Sexo e Outras Drogas
3 Old Yellow Bricks
Notas iniciais
Sam acordou com o seu celular tocando.
Pegou o PearPhone na cômoda ao lado da sua cama e nem sequer olhou no visor antes de atender e quase cair da cama ao tomar o susto com o grito que foi audível tanto através da chamada no celular quanto de fora do quarto.
O mesmo grito histérico.
O famoso grito histérico que pertencia a uma só pessoa em todo o mundo.
– Carly? – Ela perguntou no telefone enquanto olhava a fresta da janela que estava atrás da cabeceira da sua cama.
Ela assustou-se mais uma vez quando ouviu alguém socando a porta e correu até lá, bocejando e com o celular na orelha.
Quando abriu, se deparou com Carly e Gibby na porta do quarto, já trocados e arrumados, com cadernos e mochilas.
– Você tava dormindo? – Carly perguntou com uma voz fina e desesperada, olhando para a amiga que estava de pijamas, a cara amassada e uma das meias não estava em seu pé.
– EuestAVAAAAA – Sam respondeu enquanto bocejava mais uma vez – Que horas são?
– Que horas são? – Carly sussurrou e semicerrou os olhos para Sam – Você ouviu isso, Gibby?
– São 7:40, Sam – Respondeu Gibby – O sinal de início das aulas do campus de Humanas e Biológicas bate daqui a... – Ele consultou seu relógio de pulso – Uns vinte minutos, mais ou menos.
– E...? – Sam perguntou se recostando na porta e cruzando os braços, tentando entender o que levaria duas pessoas a baterem na sua porta às 7:40 da manhã para falar sobre biologia e qualquer outra coisa que o sono que ela estava sentindo não permitisse que a mesma entendesse.
– Seu primeiro dia de aula começa daqui vinte minutos e você está parada na porta dor... Sam! – Ela gritou quando a amiga fechou os olhos e pareceu ter dormido de novo – Vai se trocar, agora!
Sam abriu os olhos e olhou para Carly, já vestida e com alguns livros na mão. E olhou para Gibby, que usava uma mochila e também carregava alguns livros.
Hoje era segunda feira, 7:40 da manhã e seu primeiro dia de aula começava dali a vinte minutos.
Ela estava de pijama.
Olhou mais uma vez pra Gibby, que ergueu as sobrancelhas e finalmente Sam estava acordada.
____
– Você não pode andar de moto no campus! – Disse Gibby enquanto Sam colocava um capacete e subia na moto – É contra as regras e...
– É uma emergência! – Sam disse – Sobe logo, Carly!
Carly parecia dividida entre Sam e Gibby. No fim, ela mordiscou o lábio inferior e aceitou o capacete que Sam jogou em sua direção, subindo na garupa da motocicleta.
Sam deu partida, saindo da frente do campus.
– E eu?! – Gibby gritou batendo os braços ao lado do corpo.
– É proibido andar de moto no campus, sereia – Sam respondeu aos gritos, deixando para trás um garoto bastante irritado, enquanto Carly apertava os braços ao redor da sua cintura.
Sam foi recebendo as coordenadas de Carly para o prédio de Ciências Biológicas e, quando a deixou lá, Carly disse que enviaria uma sms para que as duas se encontrassem no intervalo.
A loura foi pilotando, passando na cabeça o caminho que Carly havia dito a ela para chegar ao prédio de Ciências Humanas.
____
Freddie dirigia seu Opala com Missy ao lado, enquanto a mesma tagarelava sobre os preparativos para o casamento dali a onze meses. Falava sobre manter a tradição russa de "resgate da noiva" ao invés de um chá de panelas e sobre a cor do vestido das madrinhas.
Ele concordava com algumas coisas, respondia "uhum" e "sério?" quando achava necessário e ás vezes balançava a cabeça negando algumas coisas, entretanto, ele não estava prestando real atenção naquilo tudo.
Isso tudo era do seu interesse — já que grande parte das despesas sairiam de um dinheiro que ele havia guardado nos últimos dois anos -, mas ele não estava, de fato, prestando atenção em qualquer coisa que ela dizia.
A música da rádio era bem baixa e ele queria aumentar (mas, Missy detestava som muito alto).
Em sua mente Sam parecia ocupar todo o espaço. Ele não conseguia entender o que havia acontecido noite passada, quando ela se afastou dele e mudou de comportamento da água pro vinho.
Ela estava tão curiosa com as mãos, parecia querer aquilo tanto quanto ele.
Então, porque, céus, ela havia recusado?
–... aí eu tava pensando em colocar as madrinhas vestidas de rosa, porque rosa é uma cor linda e reflete em boas energias, amor verdadeiro... Freddward, você está me ouvindo? — Missy perguntou cruzando os braços para o noivo.
Freddie foi retirado de seus devaneios e teve três segundos para formular uma resposta convincente. Por isso, ele lhe lançou o seu melhor sorriso e piscou para ela.
– Claro que estou — Disse ele — E concordo completamente com você!
Missy sorriu docemente, sem perceber que aquela já era a quarta vez que Freddie respondia a mesma coisa e lançava-lhe o mesmo sorriso.
Freddie não tinha o que reclamar de Missy – a garota era muito bonita, bem educada e gentil. Ela só era ingênua demais e muito fácil de se enganar. Ela cursava Economia e era uma das melhores em sua turma, mas era ingênua demais para entender quando estava sendo enganada por aqueles que ela confiava.
Isso era bom e ao mesmo tempo ruim.
Quando o carro parou na frente do conjunto de prédios de Ciências Exatas, Freddie se despediu de Missy (os horários dela de segunda-feira foram adiantados pela reitoria). Ela se esticou para lhe beijar os lábios e Freddie a puxou pela cintura.
Ela era um amor de pessoa, nunca seria grosseira.
Os lábios dela eram doces, mas não tinham aquele gosto maravilhoso.
Ela beijava bem, mas não tinha nem comparação.
– Ei, Freddie – Ela disse se separando do beijo assim que ele colocou a mão na nuca dela – O que há?
Ela era incrível, mas não era Sam Puckett.
– Eu... – Ele começou. Como iria explicar que estava comparando-a com outra garota? – Desculpa, é que você está tão linda hoje que eu não consegui resistir.
Missy sorriu para ele e beijou sua bochecha, antes de sair do carro com sua bolsa e bastante satisfeita com o noivo.
Freddie ficou fitando a rua por uns minutos antes de dar partida no carro. Isso que ele tinha feito fora horrível, afinal, no que ele estava pensando quando comparou Missy e Sam?
Pensando, talvez, nos belos seios dela.
No jeito que ela gemeu quando implorou para que ele fosse mais rápido.
Em como a bochecha dela ficou rosa e seus olhos satisfeitos enquanto ele a observava, ainda dentro dela.
E ele desejava tanto sentir os lábios dela de novo, só por sentir.
Ele grunhiu e socou o volante com força. O que ela estava fazendo com ele? Por que parecia tão intenso para ele enquanto ela não demonstrava nenhuma diferença em relação a ele ou a qualquer envolvimento?
Mas, Freddie precisava tirar isso a limpo.
Mesmo sendo noivo, mesmo amando sua noiva, mesmo sendo um homem responsável e capaz de fazer as coisas tão certas quanto o seu pai... Ele precisava ficar com Sam.
Só mais uma vez.
Ele ligou o carro, mas para onde iria?
O campus inteiro continha lanchonetes, prédios escolares, condomínio da reitoria, repúblicas, auditórios, quadras e... Aonde estaria Sam?
– Que idéia idiota – Ele gemeu para si mesmo por ter pensado na possibilidade de ficar com Sam novamente.
Ele era noivo da Missy e compromissado com a mesma.
Não faria essa bobagem mais uma vez.
Olhou no relógio e constatou que ainda tinha 1h30 até que sua primeira aula começasse.
Suspirou e dirigiu até a central do campus, aonde tinha uma lanchonete bem conhecida pelos alunos no café da manhã e, por todo esse reconhecimento, Freddie praguejou mentalmente quando a viu lotada de pessoas.
Decidiu, então, que ao invés de tomar um café típico, iria tomar uma vitamina.
Bem gelada, menos conhecida e aonde provavelmente não seria incomodado pelos seus amigos.
Freddie parou o Opala na frente do GroovySmothie e enquanto o trancava, colocou o óculos de Sol e as mãos no bolso.
Ao adentrar ao local de paredes roxas e rosa, sua surpresa não foi maior do que a loira que estava em uma das cadeiras próximas a porta.
Se essa coisa de destino realmente existisse, ele estava brincando com Freddie de um jeito imperdoável.
Sam estava com uma Vitamina Extra Grande em uma mão e um espetinho de waffle meio comido na outra, olhando para Freddie de um jeito estranho, como quem parecia surpresa.
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Vinte minutos antes
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Sam estacionou com sua motocicleta na frente do prédio de Psicologia, dentro do campo de Ciências Humanas e, enquanto tirava o capacete e ligava o alarme da moto, ela olhou no relógio.
Seis minutos atrasada.
Olhou as placas na frente do prédio e correu para a sala que era apontada como “Psicanálise” e, até chegar lá, mais dois minutos atrasada.
Olhou pela pequeno vidro que havia na porta e viu que todos já estavam ali, enquanto um senhor com a idade bem elevada falava a frente de um outro, com aparência mais jovem.
Sam resolveu entrar sem bater e sem dizer nada para não atrapalhar o que quer que seja que estivesse acontecendo ali. Por isso, desde fora, já avistou uma cadeira vazia quase no fundo da sala e, quando entrou, procurou ir direto nela, evitando olhar para alguém como se assim fosse chamar menos atenção.
– Ei, mocinha! – Ela ouviu em alto e bom som, vindo do começo da sala.
Sam se virou com as mãos para cima, como se estivesse se rendendo a qualquer delito que tivesse cometido. O homem continuou: – Qual o seu nome?
– Puckett, Samantha – Respondeu ela em alto e bom som e ninguém parecia respirar naquela sala.
Afinal, o que é que todos estavam olhando? Quem era aquele homem?
– Senhorita Puckett, acredito que tenha se esquecido de que sua primeira aula começava às oito horas em ponto e a Universidade de Ciências da América não aceita qualquer tipo de atraso ou descaso – Ele falava como se seu pulmão estivesse sem qualquer vestígio de ar fresco há anos. Uma voz bem rouca e seca – Peço que a senhora se retire dessa sala e não se atrase no seu próximo horário.
Sam riu enquanto cruzava os braços e mudava a perna de apoio.
– E quem é você? – Ela perguntou fazendo uma careta com desdém.
A sala permanecia no silêncio total e mesmo que ela fosse realmente enorme, parecia minúscula diante da raiva que o senhor que havia se dirigido há Sam estava transmitindo a ela agora.
– Você está fazendo algum tipo de gozação, Senhorita Puckett?
– Tudo o que eu mais queria era estar gozando ao invés de falando com você... Espera, quem é você, mesmo? – Ela riu mais uma vez enquanto abria um sorriso cínico no rosto.
Bem, vamos dizer que quem a ouvira falando daquela maneira, não acreditaria se não estivesse presente.
Sam sustentou o olhar de fúria do senhor que estava a metros de distância e isso pareceu deixá-lo ainda mais nervoso.
– Ele é o Dr. Lightman – Sam ouviu um sussurro bem próximo e olhou para o seu lado direito, encontrando o olhar assustado de um garoto que Carly havia ficado na festa do Gibby, o tal do Brad.
Mas, claro que Sam não se lembrou disso.
Porque ela havia acabado de falar para o reitor da UCA que preferia estar transando do que conversando com ele.
Então, Sam não viu outra alternativa.
– Oh, desculpe Vossa Magnificência! – Ela disse em um tom extremamente choroso com os lábios franzidos para baixo e o olhar culposo – Eu cheguei às 7:50, um pouco depois do professor, mas logo recebi uma ligação de casa dizendo que minha mãe estava no hospital mais uma vez e eu tive que sair... Eu... – Ela então começou a chorar de forma descontrolada, tampando parte do rosto com as mãos e soluçando.
O Dr. Lightman pareceu extremamente constrangido com aquela cena e todo o diálogo antecedente dessa crise de choro pareceu se esvaziar quando ele viu a estranha garota chorando na sua frente.
– Hum... Eu... – O senhor se virou para o homem que estava atrás dele, até então calado – Professor Avery, o senhor confirma essa história?
Ele deu dois passos a frente e inclinou levemente a cabeça, observando Sam. Olhando-a diretamente nos olhos, sem demonstrar qualquer reação ou interpretação.
– Como está sua mãe, Senhorita Samantha? – Ele questionou em um tom curioso.
Só então Sam notou que estivera prendendo sua respiração durante todo esse tempo.
– Meus irmãos estão cuidando dela, obrigada – Sam respondeu e acenou com a cabeça para ele de forma cúmplice e extremamente discreta, passando despercebida pelo Dr. Lightman.
Quando o silenciou permaneceu por mais de um minuto, Sam entendeu que deveria ir para o seu lugar vago e quando recomeçou a andar, novamente ouviu a voz do senhor chamando-a.
– Senhorita Puckett, por mais nobres que tenham sido seus motivos de se retirar da sala, creio que ainda está atrasada e entendo que você não se recorde da regra número 38, parágrafo terceiro, sobre o uso de aparelhos celulares dentro de qualquer prédio de ensino – Sua voz continuava seca e cortante enquanto Sam fingia limpar algum vestígio de lágrima que estivera ali durante sua encenação – Portanto, peço que a senhorita se retire da sala do Mestre Avery durante essa aula e que caso tenha algum problema com seus horários, não se incomode em passar na administração e retirar uma segunda via impressa.
Sam controlou seu impulso de bufar, apenas maneando com a cabeça e voltando pelo mesmo lugar em que entrou. Xingou o Dr. Múmia por mais de cinco minutos, em diferentes palavrões, em inglês e espanhol.
Subiu na sua moto e antes de alguém reclamar por ela estar andando de moto, a garota foi em direção ao centro do campus (assim como diziam as sinalizações) e, chegando lá, se deparou com um café realmente lotado.
Vamos dizer que Samantha Puckett não é muito fã de tomar café no café-da-manhã.
Então, ela foi até o campus e deixou sua moto na frente do seu apartamento, andando na direção em que uma placa apontava como “Groovy Smothie”.
Quando chegou lá e se deparou com o “especial café da manhã” que garantia uma vitamina de café com um espeto de waffle bastante peculiar – e foi por isso que ela pediu a maior vitamina de chocolate da casa e dois espetos de waffle para um jamaicano chamado “T-Bo”.
Depois de pegar o seu pedido, a garota se sentou em uma das mesas próximas a janela e começou a devorar seu café-da-manhã e, de repente, se perguntou quanto tempo levaria para encontrar o gostoso dos olhos castanhos novamente.
Não que ela estivesse apaixonada ou algo do tipo, mas ela sentia uma atração realmente forte em relação a ele. Não uma atração amorosa e sim uma atração carnal.
Por ela, já teria ficado com ele por mais vezes do que aquele dia, mas tinha algo que ela realmente respeitava e isso era o fato dele ser comprometido. Mesmo que ela estivesse com muita vontade de... Tê-lo novamente, isso era totalmente contra os seus padrões.
Só de lembrar dos olhos dele percorrendo o corpo dela e as mãos dele lhe proporcionando um orgasmo incrível... Sam sentia-se quase em chamas.
Só mais uma vez não vai fazer mal a ninguém... – pensava ela enquanto tomava um gole da sua vitamina – e se nós já fizemos alguma coisa um vez... Ah, não vai ser tão ruim assim se fizermos mais uma vez, né?
Ela mordiscou o lábio inferior ao imaginar o que poderia fazer com ele caso se encontrassem novamente.
Sam Puckett não é uma ninfomaníaca, mas se tem algo que ela realmente se importa é com o próprio prazer. Seja ele no seu pequeno ciclo de amigos, no seu meio profissional, nas coisas que ela come ou das loucuras que ela faz. E um dos maiores prazeres dela, além de comer, era fazer sexo.
Teve dois namorados de curto período durante toda sua vida e nunca havia transado com um desconhecido antes de sexta-feira, quando dormiu com Freddie. E ela não se arrependia de tê-lo feito.
E o que eu daria pra fazer de novo... – ela respirou fundo terminando o seu espeto de waffle e indo comer o outro – acho que eu deveria ir atrás dele.
Mas, e se ele não me quiser?
Ah, é claro que ele quer.
Ele é noivo. N-O-I-V-O.
Já fizemos uma vez, qual vai ser o problema de fazermos outra? – esse pensamento realmente alegrou Sam e ela estava quase decidida em ir atrás dele saciar seus desejos.
A diferença é que antes você não sabia realmente que ele era noivo. E agora sabe. E agora conheceu ela. Você participou do jantar de noivado deles!
Ela queria muito encontrar ele. Ela tinha coragem de ir até ele e agarrá-lo.
Mas, para ela, não existia nada mais importante do que uma consciência limpa – claro que dentro das coisas que ela julgava importante estar com a consciência pura.
Está decidido. Você NÃO vai atrás dele, não importa o que aconteça.
Samantha Puckett estava dando outro gole na sua bebida quando ouviu o sino da porta de entrada tocar e por puro costume, ela levantou a cabeça e se deparou – para sua enorme surpresa – com o Benson usando óculos escuro e uma camisa preta.
Tão, tão atraente.
E ele tirou os óculos sem qualquer vergonha enquanto olhava diretamente para ela, parecia tão surpreso quanto a mesma.
Sam não se importou realmente quando ele veio em sua direção e se sentou na sua frente, ao contrário, ela parecia presa no rosto dele, nos olhos dele, na boca dele.
– Bom dia – Disse ele com um sorriso de lado em direção a ela.
– Ótimo dia – Respondeu ela.
– O que vai querer? – O jamaicano perguntou assim que chegou a mesa deles, com um bloco de notas e uma caneta.
Freddie ia responder, mas estava ocupado demais observando Sam levar o canudo até os lábios e sugá-lo para tomar a vitamina.
Sabe quando tem aquelas cenas babacas em um filme romântico aonde o cara vê tudo o que a garota faz, só que em câmera lenta? Foi quase isso. Ele só não estava em um filme romântico e nem apaixonado, naquela hora ele sabia que ele estava usando a cabeça de baixo para pensar.
– Nerd? – Sam disse tirando ele dos devaneios.
– Ah, eu vou... – A voz dele pareceu um pouco mais grossa quando ele voltou a falar – Vou querer uma vitamina de morango e um waffle no palito.
– Ok... Duas vitaminas de morango e três waffles no palito, anotado – Freddie ia protestar, mas o T-Bo saiu falando sozinho e Sam voltou a tomar sua vitamina (e isso realmente prendia a atenção dele).
Sam percebeu aquilo e passou a língua pelo lábio inferior, se curvando na direção dele.
– Alguém já disse que você fica muito sexy usando óculos escuros? – Ela perguntou em tom bem baixo e quando ele ergueu as sobrancelhas de surpresa, ela se afastou rindo – Perdeu a aula também, mané?
– Você tem problemas com mudanças de humor repentinas? – Cruzando as mãos sobre a mesa, ele perguntou.
– Por quê?
– Ontem você disse que não queria que eu falasse com você e hoje me recebe cheia de sorrisos e chupando esse canudo como se não quisesse nada. Aí me chama de mané e nerd e ainda faz perguntas sobre mim – Ele disse tudo muito rápido, gesticulando a cada frase.
– Eu acordei de bom humor e mesmo que o Sr. Múmia tenha tentado destruir meu dia, eu prefiro continuar bem humorada – Respondeu ela – Mas, se for problema para você, acho que não vai se incomodar em mudar de mesa.
Freddie revirou os olhos.
– Respondendo a sua pergunta – ele resolveu relevar ao que Sam tinha dito – Meu primeiro horário é só as 9h30.
– Qual curso você faz mesmo?
– Ciências da Computação – Ele respondeu.
– Está em qual semestre?
– No começo do quinto. E você?
– E você trabalha?
– Não, por quê?
Sam sorriu para ele como quem estivesse se divertindo com toda aquela situação.
– Você sempre morou aqui?
– Sim, sou de Seattle mesmo. Mas, e você? Carly disse que veio de Madri...
– Gosta de praticar esportes?
– Acho que sim... – Ele olhou para ela com os olhos semicerrado, um pouco acanhado com a quantidade de perguntas e pelo fato de que ela parecia ignorar cada uma que ele fazia a ela.
– Qual sua comida favorita?
– Gosto de massas.
– Seus pais fazem o quê?
– Minha mãe é médica e o meu pai é um bancário no D.C.*, e os seus?
– Não tenho pais – agora Sam cruzou os braços e se encostou na cadeira, fazendo uma careta.
Uma mulher chegou com os pedidos e se retirou, meio minuto depois, Sam se apoderou de uma das bebidas.
– Você nasceu de onde? De um ovo?
– Você tentou ser engraçado? – Sam perguntou e isso tirou o sorriso da cara do Freddie – Meu pai morreu e minha mãe é uma vadia drogada que eu espero que esteja morta.
Aquilo chocou Freddie mais do que ele queria.
E Sam sabia que logo viria aquele olhar de “ah, eu sinto muito”.
Mas, diferente disso, Freddie apenas deu de ombros.
– Que horas começa sua aula?
– As nove e meia, por quê? – Ela olhou no visor do seu celular – Eu vou me atrasar de novo, eu não deveria ter deixado minha moto no campus, porque agora eu realmente preciso... – ela começou a se levantar e enfiar a maior quantidade de waffle na boca enquanto falava.
Freddie que normalmente sentiria nojo daquilo, apenas sentiu vontade de rir e se levantou também.
– Eu me lembrei que preciso fazer umas coisas antes da aula, quer uma carona? – Ele ofereceu mostrando as chaves do carro.
Ela iria recusar – porque não queria nenhum tipo de aproximação a mais com ele –, mas já havia perdido a primeira aula e não queria perder outra.
Em cinco minutos, eles já haviam saído e estavam dentro do carro dele (depois dela elogiar muito e os dois entrarem num assunto rápido sobre carros antigos e motores potentes).
Quando eles terminaram de falar sobre o Opala, o silêncio reinou no local e ele percebeu que não sabia aonde tinha que levá-la. E que não sabia quase nada sobre ela.
– Você já sabe muito sobre mim. Por que eu não posso saber também?
– Vai em frente: pergunte – Sam deu de ombros, encostando-se no banco do carro.
– Ok... – Freddie pensou por alguns segundos antes de voltar a perguntar – Qual curso você está fazendo?
– Psicologia.
– Em qual semestre?
– Primeiro – Ela sorriu para ele – Quantos anos você tem?
– Vinte. E você?
– Vinte também.
– Se importa de eu parar no meu apartamento pra pegar algumas coisas? – Ele perguntou enquanto passava na frente do seu apartamento no campus.
– Não. Posso usar seu banheiro? – Sam perguntou quando ele estacionou o carro na frente de um conjunto de apartamentos igual ao que ela morava.
Freddie deu de ombros e os dois saíram do carro, andando até as escadas e subindo-as.
– Algum motivo para ter demorado dois anos para começar a faculdade? – Ele questionou quando os dois estavam subindo o segundo lances de escadas que levaria até o segundo andar.
– Não exatamente, sou formada em gastronomia – Sam deu de ombros e piscou para ele quando o mesmo a parabenizou.
– Por que psicologia? – Os dois estavam parados na frente do quarto dele quando o Freddie perguntou, e eles não pareciam realmente se importar com qualquer outra coisa
– Por que ciências da computação?
– Por que você usa essa ID do exército todos os dias? — Ele perguntou algo que estava realmente o deixando nervoso por não saber a resposta.
– Isso não te interessa — Ela deu de ombros — Pretende sair de Seattle depois de se formar?
– Talvez. E você?
– Quero viajar pelo mundo – Ela disse.
Os dois ainda estavam parados na frente do apartamento quando o silêncio predominou. Mas, diferente de quando estavam no carro, nenhum deles pareceu se importar com isso.
Sam nunca tinha contado tanto em pouco tempo e não pretendia o fazer – mas, ela se sentia diferente. Parecia querer contar a Freddie sobre todos os seus sonhos.
Ela olhou naqueles olhos castanhos e os viu um pouco mais escuros do que há momentos antes e viu quando ele direcionou o olhar para os lábios dela, parecendo realmente pensativo com alguma coisa.
– Freddie...
– Hm?
– Você quis ficar comigo mais alguma vez depois de sexta-feira? – A loira ouviu aquelas palavras saindo da sua boca e não se sentiu constrangida por isso. Afinal, eles estavam nas perguntas e respostas, não é?
– Mais do que você imagina. E você? – Freddie agora sentia a tensão entre eles aumentar gradativamente.
– Acho que eu quero isso agora, mais uma vez – Ela respondeu e houve uma última troca de olhares antes dos dois unirem seus lábios mais uma vez.
E Sam não interrompeu dessa vez.
Ela queria tanto aquilo que não se importou em fazê-lo só mais uma vez.
Aconteceu uma pequena discussão entre beijos enquanto Freddie procurava as chaves do quarto e quando o abriu, ele a fechou com o pé e ainda de costas, Sam foi em sua direção e o prensou contra a parede, tomando seus lábios com fúria.
Quando o ar faltou ela desceu os lábios até o pescoço dele distribuindo mordidas e logo depois beijando, como se fosse amenizar qualquer resquício de dor sentida.
Ele colocou as mãos na cintura dela e foi andando pelo quarto em direção a cama e quando chegou no seu destino, a blusa dela já estava sendo jogada para algum canto do quarto e os dois estavam sem sapato.
Freddie se dedicou aos botões da calça dela e ela fez o mesmo com ele e com rapidez quase impossível, os dois já estavam somente com as roupas íntimas e Freddie tomou os lábios dela mais uma vez enquanto sua mão passeava pelo vale dos seios, arrancando alguns suspiros por parte dela.
– Sem... Preliminares... – Ela suspirou pesadamente quando ele desceu a mão até a parte interna das coxas dela, beijando entre seu pescoço e seu ombro – Não temos tempo...
– Só se você me encontrar amanhã depois da aula pra termos tempo de fazer tudo – Ele disse no ouvido dela e, inconscientemente, ela murmurou um “uhum”.
Freddie se esticou até a cômoda ao lado da cama e pegou um preservativo na primeira gaveta.
Enquanto ele se resolvia, Sam tirou o sutiã e quando estava tirando a sua ultima peça de roupa, Freddie a puxou e tomou os lábios mais uma vez, puxando-a para cima.
Ele se sentou na cama, encostado na cabeceira e Sam veio por cima, sendo penetrada de forma lenta e o contato arrancou um gemido dos dois.
Tinha sido tudo muito rápido, há menos de dez minutos eles estavam conversando na porta do quarto dele e agora ela estava sentada em cima dele, ambos gemendo coisas desconexas.
Mas, estava sendo tão prazeroso quanto da primeira vez e ela não sabia exatamente o motivo, só sabia que com ele era diferente.
Em suas relações sexuais anteriores, ela só atingia o prazer no final e com ele, ela sentia prazer desde o primeiro toque.
Claro que seus pensamentos esvaziaram quando Freddie a segurou pelo quadril e começou a ditar os movimentos dela em cima dele, entrando e saindo dela com mais rapidez e força.
Freddie nunca agira desse jeito, como um bom amante, sempre fazia questão das preliminares – mesmo que Missy não gostasse muito delas – para atingir ao prazer máximo... Mas, com Sam, ele sentia prazer a todo minuto e sabia que com ela era a mesma coisa.
Ele foi até um dos seios dela e o beijou com volúpia, arrancando mais suspiros e gemidos dela. Subiu para seu pescoço e depositou mais alguns beijos ali, até que voltasse a se sentar na cama um pouco distante dela, para continuar a penetrando com mais força.
Sam se curvou para ele e o abraçou enquanto ele estocava, gemendo com uma voz extremamente sexy aos ouvidos da loira. Isso fez com quê ela arranhasse as costas dele (aonde, por consequência de sexta-feira, já haviam alguns machucados feitos pelas mesmas unhas).
Freddie sentiu uma dor quando foi arranhado, mas ao invés de se importar com ela, isso pareceu deixá-lo ainda mais excitado e ouvi-la gemendo lhe causou um arrepio pelo corpo inteiro.
– Isso Sam... Geme pra mim – Ele falou no ouvido dela, estocando com mais força dessa vez.
Ela deixou de abraçá-lo para se movimentar com mais rapidez em cima dele e deixou a cabeça se inclinar para trás enquanto fechava os olhos e apertava um dos seios.
– Freddie... – Ela gemeu com uma voz mais rouca que o normal e depois mordeu o lábio inferior com força.
Freddie sabia que vê-la gemendo o nome dele nunca mais sairia da sua cabeça, não que ele quisesse.
– Ah, Freddie... – Ela gemeu um pouco mais alto e se apertou em volta dele, sentindo toda euforia e prazer se espalhando pelo corpo inteiro num intenso orgasmo.
Freddie estocou mais duas vezes e quando a viu se apertar nele, chegou ao ápice um pouco depois e nunca sentiu tanto prazer em uma “rapidinha” como daquela vez.
Ofegante, ela se abraçou a ele, procurando controlar a sua respiração e beijou o pescoço do rapaz.
– Sabe... – Ela disse e respirou mais uma vez – Eu acho que não quero mais que você não fale comigo...
– Eu acho que vou precisar falar com você mais vezes... – Ele também estava ofegante e nunca se sentiu tão bem como naquele momento.
– Mas... Você é noivo – Ela suspirou pesadamente e saiu de cima dele, sentando-se ao seu lado na cama, sentindo a necessidade de ir até a sua mochila dentro do carro e pegar um cigarro (que só eram usados em caso de extrema urgência, quando ela estava muito nervosa, bêbada ou em uma briga inteira).
Os dois ficaram em silencio.
Não estavam apaixonados e ambos tinham certeza disso.
Mas... Existia uma atração tão frente entre eles que nem Freddie conseguia explicar o que era ou se ele estava ficando louco por desejar tanto alguém quanto a desejava.
Ele amava sua noiva e tinha certeza disso – porém, pensar na loira lhe arrancava pensamentos e vontades que ele não sabia de onde vinham.
Sam prometeu que não iria ficar mais com ele, mas três dias depois, lá estavam os dois rolando na cama como se ele não fosse comprometido (e, céus, como ela queria que ele não fosse). Ela nunca quebrava uma promessa interna, mas dessa vez, o desejo pareceu gritar mais alto que qualquer outra coisa.
Gritou mais alto que sua consciência.
Ela olhou para ele, ali, sem camisa e totalmente nu, absorto nos próprios pensamentos.
Ele fazia uma cara tão sexy quando estava pensando: os lábios unidos em uma linha fina e as sobrancelhas franzidas.
Sam não aguentou e foi até ele, roubando um selinho para a total surpresa dele.
Bem, nem ela sabia exatamente o motivo de ter feito aquilo.
Freddie avançou até ela e também roubou um beijo.
A língua dele passou pelo lábio inferior dela e ela aceitou-o, puxando-o pela nuca e devorando os lábios dele novamente.
A tensão entre eles parecia infinita e cada vez melhor. Ela mordiscou o lábio inferior dele e sorriu quando ele suspirou entre o beijo.
– Nerd... – Ela murmurou, olhando para o relógio que havia no criado-mudo – Ainda temos vinte e cinco minutos...
Ele sorriu para ela e inverteu as posições, levando o rosto até o pescoço dela e todo pensamento sobre “bom noivo” “fidelidade” e “Missy” haviam escorrido da sua mente como se fosse água.
Depositou um beijo nos lábios dela e depois no queixo, enquanto murmurava em tom sôfrego, sentindo-se animado mais uma vez.
– Isso é tempo o suficiente...
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12 minutos depois
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Freddie olhou para a mulher nua que estava na sua cama ofegante e com algumas gotas de suor na testa, não acreditando que realmente tivera a sorte de ficar com alguém como ela.
O cabelo loiro estava moldando seu rosto em grandes cachos e contornando os seios grandes que ela tinha. No meio deles, estava a corrente do exército que ela usava.
Mas, Freddie não conseguiu prestar muita atenção naquilo, já que o peito dela subia e descia com mais rapidez por conta da respiração desregulada (e aquilo já era motivo o suficiente para desviar a atenção dele de qualquer outra coisa). Desceu os olhos e se deparou com aquela cicatriz no abdômen, mais uma vez.
Olhou para o vale entre as pernas dela e engoliu em seco, não entendendo o fato de que sabia que poderia ficar excitado mais uma vez se quisesse.
– O que foi? – Ela perguntou sentando-se na cama e cruzando os braços e isso só fez com quê seus peitos fossem esmagados e ficassem ainda mais volumosos.
Freddie não respondeu.
– Acho que precisamos de um banho – Ele disse e a pegou no colo, arrancando um grito de surpresa dela, que logo foi cessado com os lábios dele prontos para um terceiro round.
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