Sexo e Outras Drogas
2 Sobre Eurydice e Borshch
Notas iniciais
Sam virou na cama mais uma vez naquela madrugada.
E revirou.
Se virou de bruços e, ainda assim, sentiu sua nuca pegando fogo.
Bufando e aumentando o volume do seu PearPhone, Sam sentiu que seus tímpanos iriam estourar se não tirasse aqueles fones de ouvido.
Ela realmente não ligava para isso.
R.E.M. parecia não surtir qualquer efeito para acalmá-la, como sempre acontece. Sam se virou mais uma vez e olhou para o teto do quarto de Carly, onde tinha uma pintura da constelação de Leão.
No meio da pintura, haviam dois pontos castanhos.
Pontos castanhos que faziam sua nuca queimar por se sentir sendo observada dessa maneira.
Pequenos pontinhos castanhos que a lembravam dos incríveis olhos do cara que ela nem ao menos conhecia.
Sam bufou e retirou o fone de ouvido do PearPhone abruptamente.
Antes de ouvir outro ronco de Carly, Sam saía do quarto com o cobertor e o travesseiro em baixo do braço.
Tempo depois, Sam estava jogada no sofá da Carly com um prato de ovo frito na mão e jogava algumas gramas de queijo ralado em cima.
– Programa inútil — Ela disse para a televisão, que transmitia uma reprise de Celebridades em Baixo d’Água.
Sam adormeceu por volta das quatro da manhã, amaldiçoando o fuso horário e jurando para si mesma que esse era o verdadeiro motivo de não conseguir dormir — em contrapartida ao seu íntimo que gritava pelo dono dos olhos castanhos.
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– E eu não faço ideia de como eu vou contar pra Missy! — Freddie bufou enquanto olhava para o céu.
Brad ressonou na cadeira ao lado direito. Griffin e Gibby também estavam sentados, cada um em uma cadeira de praia igual a de Freddie ou Brad.
– Ei ei ei! — Griffin disse e pareceu desesperado — Você não vai contar pra Missy sobre essa garota… Qual o nome dela mesmo?
Freddie fingiu não ter ouvido e tomou mais um gole da sua cerveja, olhando para o céu. Duas estrelas brilharam e ele podia jurar que brilhavam menos do que os olhos da garota que esteve em seus braços naquela noite.
– Qual o nome dela? — Gibby perguntou, se virando na direção de Freddie.
O silêncio reinou no local e Griffin deu um salto no seu lugar quando entendeu o que aquilo significava.
– Você não sabe o nome dela! — Ele disse apontando o dedo na direção do amigo de modo acusador.
Freddie sentiu suas bochechas ficarem vermelhas como a camisa que Brad — que roncava ainda mais alto — usava. Não olhou para os amigos e fingiu beber cerveja da garrafa já vazia.
– Meu Deus, ele não sabe o nome dela! — Repetiu Griffin olhando para Gibby — Ele dormiu com a mulher mais gata da festa e não sabe o nome dela!
– Ah, qual o problema? — Freddie disse pela primeira vez, olhando os amigos com a sobrancelha erguida — Eu só não sei o nome dela!
– Nananinanão — Griffin parecia cada vez mais animado — Tudo bem se você não souber o endereço dela ou o que ela faz. Dói, mas entenderemos se você não tiver o número dela. Agora, meu amigo, se você não souber o nome dela… Isso quer dizer que…
– Que você não vai encontrá-la de novo — Gibby concluiu o pensamento de Griffin e recebeu um aceno do mesmo.
– E quem disse que eu quero ficar com ela de novo? — Freddie falou e soube que sua voz falhou no momento em que contou aquela mentira.
– Eu!
– Eu!
Gibby e Griffin disseram em uníssono e ouviu-se também o ronco de Brad — aquilo era um sinal claro de que ele concordava com os amigos.
– Vocês viram quando a Carly brigou com ela achando que ela tava fazendo alguma coisa com o Freddie? — Gibby disse muito rápido, tão excitado quanto Griffin — Elas se conhecem, com certeza!
– Ela chegou com alguém, provavelmente era essa amiga de vocês — Griffin disse — Freddie, você precisa ligar pra ela e perguntar da loira que ela trouxe!
– O Gibby é mais amigo da Carly do que eu! — Freddie disse e apontou a garrafa vazia na direção do amigo gordinho.
– Ela é sua vizinha! — Gibby rebateu.
– Mas, eu estou morando no campus — Freddie ergueu as sobrancelhas — e mesmo que eu esteja de férias, amanhã não vou conseguir ir porque tenho que cuidar da reserva no Udivitel’no…
Gibby, Griffin e Freddie conversaram durante duas horas sobre comida russa e Freddie desviava o assunto sempre que os amigos falavam da loira de olhos azuis.
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– Aí ela diz que eu sou obrigada a ir – Sam dizia para si mesma enquanto pilotava sua Harley Davidson – porque eu “tenho que conhecer seus amigos ricos e esnobes”. Aí depois que você aceita ir, ela diz que a porra do jantar de noivado é num restaurante russo. É sério, tem como ficar pior? – Sam grunhiu por estar falando sozinha, por ter que ir a um noivado de quem ela não conhecia num restaurante daqueles nojentos e, ainda por cima, receber três sms de cobrança da Carly por ela estar atrasada.
Quando estacionou sua moto na frente do restaurante, sentiu ímpetos de ir embora quando sentiu seu cordão com a I.D. de John Puckett tremer. Havia prometido à Carly e, bem como o ex-dono do cordão havia ensinando, um Puckett não quebra promessas.
Tirou o capacete e o colocou em baixo do braço enquanto acionava o alarme da moto. Piscou para o menino que cuidava dos carros no estacionamento no restaurante e adentrou o local. Era extremamente refinado e as pessoas olharam para Sam como se ela estivesse nua.
Isso não a incomodou nem um pouco.
Perguntou para o maître se aquele era o endereço do jantar de noivado de Fredward Benson e Missy Ivanovitch e o mesmo apontou para duas grandes portas que estavam fechadas, indicando um outro salão.
Sam ergueu as sobrancelhas para ele e deu de ombros. Foi com seu capacete até as portas de madeira e abriu uma delas, sentindo ainda mais olhares quando entrou no salão reservado.
Estavam todos em seus lugares e Sam reconheceu o gordinho dono da festa aonde foi ontem e, ao seu lado, o menino que havia socado. Na frente dele, Sam reconheceu as madeixas castanhas de Carly e passou os olhos para o lugar ao lado dela que estava vago.
Sam correu até lá e se sentou, notando que ao lado de Gibby, havia alguém abaixado.
– Desculpa pelo atraso – Sam disse rapidamente quando recebeu um olhar severo de Carly. A garota colocou o capacete em baixo da cadeira enquanto falava – O trânsito em Seattle é horrível.
– Achei! – Disse a pessoa que estava ao lado de Gibby, erguendo-se novamente a mesa e devolvendo um brinco à ruiva que estava na sua frente.
Quando ele fez isso, seus olhos correram para o lugar que havia acabado de ser ocupado e ele arregalou os grandes olhos castanhos na direção dos olhos azuis.
Ele leu nos olhos da garota algo parecido com surpresa e entusiasmo. Estava confusa, mas havia gostado daquilo tanto quanto ele.
– Obrigada, amor! — A ruiva ao lado de Sam disse e mandou um beijo na direção do menino de olhos castanhos.
– Amor?! — Sam olhou para a ruiva.
– Ah, me desculpe! – A menina sorriu gentilmente para Sam – Eu sou a Missy e você é a Sam, amiga da Carly, não é? Esse é o Freddie – Missy pegou a mão de Freddie por cima da mesa.
– Fredward Benson? — Sam perguntou e Missy concordou. Freddie sentiu que estava sendo degolado — Seu noivo?!
– Vocês se conhecem? — Missy ergueu a sobrancelha para Sam. Ela não tinha tom sugestivo, mas Sam sentiu que sua expressão a denunciaria.
– Isso vai ser engraçado — Griffin disse com um sorriso no rosto. Ele cruzou os braços e encostou na cadeira, olhando para Sam, Freddie e Missy.
– Eles se conheceram na festa do Gibby, ontem – Carly interveio olhando interrogativamente para Sam – Esqueci de avisar a ela que o noivado era de vocês, desculpa.
– Ah, tudo bem! — Missy sorriu novamente para Sam — Seja bem-vinda! Você entrou na UCA*, né?
– Meu Deus, você é uma estudante da UCA? — Freddie se pronunciou pela primeira vez, olhando diretamente para Sam.
– Eu começo nesse semestre — Ela esclareceu.
Griffin, dessa vez, riu alto.
Gibby parecia confuso.
Freddie aterrorizado.
Carly tão confusa quanto Gibby.
E Sam... Ela sentia-se cada vez menor em um mar de tantas pessoas olhando para ela.
– Acho que agora podemos começar o jantar, não é Niki*? — Um homem ruivo no lugar principal da mesa disse assim que alguns garçons começaram a servir o jantar.
Sam olhou para o homem ruivo. Ele estava sentado no início da mesa. À sua direita estava um homem aparentando ainda mais idade, já que era careca e com uma barba que mesclava entre o grisalho e alguns fios ruivos. Na esquerda do patriarca, havia uma mulher com cabelos louros e grandes olhos verdes. Ao lado da mulher estava Missy.
– Claro, papa*, desculpe — Missy adiantou-se, largando a mão de Freddie e dirigindo um sorriso ainda mais doce ao pai.
– Desculpem a educação da minha irmã – Carly se apressou em dizer – Ela chegou de Madri há dois dias e o fuso horário atrapalhou um pouco… Bem, o nome dela é Samantha…
– Sam — interveio a loura.
–... Puckett — Carly continuou como se não tivesse sido interrompida.
– Puckett? – O pai de Missy disse e o senhor que estava ao lado dele, provavelmente o avô de Missy, olhou na direção de Sam – Puckett... De onde seu sobrenome é familiar?
– Você conhece John Puckett? – O avô de Missy se pronunciou pela primeira vez naquele fim de tarde e seus grandes olhos azuis olharam seriamente para a loura que estava entre Carly e Missy.
– E isso te interessa a que ponto? – Sam retrucou enquanto olhava enojada para a comida que fora colocada no seu prato.
– Sam! – Carly advertiu e Griffin segurou uma gargalhada.
– Podemos iniciar o jantar, por favor, dedushka*? – Ela olhou para o avô, que continuava com os grandes olhos azuis para Sam. Os olhos de Missy correram na direção do pai, implorando – Papa?
O pai de Missy concordou e disse algo para que o mais velho ouvisse. Quando todos foram servidos, Sam sentiu ainda mais vontade de vomitar por causa da comida.
– Que porcaria é essa? – Ela cochichou para Carly enquanto olhava para o líquido pastoso da cor roxa que tinha no seu prato.
– Borshch – Respondeu Carly que parecia tão enojada como a amiga – É uma sopa de beterraba e isso – ela apontou para a vasilha próxima ao prato, composta com um soro branco – é creme de leite pra você misturar.
– Eu acho que vou vomitar – Ela disse e olhou para o prato mais uma vez.
Mas, dessa vez, ela se lembrou de algo.
Ou melhor, alguém.
Correu os olhos e encontrou orbes negras a observando e, nesse momento, Freddie disfarçou e olhou para o teto e depois para o chão.
Ele usava uma camisa social da cor azul escura e isso deixava o tom de pele dele parecer ainda mais atrativa. O cabelo estava feito em um perfeito topete e, olhando-o de modo mais sutil e sem efeito de qualquer bebida, Sam notou que ele era bonito. E tinha uma aparência realmente nerd.
Quando ele colocou uma colher da sopa nojenta na boca, fez uma pequena careta que foi rapidamente disfarçada quando o olhar da mãe de Missy se direcionou a ele.
Sam teve vontade de rir daquilo, mas lembrou-se de que ele havia disfarçado para a sogra dele.
Porque ele era noivo.
Porque a noiva dele estava sentada bem ao lado de Sam Puckett.
Ela olhou mais uma vez para ele e, mais uma vez, ele estava olhando para ela.
Freddie olhava para Sam curioso. Por Deus, ela iria estudar na UCA? E por que ela tinha que ser ainda mais bonita quando ele poderia observá-la melhor, com uma luz melhor e sem estar acompanhado de uma cerveja?
Ela usava aquela roupa que ele tinha certeza que a deixava confortável (ele não pode negar que ela continuava sexy como na noite anterior) e tinha o cabelo dela, que era loiro e tinha um volume totalmente natural. Ela usava pouca maquilagem e isso parecia destacar a beleza dela.
Não conseguia desviar o olhar e quando o fez, ele sentiu que ela o observava. Desatou em comer aquela comida horrível que era a favorita da sua noiva para não ter que encarar a loira que o olhava, mas ele não esperava fazer aquela careta.
Olhou para a Sra. Ivanovitch e disfarçou sua careta.
Quando olhou novamente para Sam, sua linda e espetacular Sam, ela ainda o olhava e parecia se divertir com a careta que ele havia feito.
Isso foi o suficiente para fazer Freddie corar. Momentaneamente, Sam balançou a cabeça negativamente se voltou para sua Borshch.
Sam se odiava por pensar em Freddie e em como ela poderia levá-lo para o banheiro do restaurante e fazê-lo ir aos céus junto com ela.
Se odiava tanto que precisava saciar esse ódio batendo em alguém ou comendo.
E ela definitivamente não iria comer aquele vômito russo da cor roxa.
– Eu preciso atender meu celular, hm, vou estar lá fora te esperando caso eu demore demais – Antes que Carly reclamasse para a amiga, Sam já havia pegado seu capacete em baixo da cadeira e corrido até a parte de fora do Udivitel’no.
Claro que Carly sabia que aquilo era só uma desculpa, mas Sam precisava comer antes de se preocupar com os ataques da amiga.
Foi até sua moto e agradeceu ao manobrista por ter cuidado com ela. Levou a motocicleta até o meio-fio na frente do restaurante e a estacionou atrás de um Civic branco. Olhou em volta e quando seu estômago roncou, Sam agradeceu a Deus por ter uma pizzaria bem na frente daquele restaurante nojento.
Sam estava com uma pizza metade de muçarela e metade de bacon. A garota se encostou-se à moto e, de fones de ouvido, começou a saborear um enorme pedaço da pizza de bacon.
Queria ver a reação de Carly se a visse comendo uma pizza com as mãos, na rua. Ela riu só de imaginar a morena surtando e dizendo que aquilo poderia trazer riscos a sua saúde e bla bla bla.
Sam se sentia estranha e aquilo não era por já ter comido três pedaços de pizza em menos de seis minutos. Na verdade, ela não sabia que coisa era aquela que ela estava sentindo. Seu coração parecia bater muito rápido quando ela imaginava que o garoto da noite passada estava ali dentro, tão perto dela. Era um misto de ansiedade, ódio mortal e... Excitação?
– Ok, ok, vamos ver o que temos até agora – Ela disse para si mesma enquanto mastigava um pedaço de muçarela – Ele é o Freddie Benson, bom, na verdade, é Fredward. Que nome mais ridículo – Ela riu imaginando-o respondendo uma chamada ou uma prova oral – E ele é noivo de uma ruiva simpática demais. E essa ruiva é russa, o que é uma grande porcaria – Sam sentiu sua espinha tremer ao lembrar-se da pergunta sobre John Puckett – Afinal, o que aqueles velhos imbecis tem a ver com a minha vida ou com a vida do meu pai? – Sam olhou para o ID em seu pescoço e deixou que um sorriso de lado aparecesse em seu rosto – Ok, e o Fredward – ela riu mais uma vez – É amigo da minha quase irmã. E ele tem um belo par de olhos castanhos e de braços fortes. Ah, e tem uma bunda incrível – Ela fez um bico como se estivesse apreciando algo fofo na sua frente – Ah, sim, a Mama aqui gosta...
– Falando sozinha? – Sam quase derrubou a caixa de pizza que estava na sua mão quando ouviu alguém falando com ela. A garota tirou os fones de ouvido e se virou para a imagem de Griffin, com um olho roxo, parado perto da moto.
– Há quanto tempo tá aí? – Ela perguntou para ele com o olhar semicerrado.
– O suficiente para saber que a Mama aprova a bunda do Freddie – Ele disse e não conteve a risada.
Logo, a risada se transformou em gargalhada e extremamente constrangida, Sam começou a rir também. O quão ridículo aquilo era?
Os dois riam bastante e quando Sam notou, ele estava encostando-se na moto junto com Sam.
– Opa – ela disse quando ele encostou-se ao lado dela – Não encosta na Eurydice. *
– Na Euryd... O quê? – Ele olhou curioso para Sam em um tom de deboche.
– Olha, cara, não encosta na minha moto – Ela suspirou em direção a Griffin – Eu concertei ela hoje...
– Essa moto é sua? – Ele perguntou e quando Sam concordou, os olhos dele brilharam em direção a Harley Davidson que estava a sua frente – Eu... Meu Deus, que incrível! É uma Iron 833, não é? Ela tem garupa... Meu Deus, é a edição especial?!
Sam sorriu na direção dele e concordou, pegando mais um pedaço da pizza.
– Ela é linda, não é? – Sam tinha um tom orgulhoso e seus olhos reluziam – Eu participei de um concurso em Wisconsin* e a ganhei. É o amor da minha vida.
– É o amor da vida de todos, gata. Ás vezes, na minha oficina, aparecem umas Davidson e eu sou completamente apaix.... – Ele se interrompeu quando notou a caixa de pizza na mão de Sam – Isso daí é bacon?
Sam semicerrou os olhos para ele quando o mesmo levou a mão até a caixa. Ele parou.
Ela olhou para ele e para a caixa de pizza. Ele estava sendo tão legal com ela e ela tinha socado ele. Não queria que ninguém passasse fome ou comesse a comida daquele restaurante russo.
Então, quebrando todos os seus princípios, ela revirou os olhos e ofereceu a pizza.
Dez minutos depois, ele estava comendo o ultimo pedaço de muçarela e ela o ultimo pedaço de bacon. Os dois estavam sentados no meio-fio ao lado da Eurydice, conversando sobre motos e UFC.
Griffin havia ido até a pizzaria e comprado duas latas de cerveja, uma para cada um.
–... A propósito, desculpa pelo olho – Sam falou depois de beber um gole da sua cerveja – É difícil ver a Carly perder a linha daquele jeito e eu não posso deixar nenhum babaca fazer qualquer coisa com ela.
– Ah, sim... Ei! – Ele olhou para ela fingindo-se ofendido – Eu não sou um babaca!
– A Mama vai fingir que acredita – Ela piscou para ele e os dois riram. Sam terminou seu pedaço de pizza, bateu uma mão na outra e olhou para Griffin – Hm, por que você saiu lá de dentro?
Griffin deu de ombros.
– Freddie é meu amigo, mas a noiva dele não me suporta porque eu tenho uma oficina e bebo cerveja. Eu só vim por consideração, mas não vou comer aquela gosma roxa que eles chamam de comida – Ele foi bastante sincero e Sam sorriu com ele.
– Sabe, cara – Ela suspirou – Eu até me apaixonaria por você, mas não vou furar o olho da Carly.
Griffin corou com aquele comentário e bebeu um gole da sua cerveja.
– Eu digo o mesmo, lady Puckett, mas acho que não é legal sair com garotas que socam mais forte que você – ele disse e os dois riram. Griffin limpou as mãos na calça de sarja e tomou um gole da sua cerveja quando parou, parecendo perceber algo – Espera, como assim furar o olho da Carly?
Sam riu e deu de ombros.
– Ninguém, além de mim, consegue fazer a Carly perder a linha e ficar constrangida quase ao mesmo tempo – Ela deu de ombros – Mas, eu e Carly somos irmãs e ela não faz meu tipo.
Griffin riu uma vez da piada dela e Sam continuou.
– Se você conseguiu fazer ela ficar daquele jeito, pode ter certeza que ela já te imaginou pelado e gostou do que pensou – Sam deu de ombros como se estivesse comentando sobre o tempo.
Griffin ponderou sobre aquilo e, no fundo, se sentiu satisfeito. Era realmente estranho estar falando com uma garota aquelas coisas como motos, garotos pelados e luta (ainda mais estranho estar bebendo com essa garota no meio-fio de uma rua). Mas, Sam havia agradado Griffin desde a noite anterior e agora, conversando com ela, os dois pareciam serem compatíveis em muitos aspectos.
– Você é mesmo irmã da Carly? Vocês duas não se parecem nada... – Ele lançou olhares a ela, tentando identificar alguma semelhança com a garota de cabelos negros. E ficou com medo de ter sido invasivo demais.
Ao contrário do que ele imaginou, Sam apenas deu de ombros.
– Eu e ela somos amigas desde que nascemos, sabe, nossos pais trabalhavam juntos. Meu pai faleceu e eu fugi de casa quando eu tinha uns dez anos e fui me despedir da Carly, que ia se mudar pra cá. Bem, no final, o Pai-Shay me adotou e vivemos felizes para sempre – Sam dificilmente confiava nas pessoas o suficiente para dizer que tinha fugido de casa ou qualquer coisa relacionada à sua vida, porque isso levaria a perguntas e quanto mais a pessoa sabia, mais envolvido ela estaria. Entretanto, sentiu-se leve para contar aquilo à Griffin. Vendo que o garoto havia ficado comovido e, para evitar a pena dele, ela logo acrescentou – Eu fui tipo a irmã achada no lixo, sabe?
Isso o fez rir, mas ela ainda via o olhar de pena dele. Sam desviou o olhar.
Odiava, sobretudo, quando as pessoas se sentiam obrigadas a ter dó dela. Sam odiava esse sentimento de dó ou pena.
– É sério, não precisa ficar me olhando desse jeito... – Ela começou.
– O quê? – Ele arregalou os olhos – Eu não... – Foi interrompido quando ela ergueu as sobrancelhas para ele. Griffin levantou as mãos em sinal de rendimento e continuou – É que eu também fugi de casa, sabe? Mas, eu não fui adotado. Me formei no ensino médio e abri minha oficina. Sou tão de esquerda como você.
Sam olhou para ele e riu.
– Querido, acho que fomos feitos um para o outro! – Ela declarou.
– Eu soube disso no momento em que você botou fogo na minha boca! – Griffin piscou galanteador para ela e os dois riram por um tempo.
Depois de minutos rindo daquela besteira que havia sido dita, eles notaram que os amigos estavam atrás deles. Gibby foi quem denunciou, quando questionou o motivo das risadas para Carly.
Sam e Griffin se levantaram no mesmo instante, ainda com sorrisos bobos no rosto.
– Pensei que ia atender só uma ligação – Carly repreendeu Sam quando olhou a caixa de pizza e as latas de cerveja – Já se passou mais de uma hora. O jantar acabou.
– É realmente uma pena, Carlotta – Sam deu de ombros.
Freddie vinha logo atrás e estava com uma expressão aterrorizada. Isso não mudou quando viu Sam e Griffin juntos, mas, decidido a questionar o que era preciso.
Ele detestou, de todas as maneiras, ver Sam com um sorriso no rosto igual ao de Griffin. Olhou para o chão e viu uma caixa de pizza e duas latas de cerveja. Os dois fizeram uma festa no noivado dele? Griffin estava lá, rindo com a garota que os dois estiveram conversando na noite passada?
Belo amigo.
Balançando a cabeça negativamente, ela apenas ergueu o queixo.
– Hum, Sam, será que eu posso falar com você? – Disse ele, tentando manter o tom de voz firme e evitando olhar nos olhos dela ou de Griffin (que agora estava mandando beijos e piscando com o olho bom para uma Carly muito constrangida).
– Pra você, é Puckett – Advertiu ela friamente, mas mesmo assim, foi até ele.
Os dois se afastaram um pouco dos amigos e Sam evitou olhar para Freddie como alguém que evita olhar nos olhos da Medusa.
Freddie não fez isso e se perdeu olhando para ela. Ele observou o jeito como ela colocou uma mexa de cabelo atrás da orelha e do jeito que cruzou os braços enquanto batia o pé direito, impaciente. Ela era tão absurdamente linda e Freddie não sabia o motivo de nunca ter reparado se Missy mexia no cabelo desse jeito ou se cruzava o braço enquanto batia um pé.
– Eu não tenho a noite toda, mi amor – Disse ela, terminando a frase em um perfeito espanhol.
– Como quiera, señorita – Ele retrucou no mesmo tom e no mesmo idioma – Eu gostaria de saber se... Sabe, ontem...
Sam corou na mesma intensidade e na mesma hora em que ele. Bem, na hora dos dois irem para a cama, não havia constrangimento. Mas, tocar no assunto depois, quando ele já havia descoberto que ela era irmã de Carly e ela havia estado no noivado dele... Bem, aí fica um pouco mais constrangedor.
– Ontem, sabe... Na hora em que a gente... – Ele olhava para todos os lados, menos para ela.
– Hm...?
– Na hora em que a gente tava lá fazendo aquelas coisas – Ele falou em um tom mais baixo e seu rosto ficou escarlate.
Sam perdeu a paciência.
– Por Deus, Benson, quantos anos você tem? – Ela bufou e mesmo estando tão constrangida que ele, sua paciência era bastante escassa – Na hora em que estávamos transando. T-r-a-n-s-a-n-d-o!
– Xiu, xiu! – Ele falou abanando as mãos e olhando para os lados. Aparentemente, ninguém tinha ouvido nada. Voltou a olhá-la e ela parecia sentir vontade de rir do desespero dele – Ah, é, isso... – Ele engoliu em seco e sentiu certo desespero e ansiedade – Eu não usei camisinha e...
Sam arregalou os olhos.
Como ela havia deixado um detalhe desses passar despercebido?
Deus, como ela havia dormido com um estranho, não ter perguntado o nome e não ter usado preservativo?
Percebendo o desespero dela, ele se apressou em falar.
– Olha, minha mãe é enfermeira, meus exames estão em dia e eu não tenho nenhuma doença. Mas, olha, eu não quero ter filhos agora e... – Ele finalmente havia tirado da garganta o nó que havia se formado durante o jantar, quando a mãe de Missy comentou que não queria ser avó agora.
– Eu também não! Eu não sou doente, posso te garantir. E se o problema for filhos, eu tomo anticoncepcional em injeção e as possibilidades de eu engravidar são quase inexistentes – Ela suspirou – De qualquer jeito, hm, eu posso tomar amanhã uma daquelas pílulas do “dia seguinte”.
Freddie pareceu respirar mais aliviado e sentiu um ímpeto de tomar os lábios de Sam quando ela deu um passo à frente, para ir embora, e ficou a centímetros dele.
E ela pareceu pensar a mesma coisa, pois no minuto seguinte, seus olhos desceram para os lábios dele e pararam por lá durante alguns segundos.
Mas, ele era noivo.
E por mais que ela desejasse, nunca iria fazer isso novamente.
Sam balançou a cabeça e se afastou, sem se despedir ou olhar para trás.
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29 horas depois.
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Sam roncava pesadamente.
Havia chegado ao campus da UCA há seis horas e havia passado todo esse tempo arrumando suas coisas e comendo – sua colega de quarto estava com problemas de saúde e ainda não havia chegado.
Estava realmente cansada da viagem, da mudança de fuso horário, da implicância de Carly em saber de onde ela e Freddie se conheciam e cansada, principalmente, de tentar parar de recordar da noite de sexta-feira.
Ela estava sonhando com uma beterraba gigante correndo atrás dela quando foi acordada com batidas na sua porta.
As batidas não pararam, até que ela levantasse e, ainda de meia, fosse até a porta reclamando e praguejando quem quer que estivesse do outro lado.
– Quem você pensa que é... – A frase de Sam foi interrompida por uma pessoa musculosa e com um saco na cabeça a puxasse e tampasse sua boca.
Três pares de braços a seguraram e ela tentou morder a mão e mesmo que a pessoa urrasse de dor, ela continuou sendo levada para fora do campus. Notou que havia mais dois garotos na mesma situação.
Eram por volta das 2h da manhã e Sam estava sendo carregada pelo campus deserto. Ela não havia conseguido conhecer todo o campus e isso a deixou bastante irritada por não saber pra onde estava sendo levada – e simplesmente pelo fato de que estava praticamente sendo carregada de pijama pelo campus.
Sua boca ainda estava sendo tampada e as pessoas que a carregavam e carregavam os outros escondiam seus rostos. Covardes! Sam se remexeu, mas eram três pessoas que a carregavam e ela tinha certeza de que eram homens.
Mas, não estamos falando de qualquer Sam.
Estamos falando de Sam Puckett.
E Sam Puckett não considera certo ser carregada de pijama por três homens sem fazer nada.
Por isso, ela mordeu mais uma vez a mão que estava tampando sua boca e quando o homem urrou de dor, ela mordeu ainda mais forte, fazendo com que ele tirasse a mão de lá. Não demorou mais do que segundos para que ela mordesse um dos braços e chutasse para longe o outro.
Um terceiro tentou segurá-la e ela deduziu que fosse um homem, por isso, acertou em cheio a virilha dele.
No fim, haviam dois homens urrando de dor no chão e um com o dedo sangrando. E também havia uma garota loura correndo pelo campus de pijama.
E se eles fossem estupradores? Céus, que segurança horrível esse lugar tinha! E aquelas outras pessoas... Coitadas. Sam continuou correndo e estava cada vez mais perdida, o campus era enorme.
Os homens que ela havia derrubado estavam atrás dela e ela sabia disso pelo barulho de vários passos atrás.
Correu para o que parecia ser um dos prédios em reforma e expansão. O lugar estava imundo e não tinham terminado a pintura e nem algumas paredes.
– Ei, loura, volte aqui! – Ela ouviu alguém gritando.
Seu coração batia descompassado e parecia estar na garganta. Ela subiu três lances de escada e, quando olhou pro andar de baixo, viu que os três homens entravam ofegantes no prédio.
Continuou correndo, até que viu uma placa de uma saída de incêndio e não pensou duas vezes antes de correr naquela direção. Avistou uma porta, mas ela estava fechada e, com uma janela do lado, Sam não precisou de meio minuto para pular aquela janela, direto para a extensão da pequena saída de incêndio.
E os homens subiram a escada do lugar escuro e ela ouviu os passos dele no silencio da noite.
Sua respiração a denunciaria – ela tinha certeza. Estava ofegante e tinha certeza de que eles ouviriam. Estava muito silencioso e ela deu um passo para trás quando, através do vidro, ela viu três sombras saindo da escada.
No passo que deu para trás, acabou pisando alguma coisa e ia soltar um urro de dor quando, novamente naquela noite, sua boca foi tampada por uma mão. E dessa vez, ela foi puxada para a parte ao lado da janela, ainda de boca tampada e sua cintura envolvida em um abraço, deixando-a colada junto à pessoa que estava calando-a.
Sam olhou para cima para identificar o seu salvador e tamanha foi sua surpresa quando encontrou um par de olhos negros a encarando e com os lábios semicerrados.
Ele ainda tampava a boca dela e suas expressões eram duras. Ele não disse nada e continuou a segurando.
Poucos minutos se passaram quando eles ouviram um murmúrio de concordância de alguém lá dentro sugerindo que tivessem se enganado.
Passos no salão da parte de dentro ficaram cada vez mais distantes, até que Freddie, erguendo o olhar para além da saída de incêndio, viu três homens com sacos na cabeça se afastando do prédio.
– Pronto... – Freddie começou e seu olhar caiu sobre Sam enquanto ele tirava a mão da boca dela – Eles... Eles já foram...
Mesmo que estivessem “fora de perigo”, Freddie sussurrava e não conseguia tirar os olhos dela.
Ele tirou a mão que cobria a boca dela, mas permaneceu segurando-a pela cintura. Freddie se perdeu naqueles olhos azuis que pareciam assustados e desejou vê-los tão ternos como havia ficado na noite de sexta-feira.
E Sam sustentou o olhar, apreciando cada centímetro do rosto de Freddie. Sobrancelhas marcantes e traços fortes em contraste com a bochecha dele (Sam sentia, particularmente, vontade de mordê-la). Só então ela notou que estava com as mãos espalmadas no peitoral dele e isso a fez se sentir com vontade de tocá-lo sem todo aquele pano.
Freddie percebeu quando os olhos azuis se concentraram nas próprias mãos que estavam nele. E percebeu, também, quando ela começou a olhar entre os olhos e os lábios dele, sem perceber que enquanto o fazia, a mesma mordia o próprio lábio inferior.
– Acho que temos que parar... – Ele murmurou e passou a olhar para os lábios dela também.
Grossos e rosados, pareciam ainda mais chamativos iluminados somente pelo poste de luz laranja que havia na rua do campus.
– Parar com o quê? – Ela moveu uma das mãos e passou a acariciar, inconscientemente, a parte entre o ombro e o pescoço dele.
Isso o arrepiou dos pés a cabeça e ele a puxou mais pela cintura, aproximando os corpos o mais possível.
Ele nem sequer se lembrava do lugar que estava ou do que estava acontecendo, exatamente. A eletricidade entre os dois era tão forte que o fizera se esquecer completamente de qualquer coisa e sentir ímpetos de juntar seus lábios ao dela.
– De... – Ele suspirou quando ela acariciou atrás da orelha dele, ainda fitando os lábios do garoto – De nos encontrarmos assim... Do nada... P-por a-acaso – ele gaguejou e soltou uma lamúria quando sentiu a unha dela arranhando-o no pescoço. Sua outra mão se ergueu do peitoral dele e tocou-lhe os lábios de forma sutil, como um gesto curioso.
Freddie respirou fundo. Puxou-a pela cintura, mandando que o mundo se explodisse e sentindo necessidade de tomar os lábios dela.
Não fora um beijo.
Mesmo que a tensão sexual deles estivesse no ar...
E na terra, na água e em cada poro do corpo de ambos.
Fora um selinho, antes que Sam arregalasse os olhos para o que estava fazendo e seu susto foi ainda maior quando percebeu aonde suas mãos estavam.
Afastou-o e saiu dos braços dele, virando em direção a varanda e colocando a mão na boca. Estivera a centímetros de beijar ele e isso era tão errado... Mas, por Deus!, ela queria tanto!
Por isso, ela se afastou dele. Porque Missy havia tratado-a bem, cheia de sorrisos e não merecia isso. E Freddie era deliciosamente perigoso para ela, mas ele não poderia ser mais cafajeste.
Como todos os outros.
Um longo silêncio se instalou naquela varanda. Ouvia-se apenas a respiração dele que estava um pouco descompassada e, tentando por os pensamentos no lugar, ele respirou fundo algumas vezes.
Xingou-se mentalmente por ter tentado beijá-la, por querer tanto isso e por se sentir assim só com ela.
Com ela – Sam Puckett, a garota que havia conhecido há dois dias e que parecia ser a descrição perfeita do tipo de pessoa que ele mais detesta.
Ele a analisou de costas e teve ímpetos de rir. Ela provavelmente estava dormindo, ao julgar pela roupa e o par de meias que estava.
Seu cabelo estava um pouco mais desgrenhado do que da ultima vez que a vira. Na hora em que a garota adentrou a sacada sem notá-lo, ele viu que ela usava aquela mesma corrente que estava usando no restaurante e na noite que passaram juntos.
Era uma corrente de ID do exército americano, ele reconhecia bem. Seu pai tinha uma idêntica.
– Eu... Desculpa, é que...
– Obrigada por ter me, sei lá, salvado do trote nos calouros – Sam disse se virou para ele e ele notou que ão era a mesma garota que estivera há centímetros de beijar – Mas, isso não quer dizer qualquer intimidade entre nós. E eu realmente estou amaldiçoando até sua sétima geração por você estudar aqui, também.
Ele ficou calado. Ela tinha os lábios em uma linha fina e seus olhos não estavam mais tão escuros como estivera há minutos. Suas sobrancelhas eram duras, assim como suas expressões.
Mas, seu silêncio foi pelo modo como foi enfrentado.
Freddie não era tão bonito quanto Brad e nem tão carismático quanto Gibby. Na verdade, ele não era o badboy canalha que atraía mocinhas como Griffin. Ele era só o Freddie, que manjava de informática e que, sabe-se lá porque, as garotas caíam matando em cima dele.
Ele sempre foi bastante respeitado pela posição econômica que seu pai, um ex militar e atual bancário bem sucedido do estado de Washington, além de ser sempre o melhor aluno e, cá entre nós, as garotas realmente eram loucas por aquele topete e o sorriso de lado que ele as lançava.
Então, quando Sam dormiu com ele foi fascinante porque uma garota daquele patamar – gata, inteligente, gostosa e durona – nunca tinha dado bola para ele – não que ele ligasse, já que sempre teve preferência pelas garotas dotadas de uma beleza angelical, traços e corpo fino e boa educação –, foi realmente incrível conhecer ela e descobrir que ela era boa de cama, foi tão bom quanto todo o resto.
E depois que ela foi embora, ficou se perguntando durante toda a noite em claro, o motivo de não saber o nome e nem o telefone da garota dos belos olhos azuis.
No restaurante, entretanto, ele a achara ainda mais fascinante e bonita. Tinha certeza de que ela havia se decepcionado quando descobriu que ele era noivo.
Afinal, ele era Freddie Benson, o garoto do “incrível sorriso”, filho de um bancário e inteligentíssimo.
E ela realmente parecia ter ficado com vontade de beijá-lo há dois minutos, passeando com aquelas mãos por ele... Então, por que céus, ela havia recusado o beijo e ele (noivo e defensor do bom senso e de um mundo sem pessoas com péssima educação igual a ela) estava se importando tanto com isso?
Agora, ela estava enfrentando-o.
Lançava-lhe um olhar tão feroz como só o seu pai já havia lançado a ele, uma vez, quando ele contou que iria para a faculdade de T.I. ao invés de Economia ou Ciências Políticas.
– Qual o problema de eu estudar aqui? – Ele perguntou e sua voz não saiu tão grossa quanto ele queria – Eu sou o melhor em Ciências da Computação, sabe...
– E aposto que é fã de Guerra nas Galáxias e tem um quarto com pôster de super heróis e essas coisas babacas – Ela revirou os olhos e suspirou – Você é muito presunçoso e eu digo: quem liga se você é o melhor?
– O que quer dizer?
– Quero dizer que... Olha, quando eu te conheci sexta eu não sabia de nada disso e, cara, nem do seu nome eu sabia. Por que eu deveria saber agora? Por que você acha que eu me interesso por isso?
Freddie sentiu suas bochechas esquentarem.
Primeiramente, porque ele era realmente o melhor e já tinha cursado durante seu ensino médio uma especialização em programação.
E em segundo plano... Porque ele realmente era fã de Guerra nas Galáxias.
Vendo-a cuspir essas coisas na cara dele, não o deixou tão furioso quanto vê-la abrir aquele sorriso cínico e cruzando os braços.
– Escuta aqui, sua suburbana...
– Calado, nerd – Ela disse e sua voz saiu séria e sóbria. Sam deu passos firmes da direção dele com o dedo apontado em direção ao nariz do rapaz. Ela ofegou e seu tom era ameaçador – Escuta aqui, Benson: você vai ficar longe de mim e eu vou ficar longe de você. E você não me conhece e nós nunca, ouviu? Nunca tivemos qualquer tipo de interação. Você não sabe quem eu sou e nunca vai saber, para sua própria sorte, fique longe de mim.
Dito isso, ela saiu a passos decididos até a saída da varanda.
– E se eu não ficar? – Antes mesmo de poder controlar seus pensamentos, ele ouviu-se dizer em um tom determinado.
Sam parou e se virou uma última vez para ele, com as sobrancelhas douradas erguidas e um sorriso desdenhoso brincando em seus lábios. Ela sibilou as ultimas palavras:
– Acredite, Benson: você não vai querer arriscar.
E foi embora.
Freddie não a impediu dessa vez.
Entretanto, ele notara, ela era a garota mais bonita que ele já vira em toda sua vida.
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