Sex & Love
9 Fênix
No caminho até em casa, Clara escreveu à Marina falando sobre todas aquelas coisas que circundavam sua cabeça. Tomara definitivamente sua decisão e a amada precisava saber disso, precisava saber que em breve estariam juntas, definitivamente juntas.
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“Falta pouco” pensou Marina em meio a lágrimas e sorrisos ao terminar de ler as palavras escritas pela assistente.
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Quando Clara chegou em seu apartamento, Cadu já estava ali com Ivan. Arrumou as coisas do menino e falou-lhe que o levaria para dormir na casa da Tia Leninha pois “a mamãe quer ficar sozinha com o papai”.
Levou-o ao apartamento da irmã, explicando a ela que precisava ficar a sós com o futuro ex marido.
Voltando a casa, disse a ele que precisavam conversar, dessa vez direito, sem brigas e acusações, pois tinham um filho e precisavam estabelecer como resolveriam a questão da separação perante ele.
Cadu que já estava mais calmo, concordou.
_Primeiro, Cadu eu queria que você se esforçasse ao menos um pouco pra entender os meus motivos.
Começou dizendo a dona de casa.
_ Olha Clara, eu juro que venho tentando fazer isso há algum tempo, mas tá difícil. Não consigo entender você jogar fora todos os nossos sonhos, toda uma vida que tivemos juntos.
_ Mas, Cadu, eu não estou jogando nada fora. Tudo o que nós vivemos todos esses anos foi real. Fomos muito felizes e isso eu jamais vou esquecer. Você me deu a coisa mais importante: O nosso filho. Vai ser sempre muito especial pra mim. Preciso que entenda isso.
_ Só que você não me ama mais, é isso?
_ Amo. Amo muito mas...
_ Mas, ama mais a Marina.
Disse ele completando.
_ Para. Não é isso. São só amores diferentes.
_ Amores diferentes, sei. Você ama os dois mas é com ela que quer dividir a vida a partir de agora, é isso?
_ Sim.
Falou ela abaixando a cabeça, fitando os próprios pés.
_ Tudo bem Clara, a vida é sua, você pode fazer dela o que quiser. Mas eu só te digo uma coisa: Não vou levar meu filho comigo agora por ele. Não quero que o Ivan sofra, acho que devemos manter uma relação cordial por causa dele. Mas, eu não quero o meu filho convivendo com essa mulher, tá entendendo?
_ Sim.
Disse a dona de casa ainda fitando os próprios pés. Não reiniciaria outra discussão com o agora ex. Era melhor deixar que as coisas se ajeitassem, cada uma a seu devido tempo.
_ Tudo bem então. Estamos conversados, vou arrumar minhas coisas. Hoje eu durmo no quarto do Ivan e amanhã me mudo para um hotel.
_ E como vamos dizer isso ao nosso filho?
_ Vamos explicar que estamos nos separamos mas que o amamos muito e faremos o possível para que a separação interfira o mínimo possível na vidinha dele. De acordo?
_ Sim.
Respondeu Clara sorrindo por se sentir aliviada. Cadu não causaria problemas e quem sabe um dia ainda conseguiriam tornar-se amigos.
O homem se retirou da sala dirigindo-se ao quarto para arrumar suas coisas. Clara ficou ali, na sala, pensativa. Um filme passando em sua cabeça ao lembrar de tudo que vivera com Cadu entre aquelas paredes. Era difícil encarar que um longo período de sua vida estava chegando ao fim, seu coração apertava dentro do peito, sentia-se como alguém que está prestes a se afogar e tenta desesperadamente, em vão, agarrar-se a qualquer coisa para que não aconteça.
Todavia, pensar na perspectiva da vida nova lhe trazia forças. Marina era a razão pela qual passaria por tudo aquilo, e por Marina valeria a pena, afinal de contas, qualquer esforço que tenha como objetivo ser feliz sempre valeria a pena.
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Alguns dias haviam se passado desde que Cadu saíra de casa. Foram dias difíceis, Clara via a tristeza no semblante do filho, isso lhe partia o coração. A dona de casa preocupava-se muito com o bem-estar do menino e tratou de fazer-lhe o máximo de companhia. Queria que sua separação de Cadu fosse o menos traumática possível, por isso, deixava-o dormir consigo todas as noites e durante o dia fazia de tudo para agradá-lo e mesmo durante o período que ele passava na escola Clara permanecia em casa programando alguma brincadeira ou atividade para fazerem juntos quando ele chegasse ou levava-o até o galpão para ver o pai, já que como Cadu tinha ido para um hotel, ficava mais difícil que os dois passassem a noite juntos.
Curioso era que toda essa preocupação com filho fazia com que Clara sentisse menos o peso da separação do Marido. Tinha lembranças lindas de tudo que viveram juntos, porém, lhe era agradável a ideia de ter as rédeas da própria vida. Sentia-se cada vez mais segura e bem consigo mesma.
Gostava também do fato de que mesmo que o casamento não tivesse terminado nada bem como ela desejava, Cadu em nenhum momento tentou colocar o filho deles contra ela e também não esboçou intenção de tirá-lo da companhia da mãe. Ela considerava isso muito bom, isso lhe dizia que em algum momento mais cedo ou mais tarde o ex-companheiro entenderia melhor a situação, tinha fé que teriam uma relação de amizade.
Todavia, em meio a esse período de adaptação, Clara acabou também se afastando de Marina. Não a tinha visto desde a briga com Cadu no galpão. Escrevera-lhe no mesmo dia confessando-lhe como estava se sentindo em relação à separação, mas, depois disso permaneceram em silêncio. A dona de casa sabia que Marina estava lhe dando tempo, tempo para se acostumar com sua nova vida e era agradecida a ela por isso, esse tipo de atitude da fotografa fazia com que Clara a amasse ainda mais.
Com Marina tudo era leve, a fotografa permitia-lhe ser quem ela quisesse, ou pudesse. Era como se Marina lhe enxergasse a alma. Pensar assim em relação a fotografa fazia com que a saudade que estava dela aumentasse, não suportaria por muito mais tempo continuar assim, distante.
Clara se encontrava deitada no sofá em meio a pensamentos, Ivan tinha acabado de sair para escola e foi quando a campainha tocou despertando-a para vida real.
Pensou que podia ser a mãe ou Helena indo lhe fazer uma visita, as duas estavam sendo una amores com ela e com o filho desde a separação, sempre procurando ajudar no que fosse preciso.
Dirigiu-se até a porta e ao abri-la deu de cara com Marina.
Nesse momento Clara sentia várias coisas ao mesmo tempo, seu coração estava aos pulos, suas pernas perderam a força, mas a mais forte das emoções que sentira naquele momento foi felicidade. Não esperava que Marina viesse até ela, acreditava que a fotografa esperaria até que ela lhe procurasse, porém, a surpresa foi mais do que bem-vinda.
As duas sorriram uma para outra e ficaram paradas nessa posição pelo que lhes pareceu uma eternidade, até que Clara saiu do estado de incapacitação e correu para os braços da abrada, dando-lhe um abraço apertado repleto de saudade, amor, mas principalmente desejo. E Foi, também ela quem primeiro desvencilhou-se do abraço, segurando o rosto de Marina entre as mãos e beijando-a na boca.
Foi um beijo desesperado, cheio de urgência. Clara queria tanto ter Marina ali com os lábios unidos aos seus que nem se deu conta de que ainda estavam no corredor. Foi a fotografa que chamou a atenção para isso, as duas riram e entraram para o apartamento da dona de casa às gargalhadas. Ao fecharem a porta atrás de si, Clara não quis perder tempo, tratou de imprensar a fotografa ,com força, na parede mais próxima. O que acabou surpreendendo Marina positivamente.
Clara fitava a fotografa mordendo os lábios e recebia de volta “aquele olhar” que a tinha arrebatado desde a primeira vez em que se viram.
Marina sabia bem o que a assistente queria e pretendia fazer, deliciava-se com a ideia, era a hora de deixar Clara possuí-la.
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