Seu Amor É Uma Mentira!
16 Capítulo 15
Notas iniciais
– Por que Hinata? Por que não me contou? – via as lagrimas escorrendo por seu rosto, e por esse motivo não contara, não queria ver o Uzumaki sofrendo por isso, ele lhe dissera coisas horríveis, mas ela o amava e seu coração doía cada minuto mais por vê-lo naquele estado. – Por favor, Hina, me perdoa. – sua voz falhava e a Hyuuga levou os braços para seu corpo, circulando-o em um abraço carinhoso e preocupado. Ele a apertou forte contra si. – Por favor. – repetia enquanto ela acarinhava seus cabelos, tentando acalmá-lo. – Por favor Hina diz que pode me perdoar. – as lagrimas dele molhavam sua camisa e ela chorava, não pelo seu passado, mas por vê-lo daquele jeito. Ela não conseguia suportar ver a culpa e a dor do arrependimento em seus olhos. – Me perdoe.
– Se acalme Naruto, por favor. – ela disse tentando acalmá-lo, não gostava de o ver daquela forma. – Entre, sim? Alguém pode te ver aqui dessa forma. – Naruto era uma figura publica e se vazasse uma foto dele naquele estado não seria bom. Ainda com os braços circulando o seu corpo, ela o puxou para dentro de sua casa.
Sem resistências Naruto deixou-se puxar, mas não ligava que o vissem, só pensava em conseguir o perdão da amada, a quem há muitos anos havia magoado de uma forma irreparável. Tomando cuidado para não pisar em seu pequeno filhote que estava em seus calcanhares, a morena conseguiu trazer o Uzumaki para sua sala e lhe soltou o corpo para fechar a porta. Passou a chave para não correr o risco de aparecer alguém, algum vizinho poderia ter visto o instante com Naruto do lado de fora e virou-se, o loiro estava sentado no sofá, as lagrimas ainda rolavam em seu rosto e Akamaru rodava em sua perna, abanando o rabo tentando a todo custo o animar.
Naruto respirou fundo e tentou se acalmar, ele precisava conversar com a Hyuuga, entender o porquê dela não o contar toda a verdade, entender tudo o que passara e pedir perdão, se tivesse se debulhando em lagrimas como faria isso? Viu a Hyuuga voltar para o meio da sala e sentar na poltrona branca, inclinando o corpo na sua direção. Engoliu as lagrimas, esperando que ela falasse.
– Quem te contou? – perguntou. A única pessoa que passava em sua mente era Temari, mas não acreditava que a amiga tivesse feito isso.
– Neji. – Naruto respondeu e os olhos da Hyuuga se arregalaram. O primeiro contara? – Nos encontramos na lanchonete, hoje eu estava esperando a detetive particular que contratei pra saber mais sobre você, eu queria ter certeza de que você não tinha mesmo mudado, e nos esbarramos, conversamos um pouco e ele contou.
– Eu sabia do detetive. – agora fora a vez do Uzumaki se surpreender. – Temari é minha amiga, ela me contou tudo.
– E-eu não fazia idéia. – disse envergonhado. – Eu só queria ter certeza de que você ainda era minha Hina. – ela corou. – Não imaginava descobrir tudo que soube hoje. Por que não me contou?
– Não fazia sentido te fazer sentir culpado por algo que aconteceu há tanto anos. – a morena respondeu.
– Mas eu falei tanta coisa, te fiz acusações. – ele se mostrava arrependido.
– Você não sabia o que tava falando. – ela disse. – Doeu, muito. Mas não era por que você tava me fazendo sofrer que eu tinha que retribuir o favor. – aquilo fora como uma facada para ele. Ele a fez sofrer tanto, e mesmo assim, ela só pensava em não o magoar. – Não tinha necessidade de você saber isso!
– Mas eu sei. – ele disse. – A culpa de tudo é minha, se eu tivesse ligado, mandado uma mensagem, tentado falar com você de algum modo. – ele voltava a chorar.
– Seus pais morreram, é compreensível, de certo modo. – disse chorosa. – Eu, como pode ver, fiquei bem.
– Por que não voltou Hina? – ele perguntou. – Apesar de ser bem duro e ter te expulsado, se voltasse, pedisse desculpas, ele te aceitaria de volta, ele é seu pai. – Hinata engoliu a seco, não queria falar disso, não queria remexer o passado, reabrir as feridas.
– Eu só não queria deixar sabê-lo que tinha razão. – fora a desculpa que usara a todos esses anos, mas podia ver nos olhos azuis cristalinos que ele conhecera sua reação e sabia que ela fugia de algo.
– Antes do Neji chegar, eu li o relatório de Temari. – começou. – E nele eu comprovei uma coisa que, no fundo, eu sempre soube. Você não mudou Hina, continua a mesma, desde a adolescência, o amor por todos os seres vivos, se importar mais com os outros do que com si mesma, a humildade, a decência e o bom coração. – ele a conhecia mesmo muito bem, antes tivesse pedido a Temari para não o entregar nada, talvez assim, a Hyuuga não tivesse naquela situação delicada. – E se mesmo depois de tudo, e da sua profissão, você ainda é assim, eu tenho certeza que naquela época seu orgulho não seria tão grande a ponto de preferir passar fome a assumir que seu pai estava certo. – o loiro podia ver em seus olhos perolados que ela o escondia algo, mas o doía falar aquilo, tivera o coração partido ao perder os pais, seu mundo fora ao chão, e seus sentimentos foram congelado com o tempo, mas amou a Hyuuga como nunca fora capaz de amar de novo, tanto que ela fora a única que conseguiria descongelar e reviver os sentimentos dele, e, para ele, confessar que o pai tinha razão, era horrível. Respirou fundo retomando o foco. – Eu sei que está tentando me esconder algo, mas a culpa de tudo foi minha Hina, e eu quero saber tudo.
– E-e-eu não podia voltar... – ela sussurrou em lagrimas, a maior dor que já enfrentara cortando em seu peito novamente.
– Por que não? – ele insistiu.
– Porque meu pai não iria aceitar que eu tivesse um filho seu. – olhou para o teto, fugindo dos olhos azuis brilhantes, pelas lagrimas, e surpresos que a encaravam, deixou com que um soluço rasgasse por sua garganta.
– F-filho? – sua voz fora gaguejante e falha, como assim filho? Do que ela estava falando? Com os olhos cheios de lagrimas Hinata se levantou indo para o corredor.
– Por favor, vá embora. – ela entrou no banheiro. – Já acabou, não quero falar disso. – ela tentava fugir dele, mas ele não iria desistir. Como assim filho? Teriam eles um filho juntos?
Se levantou rapidamente e fui a porta do banheiro, estava trancada, como ele imaginou. Bateu na porta com força.
– Hinata saia daí. – chamou, ela não respondeu, não iria conseguir falar sobre aquilo, ninguém além dela e Tsunade sabiam. – Do que está falando Hinata? Como assim filho? Me explica. – seu rosto era uma confusão sem fim, se sentia a ponto de voltar as lagrimas. – Nós temos um filho?
– Não. – ela soluçava.
– Vem aqui pra fora. – ele pediu. – Me conta o que aconteceu, eu sinto que eu preciso saber. Ela pensou e repensou, mas não tinha escapatória, ele merecia mesmo saber. Ela abriu a porta, tentando controlar as lagrimas, mas não pôde parar ao ver o rosto confuso e choroso do loiro a encarando. – Vamos sentar e conversar, está bem? – ela assentiu e eles voltaram a sala, sentando-se no mesmo lugar de antes. O loiro antes tão emocionalmente alterado, agora era o mais calmo, ele via o estado da Hyuuga e podia notar que era um assunto doloroso para ela. – Como assim filho? – ela respirou fundo.
– Dois dias antes do dia de nossa ‘fuga’, eu descobri que estava grávida. – os olhos dele se arregalaram. – Eu não te contei, porque queria deixar para lhe falar quando já tivéssemos juntos e por isso eu não liguei para nada que meu pai disse quando parti, eu ia ficar com meu filho e o amor da minha vida. – ela chorava. – Mas você não tava lá e eu sabia que se voltasse, dissesse que ele tinha razão, que você era um estúpido, ele me deixaria voltar, mas a barriga cresceria e ele saberia que o filho era seu, e me faria tirar. – o loiro ouvia cada palavra assustado. – Eu não aceitaria tirar meu bebê. – com as mãos nos olhos ela limpou o excesso de lagrimas que lhe tampavam a visão.
– Então nós temos um filho? – ela negou com a cabeça. – O que aconteceu?
– Eu perdi, quando tava com 5 meses. – ela disse e Naruto chorou, seu coração se apertou, era seu filho, que ele nunca veria. Não conseguia imaginar tamanha era a dor de Hinata. Saiu do sofá e se aproximou dela, abraçando-a. Ele a apertou contra seu peito e sentia os soluços sacudindo todo seu pequeno corpo. Sentou-se no sofá com ela em seu colo, apertando contra si, podia ver toda a fragilidade de Hinata naquele momento. – Eu trabalhava de garçonete quando Tsunade me conheceu, quando ela me propôs um trabalho bom, que eu ia ter dinheiro, comida e uma boa casa, eu pensei nele, na vida que eu tinha, eu nunca ia poder sustentar meu filho. – ela contava e Naruto finalmente entendeu o verdadeiro motivo dela ter aceitado levar aquela vida, mas uma vez se sacrificando, dessa vez por um filho.
– Nele? – parecia que ela sabia que era um menino.
– Era um menino. – ela disse. – Eu conversei com Tsunade, disse que aceitava o trabalho e, também, contei do bebê. Ela me explicou qual era o trabalho, mas disse que me ajudaria com ele, ai depois eu começaria a trabalhar pra ela. – ele apertou mais o corpo feminino contra o seu. – Antes de sairmos de Konoha ela me levou pra fazer uma ultra, só pra saber se estava tudo bem. – ela não conseguia parar de chorar. – Eu já tava com 4 meses e deu pra ver o sexo, e o ouvir o coraçãozinho, que bateu por tão pouco tempo depois daquele dia.
– O que houve pra sofrer um aborto? – ela soluçou.
– Quando chegamos em Tókio, Tsunade marcou um obstetra pra mim, mas demoraria um pouco a primeira consulta, bom, mais ou menos, um mês. E antes do dia da consulta eu senti muitas dores, um sangramento, e ela me levou numa emergência, mas não tinha muito o que fazer, eu tinha abortado. – ele fechou os olhos chorando. – Eu fui no médico e descobri que eu tenho uma doença, que causa aborto natural, a dificuldade pra engravidar e algumas outras coisas. Desde então eu me trato pra isso, o uso constante de anticoncepcional e alguns remédios fazem dessa doença controlável, mas até lá, eu não sabia, não sabia, e por isso meu bebê se foi.
– E então você não ia voltar pra Konoha depois disso, então ficou e começou a trabalhar com Tsunade. – ela assentiu. – Passou esses anos todos guardando isso pra você, eu queria ter te encontrado antes.
– Na verdade, eu preferia não ter te encontrado nunca. – ela tentando levantar de seu colo, mas ele a prendeu.
– Por quê? – segurando ela ainda em seu colo, olhando em seus olhos.
– Porque eu te amo. – ela disse e ele sorriu. – E minha vida ia muito bem antes de você voltar e além de me insultar, me ofender, e fazer lembrar o quanto eu ainda te amo. – o loiro segurou o rosto dela com ambas as mãos e a olhava sorrindo.
– Eu sei que fui ruim pra você Hina. – ele disse. – Não só agora como também no passado, eu devia ter ficado, ter te esperado e te levado comigo pra onde quer que eu fosse, eu não devia nunca ter te julgado da forma como eu fiz quando te reencontrei, eu não conseguia entender, e, também, não era eu. Com os anos eu mudei, me perdi no meio de trabalho, eu fiquei frio, raivoso, e foi esse Naruto que te insultou. – ela o olhava desacreditada. – O Naruto que está na sua frente agora, é aquele da sua adolescência, que você trouxe de volta. Você me trouxe de volta a mim, Hina. E me ver o quanto eu te amo.
– Eu não acredito em você.. – ela sussurrou, queria acreditar, queria que ele tivesse voltado a ser seu Naruto-kun, e que a amasse. Afinal, ela sabia que o sentimento que tinha por ele, nunca morreria.
– Olha nos meus olhos, diz se eu estou mentindo. – ele a encarava. – Eu te amo Hinata. Sempre te amei, e sempre vou te amar. – ela conseguia ver que ele não mentia, mas ele já falara tanta coisa, já a magoara tantas vezes, que era difícil confiar. Ela negou com a cabeça. – Acredita em mim, eu só quero uma chance de provar que eu te amo e redimir todo o mal que já te fiz passar.
– É preciso muito mais que palavras Naruto. – ela se levantou de seu colo, sem resistência da parte dele dessa vez. O loiro procurava algo no seu bolso, algo que guardara por anos, que provaria que ele nunca quis magoar a Hyuuga, que ele queria viver com ela sua vida toda.
– Hina. – sua mão estava dentro do bolso do blazer. Ela o olhou. – Eu prometo, que se depois disso, você quiser que eu vá embora, eu vou, e não vou mais te perturbar, nunca mais. – ela assentiu, era o que queria, que ele deixasse ela viver sua vida de novo. – É pra você. – ele tirou a mão do bolso, junto com uma pequena caixinha de camurça azul.
– O que é isso Naruto?
– Abra e verá. – ele estava tão calmo, ela pegou a caixinha e abriu, seu queixo caiu. Era um par de alianças que há 10 atrás enquanto caminhavam juntos viram, a Hyuuga havia se encantado por elas, e o Uzumaki prometera que um dia quando fosse a pedir em casamento compraria. – E antes que pense que eu procurei uma igual agora e comprei pra você, vê a data que ta gravada nela.
“23/05/2005”
A data marcava 10 anos atrás, na época em que tinham 16 e se amavam. Os olhos vermelhos, pelo choro recente, da Hyuuga, encheram-se de lagrimas.
– V-v-você ia me pedir em c-c-casamento? – um dia ela sonhara em casar, em passar toda vida junto de alguém que a amasse, ser feliz para sempre, mas há anos acreditava que ninguém nunca iria querer desposá-la, pela vida que levava.
– Sim. – disse firme. – Eu ia te pedir em casamento, porque eu sempre quis passar a vida com você. – ela chorava.
– Mas as coisas não foram assim né. – sorria amarelo, imaginando como sua vida podia ter sido ao lado do loiro.
– Hina, eu não te dando essa aliança só pra você ver que eu sempre quis passar minha vida do seu lado. – ela estava confusa. – Eu estou te pedindo em casamento!
– Você está louco Naruto? – ele riu.
– Pode dizer que sim, eu estou louco por você. – disse. – Eu te amo!
– Eu sou uma prostituta. – ela disse. – Não tem como casar comigo.
– Eu não ligo, eu, realmente, não me importo pra sua profissão. – disse. – Eu te amo e eu estou sendo sincero.
– Nenhum homem quer se casar com uma mulher da minha profissão.
– Eu não me importo. – ele repetiu andando em direção a ela. – Se aposenta, e seja minha esposa, eu amo você além da sua profissão, e te quero como minha mulher. – com a mão ele pegou a dela e deixando o orgulho do grande Uzumaki Naruto para trás, ele se ajoelhou, deixando-a pasma e desacreditada. – Você aceita se casar comigo?
Continua...
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