Sexo e Outras Drogas
4 Sobre Guerras e Promessas
Notas iniciais
Os dois saíram do banheiro aos beijos e nem se importaram com o fato de terem perdido uma aula (para Sam, a segunda). Ela estava enrolada em uma toalha e Freddie também estava, da cintura para baixo.
– Sabe de uma coisa? – Ele sussurrou para ela, mesmo que os dois estivessem a sós no quarto dele. Freddie colocou uma mecha do cabelo da Sam atrás da orelha da mesma e continuou quando ela assentiu – Você é a primeira mulher que não muda quase nada sem maquiagem.
– A Mamma aqui é perfeita – Sam piscou para ele e o mesmo gargalhou, revirando os olhos, mesmo que ele concordasse completamente com ela.
Missy era muito bonita – ele gostava de ruivas –, mas ela não o deixava ver sem maquiagem na maioria das vezes, alegando estar horrível. Na primeira vez em que ele dormiu na casa dela e acordou ao seu lado, percebeu que ela era bonita sem maquiagem, mas que seus olhos não tinham tanto brilho, seus lábios e sua bochecha não eram tão rosa como aparentavam.
Mas Sam... Ela era realmente bonita com ou sem maquiagem. Na sexta-feira, havia visto ela com os olhos delineados e nada além disso. No dia seguinte, ela quase não usava maquiagem e hoje, estava totalmente sem maquiagem antes e depois de tomarem banho – e ele quase não percebeu isso.
Seus lábios eram rosados e tinham pequenos ferimentos pela mania que ela tinha em mordê-los. Seus olhos eram grandes e curiosos, muitas vezes misteriosos e seu rosto, bem, seu rosto era de um tom que não parecia porcelana e não se parecia com o tom das modelos bronzeadas: era o tom normal dela e isso parecia a ajudar quando a expressão se tornava sarcástica ou maliciosa.
Ele avançou para os lábios dela mais uma vez, mas não chegou nem a ser um beijo. Logo eles ouviram alguém bater na porta e os dois se separaram como se tivessem sido pegos no flagra (mesmo que a porta estivesse trancada).
– Freddie? – Ouviu-se uma voz atrás da porta.
– É o Griffin – Freddie disse para Sam aos sussurros – Se esconde em algum lugar...
Antes dele terminar, ela já tinha corrido para o banheiro.
– Freddie, eu ouvi você! Abre aí, cara – Griffin insistiu – Se tiver comendo alguma gata, juro que não conto pra Missy se você dividir comigo...
Freddie abriu a porta ainda com a toalha na cintura e arqueou as sobrancelhas para Griffin, que ia bater na porta mais uma vez com um sorriso torto nos lábios – provavelmente tinha pensando em outra piada.
– O que foi? – Ele perguntou.
– Ah, eu vim... – Griffin começou, entrando no quarto dele – Te avisar que vou fazer uma festa no sábado e te convidar... Cara, você não sabe arrumar a cama não? – Ele se interrompeu quando notou a cama de Freddie extremamente bagunçada.
– Eu... Acordei agora pouco – Mentiu ele e se virou para que Griffin não visse seu rosto que o denunciava – E sobre a festa, Griff, hoje é segunda, cara. A festa é só sábado... Você podia ter ligado...
Griffin olhava para o teto da cama de Freddie, deitado na cama do mesmo – ele nem imaginava o que tinha acontecido ali, minutos antes – e parecia estar inquieto.
– É que eu queria ter certeza de que você e o pessoal fosse – Disse o homem – E você não deveria estar na aula agora?
– Decidi matar aula, sabe como é... Primeiro dia e tal – Isso não deixava de ser verdade e Griffin só não precisava saber os motivos por trás disso.
Freddie colocou uma cueca e depois, sua jeans que estava jogada no chão. Foi até o banheiro e olhou para o lado – Sam estava atrás da cortina do box, ainda enrolada na toalha. Mando um beijo para Freddie.
– Mas, você acha que o Gibby e o Brad vão? – Perguntou Griffin do quarto, que permanecia fitando o teto – E talvez até aquela amiga deles, a gostosa da Sam, quem sabe você não pega ela de novo...
Sam arregalou os olhos pro Freddie e fez menção de dizer algo, mas Freddie colou um dedo em cima dos próprios lábios e ela fechou a boca, sorrindo maliciosamente para ele.
– Eu... Ah, quem dera... – Freddie balbuciou alguma coisa, ainda de frente para a pia e com a porta aberta atrás dele, a única diferença é que ele olhava para sua direita, aonde Sam tinha aberto a toalha poucos centímetros, mostrando parte de um dos seios e lambia os lábios para ele.
– Ela é uma gata, de verdade – Griffin disse – E ela é bem inteligente. Sei lá, ela curte motos e não é superficial, ela realmente entende do negócio. E ela bebe cerveja e devora uma pizza mais rápido do que você come um pedaço... Ah, e cara, ela me socou! E doeu! Ela deve ser uma selvagem na cama!
Freddie apertou a pia do banheiro – se incomodando pelo comentário do amigo no quarto e porque Sam agora havia colocado as mãos na boca pra não abafar a risada e sua toalha havia caído.
Sam se abaixou e Freddie acompanhou aquilo com o olhar, travando o maxilar e tentando pensar em coisas como brócolis e sua tia Carmen pelada (isso tudo para que seu amigo que já havia trabalhado três vezes em menos de duas horas, não despertasse mais uma vez).
– Freddie? – Griffin chamou – Tá morto, cara?
Freddie se virou para a pia e saiu do banheiro, ainda sem camisa e com o maxilar travado.
– Do que estávamos falando? – Ele perguntou erguendo uma das sobrancelhas.
– Da Sam. Gata e inteligente – Griffin disse simplesmente – Muito gostosa, mas... Ela é legal demais pra pegar.
– Com assim? – Freddie questionou.
– Nós conversamos durante seu noivado com aquela beterraba nojenta e ela não tem segundas intenções pra mim. Ela deve ser uma amiga legal, sei lá, acho que nos damos bem e... Ela já é sua e eu respeito isso completamente.
Freddie não negou aquilo – como faria há dois dias. Apenas riu, sem saber exatamente o que falar.
– Griffin Stratford querendo a amizade uma mulher? – Ele riu – Como assim?
– Ah, cara – Griffin disse dando de ombros – É sobre isso que eu queria falar.
– Não era sobre a festa? – Freddie perguntou enquanto passava um perfume que pegara em cima da cômoda.
– É aí que eu queria chegar! – Griffin disse enérgico, se levantando da cama – Cara... Você precisa convidar a sua amiga pra festa, a Shay.
Freddie semicerrou os olhos para ele e se esqueceu completamente que Sam estava no banheiro.
– A Carly? – Perguntou Freddie.
Griffin deu de ombros com um sorriso torto.
– Caralho! Caralho! – Freddie disse com um sorriso e Griffin abriu o sorriso – Você tá afim da Carly!
– É, talvez...
– Você tá afim da Carly! – Ele continuou e deu risada por um curto período, até que parou e o olhou confuso – Mas... Da Carly? Carly Shay, que cursa medicina, que brigou com você na festa?
– A própria – Griffin respondeu e Freddie pareceu ainda mais confuso – Eu sei que ela não é motoqueira. E que odeia assuntos sobre carros, que não bebe cerveja e que me odeia porque eu sou motoqueiro e tenho tatuagens...
– E onde, exatamente, ela é seu tipo? – Freddie cruzou os braços por cima do torso nu.
– Ah velho... – Griffin começou – Eu dei em cima dela e ela nem deu bola. Não mexeu no cabelo e nem nada. Ela não ficou se atirando e não se impressionou quando eu disse que tenho tatuagens e até fez cara de repulsa quando me viu fumando... E eu achei o cabelo dela legal, ela não tenta jogá-lo pro lado e nem nada. Ela não precisa usar decote ou mostrar a polpa da bunda pra chamar atenção e... Ah cara, ela não é uma das vadias...
– Você tá gamadão – Freddie riu e Griffin socou seu ombro – E o que eu ganho a chamando pra festa?
– Com certeza ela vai levar a Sam. Eu ganho, você ganha...
– E quem disse que eu quero que a Sam vá? – Freddie brincou sorrindo de lado.
Assim que ele terminou de falar, ele ouviu alguma coisa caindo no banheiro e deduziu ser o vidro de xampu no box.
No box em que Sam estava.
– O que foi isso? – Griffin olhou rapidamente pra porta do banheiro.
– Nada – Freddie deu de ombros e se virou, indo em direção ao seu guarda-roupa para pegar uma camiseta.
– Ow, ow, ow! – Griffin disse rapidamente, arregalando os olhos – Que leão te atacou?!
– Do que você tá falando? – Freddie perguntou abrindo uma das gavetas.
– Tuas costas, cara – Griffin disse se aproximando e sorriu – Puta merda! Quem foi a vadia?
Freddie arregalou os olhos, pegou uma camiseta e colocou no corpo.
– Ah, isso foi a Missy...
– Nem fodendo! – O homem disse e então, finalmente, olhou para o quarto.
Tinha uma calça jeans, uma blusa branca e um tênis jogado próximos à cama. E uma lingerie também.
Ele correu até a cama e olhou em baixo dela. Não havia ninguém.
– Cadê a gata que esqueceu as roupas aqui, seu safadão? – Griffin perguntou, até que olhou para o banheiro.
Sorriu e foi na direção dele, porém, Freddie correu e fechou a porta, ficando na frente dela e encarando Griffin.
– Me deixa saber quem é! – Pediu Griffin.
– Não – Freddie respondeu – Ela é tímida...
– Como você escondeu a danadinha aí dentro por tanto tempo? Qual é, Benson, deixa eu saber...
– Não.
– Por favor!
– Não, Griffin! E se você insistir, vamos ver se a Shay vai querer ir na sua festa – Freddie ergueu as sobrancelhas para ele.
Griffin abriu a boca, mas a fechou. Seus ombros caíram e ele suspirou.
– Ok – Disse, por fim – E você, Senhorita Leão, saiba que eu ainda vou descobrir quem você é! – terminou, olhando em direção ao banheiro e indo até a porta do quarto – Eu vou tentar encontrar os meninos por aí.
– Não comenta absolutamente nada com eles sobre o que você presenciou aqui, ok? – Freddie pediu e Griffin ia fazer uma piada, mas viu que o amigo estava realmente desesperado.
– Você vai levar a Carly pra festa? – Perguntou ele e Freddie concordou – Então, falou.
O homem colocou os óculos escuros e desceu. Passou pelo carro de Freddie e se voltou, olhando por além do vidro de carona, uma mochila quadriculada, vermelha e preta que ele tinha certeza não ser pertencente ao Freddie e muito menos a Missy (a garota nunca usaria uma mochila e nada que não fosse com uma etiqueta que valesse mais de duzentos dólares).
___
Sam estava na aula de Psicologia Animal I enquanto a sua professora explicava tudo com um pequeno microfone, no início da sala.
As salas de aula eram realmente enormes e parecia um auditório pelo posicionamento das cadeiras. A lousa era grande, mas dificilmente era usada – os professores trabalhavam mais com slides e usavam o quadro-negro apenas para anotações sobre a aula ou o tema discutido.
Era tudo interessante para a loura, que estava com os pés apoiados na cadeira de baixo, mordendo a ponta do seu lápis e olhando para a professora na frente.
Havia entendido tudo o que fora explicado – e não entendia como metade daquelas pessoas ainda tinha duvidas sobre o tema. Ou seja, a professora estava explicando tudo novamente.
Um assunto cansativo.
Principalmente para Sam Puckett que não conseguia se esquecer, nem por um minuto, o toque quente que Freddie tinha. Ela não conseguia se esquecer dos lábios ansiosos que ele tinha e dos seus ombros fortes e largos.
Ele tem belos ombros, pensou Sam dando de ombros e mordendo seu lápis com um pouco mais de força.
Quando o ouviu gemer seu nome, uma sensação diferente tomou conta dela. Era diferente de tudo que ela tinha sentido até aquele momento. Era um desejo que parecia ser insaciável e uma vontade cada vez maior de estar com ele, de gritar por ele.
Freddie Benson era o nerd mais esquisitamente sexy que Sam já tinha visto.
Era muito errado fazer aquilo, porque ele era amigo da Carly. Porque ele era amigo dos seus, talvez, novos amigos. Porque ele era noivo. Noivo de uma garota incrível, que havia recebido Sam de braços abertos e por mais que isso não fizesse tanta diferença para Sam, ela se sentia na obrigação de respeitar a ruiva.
Porque Missy nunca tinha feito nada a ela e a garota até que era simpática. Não merecia estar com o cara que estava.
Sam desejava Freddie, mas tinha que assumir que ele era um verdadeiro cachorro. Tinha uma garota incrível com ele e olhava para outra.
A Mamma aqui é irresistível, pensou Sam rindo um pouco.
Depois de Griffin ir embora, Sam se vestiu e Freddie a deixou na porta do prédio de Ciências Humanas, sem trocar nenhuma palavra, a não ser de que eles tinham que juntar Griffin e Carly.
O sinal bateu e ela recolheu suas coisas, jogando a mochila por cima do ombro e rumando em direção a saída da sala. Brad fazia psicologia na mesma turma que ela, mas não tinha ido à aula naquele dia.
Sam pensou em ligar para Carly – havia batido o sinal do intervalo – e antes de fazê-lo, sentiu seu PearPhone vibrar no bolso da jeans.
Carly:
Gata, vem até o prédio de medicina, é caminho pra praça de alimentação.
To te esperando e não demora que eu to morrreeeeeeendo de fome!
(sério isso, to até me sentindo uma Puckett, lol)
A loura riu quando terminou de ler a mensagem e não se deu o trabalho de responder. Conectou os fones de ouvido ao celular, ligou o aleatório e começou a ouvir Maroon5. O campus de ciências biológicas e ciências humanas eram um ao lado do outro, então, em menos de dez minutos, Sam estava na frente do prédio de medicina.
Sentou-se num dos bancos que havia lá e se encostou, reclamado sobre Carly que tinha apressado e nem tinha saído ainda.
Sam sentiu um cutucão no braço e, por instinto, se virou segurando aquela mão desconhecida e torcendo-a.
– Ai, ai! – Sam, mesmo com os fones, ouviu o homem gritando.
– O que você quer? – Ela questionou soltando a mão dele e tirando um dos fones de ouvido.
– Uh... Uau – Ele tentou estralar o pulso e pareceu aliviado quando conseguiu – Essa doeu, hein, gata!
O homem usava uma jaqueta do time de futebol da UCA e ela achou aquilo ridículo – o time era um dos piores do condado – e tinha um cabelo loiro natural. Os verdes, pequenos e um sorriso realmente bonito e confiante.
Sam não disse nada, apenas cruzou os braços e arqueou a sobrancelha para ele.
– Ah, eu sou o Michel – Ele estendeu a mão.
Ela não se moveu, apenas olhou para a mão dele e voltou a fitar o rosto.
Toda a pose confiante dele parecia ter ido por água abaixo e ele passou a mão na calça jeans que usava, um pouco constrangido.
– É... Você é...?
– Eu não tenho tempo para ouvir cantada de idiotas que se acham só porque jogam num time de futebol da vigésima divisão – Cortou ela – Então, poupe o meu tempo e o seu ego. Tchau.
Ao contrário do que ela imaginou, ele riu e a postura confiante dominou ele novamente.
– Uh, gatinha feroz, assim que eu gosto! – Ele moveu as sobrancelhas para Sam de modo sugestivo e isso deu náuseas nela.
– Oi... – Carly chegou com alguns livros na mão e sua bolsa no ombro, olhando com curiosidade de Michel para Sam.
– Eae, Carls – Sam cumprimentou ela – Me dá só um segundo – E se virou novamente para Michel – Mike, se você não quiser que eu termine de quebrar sua mão, fique o mais distante de mim que você conseguir.
– Mas, eu só queria te chamar pra almoçar comigo! – O garoto sentiu-se constrangido por ter sido tratado daquela maneira na frente de outra pessoa. Na frente de outra mulher.
Sam gargalhou e olhou mais uma vez para ele.
Bonito, realmente bonito. Loiro, olhos verdes, traços adoráveis. Mas... Havia algo que a incomodava ali.
– Seus ombros são finos demais para mim! – Ela piscou para ele e se levantou, jogando a mochila mais uma vez nas costas e retirando os fones de ouvido por completo.
Quando as duas estavam longe o suficiente de Mike e dos argumentos que ele tentou usar mesmo depois de Sam já ter saído de lá, Carly finalmente quebrou o silêncio.
– Sabe quem era ele? – Perguntou à morena.
– O Mike? – Sam respondeu sem muito interesse.
– Ah, não, Puckett, não qualquer Mike – Carly parecia ansiosa demais e isso deu enjoo em Sam – Ele é o Mike Simpson, capitão do time de futebol da escola e melhor amigo do Adam.
– Quem é Adam?
– Um dos jogadores do time, estudante de administração, primo da Wendy. O que eu quase fiquei na festa de aniversário do Brad na casa do Gibby, sabe? Aquela em que você bateu no Griffin e...
– Nomes demais! – Sam bufou quando percebeu que Carly havia começado a tagarelar como sempre fazia quando estava empolgada.
– Desculpa. Mas, então, o Mike estava dando em cima de você descaradamente, Sam! E você disse que vai quebrar a mão dele? E que papo era aquele de que os ombros dele são finos? Você já viu o tamanho dos braços daquele homem?! – A morena se abanou e Sam riu um pouco.
Sua memória lhe trouxe os ombros largos e másculos que ela havia acariciado hoje, pela manhã.
– Essa é a diferença, Carls.
– Quê?
– Entre braços e ombros: essa é a diferença – Sam suspirou e olhou para frente, perdida em pensamentos – Existem homens que tem braços finos. Existem homens que tem braços gordos. Existem homens que tomam bomba para ficar com os bíceps trincados, mas... Existe uma categoria de homens que é seco, sabe? Ah, esses são os melhores... – Inconscientemente, Sam passou a língua pelos lábios.
– Seco? – Carly olhava para frente, também. Seu pensamento estava em uma figura que tinha tatuagens, uma oficina mecânica e olhos verdes.
– Ah, sim, amiga – A loura continuou – Secos, do tipo... Não precisam se entupir de carboidrato e nem anabolizantes. Eles são sarados na medida certa, sem exageros. Quando são assim, são bons. Mas, quando vem acompanhados de ombros largos, huh, são ótimos. Deliciosos.
Sam e Carly se perderam brevemente pelos seus próprios pensamentos. Carly, mesmo sem entender o motivo, estava pensando que Griffin se encaixava exatamente naquela categoria. E Sam, bom, ela tinha certeza de que Freddie pertencia ao grupo dos deliciosos.
– O que é delicioso? – Uma voz brincalhona as pegou de supetão, fazendo-as tomar um enorme susto.
– Você quase nos matou de susto! – Carly bufou, colocando a mão em cima do peito dramaticamente.
– Gibbbyyyyy! – O garoto gritou com uma voz mais grossa que o normal.
– Fala aí, sereia – Sam o cumprimentou e Gibby não reclamou do apelido, mesmo que o detestasse.
– Por que não foi pra aula hoje? – Carly perguntou.
Gibby cursava medicina junto com ela.
– Eu e Brad tivemos que resolver umas paradas com o Griffin... – Ele respondeu – Falando no Griffin, preciso falar com todo mundo junto.
– Então vamos almoçar, provavelmente o resto do pessoal tá lá – Carly deu de ombros.
Os três foram até a praça de alimentação conversando sobre qualquer coisa que Sam ignorava. Seu estomago falava mais alto.
Carly e Gibby foram até a fila do “Japonic” e Sam foi na direção oposta, indo até o “Divine Chicken”.
___
– Freddie, que isso aqui? – Missy perguntou passando a mão no pescoço do noivo.
Instantaneamente, ele arregalou os olhos, tirou uma das mãos do volante e colocou-a no pescoço, onde havia uma marca roxa.
– Isso... – Ele engoliu em seco – É... Alergia. Isso, eu tive uma crise alérgica hoje de manhã, por isso não fui as duas primeiras aulas...
– Mas, quando eu te vi hoje você estava tão bem! – Missy franziu o cenho.
– Foi logo depois que nos vimos, eu fui tomar café da manhã e sei lá, devo ter comido alguma coisa com morangos – Mentiu.
– Agora você tá melhor, né? – O tom da ruiva era de extrema preocupação e Freddie se sentiu completamente mal internamente por estar mentindo tão descaradamente.
Ele só não entendia como Missy acreditava nisso.
Ele nem ao menos tinha alergia a morangos.
– Com certeza, obrigado por se preocupar – Freddie sorriu para ela e torceu para que sua voz não falhasse.
Missy só deu de ombros e voltou a falar sobre o que esperava para os vestidos da madrinha e Freddie voltou para o status “estou ouvindo”.
Os dois chegaram a praça de alimentação e Freddie foi de mãos dadas com Missy que o arrastava até a fila do “Comida Verde” (um restaurante de comida vegetariana e saladas). Freddie só pediu um suco e um lanche natural. Missy pediu um prato de saladas e temperos, um suco e uma maçã.
Freddie detestava comida vegetariana, mas sabia que Missy ficaria chateada com ele se ele fosse comer carne ou alguma coisa assim.
Os dois mostraram a identificação de estudante e pagaram seus pedidos. Missy ainda tagarelava sobre o casamento quando os dois avistaram os amigos e foram com suas bandejas se sentar com eles.
Na mesa estavam Carly e Gibby comendo comida japonesa. Brad estava comendo um hambúrguer e Wendy comia spaghetti com muito queijo em cima.
– Ei, Freddie! – Carly sorriu para o amigo.
– Oi Carls – Freddie sorriu de volta e depois cumprimentou o restante do pessoal.
Carly sorriu com a curiosidade inútil de que só Freddie e Sam chamavam-na de “Carls”, e esse era um apelido que eles haviam dado a ela separadamente e há muitos anos.
– Vocês acreditam que eles não têm barbecue para servir junto com o frango?! – Sam chegou a mesa com a sua bandeja e se sentou entre Carly e Wendy.
– Meu Deus, como você consegue comer tudo isso? – Perguntou Brad.
Sam tinha na sua frente uma grande vasilha com discos de frango frito e bacon apresuntado, junto com três molhos ao lado.
Ela deu de ombros.
– Eu amo carne mais do que qualquer outra coisa – Respondeu e então, percebeu que havia mais duas pessoas na mesa.
Olhou para Freddie e depois para Missy, que sorriu para ela.
– Já que estamos todos aqui, reunidos – Começou Freddie em um tom diplomata, arrancando risadas dos demais – Griffin disse que sábado tem festa na casa dele. É aniversário dele e ele vai chamar um pessoal lá.
– Você vai, Brad? – Perguntou Gibby.
– Não sei, você vai? – Brad questionou.
– Vocês não namorados? – Perguntou Sam piscando freneticamente para eles enquanto devorava sua comida.
– Bem que eu queria, hein, Bradizinho – Gibby disse movendo as sobrancelhas sugestivamente e rindo da cara de assustado que Brad fez.
– Ok amigos homossexuais – Cortou Sam – Vocês vão sim ou não?
– Sim – Responderam juntos, mas Brad continuou, abraçando Wendy de lado – E é claro que a Wendy gata vai!
Wendy apenas riu e concordou com a cabeça.
– E vocês? – Freddie perguntou olhando para Carly e Sam.
– Duvido que ele queira que eu vá na casa dele – Carly deu de ombros.
Freddie lançou a ela um sorriso malicioso e se esticou um pouco na mesa, como quem contasse algum segredo.
– É aí que você se engana – Começou – Porque quando o Griffin disse para eu convidar o pessoal, ele pediu para eu convidar especialmente você.
Carly corou violentamente sob os assovios de Sam, Brad, Gibby e Wendy. Missy permanecia quieta.
– Alguém conquistou o badboy! – Wendy disse entre risos.
– Ele sabe que o pai dela é um militar em exercício? –Brad perguntou.
– Como se você tivesse ligado pra isso quando agarrou ela no seu aniversário! – Sam disse e todos gargalharam alto, menos Brad e Carly.
Os dois ficaram vermelhos como o molho de ketchup que Sam jogava no disco de frango frito.
– Ah, eu... – Brad começou – Ah Carly, eu tava bêbado e você é a maior gata! Desculpa, de verdade...
– T-Tudo bem – Carly respondeu, lançando-lhe um sorriso reconfortante.
– Você vai, Sam? – Perguntou Wendy.
– Yep – Respondeu ela olhando rapidamente para Freddie, que também a olhava.
Essa troca de olhares não passou despercebida para Missy, que se sentiu ainda mais incomodada com a presença da loura na mesa.
– E a Carly também vai pra dar uns beijos de aniversário no Grif – Disse Sam e Carly revirou os olhos – Você vai, né, Carly?
– Se eu não tiver nada pra fazer, quem sabe... – Ela deu de ombros tentando mascarar o nervosismo.
– Aí sim hein Carlotta, sabia que você se amarrava num badboy – Gibby piscou para ela e dessa vez, ela riu.
– Você vai, Freddward? – Perguntou Missy em seu tom sereno e doce para o noivo.
Sam sentiu que ia vomitar seu bacon.
– É aniversário do meu amigo, claro que eu vou – Ele respondeu dando de ombros e tomando os últimos goles do seu suco.
– Você sabe que eu não gosto dele, não sei o que eu vou fazer lá. Odeio aquele moleque! – Missy bufou e cruzou os braços.
– Você não foi convidada, mesmo – Freddie retrucou e aquilo gerou silêncio na mesa.
Freddie odiava quando Missy falava de Griffin, só porque ele não tinha “nome”. Griffin era o mais humilde entre eles, mas era realmente bom com sua oficina e as vendas de carros usados, isso o deixava com um dinheiro realmente bom. Mas, pelas tatuagens, pelo jeito de badboy e pela pequena briga que já teve com ela, Missy realmente o odiava e não aceitava o fato do noivo ser amigo dele.
Freddie comia vegetais por Missy. Mas, Missy não parecia se importar com as amizades de Freddie.
Isso o chateava o suficiente para fazer com quê ele desse respostas estúpidas para ela.
O silêncio foi rompido por Sam que lambeu os lábios em um estralo e encostou-se na cadeira, acariciando a própria barriga.
– Acho que vou comer outro desses – Ela disse para ela mesma.
– Quantas horas você passa na academia? – Perguntou Wendy.
Todos na mesa olhavam para ela, porque não havia se passado nem dez minutos e ela havia acabado com um prato que sustentaria pelo menos dois dos garotos que estavam ali.
– Quê? – Sam tirou os olhos do prato para olhar para Wendy.
– Sei lá, você come isso tudo e tem esse corpão – Ela deu de ombros.
Carly gargalhou alto.
– Sam? Academia? Esforço físico? – Perguntou aos risos.
Sam riu junto. Wendy começou a rir e logo, a mesa inteira estava rindo só de ver Carly rindo. Vamos dizer que a risada da Carly era daquelas que faz um barulho estranho e contagiante.
– Garota, o maior esforço que eu já fiz na minha vida foi correr bêbada e de salto por sete quarteirões – Contou Sam.
– Por quê? – Brad perguntou.
– Porque eu fui numa festa, bebi e depois nós fomos pichar o muro de uma mansão em Hollywood. Aí a policia apareceu e nós tivemos que correr por quarteirões. Essa foi a primeira e ultima vez que eu usei salto-alto e bebi no mesmo dia! – Sam contou e todos na mesa riam novamente – Três quarteirões depois, eu tive que jogar o sapato num jardim qualquer, porque simplesmente não tem como você correr usando aquilo!
– Uma pequena observação: o sapato era meu! – Carly disse revirando os olhos, fingindo-se irritada quando na verdade, ria.
– Ah, Carls, eu te dei dois pares depois – Sam retrucou.
– Você comprou os dois no nosso cartão de crédito compartilhado! – Acusou a morena.
Gibby riu alto.
– No dia em que ela foi à festa, por incrível coincidência, saiu no site do TMZ que a mansão da Paris Hilton, em Hollywood, foi pichada com “Mamma ama Bacon” – Carly cruzou os braços e isso fez Brad e Freddie arregalarem os olhos e rirem.
Missy tinha um riso leve, mas não era verdadeiro. Na verdade, ela se sentia um pouco incomodada com toda atenção que Sam estava recebendo de todos, afinal, ela havia acabado de chegar e todos já estavam rindo com ela e para ela. Principalmente o seu Freddie que havia acabado de destratá-la e agora estava gargalhando com essa história que a loira contava.
– Você pichou a mansão da Paris Hilton, bêbada, fugiu e jogou um sapato de salto fora? – Perguntou Wendy e Sam apenas concordou – Meu Deus, eu sou sua fã! Carly Shay, por que você não me apresentou a ela antes?!
Carly riu.
– Porque ela morava em Madri. Ela é a minha irmãzinha problemática que eu tanto falava, sabe? A selvagem, maluca, insana, comilona, valentona...
– Bonitona, gostosa, loira, inteligente... – Sam interrompeu Carly e todos riram.
– Então vocês realmente são irmãs? – Perguntou Gibby e, nesse momento, o sorriso de Sam diminuiu – Porque vocês não tem nada a ver.
– Eu sou a adotada, sereia – Mesmo desconfortável com o rumo que o assunto tinha tomado, Sam contou.
– O que aconteceu com os seus pais? – Perguntou Missy que parecia um pouco mais interessada.
Logo depois do seu jantar de noivado, ela havia ido questionar o seu avô e o seu pai sobre “John Puckett” e os mesmos apenas disseram que isso não era algo com que ela deva se preocupar. Só disseram para ela ficar longe da loira.
Isso gerou muita curiosidade em Missy.
Sam lambeu os lábios.
– Ei, Missy, não sei se você estava ouvindo durante o seu jantar de noivado, mas, eu vou repetir: isso não é da conta de ninguém – Respondeu ela.
O clima na mesa foi dominado por uma tensão incomoda.
– Eu só fiz uma pergunta! – Missy disse em um tom extremamente meloso.
– Eu só dei uma resposta! – Bufando, Sam disse e pegou sua mochila que estava pendurada na cadeira. Levantou-se, terminou de tomar sua Coca-Cola em poucos goles e pegou sua bandeja, saindo da mesa sem se despedir de ninguém.
Todo mundo acompanhou Sam jogar os papéis no lixo e colocar a bandeja na prateleira ao lado. Viram quando ela foi para a área de fumantes, pegou os fones de ouvido e um cigarro. Minutos depois, ela estava dando o primeiro trago com os olhos fechados e sendo envolvida pela música.
– Eu não sabia que ela fumava – Freddie murmurou, mas foi como se tivesse dito para si mesmo.
– Só quando ela tá nervosa – Carly respondeu e parecia um pouco decepcionada – Eu sei que ela é um pouco problemática...
– Você quis dizer incrível, né? – Wendy interrompeu, tentando amenizar o clima que tinha ficado.
Gibby e Brad concordaram.
– Mas, eu juro pra vocês que ela tem motivos – Carly suspirou – E se vocês não quiserem uma morte imediata, por favor, não falem da família dela. E não perguntem nada que seja relacionado a vida delas, sei lá, ela acha que vocês estão se metendo na vida dela e ela não quer ninguém metido nas coisas dela – Confessou a morena, olhando cautelosamente para os amigos na mesa.
– Não tá mais aqui quem falou! – Missy disse.
– Nada de falar da família da Sam, entendemos – Brad disse – Você é a família dela, ok.
– Isso mesmo! – Gibby disse com a voz mais animada – Mas, mudando de assunto, vocês viram que o professor de física pintou o cabelo de amarelo?
O assunto se iniciou na mesa, mas Freddie não conseguia desviar o olhar. A praça de alimentação ou refeitório, era um lugar enorme, com várias pequenas lanchonetes em volta, parecendo um shopping.
Ele era cercado por paredes de vidros que foram projetadas para dar mais luz natural ao local e sensação de estar comendo ao ar livre.
Freddie via Sam através do vidro e via como ela tragava o seu cigarro como se fosse a coisa mais importante a se fazer. Ela tinha os fones de ouvido e movia os dedos ao lado do corpo no ritmo da música e ele tinha certeza de que ela estava ouvindo algum rock antigo, porque parecia que aquilo a deixava mais tranquila.
Não entendia qual fascínio tinha por ela. Todos na mesa estavam conversando animadamente e tudo o que ele conseguia fazer era prestar atenção e observar cada detalhe da garota que estava do lado de fora, fumando.
Freddie já tinha fumado antes, quando tinha uns dezesseis anos. Fumou por um tempo porque era “descolado”, mas aí a mãe dele começou a suspeitar e o levou a uma conferência sobre drogas. Depois de ver um pulmão de um fumante de perto, Freddie nunca mais colocou um cigarro na boca. Ele detestava cigarros, odiava o cheiro e a fumaça. Ele era uma daquelas pessoas que tossiam propositalmente quando tinha um fumante perto, só para ele se afastar.
Mas, ver Sam fumando, não causou nenhuma repulsa nele. Freddie sentiu uma vontade enorme de se levantar e ir lá fora, conversar com ela. Conversar sobre qualquer assunto, sobre qualquer coisa. Só conversar com ela.
Ele não o fez e quando eles saíram do refeitório, antes do sinal bater, Sam já não estava mais lá. Carly disse que ela mandou uma mensagem avisando que estava indo para o campus.
O restante do dia se passou demoradamente. Sam se concentrou em todas as suas aulas e foi elogiada por uma professora, quando as duas entraram em uma discussão sobre psiquiatria e Sam apresentou bons argumentos.
Carly mandou uma mensagem avisando que iria demorar para ser dispensada, já que estavam no meio de uma apresentação de um médico realmente importante. Com isso, Sam foi andando até o campus de alojamentos. Subiu as escadas do pequeno prédio de três andares que morava, abriu a porta e pegou o elevador até o terceiro andar.
Quando chegou, nem se deu o trabalho de trancar a porta ou tirar os sapatos. Jogou-se na cama com os fones de ouvido, fechando os olhos e cantarolando uma música do Pearl Jam.
Freddie viu Sam entrando no prédio e foi até o seu, que ficava há um quarteirão, guardando o carro e deixando suas coisas. Foi andando até o prédio dela, olhando para os lados para se certificar de que ninguém o notava.
Sorriu satisfeito ao ver que a porta do prédio estava fechada. Entrou e olhou no quadro-negro que ficava ao lado da porta.
Brenda Morrison e Ariana Lovegood – Quarto 103, primeiro andar.
Mariah Thompson e Lucy McDonald – Quarto 104, primeiro andar.
Jennifer Mayer e Sophie Mayer – Quarto 105, segundo andar.
Hannah Connel e Julie Smith – Quarto 106, segundo andar.
Charlotte Abbott e Mayumi Chang – Quarto 107, terceiro andar.
Samantha Puckett – Quarto 108, terceiro andar.
Ele achou um pouco estranho o fato de Sam ter ficado sozinha com um quarto, afinal, para conseguir isso, só estando lá a mais de um ano e sendo o melhor da turma (como ele mesmo, por exemplo).
Pegou o elevador até o terceiro andar e foi até o quarto 108. Bateu na porta, mas não teve sucesso.
Freddie não sabia exatamente o que estava fazendo ali, porque era errado. Mas, ele havia cansado de pensar no quão errado era aquilo quando, na verdade, tudo o que ele queria era tocar cada parte existente no corpo da Sam. Era como se eles fossem imãs opostos com uma atração total entre eles.
Bateu mais duas vezes, mas não teve resposta. Tentou virar a maçaneta e se surpreendeu quando viu que a porta estava aberta. Pensou duas vezes e decidiu entrar, afinal, já estava ali mesmo.
Olhou para dentro do quarto – havia coisas dentro de caixas e uma mochila jogada no chão. Sam estava na cama, de olhos fechados, batendo com os dedos no colchão e com os fones de ouvido num volume tão alto que ele conseguia identificar a música como “Black”.
Observou Sam e constatou o óbvio: ela era realmente incrível.
Seus cachos estavam espalhados na cama e sua blusa tinha sido um pouco erguida quando ela deitou-se de qualquer jeito. Sua respiração era tranquila e ele pensaria que ela estava dormindo pela expressão suave que estava em seu rosto, se não fosse os dedos dela que continuavam batendo na cama no mesmo ritmo da música.
Suas curvas eram perfeitas e ele tinha a mesma pergunta de Wendy na cabeça, como ela conseguia comer tanto e ter um corpo desse? Ele não entendia. Era quase incontrolável o desejo que Freddie sentia por ela, como se seus corpo pegasse fogo só de olhá-la de um modo tão sereno.
Era como se ela o atraísse sem nem ao menos fazer nada para tal feito.
Sam ouvia a música e batia com os dedos na cama, seus pensamentos estavam totalmente em Freddie. De olhos fechados, era ainda mais nítido a imagem dele na cabeça dela. Seus braços e seus ombros, seu peitoral e as sobrancelhas que acompanhavam cada expressão que ele fazia. Seus olhos eram incríveis para ela e Sam sentia-se excitada só de lembrar dele olhando para ela com a íris quase totalmente negra de desejo. De ouvi-lo sussurrando coisas impróprias no seu ouvido. Do toque quente que ele tinha e de como era habilidoso com suas mãos.
Ela sabia não podia pensar dessa forma – mas, era inevitável. Ela queria correr no apartamento dele e ficar lá por mais muitas horas, desfrutando do maior prazer que já sentiu na sua vida.
Um desejo que lhe trazia um prazer incomparável.
Sam sentiu sua cama afundar e um peso ser posto no seu corpo, assustando-se e abrindo os olhos. Se deparou com as íris quase negras de Freddie na sua frente, olhando-a com tanta luxúria quanto era possível.
– O que... Você tá fazendo? – Perguntou ela com a voz rasgada.
– Fazendo você cumprir sua promessa – Respondeu ele e sua voz saiu um pouco mais rouca que o previsto.
Ele estava em cima dela e os dois estavam numa proximidade extremamente perigosa. Ela estava surpresa, mas não conseguia pensar em outra coisa a não ser na distancia entre os lábios dele.
– Que promessa? – Ela curvou um pouco a cabeça, curiosa.
– De que nos encontraríamos depois da aula – Ele sussurrou e beijou o pescoço de Sam, arrepiando-a – Pra fazermos direito o que fizemos de manhã...
– Você tava com a mão dentro da minha calcinha! – Acusou ela e isso fez ele rir no seu pescoço – Se você pedisse, eu teria te dado a Eurydice!
– Eurydice? – Ele ergueu a cabeça para ela, com uma sobrancelha erguida, acompanhando a expressão confusa dele.
Sam amava a sobrancelha dele e o bico que ele fazia quando estava confuso.
– Minha moto e... – Sam bufou – Cala a boca que a Mamma aqui tem uma promessa a cumprir! – Não aguentando mais, ela uniu seus lábios com os dele em um beijo intenso.
___
Os dois transaram mais uma vez naquela tarde e estavam se beijando mais uma vez quando o celular da Sam tocou e Carly disse que dali a dez minutos estava no quarto dela porque as duas precisavam conversar “seriamente”.
Freddie se vestiu e, antes de ir embora, beijou mais uma vez Sam como se aquilo fosse uma pequena dose para ele suportar a noite sem beijá-la.
O que era estranho. Muito estranho.
Ele saiu de lá com um sorriso idiota no rosto. Não entendia esse efeito que Sam tinha sobre ele: era diferente de tudo. Missy era amável, bonita, inteligente, não tinha vícios, bem educada e ele a amava. Bom, ele achava que a amava, nunca tinha sofrido uma desilusão amorosa antes para saber se aquilo que ele sentia por Missy era realmente amor. Os dois começaram a namorar e decidiram se casar, porque estavam ambos acostumados um com o outro e, mesmo que Freddie não percebesse, havia ali uma grande influência entre a amizade do seu pai e da família de Missy.
A culpa que ele sentia só deu o ar da graça quando Missy bateu no quarto dele, dizendo que estava com saudade e perguntando porque ele não tinha respondido a mensagem que ela havia mandado (ele havia realmente esquecido o celular no quarto).
Os dois estavam deitados na cama dele, assistindo televisão. Freddie encostado na cabeceira e Missy com a cabeça no colo dele, com os fios ruivos sendo acariciados pelo mesmo.
Freddie se perguntava o motivo de gostar tanto de mexer nos cachos loiros de Samantha enquanto não tinha muito alvoroço para fazer o mesmo com Missy. Mas, estar com a noiva era confortante para ele. Algo que ele já estava acostumado e lhe trazia uma serenidade incrível.
Enquanto, com Sam, não era assim. Era um misto de atração e surpresa por cada coisa que descobria a respeito dela – que ainda era desconhecida para ele. Entre os dois existia apenas atração. Ele não sabia o segundo nome dela, nem nada sobre sua família e nem o motivo dela ter ido morar fora do país. Não sabia de quase nada. E isso era bom, pois evitava qualquer envolvimento afeito entre os dois e todo esse mistério deixava tudo ainda mais excitante.
– Amor? – Missy sussurrou para ele.
Freddie olhou para baixo e lá estava sua noiva, enquanto ele pensava em outra.
– Hm?
– Me desculpa por ter dito aquilo do Griffin, tá? – Pediu ela com um tom calmo e doce – Você sabe que eu não gosto dele, mas eu não deveria ter me referido a ele dessa maneira. Me desculpa, eu fui muito horrível.
– Me desculpa, eu – Ele pensou, alto.
– Pelo quê? – Missy uniu as sobrancelhas em confusão.
– Eu... Não sei, acho que ultimamente não estou sendo um bom noivo – Confessou Freddie e ver a expressão dela, causou a ele ainda mais desconforto.
– Você está sendo incrível, como sempre foi – Ela sorriu para ele – Me desculpa por hoje?
– Está tudo bem – Freddie suspirou e deu um selinho nela.
Quando, na verdade, não estava nada bem.
Naquela mesma noite, pouco antes de dormir, Sam recebeu uma mensagem de um número desconhecido.
“Oi Samantha, é o Freddie.
Acho que seria prudente se parássemos de nos encontrar, então nós não vamos nos ver quarta, depois da aula. Sei que não to na posição de pedir nada, mas vc pode guardar segredo sobre tudo que aconteceu entre a gente, né? Sei lá, qualquer coisa a gente pode conversar e tal...
Enfim, acho que é só isso. Valeu, Sam. “
___
Finalmente, sexta-feira. Era isso que pensava Sam, que tivera uma semana realmente corrida e já tinha três trabalhos para fazer durante o final de semana (coisa que ela odiava).
Como todos os outros dias, ela tinha se juntado aos demais no almoço. Depois da mensagem que recebeu de Freddie, nenhum dos dois trocava mais do que duas palavras (mesmo que ela quisesse que eles trocassem outras coisas como beijos, toques, carícias) e no dia seguinte da mensagem, ele e Missy se sentaram em outra mesa.
Mas, hoje, Freddie havia decidido dar o ar da graça junto com a noiva e sentaram-se a mesa, enquanto Sam contava para os outros sobre o dia em que ela e Carly invadiram uma festa como penetras e correram quando alguém chamou a polícia.
– A Carly andou dois quarteirões, bêbada, falando “meu pai vai me matar se descobrir que um cara beijou meu pescoço!” – Imitou Sam com a voz fina de Carly, arrancando mais risadas dos outros.
Freddie riu um pouco, também. Missy, bom, ela comia sua maçã e olhava para Sam de forma entediada.
Quinta-feira, ela e Freddie tinham ido para cama e ela podia jurar que ouviu ele sussurrar “Sam” quando chegou ao orgasmo. Isso tirou completamente a excitação da ruiva, mas ela não comentou absolutamente nada com ele.
Sabia que podia ter entendido errado e que, de qualquer maneira, a culpa não era dela, mas sentia-se enfurecida só de ficar no mesmo ambiente que ela. Afinal, que tantas histórias engraçadas ela tinha? Missy duvidava que fossem verdadeiras.
– Deixa só ele descobrir que a Shay vai ficar com um badboy... Tsc, tsc – Gibby disse.
Carly não corou tanto quanto na ultima vez, já que esse era o assunto do almoço da semana inteira desde que Griffin mandou uma mensagem no celular dela perguntando se ela ia na festa dele.
– Eu não vou ficar com o Griffin – Carly disse.
– Ah, vai sim! – Sam interveio.
– Não vou! – Carly insistiu.
– Quer apostar? – Sam ergueu a sobrancelha para Carly.
– Droga! – A morena bufou e cruzou os braços.
Sam riu e pegou a ultima batata-frita do seu prato, colocando a na boca.
– Por que não apostou? – Brad questionou.
– Sam nunca perdeu uma aposta. Até hoje – Carly respondeu e se virou para Gibby, que estava ao lado de Brad – Enfim, Gibby, como vai seu irmão?
– Ah, ele tá bem melhor – Gibby respondeu. Seu irmão havia sido internado dois dias antes com pneumonia – Ele já teve alta, quando eu fui pra casa ontem a noite, ele mandou um beijo pra você.
– Ele é um amor! – Carly disse com os olhos brilhando – E sua mãe?
– Vamos dizer que ela me ama mais agora que eu parei de sair nos jornais com um bong na mão – Ele respondeu e recebeu um sorriso solidário da Carly.
Sam estava prestando atenção no assunto deles e se surpreendeu ao saber que Gibby curtia uma erva. Resolveu perguntar, mas sentiu algo incômodo.
Uma sensação que ela conhecia muito bem.
A queimação na nuca e a sensação de que estava sendo observada. Sam desviou a atenção de Gibby e olhou para o lado, lá estava Missy, com os braços cruzados e, diferente de todos que conversavam com Gibby e Carly, ela estava quieta e olhava para Sam desafiadoramente.
– Perdeu alguma coisa, ruiva? – Ela perguntou, erguendo as sobrancelhas para Missy.
Instantaneamente, a mesa ficou em silêncio. Sam pensou que estava entendendo errado, mas Missy tinha um olhar furioso e com superioridade.
– Não, Puckett – o tom que ela usou para falar o sobrenome da loira foi de extremo nojo, como se ela tivesse dito algum palavrão ou alguma coisa impura. Todos notaram, inclusive Sam – E mesmo que tivesse, você não gostaria de saber.
Em dois anos que todos ali eram amigos, eles nunca viram Missy sendo grosseira ou agindo dessa maneira com alguém.
E ela não sabia – para seu azar – que tinha decidido começar a agir dessa maneira com a pessoa errada. Ela não sabia onde estava pisando. Ela não tinha ideia de como estava falando e com quem estava falando.
Sam se levantou e sua cadeira quase caiu com tamanha velocidade. Missy estava na sua frente e ela se curvou, batendo a mão na mesa e fazendo com quê o copo que estava próximo quase caísse. Missy levou um susto e olhou para Sam com os olhos arregalados.
– Escuta aqui, russa de merda – Começou Sam e seus olhos estavam furiosos – Eu já fui presa quatro vezes, uma parte da minha família materna está atrás das grades e a outra metade, é procurada pela polícia federal. Já peguei em mais armas do que você pode imaginar e se precisar calar essa sua boca, vou fazer questão de usar minhas próprias mãos. Se você ousar falar mais alguma merda, se ousar dizer meu sobrenome, se você pensar que pode se meter no meu caminho... Pode ter certeza de que você ainda não conhece nem dez por cento do que eu sou capaz.
Ela terminou em um tom extremamente ameaçador e até Carly ficou com medo de intervir.
– Isso é uma ameaça? – Missy perguntou e seu tom denunciava seu medo.
Sam riu em ironia e saiu da mesa, jogando a mochila nas costas e já tirando seu maço de Marlboro do bolso.
– Entenda com quiser, russa – Disse, antes de dar as costas para eles sair do refeitório.
Missy estava trêmula. Suas mãos, seus lábios, tudo parecia fora de controle para ela.
Freddie estava bastante surpreso e talvez estivesse tão assustado quanto a noiva – Sabia que Sam não era fácil, mas descobrir que supostamente sua família era composta de bandidos, isso causava calafrios nele.
– Ela falou sério? – Perguntou Brad.
Pelo olhar que Carly lançou a ele, todos entenderam que tudo era mais sério do que eles esperavam.
– Ela já foi pior – Suspirou – Eu a conheço melhor do que ela mesma. Pode ter certeza que a Missy teve sorte dela só ter dito isso.
– Sorte? Carly, aquela selvagem me ameaçou! – Missy finalmente disse com um tom quase choroso. Estava morrendo de medo.
– Ah, Missy! – Brad bufou – Todo mundo aqui sacou, segunda-feira, que não é pra tocar no assunto da família dela e nem nada do tipo, logo depois que você deu uma de curiosa. Aí hoje você fica encarando ela e diz o sobrenome dela com esse tom de repulsa? Porra, você meio que pediu essa reação!
– É Brad, mas eu não pedi para ser ameaçada de morte por uma suburbana nojenta! – Ela disse – Ela é uma delinquente. Até parece aquele amigo de vocês, o Griffin – Sem conseguir frear a própria língua, Missy disse.
Só que, dessa vez, Carly bateu na mesa enfurecida, como Sam havia feito antes.
– Não fala assim da Sam e nem do Griffin! Você não pode julgar os dois só porque eles são diferentes de você. É ridículo e ultrapassado. Eu esperava isso de muitas pessoas, mas não de alguém como você – Carly bufou e jogou a bolsa no ombro – Decepcionante – disse e saiu da mesa, dando passos largos e rápidos.
– Amor, olha como ela falou...
– Não, Missy – Freddie interrompeu o que a noiva começou a falar para ele. Sua expressão era dura e ele parecia muito nervoso com tudo – Olha o que você disse. Griffin é o meu amigo, não é nenhum delinquente e mesmo que fosse, você não tem direito nenhum de sair por aí falando assim dele. E a Sam, você não pode simplesmente peitar ela e esperar uma reação boa. Como a Carly disse, é decepcionante saber que você agiu dessa maneira.
Brad e Gibby se levantaram, ambos com suas bandejas e Gibby até pegou a bandeja que Carly e Sam havia deixado.
Freddie viu ali sua oportunidade.
– Mas, amor... – Missy tentou, quando viu ele se levantar.
– Mas, nada – Novamente, ela fora cortada – Já deu meu horário.
Os três saíram dali, deixando uma Missy bastante triste e, ao mesmo tempo, enfurecida. Como é que todos os seus amigos haviam virado a cara para ela só por causa de uma novata com maus hábitos como a irmã adotiva da Carly?
E quem é que ela achava que era para ameaçar Missy dessa maneira? Será que a loira não sabia do poder executivo que os pais da ruiva tinham? Será que não sabia que ela era herdeira de uma aquisição antiga na Rússia e que seu pai era proprietário de pequenas ações de petróleo nos Estados Unidos?
Missy poderia ser simpática e sorridente, mas de idiota ela não tinha nada. Sentia-se completamente ameaçada na presença de Sam em relação a Freddie só pelos olhares que ele dava a loira (coisa que ele nunca tinha feito em relação a qualquer outra garota) e agora, também sentia-se ameaçada quando viu seus amigos brigando com ela só por um pequeno desentendimento entre as duas.
Havia tantas coisas que Missy não sabia em relação a Sam, mas, quando pegou seu celular, ainda no refeitório e fez aquela ligação, sabia que logo saberia de tudo. Sorriu satisfeita quando encerrou a chamada.
Samantha Puckett não poderia ter tantos segredos. Samantha Puckett não poderia ser tão incrível e engraçada e, ao mesmo tempo, tão ameaçadora e grosseira. Samantha Puckett não podia roubar o seu noivo e seus amigos e Missy sabia disso.
Entretanto, o que Missy não sabia é que ela havia declarado guerra com Samantha Puckett no momento em que pronunciou seu sobrenome com desdém. E ela não sabia, também, que a ultima pessoa que declarou guerra com Samantha Puckett estava em coma até hoje.
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