_Te amo

Disse Marina olhando profundamente nos olhos de Clara, com aquele olhar capaz de despir e invadir a alma.

A dona de casa fechou os olhos sentindo o efeito causado por aquelas palavras preencherem cada centímetro de seu corpo.

_ Te amo, muito.

Continuou a fotografa mantendo ainda o mesmo olhar fixo na amada.

Clara sorriu e internamente teve a certeza de que essa era a hora. O momento que vinha aguardando e adiando durante tantos meses havia chegado, não tinha mais como fugir do amor que sentia por Marina e também não queria fazê-lo principalmente porquê as palavras que a outra proferiu na noite anterior ainda ecoavam em sua cabeça: “Um grande amor não se encontra a cada esquina”.

_ Marina, vamos sair daqui?

Marina fitou a outra sem entender o que significavam aquelas palavras. Será que após ela ter se declarado daquela maneira Clara simplesmente queria ir embora? Fugir mais uma vez sem maiores explicações?

A fotografa já não aguentava mais aquela situação e sentiu uma onda de extrema tristeza invadir-lhe. Foi quando Clara disse algo que Marina não pôde acreditar, mesmo que tivesse sonhado tantas e tantas vezes com aquilo:

_ Me leva pra outro lugar.

Disse a dona de casa ao notar o olhar confuso e o sembrante de tristeza e desânimo da outra, falou dando ênfase ao “outro lugar”a fim de que Marina pudesse captar o que ela estava tentando lhe dizer.

Marina não conseguia acreditar que Clara realmente estava sugerindo aquilo que ela pensava que estivesse.

Desde que elas se beijaram pela primeira vez em seu estúdio ao som de “The way you look tonight” Marina sonhava com o dia em que teria Clara por inteiro. Mais de uma vez se viu relembrando aquele momento, relembrando como tinha planejado tudo nos mínimos detalhes. Chamar Clara pra dançar estando as duas sozinhas era o plano perfeito, a proximidade de seus corpos acabaria por ampliar seu poder de sedução, e modéstia à parte, ela sabia que era muito boa nisso.

O plano funcionara perfeitamente, ela, Marina tinha conseguido envolver Clara em seus braços, em seus toques e quando sentiu que Clara estava totalmente entregue, beijou-a deixando que seus lábios também se envolvessem ao som da música. Sentir o gosto da boca de Clara foi a coisa mais maravilhosa que Marina julgou ter sentido na vida. “Como sua boca era doce, seus lábios perfeitos...”.

Porém, Marina queria mais. Além da boca de Clara ela queria o corpo inteiro. Queria Clara em sua cama, desejara isso desde o momento em que a vira pela primeira vez naquela exposição e ao tê-la ali entregue àquele beijo, teve a certeza de que a amada também a desejava.

Mas, enquanto Marina sentia suas bocas unidas naquele beijo e começava a imaginar o que poderia acontecer depois dele, Clara se desvencilhou, afastando-se e olhando-a com um olhar de quem diz que "aquilo havia sido um erro". A dona de casa saiu andando em direção a porta e foi embora, deixando Marina atrás de si com um olhar de incredulidade e com seus sentimentos oscilando entre a alegria pelo beijo trocado e medo, medo de que Clara nunca mais entrasse por aquela porta.

Notas finais
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