Sexo, Escola e Rock And Roll
14 Desdobramentos inesperados
Notas iniciais
Depois de muito viajar pelo Fantástico Mundo de Bob, o único plano plausível que me veio à cabeça foi, bem... não tão plausível assim.
— Gente, tive uma ideia! — Falei de repente, fazendo com que todos me olhassem. — Já que o Allen pagou pelo almoço, que tal irmos aqui na Hebber escolher alguns presentes pra Sabrina?
— Não precisa, eu já estou feliz com esse almoço. Finalmente descobri o que é Foie Gras. — Sabrina, apesar da inexpressividade, conseguia dizer tudo apenas com os olhos e com o tom de voz. No início, fiquei feliz por ela, mas depois, quando pensei no que viria a seguir, logo minha alegria se esvaiu.
— Acho que Maria tem razão. — Apesar de não termos discutido o plano, Bel conseguia meio que ler meus pensamentos. Ela sempre foi assim. — Já comemos bastante, não? — Ela olhou para Jack, que estava deitado em um sofá marrom, quase morrendo de tanto comer.
— Sério que vocês querem que eu saia daqui? — Ele perguntou, numa voz de sofrimento. Dei uma risada e fui até lá ajudá-lo a se levantar.
Fomos até o balcão pagar a exorbitante conta de mais de 500 reais, e depois andamos até a Hebber, que ficava a cerca de 200 metros dali.
Quando entramos, automaticamente os garotos se sentaram nas cadeiras da entrada, inclusive o idiota do Sam que não se interessou nem um pouco em escolher alguma coisa para a própria namorada. Então, fomos eu, Bel e Sabrina. Respirei fundo, sabendo que dali a alguns minutos todo aquele clima mudaria.
Fomos até o último andar, onde escolhi estrategicamente a seção de perfumes, já que ela tinha vista para o térreo.
Estava na hora de começar.
— Bel, Sabrina. — Olhei séria para as duas. — Eu vou até o térreo. Por favor, fiquem olhando para a seção de lingerie no térreo, de preferência de modo a não serem vistas lá de baixo. Me perdoe, Sabrina. — Olhei para ela, pesarosa.
Desci dois andares e fui até os garotos. Encarei Sam, séria.
— Vamos escolher alguma coisa para a sua namorada? — Ele respondeu, com fúria nos olhos e um sorriso nos lábios.
— Claro.
Tentando ficar o mais distante dele possível, caminhamos até a seção de roupas íntimas femininas.
— Até quando pretende enganá-la desse jeito? — Disse, sem olhar para ele.
— Eu sabia que estava planejando algo. Você não entende mesmo, não é? — Ele também não olhou para mim, fingindo escolher uma lingerie para Sabrina.
— Não, eu não entendo. Você tem uma namorada linda como ela, e mesmo assim a trai com uma garota que acabou de conhecer, na frente de todo mundo.
— É um pouco mais complicado do que isso. — Ele encostou na minha mão, e eu a movi rapidamente, indo para a estante do outro lado.
— Não tem nem um pouco de respeito? — Dessa vez, encarei-o, séria.
Ele fez o mesmo, soltando uma risada. Aquilo me deu náuseas.
— Eu cansei, sabe? Cansei de fazer tudo o que me pedem. Por mais que pareça valer a pena... — Ele se aproximava de mim, e eu tentava evitá-lo, por mais que aquilo fosse parte do plano.
— Eu não sei o que você está passando, mas não é motivo para fazer essas coisas. Aquela garota sofreu muito, e eu digo isso mesmo a tendo conhecido há tão pouco tempo.
— Eu não ligo. E você quer saber do que mais? — Ele me prendeu contra a parede. Apenas deixei.
— O quê?
— Você... — Aproximando seu rosto do meu, pude ouvir sua respiração. Fiquei ainda mais enjoada, mas me mantive ali. — Você me excita... de um jeito que não consigo me controlar. — Ele me beijou, puxando minha cintura para si. Estava me sufocando.
— Solte-a. — Arregalei os olhos, reconhecendo a voz de Bel. O cafajeste apenas obedeceu-a.
— Está tudo bem. — Sabrina se aproximava, com uma lágrima escorrendo por seu rosto. — Se você não me quer mais... por que não terminamos?
— Você sabe que não posso. — Estávamos todos sérios e prestando atenção no que ocorria, por mais que não fosse da nossa conta. Quer dizer, não minha e de Bel.
— Se eu o fizer, ele não ficará chateado. — Ele? Não entendia.
— Ficará. Ele pediu que nos apoiássemos, lembra?
— Nos apoiaremos mais separados, Sam. Você sabe o quanto eu amo vocês dois... — Ela fez uma pausa e abaixou a cabeça. — E o quanto sou grata por aquilo. Mas não está dando certo.
Eu já não estava compreendendo mais nada, e pela expressão, nem Bel. Quem era essa terceira pessoa envolvida na história?
— Eu vi você e a Lil naquele dia, Sam.
Os olhos do marmanjo se arregalaram.
— Mas... você... você...
— Eu sei. Não é culpa sua. — Ela andou até ele e o beijou suavemente.
— E este foi o nosso último beijo. Diga a seu pai que eu pedi por isso, e ele não terá raiva de você, mas de mim.
— Me... desculpe.
Sabrina saiu andando na frente. Apenas a seguimos, confusas. Que história era essa de pai, e quem era Lil? Chegando na entrada, os dois garotos conversavam seriamente sobre algo.
— Podemos ir? — A loira passou seus olhos por todos nós. Nessa hora, nossos corações se apertaram. O meu, pelo menos.
Voltamos para a frente do restaurante.
— Eu sinto muito pelo incômodo. E obrigada por tudo. — Sabrina ia sair andando, quando resolvi falar:
— Olha, se pensa que vamos te deixar ir embora assim, está enganada. — Ela se virou e me olhou, surpresa. — Você nos deve algumas explicações.
— Maria, não é uma boa... — Bel tentou me segurar, mas caminhei até Sabrina, encarando-a.
— Temos uma banda para constituir, e como amigos, devemos compartilhar tudo. Principalmente o que mais escondemos de nós mesmos. — Sorri, tentando animá-la. Seus olhos estavam cheios de lágrimas.
Fizemos uma pausa dramática, até que...
— Muito obrigada. — A loira veio até mim e me abraçou. Senti meu coração parar.
— Você não vai mais ficar sozinha. — Abracei-a de volta.
Eu não sabia o que era aquilo... aquela sensação. Era como se eu...
— Não vamos ficar aqui só olhando, né? — Bel, Allen e Jack vieram até nós e nos abraçaram também.
Depois de um minuto assim, Allen se manifestou.
— Gente, as pessoas da rua estão começando a olhar. — Nos soltamos, rindo. Até Sabrina, apesar dos olhos tristes, tinha um levíssimo sorriso nos lábios.
Respirei fundo.
— Então! Vamos ficar aqui de drama no meio da calçada, ou vamos procurar um estúdio pra gente discutir o que é importante?
Sem falar nada, Allen chamou um táxi. Nos arrumamos dentro dele do mesmo jeito que estávamos no carro de Sam.
— Qual o nome do estúdio em que íamos? — O baixinho perguntou para Sabrina.
— Garage Music & Tricks.
— Tá, nos leve para um bom estúdio que não seja esse aí.
E seguimos viagem. Bom, eu tinha tempo para perguntar direito sobre o que acontecera na loja. Mas não naquela hora. Não ali. Algo me dizia que eu iria saber na hora certa.
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Fotos
Acima, Maria Yukai
Acima, Allen Johnson
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