhando.

— Acorda babaca senão a gente vai se atrasar! — Ela disse brincando.
— Ah! Vai na minha frente então porra!
— Levanta logo senão eu vou arrebentar a sua cara. — Agora ela tava falando sério.

— Tá bom!

Levantei devagar me aprontei e 10 minutos depois a gente já estava à caminho da escola.

— E aí, Rafael vai me dizer ou não, por que você tá desse jeito?

— Desse jeito como?

— Ah! — Ela revirou os olhos e olhou pra mim séria — não se faz de idiota, me diz por que você tá triste!

— Você não sabe por que?

— Eu acho que sei, mas quero ouvir você falando...

— Ah... é por causa da Érika tá bom?

— É. Eu sabia.

— Idiota...

— Imbecil! — ela me deu um soco.

Depois da escola eu fui com ela até em casa, a gente ficou tirando sarro do Thiago o caminho inteiro até ele ficar nervoso e ir embora.

Depois de deixá-la em casa fui até a praça Roosevelt. Tinham uns skatistas lá. E uns drogados também, mas eles não mechem com a gente sem a gente provocar. Fiquei lá em cima olhando pra avenida... os carros, os prédios... o céu. Foi nessa praça que eu a conheci...

Notas finais
Sei lá, acho que poderia ter ficado melhor, eu escrevi de um jeito muito informal, sei lá. Enfim, espero que gostem.