Sex & Love
2 Frio na barriga
Notas iniciais
Após o acontecido e de a fotografa chegar a pensar que Clara nunca mais retornaria ao trabalho no estúdio, Marina surpreendeu-se quando ela apareceu para trabalhar no dia seguinte, linda, como sempre e com um sorriso esfuziante no rosto. Ao vê-la o coração de Marina encheu-se de alegria e esperanças: “Se ela voltou é porquê me corresponde, de alguma forma”.
Meses haviam se passado desde esse primeiro beijo e outros já tinham acontecido, no entanto, ela e Clara nunca tocavam no assunto. Nunca conversavam sobre isso. Parecia que para Clara não comentar sobre isso tirava o peso do ato em si. “Se não conversavam não tinha acontecido”, e se não aconteceu ela não tinha porque se sentir culpada ou traindo o marido, ainda mais diante de toda aquela situação da doença do Cadu.
Essa coisa toda acabava por deixar Marina muito triste já que ela amava Clara com todas as forças de seu coração e nunca conseguia ter total certeza se era correspondida nesse sentimento ou não, embora acreditasse que sim. Além de tristeza, a frustração da fotógrafa era imensa. Havia sido uma conquistadora até então, tinha conseguido ter qualquer mulher que desejara durante toda a sua vida,o sexo para ela tratava-se de algo de extrema importância e não ter conseguido obtê-lo justamente de quem mais desejava era ironicamente frustrante. Mesmo quando elas se beijavam, Clara sempre conseguia se esquivar desse contato mais intimo. E mais de uma vez recusou os pedidos dela para passarem a noite juntas.
Contudo, agora ela estava ali, aparentemente entregue, pedindo a Marina que a levasse a “outro lugar”.
Sem deixar que a dona de casa tivesse tempo de desistir a fotografa pediu a conta. Após pagarem, Clara se levantou, foi até o lugar em que Marina estava sentada deu-lhe a mão ajudando-a a se levantar, quando a fotografa parou de pé a seu lado Clara aproximou-se de seu corpo e sussurrou em seu ouvido:
_Eu quero você.
A outra sentiu um arrepio percorrer-lhe todas as extensões, suas pernas fraquejaram (tinham perdido a força), seu sexo reagiu com a mesma rapidez que os arrepios correndo por sua pele. Era incrível como, entre todas as mulheres que haviam passado por sua vida, apenas aquela era capaz de fazê-la se sentir dessa maneira.
Marina não foi capaz de dizer uma palavra, apenas puxou Clara pelas mãos conduzindo-a para saída.
A fotografa queria que sua primeira vez com Clara fosse especial, porém, não no sentido romântico. Ela queria que Clara descobrisse os prazeres do sexo entre duas mulheres, queria proporcionar a ela um momento de prazer maior do que qualquer outro que houvesse experimentado antes.
or isso, Marina preferiu que a coisa se desenvolvesse da forma mais banal e carnal possível, queria prender Clara àquele momento apenas pelo prazer pois sabia que dali em diante a dona de casa descobriria de uma vez por todas a real condição de sua sexualidade. Levou-a a um motel que conhecia muito bem e sabia que era ótimo.
Pouco conversaram no caminho. Cada uma estava imersa em suas próprias questões.
Ao perceber a chegada a um motel Clara sorriu de forma tímida, porém, demonstrando sua aprovação a Marina. E a mesma se sentiu aliviada com a reação da dona de casa.
Ao entrarem naquele quarto, a assistente de Marina se sentou na cama olhando a fotografa ali, de pé a sua frente fitando-a profundamente com aquele olhar sedutor e arrebatador que tanto a fazia estremecer.
_ Você parece conhecer bem esse lugar.
_ Sim conheço, bastante.
Marina disse isso sem deixar de olhar Clara, daquela maneira que a despia totalmente, nem por um segundo.
_ Sempre traz a suas mulheres aqui?
_ Costumava trazer.
_ Muitas vezes eu me peguei pensando nisso. Em você, em todas as mulheres que já sucumbiram a esse seu poder de sedução. Em todas que te amaram e principalmente em todas que você amou. Tenho certeza de que não foram poucas.
_ É verdade, mas nenhuma delas era como você.
Falou a fotografa puxando Clara pelos braços forçando-a a se levantar. O corpo da dona de casa foi ao encontro do dela e de repente elas estavam ali, corpos colados, trocando um beijo devastador.
Clara já tinha sentido o poder que o beijo de Marina exercia sobre seu corpo. Por quantas vezes teve que usar o máximo da força de vontade para conseguir resistir e evitar que algo mais acontecesse? Contudo, naquele momento ela não precisava mais resistir. Era a hora de se entregar.
E ela queria, queria muito entregar seu corpo à Marina, deixar que ela fizesse tudo aquilo que vinha prometendo com os olhos desde que se conheceram. Por quantas vezes já não havia se imaginado vivendo aquele momento? Por quantas vezes já não havia fantasiado Marina tomando seu corpo, percorrendo-o? Invadindo-o?
Se desconcertava pensando nessas coisas desde o dia que foi visitá-la após o desmaio na exposição e mais ainda após ter certeza de que Marina realmente se relacionava com mulheres. Já tinha, inclusive, chegado a se tocar pensando nas carícias daquela mulher que carregava um verdadeiro incêndio no olhar.
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